Danielson B. Warpechowski (CRP 07/10.409)
Numerologia, astrologia, leitura de mãos, orixás-cabeça... Sempre houve tentativas de identificar os tipos humanos. No entanto, só no século XX a ciência conseguiu desenvolver uma maneira séria e comprovada para isso. As tentativas não-científicas buscam em jogos obscuros, na adivinhação e no culto a entidades demoníacas a determinação da personalidade das pessoas – e o seu destino. A Psicologia se contrapõe ao ocultismo, apresentando as tendências das pessoas quanto suas reações e comportamentos, com base em estudos científicos, mas sem fixar um destino definido e obrigatório para as pessoas.
Um dos instrumentos científicos para isso é a teoria dos Tipos Psicológicos, desenvolvida pelo psicólogo suíço C.G. Jung, em meados do século XX. Essa teoria apresenta 16 tipos psicológicos básicos, formados a partir do arranjo de três fatores: atitude (extroversão ou introversão), percepção (sensorial ou intuitiva) e julgamento (pensamento ou sentimento). Mas os tipos humanos não determinam o destino de ninguém nem excluem a individualidade pessoal; apenas apresentam as tendências de reação das pessoas frente aos acontecimentos da vida.
A atitude extrovertida representa a tendência de dar mais atenção ao ambiente externo (as outras pessoas, coisas, acontecimentos) do que ao ambiente interno. Seu oposto, a atitude introvertida, representa a tendência a dar mais atenção ao interior (si mesmo, pensamentos, sentimentos).
A percepção sensorial identifica a tendência de perceber as pessoas, coisas e acontecimentos ao seu redor pelos sentidos físicos (visão, audição, tato, paladar, olfato), ou seja, pela aparência e pelo momento. Já a percepção intuitiva, perceber o mundo não pela aparência, mas sim pelo significado e pelas perspectivas futuras.
O julgamento por pensamento é tomar decisões, fazer escolhas e ter opiniões baseadas na lógica fria e racional. Já no julgamento por sentimento, as escolhas e decisões são feitas a partir da escala pessoal de valores e da ligação afetiva da pessoa com a coisa, fato ou pessoa.
Na verdade, todas as pessoas têm essas seis características: Extroversão e introversão, pensamento e sentimento, sensação e intuição. Mas é o arranjo do que está mais desenvolvido e menos desenvolvido que cria o padrão que Jung chamou de “tipo psicológico”. Conhecer seu próprio tipo psicológico ajuda a identificar em si mesmo pontos fortes e fracos, a compreender suas reações e relacionamentos, e também ser mais capaz de compreender e tolerar as diferenças que existem entre as pessoas.