CRIANÇA HIPERATIVA: QUEM É ELA?
Fernanda Cristina de Carvalho Santos
RESUMO: O objetivo deste trabalho, é definir quem é a criança hiperativa, fazendo uma abordagem geral sobre a hiperatividade e suas consequências, alertando para a conclusão do diagnóstico e informar os locais na Bahia que fazem atendimento às crianças portadoras deste distúrbio.
Palavras-chave: Hiperatividade; diagnóstico; causas; locais de tratamento na Bahia.
ABSTRACT: The objective of this work is to define that
she is the hiperativa child, making a general boarding on the hiperatividade
and its consequences, alerting for the conclusion of the diagnosis and to
inform the places in the Bahia that make attendance of carrying children of
this disturb.
Key words: hiperatividade; diagnosis; causes;
places of treatment in the Bahia.
É impossível não perceber a chegada de uma criança hiperativa em um ambiente; o alvoroço toma conta, arrastam cadeiras, avançam brinquedos, pulam sem parar, são estabanadas, com frequência tropeçam, esbarram em objetos derrubando-os; muitos pais acreditam que é um sinal de vivacidade.
Escolhemos o tema com o intuito de fazer o leitor refletir para esta questão, uma vez que a maioria das pessoas definem hiperatividade de uma forma errônea. A intenção é de contribuir na definição e consequentemente ajudar nas relações dessas crianças com seus amigos, professores e familiares, assim como indicar os locais de tratamento na Bahia. Os teóricos Topczewski[2] (1999), livro de Brandão (1983) e os artigos de Cypel e Levy serviram de base para o trabalho.
HIPERATIVIDADE: como definir?
A hiperatividade traz dificuldade de aprendizado e, sem tratamento, pode comprometer o desempenho do adulto. Atualmente é também chamada de Transtorno Deficitário da Atenção (DDA). As causas podem ser de origem orgânica, neurológica, psíquica e psicológica, e o fator hereditário pode contribuir, por isso o diagnóstico não deve ser feito por um único médico, mas por uma equipe multidisciplinar.
De acordo com Brandão (1983), para diagnosticar a hiperatividade é necessário verificar os seguintes sintomas comportamentais: “incapacidade de ficar quieto, distração fácil por estímulos irrelevantes, impaciência, total desatenção a perguntas e em tarefas, desobediência, impulsividade, tendência excessiva às manifestações verbais e um déficit auditivo aparente”.
Para Topczewski (1999), hiperatividade é um sintoma sem definição, porém existe uma concordância das pessoas que é um distúrbio comprometedor no comportamento do individuo, sendo caracterizado como um desvio de comportamento em virtude da presença excessiva de alternância de atitudes e atividades, incapacitando o indivíduo de permanecer quieto por um determinado período de tempo para o desenvolvimento de atividades diárias. Para ele, “ crianças e adolescentes hiperativos são frequentemente considerados como pessoas incovenientes”.
Segundo Brandão (1983), nem sempre a hiperatividade vai estar ligada ao distúrbio de atenção, são independentes, podendo ocorrer individualmente; ele pontua que “ a atenção é nome dado ao caráter direcional e à seletividade dos processos mentais organizados”. Para Cypel (2001)[3], os hiperativos têm histórias semelhantes; são em geral frutos de uma gravidez difícil e a cada quatro crianças hiperativas, surge uma menina, e, em suas palavras (2001:40):
“(...) é uma constatação internacional. Há algumas hipóteses para tentar explicar isso. Os meninos, pela própria natureza do sexo, são mais ativos , inquietos. Basta ver as brincadeiras. Eles se atracam, correm o tempo todo. Na hora do recreio, as meninas normalmente conversam em grupos, enquanto os meninos chutam a lata de lixo. Para se divertir, eles precisam de atividade física mais intensa”.
Para Topczewski
(1999), em média 10% por cento das crianças atingidas estão na idade
pré-escolar e 4-5% na idade escolar; em adolescentes não há informação de
incidência e na idade adulta atinge 20-30%, ressalvando que estes, foram
hiperativos na infância; segundo o autor em referência, “ o comportamento
hiperativo do adulto, é mascarado por um grande esforço, ou seja, são pessoas
que estão o tempo inteiro a se movimentar, seja num cinema ou qualquer outro
lugar”.
Para Levy,[4]
(2000), “ hiperatividade é um termo corrente para um comportamento irrequieto,
superexcitado e infeliz”; a criança não consegue fixar a atenção em uma
atividade por mais de alguns minutos; os hiperativos sobem em móveis, falam
compulsivamente, vivem perdendo material escolar e não suportam bem
frustrações.
É importante deixar
claro que nem toda criança agitada deve ser rotulada de hiperativa. A agitação
pode ser sintomas de doenças graves, como o autismo, hipertireoidismo,
depressão infantil, assim como pode ser resultado de problemas de
comportamento. As primeiras evidências da hiperatividade, conforme Topczewski
(1999), “ podem ser observadas já no lactente, embora seja mais evidente em
crianças na fase pré-escolar ou escolar”. Brandão (1983), compreende que uma
avaliação com o médico, é uma etapa essencial na definição da hiperatividade; é
o profissional quem deve procurar as causas específicas; ele vai ver as
necessidades a serem aplicadas no teste para formulação do diagnóstico, vai
realizar exame neurológico, vai verificar o grau de inteligência da criança, seu
desempenho escolar, se tem amigos, seu comportamento em casa e em sala de aula.
