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Ana Paula Bopp Leke

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE INGLÊS NA EDUCAÇÃO INFANTIL:

Um Enfoque Interacionista

 

 

 

 

 

Monografia de Curso de Especialização

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRUZ ALTA – RS, 2004


 

Ana Paula Bopp Leke

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE INGLÊS NA EDUCAÇÃO INFANTIL:  

Um Enfoque Interacionista

 

 

 

 

 

Monografia de conclusão do Curso de Pós-Graduação Latu-Senso em Interdisciplinaridade e Linguagens, da Universidade de Cruz Alta - RS, apresentada  como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista.

 

 

 

 

 

Orientadora: profª M.Sc. Ana Cláudia Pavão Siluk

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CRUZ ALTA – RS, AGOSTO 2004


 

 

UNIVERSIDADE DE CRUZ ALTA – UNICRUZ

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM INTERDICIPLINARIDADE E LINGUAGENS

 

 

 

 

A COMISSÃO EXAMINADORA, ABAIXO ASSINADA, APROVA A MONOGRAFIA

 

 

 

 

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE INGLÊS NA EDUCAÇÃO INFANTIL:

Um Enfoque Interacionista

 

 

 

Elaborada por

Ana Paula Bopp Leke

 

 

 

 

 

 

Como requisito parcial para a Obtenção do Grau de Especialista em Interdisciplinaridade e Linguagens

 

 

 

 

 

 

 

 

Comissão Examinadora:

Profª.M.Sc. Ana Claúdia Siluk_________________________UNICRUZ

Profª.M.Sc. Vaima Regina Alves Lemos_________________UNICRUZ

Prof.M.Sc. Antonio Escandiel de Souza_________________UNICRUZ

Cruz Alta – RS, 10 de Agosto de 2004


 

AGRADECIMENTOS

 

 

 

 

 

Agradeço em primeiro lugar aos meus pais, que sempre apoiaram e viabilizaram o meu aprimoramento profissional.

Ao meu marido que esteve ao meu lado, acreditando nos meus ideais colaborando para que eu os alcance.

Ao meu filho pela compreensão da minha ausência.

Ao meu amigo Danielson, que acreditou na minha idéia e contribuiu não só com o trabalho, mas principalmente com o  meu crescimento.

Agradeço a Marlise, que me deu a mão e o apoio para a realização não só deste trabalho, mas de outros, pessoais e profissionais.

As minhas amigas Suzana, Laura e Mariazinha, que me acolheram com amor e atenção e que hoje são o meu Norte e o meu Sul em Cruz Alta.

Agradeço aos meus alunos, que sempre serão fundamentais e partes integrantes da minha vida.

Finalmente, agradeço a todos aqueles que de uma forma ou de outra contribuíram para a realização deste trabalho.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“whenever you feel like criticizing anyone, just remember that all the people in this world haven’t had the advantages that you’ve had”.

F. Scott Fitzgerald

SUMÁRIO

 

LISTA DE ILUSTRAÇÕES.. 8

RESUMO.. 9

Abstract. 11

INTRODUÇÃO.. 12

1.     A EDUCAÇÃO INFANTIL E A AQUISIÇÃO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA.. 15

2.     FATORES INFLUENTES NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM.. 19

2.1.                      Fatores Neuropsicológicos. 19

2.2.                      Fatores Psico-Sócio-Afetivos. 25

3.     A IMPORTÂNCIA DO INGLÊS ENQUANTO SEGUNDA LÍNGUA.. 29

4.     O MÉTODO DE ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL. 34

4.1.                      Ensino da Língua Inglesa: Enfoque Interacionista. 38

5.     METODOLOGIA E RESULTADOS.. 42

5.1.                      O Método. 42

5.2.                      Caracterização dos Sujeitos. 43

5.3.                      Processos de Investigação. 43

5.4.                      Instrumentos de pesquisa e métodos de análise. 44

5.5.                      Tempo de  pesquisa. 45

5.6.                      Análise dos Resultados. 46

Projeto. 47

CONSIDERAÇÕES FINAIS.. 60

BIBLIOGRAFIA.. 63

Anexos.. 66

ANEXO A.. 67

Anexo A: Questionário aplicado aos pais da Escola A pelo psicólogo, como sondagem antes dos testes nas crianças. 68

ANEXO B.. 74

Anexo B: Gráficos Extraídos Do Relatório Psicológico, Relativos Ao Questionário Aplicado Aos Pais  75

ANEXO C.. 78

Anexo C: Depoimentos Dos Pais Constantes Na Questão nº 25 Do Questionário Aplicado Pelo Psicólogo. 79

 


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

 

