Pointer

Classificação F.C.I.: Cães de aponte, 7o. grupo em exposições gerais.

País de origem: Grã-Bretanha.

História:

      Muito se tem dito e escrito sobre a origem do pointer, e como de costume, as opiniões e conclusões estão longe de coincidirem.
      Alguns sustentam que sua ascendência deve ser buscada no velho braco braco inglês , levado no século XIV às ilhas britânicas e proveniente da Espanha. Outros corrigem esta versão sustentando que este ascendente somente chegou à Inglaterra em 1713, depois da paz de Utrecht.
      O célebre escritor Arkwright, autor da obra “A História do Pointer” , afirma que a raça é proveniente do braco italiano, antepassado indiscutível de um grupo importante de cães de mostra.
      A hipótese mais aceitável parece ser aquela segundo a qual os ingleses aperfeiçoaram este cão mencionado, levando-o ao tipo moderno denominado Pointer Inglês.
      Os ingleses somente chegaram ao resultado atual através de cruzamentos com o foxhound, o bull terrier e o bulldog; naturalmente a dosagem de cada uma das raças mencionadas devem ter sido precedidas de muitas meditações.
      Alguns autores limitam a infusão de sangue estranho ao foxhound; outros tendem a considerar que o pointer foi obtido exclusivamente a partir do braco, somente por seleção. Arkwright admite várias misturas de sangue. É evidente que, de todos modos que o resultado obtido, não importando o método seguido, coroou os esforços dos criadores ingleses; foram eles que há cerca de 150 anos atrás brindaram a humanidade com o pointer moderno já aperfeiçoado.
      A seguir apresentamos o padrão oficial, oriundo da Federação Cinológica Internacional (FCI). Em alguns tópicos faremos comparações ao padrão oficial do American Kennel Club (AKC), pois não podemos jamais negar todas as influências deste país nos melhoramentos realizados nas mais diversas raças, e o pointer inglês não se constitui uma exceção.

POINTER INGLÊS

Aparência geral:
      Todo simetricamente construído; contorno descrevendo uma série de curvas harmoniosas. Aparência forte mas, ágil.

Comentário: o pointer inglês, apesar de musculatura aparente com músculos perfeitamente desenvolvidos, jamais poderá parecer ser tosco ou deselegante. Poderemos comparar a musculatura de um halterofilista com a mesma de um nadador, sendo que a deste último tem o aspecto de músculos longilíneos e mais equilibrados, como deve ser a musculatura de um pointer. A função de um pointer, caçador exemplar, não permite que ele seja tosco ou dê a aparência de lentidão.

Característica:
Aristocráticas. Alerta. Robusto, denotando resistência e velocidade.

Temperamento:
Gentil e sempre disposto.

Comentário: o pointer nunca deve demonstrar timidez em relação ao homem e outros cães. De nossa observação oriunda da convivência com nossos pointers indica que eles são discretos em sua relação com seu dono. Não se relacionam da mesma maneira com toda a família, sendo cães de um só dono.Têm tendência a comportamento tímido com o homem caso não convivam com frequência com os mesmos. Se os pointers são adquiridos para exposições caninas aconselhamos que seus proprietários tenham contacto íntimo com seus cães de forma a que os mesmos adquiram a confiança necessária ao comportamento exigido nestes eventos.

Cabeça:
      Crânio de largura moderada, em proporção ao comprimento do focinho, stop bem definido, crista occipital pronunciada. Rima de pálpebras e trufa escuras, podendo ser mais claras nos exemplares limão, laranja e fígado. Narinas largas, macias e úmidas. Focinho moderadamente côncavo, terminando no nível das narinas, conferindo uma sutil aparência dish-face. Suave cinzelamento sob os olhos, ossos malares sem relevo, lábios macios e bem desenvolvidos.

Comentário: o padrão da AKC define que os "lábios do pointer devem ser suficientes para cobrirem justamente o maxilar inferior". De outra forma os lábios em excesso, em nossa opinião, pareceriam os lábios de um dog alemão. Muitos dos pointers que temos visto se parecem desta forma.Também por ser um cão de aponte e recuperação da caça abatida, lábios em excesso atrapalhariam a fixação da caça na boca. De qualquer forma, não gostamos de lábios excessivos.

Olhos:
      Inseridos à meia distância do occipital a ponta da trufa, brilhantes e de expressão doce, podendo ser marrom ou castanho conforme a cor da pelagem. Não são grandes, protuberantes ou inexpressivos.

Comentário: a coloração deve ser escura, e quanto mais escura melhor. Acrescentamos a existência de cor preta nos olhos para os cães pretos sólidos e pretos com branco.

Orelhas:
      De couro fino, comprimento médio, inseridas razoavelmente altas, portadas caindo rente às faces.