Segundo Topczewski
(1999:28), os onze (11) ítens abaixo relacionados tornam a hiperatividade
evidente em uma criança:
1. “Ao brincar, não conseguem fixar, por um tempo em determinadas atividades; desinteressam-se rapidamente buscando outra ocupação. São crianças que estão sempre em todos os lugares.
2. Necessitam de vigilância constante.
3. Trocam de brinquedos com frequência.
4. Têm espírito de destruição, mesmo com seus objetos.
5. Não conseguem sentar à mesa para uma refeição.
6. Assistem televisão por pouco tempo.
7. Falam muito e mudam de assunto rapidamente.
8. Qualquer estímulo desvia sua atenção.
9. Não finaliza uma tarefa de maneira adequada.
10. São desorganizados com suas roupas e objetos”.
No primeiro ano de
vida, pode-se perceber: período de sono curto, acordam várias vezes à noite,
choram sem causa aparente, apresentam
cólica frequentes, desconforto e insatisfação. Para Levy, não existe cura; “
pode se controlar com tratamento psicoterápico, prática de atividades físicas
e, nos casos mais graves, medicamentos estimulantes ou antidepressivos”.
Acredita Topczewski que a hiperatividade esteja ligada a genética, em virtude
de casos semelhantes em parentes próximos; ele considera (1999:37):
“(...) haver desequilíbrio neuroquímico cerebral,
provocado pela produção insuficiente de neurotransmissores (Dopamina,
Noradrenalina ) em certas regiões do cérebro (região parietal posterior,
sistema límbico, região frontal e sistema reticular ascendente) que são
responsáveis pelo estado de vigília, atenção e controle das emoções. Esta
desorganização bioquímica leva a alterações neurofisiológicas que acarretam
alterações do sono, comportamento agressivo, impulsivo, depressivo e os
distúrbios de atenção que podem estar associados ao quadro de hiperatividade”.
Diversas são as causas
comprometodoras; considerando inicialmente a fase do nascimento, que provoca na
criança desconforto, falta de ar, alteração no tecido cerebral que podem ou não
desencadear disfunções cerebrais. A disfunção orgânica pode estar presente uma
vez que há envolvimento de algumas
áreas do cérebro na determinação do quadro hiperativo; Topczewski acredita que além destes fatores,
um outro que não deve ser descartado é o
psicológico, sendo em alguns casos o fator determinante.
A compreensão do
comportamento hiperativo por Topczewski
(1999), é que pode passar com o tempo em virtude do sistema nervoso central
sofrer maturação; algumas crianças hiperativas podem chegar com este distúrbio
até o período escolar. É importante informar que apesar de todas as
dificuldades, as crianças hiperativas não possuem menos inteligência ou
capacidade de aprendizagem do que as outras; necessitam apenas de atenção
diferenciada; ou seja, os pais devem procurar tratamento adequado para os
filhos.
Solange Rubim de Pinho[5]
apud Nascimento (2002), coloca que na Bahia os hospitais que prestam
atendimento e orientação à pais com filhos hiperativos são os seguintes :
Hospital das Clínicas (Hupes), Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, os
centros de saúde mental Osvaldo Camargo e Aristides Novais e a Associação
Bahiana de Recuperação de Excepcional (Abre).
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A Hiperatividade é um
problema social. É importante ressaltar que o diagnóstico de hiperatividade é
difícil e, portanto deve ser feito por uma equipe médica, como já foi
mencionado, para evitar um falso diagnóstico, que pode levar a uma conduta errônea por parte do profissional quanto à
criança.
Não se deve de forma
alguma, classificar de hiperativa, uma criança somente por achá-la agitada É
difícil determinar a origem do distúrbio e tentar atribuir culpas não é uma boa
saída, uma vez que o comportamento da criança é fruto da união de fatores
familiares com individuais. Portanto, tem que se observar a interação da
criança com o meio em que ela está inserida.
REFERÊCIA
BIBLIOGRÁFICA:
TOPCZEWSKI, A. Hiperatividade – como lidar? 3 ed. São Paulo:
Livraria e Editora LTDA. Casa do Psicólogo, 1999.
CYPEL, S. Especialista em neurologia infantil. Entrevista exclusiva para a
revista Época. Em 05, Outubro, 200l.
BRANDÃO, M.L.Atenção. São Paulo, 1983.
LEVY, D. A criança hiperativa. Via-saúde. Disponibilidade e acesso : www.viasaude.com.br/artigos/hiperativa.htm. Acesso em: 19/09/02.
[1] Acadêmicas do curso de psicologia da UNIFACS – Universidade Salvador
E-mail: [email protected], [email protected]
[2] Mestre em neurologia pela USP, Doutor em neurociência pela UNICAMP. Ex- professor assistente de Neuropsicologia da PUC – SP. Neuropediatra e Diretor do Hospital Israelita Albert Einstein. Consultor de Neuropediatria da AACD e do Hospital Infantil Dercy Vargas. Vice-presidente da Associação Brasileira de Dislexia (ABD) e membro do Conselho de Ética Médica do Hospital Albert Einstein.
[3] Especialista em neurologia infantil que observa crianças hiperativas há três décadas.
[4] Psicóloga do Clube do Bebê.
[5] Médica psiquiatra e professora de psiquiatria infantil da UFBA.