Para tecer um comentário a respeito desse artigo, antes se faz necessário refletir sobre a função da figura do comentarista nos meios de comunicação de massa.
Repare que a esmagadora maioria das pessoas que lerem o artigo citado irá concordar com seu conteúdo. E isso acontece com quase todos os comentários veiculados pela mídia.
Mas por quê?!
Toda essa revolta expressa nos textos e locuções dos comentaristas faz com que o cidadão a tome como sendo dele próprio. Isso alivia aquela vontade de gritar, de pular, de se revoltar com a situação que a sociedade está vivendo em determinado contexto.
E é essa a real função dos comentários desse tipo. Fazer com que os cidadãos se satisfaçam, lavem a alma, e não pensem em ações concretas para resolver a inquietação que antes estava em suas mentes.
Para pessoas que não conhecem os bastidores da mídia, essa afirmação pode parecer um tanto maniqueísta. Para tentar ser mais claro, reflita sobre a seguinte questão: Qual vantagem uma empresa de comunicação tem em manter um profissional nessa função?
Porque um comentarista recebe salário, e esse salário sai do lucro da empresa que o contrata, e a empresa precisa ter esse lucro, correto?
Chegamos um ponto delicado agora. A informação e a credibilidade de um meio de comunicação são, pura e simplesmente, mercadorias. Pessoas precisam consumir para dar lucro. Nessa ótica, empresas que passam para o consumidor a idéia de que pensam como ele, que se revoltam com a situação dele, têm maiores chances de ganhar a confiança desse consumidor e fidelizá-lo como cliente. Assim, vendem para um público maior. Mas, e no caso das emissoras de TV abertas? Elas transmitem sua programação de forma gratuita, não é?! Então você pode pensar que as TVs não se encaixam nessa lógica mercadológica que mostrei. Errado! Se encaixam sim! Veja só... Quanto maior o número de “clientes” fiéis de uma emissora, que confiam no conteúdo passado por ela, maior é o público que vai assistir aos anúncios comerciais exibidos nessa emissora. E isso é o que valoriza esse serviço para os anunciantes. É aí que a emissora ganha. É daí que vem o seu lucro. Indiretamente, da confiança que seus “clientes” têm nela.
Vamos recapitular. A presença desse tipo de comentários nos meios de comunicação é necessária para a manutenção da sociedade da forma como a conhecemos, fazendo com que não haja o caos e a revolta social, e para a fidelização do público consumidor que passa a confiar mais na empresa que demonstra preocupação com a realidade da população desprivilegiada.
Se você fizer um exercício de reflexão e pensar sobre isso que acabei de dizer, vai ver que faz sentido e não é complicado, como pode parecer.
Agora, para comentar o conteúdo do que foi dito no artigo do Jabor em questão, é claro que concordo com o que ele escreveu. Como a esmagadora maioria da população brasileira que tiver contato com esse artigo irá concordar. Essa é a função dele. Um comentarista JAMAIS vai escrever ou ler um artigo que seja contrário à opinião da grande maioria do público leitor, ouvinte ou telespectador. É pra isso que ele é pago. E só. Dar eco a um texto dessa natureza, sem refletir sobre sua função mercadológica é, ao contrário do que deveria, mais um caminho de alienação social.
Jacks Andrade
Jornalista - Viçosa (MG)