Comentário: quando pendentes devem atingir naturalmente o ponto abaixo do maxilar inferior, bem aderentes à cabeça com pequena ou nenhuma dobra. Devem ser algo pontudas na sua extremidade, nunca redondas. Macias e finas no couro.

Bocas:
      Maxilares fortes, mordedura em tesoura, isto é, os incisivos superiores ultrapassam, tocando com a face posterior, a face anterior dos incisivos inferiores, e engastados ortogonalmente aos maxilares.

Comentário:   o padrão americano admite mordedura em torquês. O padrão antigo da FCI também assim admitia.  De nossa observação na criação de pointers, animais com mordedura em torquês têm a tendência de produzirem cães prognatas. Portanto, apesar de estarmos sendo muito rigorosos, não admitimos em nossa criação, animais com mordeduras tipo torquês. Já tivemos experiências desagradáveis no passado para podermos ser flexíveis neste aspecto. Acrescentamos que os maxilares devem terminar quadrados e nivelados, dando a impressão final para a cabeça de ser mais comprida que larga.

Pescoço:
      Longo, musculoso, ligeiramente arqueado, bem articulado ao tórax, sem barbelas.

Comentário: longo, seco (sem barbelas), subindo harmoniosamente dos ombros.

Membros anteriores:
      Ombros longos, inclinados e bem articulados ao tórax. Peito de largura suficiente moderada. Membros retos e firmes, com boa ossatura, de seção oval, musculatura forte e visível. Carpos com a face anterior no mesmo alinhamento dos membros e uma leve proeminência na face medial. Metacarpos fortes, resistentes, alongados e ligeiramente inclinados.

Comentário: ombros longos, finos e inclinados. As pontas das omoplatas ficam bem juntas.

Tronco:
      Costelas bem arqueadas e bem anguladas para trás; linha superior descendente, com lombo curto e ligeiramente arqueado. Garupa com ilíacos bem espaçados e proeminentes, sem ser acima da linha superior

Comentário: o dorso deverá ser forte e sólido, com uma leve descendência da cernelha à garupa; o lombo, ao contrário do acima descrito, deverá ser de comprimento moderado, poderoso e levemente arqueado. Podemos afirmar que o exame de qualquer exemplar, para a maioria das raças, inclusive o pointer, deve começar pela linha de dorso (top line). A linha superior de um cão reflete toda a angulação dianteira assim como a angulação traseira, se corretas ou não. Principalmente para os cães de trabalho e esportes, um bom exemplar começa por uma boa e correta linha de dorso. Deverão ser observadas quebras de linha de dorso, garupas elevadas ou caídas, dorsos carpeados ou selados. A partir da constatação de que o animal possui uma linha superior correta, os detalhes característicos daquela raça deverão ser analisados.

Membros posteriores:
      Bem musculados, joelhos bem angulados, coxa e perna de bom comprimento e jarretes curtos.

Comentário: traseiros musculosos e poderosos e com grande propulsão. Coxas longas e bem desenvolvidas, joelhos bem angulados, jarretes limpos; as pernas devem ser retas vistas por trás. Angulação pronunciada é sinal de força e segurança.

Patas:
      Ovais, compactas, dígitos bem arqueados e bem acolchoados palas almofadas plantares.

Comentário: pés de gato devem ser considerados como faltas. Os ergots traseiros devem ser removidos. Em nossa criação também removemos os ergots dianteiros.

Cauda:
      De comprimento médio, grossa na raiz, afinando suavemente para a ponta. Bem revestida de densa pelagem, portada no nível da linha superior, sem enrolar para cima. Em movimentação a cauda oscila horizontalmente para os lados.

Comentário: o comprimento máximo da cauda deve ir até a ponta do jarrete. Uma cauda que ultrapasse o jarrete ou amputada deve ser penalizada. Deve ser portada a não mais que vinte graus acima do dorso, e sem curvas, e nunca deve ser portada entre as pernas.

Pelagem:
      Curta, refinada, dura, uniformemente distribuída, perfeitamente lisa e reta, com brilho inconteste.

Cor:
      Limão e branco, laranja e branco, fígado e branco, preto e branco são as mais comuns. Unicolor e tricolor também são cores corretas.

Comentário: em nosso padrão FCI o Limão é o cão com manchas laranjas (gene amarelo) e nariz preto, sendo o Laranja o cão com o nariz cor de carne. No padrão AKC o Orange (laranja) possui o nariz preto e o Lemon (limão) possui o nariz cor de carne, ao contrário de nosso padrão.

Talhe:
      Altura desejável na cernelha: machos 63 a 69 cm; fêmeas 61 a 66 cm.

Comentário:A AKC admite para os machos até 28 pol ( 71 cm).

Faltas:
      Qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.

Nota:
      Os machos devem apresentar dois testículos de aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.

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