Ilustração 1: Córtex Cerebral 18

Ilustração 2: Esquema de Aprendizagem no Cérebro. 20

Ilustração 3: Procedimentos. 35

Ilustração 4: Opinião dos Pais. 42

Ilustração 5: Uso de Letras. 44

Ilustração 6: Fluência Verbal 44

Ilustração 7: Raciocínio Concreto. 45

Ilustração 8: Compreensão., Julgamento e Resposta. 45

 

 

 

 


RESUMO

                                

A IMPORTÃNCIA DO ENSINO DE INGLÊS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: Um Enfoque Interacionista

 

Autor: Ana Paula Bopp Leke

Orientador: Profª Mestre Ana Cláudia Pavão Siluk

 

O presente trabalho compreendido na linha de pesquisa “Educação e Emancipação Social” apresenta um estudo teórico-prático interdisciplinar sobre o ensino de idiomas estrangeiros na faixa etária de zero a  seis anos de idade. Recorreu-se a uma extensa revisão bibliográfica, passando por diversas teorias educacionais, neuropsicológicas, psicológicas e psicanalíticas, centrando-se na abordagem interacionista. Com essa, mostra como ocorre o aprendizado de um novo idioma. Apresenta também facilidades de aprendizado e os ganhos neurocognitivos, sócio-afetivos e culturais que o este aprendizado apresenta em tenra idade. O desenvolvimento de habilidades lingüísticas acarreta o desenvolvimento concomitante de muitas outras habilidades cognitivas e sócio-afetivas. Portanto, fornece instrumentos mais eficientes para lidar com o mundo (out there). Além de todos os ganhos já citados, a importância da Língua Inglesa no contexto sócio-político-econômico e cultural na contemporaneidade faz da opção por tal idioma em específico mais do que justificável. Sendo assim, a pesquisadora vem ilustrar as constatações dos teóricos visitados através da prática profissional e de estudo psicológico. Ao apresentar o projeto The Three Litlle Pigs, aplicado em turmas de educação infantil demonstra que o trabalho interdisciplinar dentro do método interacionista de ensino proporciona resultados importantes. Tal se percebe na assimilação e operacionalização de vocabulário, conceitos semânticos e lógicos na língua alvo pelas crianças. Já os dados obtidos do estudo psicológico demonstram que os alunos do programa de língua inglesa no ensino infantil apresentam melhores resultados cognitivos e psicoafetivos do que alunos sem acesso a língua estrangeira. Através da teoria, do estudo psicológico e da prática profissional, comprova-se que o método interacionista de ensino, ao quebrar com o paradigma cartesiano, proporciona a relação dialética entre os saberes do professor e aluno, entre as dimensões neurocognitivas e psico-sócio-afetivas, entre o individual e o coletivo. Respeitando o contexto do aluno, tal método constrói um processo educativo integral e sociabilizante, de alta viabilidade e aplicabilidade para o ensino de idiomas para esta faixa etária.

PALAVRAS-CHAVE: linguagem, desenvolvimento, crianças, interacionismo, idioma, inglês


Abstract

THE IMPORTANCE OF TEACHING ENGLISH IN THE INFANT EDUCATION:

An Interacionist View

Author: Ana Paula Bopp Leke

 

Adviser: Ana Cláudia Pavão Siluk

 

The present study is in the “education and social Emancipation research line”. It presents a technical and theorical work on the teaching of foreign languages with children aged from four to six years old. From a bibliographical review to several teaching theories, the neuropsychology, the psychology and the psychoanalysis rallied to the interacionismo, shows how is the learning process of a new language. It also points out the neurocognitives, social, affectives and cultural advantages while learning a second language early.  The development of the linguistic abilities brings and advance concurrent with another cognitive, social and affective skills. Therefore, acquiring a second language before six years old is powerful tool to deal with different situations out there. Besides, it is important to know English as a second language due to its significance in the social, political and cultural context we live in. The researcher illustrates the theory through her professional experience and psychological study. Applying the project “The three little pigs”- at private school in Cruz  Alta – demonstrates that  an interdisciplinary work according to the interacionist method results in: better assimilation and operationalization related to the vocabulary , semantic and logical concepts by the children. According the tests done by the psychologist the children who are learning English in the infant Education have better cognitive and affective development than the ones who have never studied a second language. It is possible to notice that the interacionist method can establish   a new paradigm: teacher and student have the opportunity to learn and grow together, respecting their individual and social context. It will provide a complex and effective learning process in a foreign language acquisition.

KEY WORDS: language, development, children, interacionism, idiom, english

 

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INTRODUÇÃO

 

A pesquisa bibliográfica intitulada A Importância do Ensino da Língua Inglesa na educação Infantil: Um Enfoque Interacionista, compreendida na linha de pesquisa “Educação e Emancipação Social”  disserta sobre as facilidades e ganhos neuropsicológicos e sócio-afetivos de uma criança entre zero e seis anos de idade com o aprendizado de uma segunda língua, bem como da importância da escolha da Língua Inglesa para tanto.

