Palestra sobre o meio ambiente
| Meio Ambiente no Brasil |
| por Paulo Nogueira-Neto |
Inicialmente, a
preocupação ambiental se confundia com a luta pela defesa de nossas florestas.
Durante os quatro primeiros séculos de ocupação humana, no Centro-sul e no
Nordeste, o desenvolvimento do País e dessas regiões se fazia à custa da
derrubada das florestas. Os
cerrados
e os campos rupestres, bem
como
as caatingas,
eram considerados áreas marginais e recebiam atenção também marginal. O
desenvolvimento agrícola exigia a destruição das matas. Assim, até os anos de
1950, o café respondia por aproximadamente 90% de nossas exportações. Os
cafeeiros são plantas vorazes, que exaurem o solo e exigem terras muito férteis.
A cafeicultura de expressão econômica se iniciou junto ao Rio de Janeiro, onde
Dom João VI estabeleceu a capital real. Depois, a cafeicultura migrou através do
Vale do Paraíba do Sul. Em seguida, tangenciou São Paulo, para ocupar Campinas e
se espraiou pelo oeste do Estado. Mais tarde ocupou o noroeste do Paraná. Ocupou
também o sul de Minas Gerais e partes do estado do Espírito Santo. No Nordeste a
produção agrícola principal era e ainda é a plantação de cana para a fabricação
de açúcar e álcool, também muito importante no Sudeste. O Brasil era, até meados
do século XX, uma nação basicamente agrícola.
Durante e após a Primeira Guerra Mundial, a indústria começou a se desenvolver, principalmente através das atividades de industriais italianos e ítalo-brasileiros, como os Matarazzo, os Crespi e os Bardella, além de empresários descendentes de libaneses, sírios, portugueses, alemães e outros.
Roberto Simonsen foi o
principal expoente da política brasileira de reserva de mercado para os produtos
industriais. Foi a época do
"similar nacional".
Se havia "similar nacional", não se importavam os produtos industrializados de
outras nações. Dom João VI abriu os portos brasileiros ao mundo. Rob
erto
Simonsen e sua escola os fecharam, proibindo ou restringindo a importação de
produtos industriais. Era a ideologia do Brasil Grande, considerado aqui como se
fosse um País sitiado pelas outras nações do planeta. Essa reserva de mercado
visava proteger o início da industrialização, objetivo necessário, mas era uma
política insustentável a longo prazo. Muito mais tarde, somente a partir de
1980, os portos brasileiros começaram a ser reabertos ao mundo, no governo
Collor (1990-92) e principalmente nos governos que se seguiram.
Hoje vivemos um clima de
Mercosul,
de economia global, de maior respeito ao mercado. O café responde agora por
cerca de 10
%
das nossas exportações. Diversificamos nossa produção, que em muitos setores é
competitiva no mundo globalizado.
Essas características, aqui muito resumidas, de nossa evolução econômica, tiveram não apenas profundas conseqüências na aceleração do desenvolvimento do País, mas também causaram grandes impactos ambientais.