A escolha do tema surgiu do interesse do investigador em aprofundar o conhecimento acerca da aquisição da linguagem na Educação Infantil, acreditando que esta possa colaborar para que o ensino de línguas seja visto sob uma ótica global, respeitando o sujeito e dando possibilidades para que este interaja mundialmente.

A sociedade, de certa forma, está mais consciente da importância das experiências na primeira infância, o que ensejou movimentos sociais e governamentais para o atendimento qualitativo das demandas de uma educação institucional para crianças de zero a seis anos. O conjunto destes fatores promoveu o reconhecimento das necessidades de atendimento à infância na Constituição Federal de 1988, e esta mudança é reafirmada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº9394/96 e pelo Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil (1998). No entanto, nada se fala a respeito do aprendizado de uma segunda língua neste nível de ensino, muito menos aborda enfoques de aprendizagem mais adequados a esta faixa etária na contemporaneidade.

Deste modo, este trabalho se propõe a discorrer sobre a temática  A Importância Do Ensino Da Língua Inglesa Na Educação Infantil: Um Enfoque Interacionista. Para tal, tem como objetivo geral Investigar o Ensino da língua inglesa na educação infantil, sob o enfoque interacionista.

Especificamente os objetivos são:

·        Investigar a aquisição de uma segunda língua na educação infantil;

·        Estudar os fatores que influenciam na aquisição da linguagem;

·        Analisar a importância da língua inglesa

·        Avaliar o método de ensino interacionista para a aprendizagem da língua inglesa na educação infantil.

A metodologia adotada para o desenvolvimento deste estudo é a pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa.

Este estudo é apresentado em seis capítulos:

O capítulo denominado Metodologia mostra os recursos e os procedimentos utilizados para a realização deste. Expõe como foram realizados a pesquisa bibliográfica, o modelo de prática interacionista (Projeto The Three Little Pigs), o estudo psicológico e a própria redação final deste trabalho.

 O primeiro capítulo trata da importância da Educação Infantil e da aquisição de uma segunda língua nesta faixa etária. Aborda a compreensão da faixa etária, o próprio sistema de educação infantil e sua relação com o aprendizado de língua estrangeira.

Sabe-se, por meio de observação e da experiência em sala  de aula, que as crianças aprendem idiomas com mais facilidade e naturalidade.  No segundo capítulo são abordados os conceitos teóricos que explicam tal evidência. Com o intuito de entender o processo de aquisição da linguagem e assim tornar o ensino realmente eficaz, a pesquisadora aponta alguns dos fatores neuropsicológicos e psico-sócio-afetivos que determinam o sucesso na aprendizagem de idiomas quando as crianças são expostas a isso em tenra idade.

 O terceiro capítulo situa a importância do ensino da Língua Inglesa atualmente, e aponta que dominar tal idioma consiste numa importante ferramenta para o desenvolvimento social e cognitivo do indivíduo. Mostra ainda a importância do desenvolvimento das habilidades comunicativas na era digital. Justifica, assim, o aprendizado deste idioma na Educação Infantil.

A deficiência do ensino brasileiro indica uma necessidade de mudanças e uma inevitável quebra de paradigmas. O quarto capítulo aborda o ensino de línguas à luz do Interacionismo, ilustrando que tal método rompe com certos paradigmas e pode contribuir para um maior desenvolvimento educacional. Qualificar o ensino pressupõe um entendimento a cerca das necessidades do aluno, que chega na sala de aula já com um grande acervo de informações. Os métodos de ensino não devem mais enxergar o aluno como um ser passivo. Estes precisam entrar em sintonia com a realidade do aprendiz, e o educador deve estar preparado para ser mediador do processo ensino aprendizagem.

O capítulo quinto, denominado Metodologia e Resultados, mostra os recursos e os procedimentos utilizados para a realização deste estudo, apresentando a análise dos resultados encontrados.

Nas Considerações Finais procurou-se responder  aos objetivos do trabalho, apontando algumas alternativas para tornar o ensino de línguas significativo, eficiente e prazeroso no âmbito da Educação Infantil. Percebe-se, pelo que foi apresentado, que o corpo deste trabalho é resultado de uma construção teórica a partir de teorias comprovadas confrontadas com a prática.  Mais do que um trabalho de conclusão de curso de pós-graduação, os capítulos que aqui se apresentam refletem a práxis e o estudo contínuo de quem os escreve.    


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1.    A EDUCAÇÃO INFANTIL E A AQUISIÇÃO DE UMA SEGUNDA LÍNGUA

 

A Educação Infantil vem se expandindo no Brasil com certa aceleração, devido às necessidades que crianças e pais apresentam. Cada vez mais as mulheres estão no mercado de trabalho ou fora de casa, necessitando assim, auxílio na educação de seus filhos.

As primeiras pré-escolas surgiram com um atendimento meramente assistencial. Estudos posteriores, no entanto, mostram que os primeiros anos de vida são fundamentais e decisivos para o desenvolvimento subseqüente do indivíduo. Tais estudos vieram determinar a alteração do perfil das pré-escolas, que adquiriram estrutura pedagógica mais consistente.

A Lei Federal n° 8.069, de 13 de julho de 1990, no capítulo IV do artigo 54, reafirma esse direito constitucional: “É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente (...) atendimento em creche e pré –escola às crianças de zero a seis anos de idade”

A maior conquista para essa modalidade educacional, com uma preocupação pedagógica e não somente assistencialista, veio com a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional). A Lei n° 9394/96, no seu artigo 29, apresenta a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação Básica, voltada para o desenvolvimento integral da criança  até os seis anos de idade. Assim, a Educação Infantil passa a integrar formalmente a educação escolar.

A Educação Infantil cumpre duas funções indispensáveis e indissociáveis: cuidar e educar, complementando a ação da família e da comunidade. Com o destaque dado à Educação Infantil, devido às novas demandas da sociedade, impõe-se a necessidade de criar regulamentações que visem garantir padrões básicos de qualidade no atendimento em pré–escolas. A LDB (1990), determina que cada instituição do sistema escolar, incluindo a Educação Infantil, deverá ter um plano pedagógico elaborado pela própria instituição com participação dos educadores.

Pela referida lei, os educadores desta modalidade, sempre que possível, devem ter curso superior e, como formação mínima, o curso normal. A lei determina, ainda, que até o fim de 2007, todos os educadores deverão estar devidamente habilitados conforme as exigências da lei. Tais medidas são de extrema importância, uma vez que é indispensável o conhecimento por esses profissionais de como ocorre o desenvolvimento da criança, e de como podem contribuir para que as crianças de hoje se tornem adultos criativos, capazes e conscientes do seu papel, não somente na comunidade em que vivem, mas no mundo.

Tendo em vista que a Educação Infantil é algo presente e fundamental para o desenvolvimento do indivíduo e, vale salientar, que tem a obrigação de fornecer as ferramentas que permitam que desenvolva o seu potencial cognitivo integralmente. A partir de Morin (2001), pode-se afirmar que a educação confronta-se com a necessidade de unir o conhecimento que é compartimentado, com a sociedade que dia a dia torna-se mais globalizada.

Com relação a união do social com a aprendizagem, e o papel da mediação entre  o indivíduo e o mundo para o desenvolvimento cognitivo do sujeito, observa-se uma concordância entre as teorias de Vygotsky e Piaget. Ao contrário do que muitos acreditam, Cole & Wertsch (2004) demonstram que não havia discordância entre ambos, mas, apenas o direcionamento dos estudos mais para os aspectos sociais, por Vygotsky, e mais para os aspectos individuais, para Piaget. No entanto, nenhum dos autores excluía qualquer uma das dimensões: Social e Individual. Observa-se tais colocações nas palavras dos próprios autores, como Cole & Wertsch (2004, p. 1):

 

There are no more such things as societies qua beings than there are isolated individuals. There are only relations…and the combination formed by them, always incomplete, cannot be taken as permanent substances (Piaget, 1932, p.360).

. There is no longer any need to choose between the primacy of the social and that of the intellect: collective intellect is the social equilibrium resulting from the interplay of the operations that enter into all cooperation (Piaget, 1970, p. 114)

Activity and practice: these are the new concepts that have allowed us to consider the function of egocentric speech from a new perspective, to consider it in its completeness ... But we have seen that where the child's egocentric speech is linked to his practical activity, where it is linked to his thinking, things really do operate on his mind and influence it. By the word things, we mean reality. However, what we have in mind is not reality as it is passively reflected in perception or abstractly cognized. We mean reality as it is encountered in practice (1987, p. 78).

 

A concepção da infância sofreu uma série de transformações devido a mudanças na organização da sociedade. O estudo do conhecimento da criança foi difundido, e a principal descoberta foi o seu desenvolvimento. Teóricos como Vygotsky e Piaget trouxeram inúmeras contribuições acerca do desenvolvimento infantil, influenciando as práticas educativas.

Faria (1997) situa o desenvolvimento infantil a partir da Teoria de Jean Piaget. Segundo essa teoria, a construção do conhecimento é baseada nos estágios do desenvolvimento das crianças: sensório-motor, pré–operacional, operacional concreta e operacional formal. Tais conceitos foram difundidos no Brasil na década de 70 por meio de investigações que orientam um grande número das práticas pedagógicas nas pré-escolas.

Atualmente sabe-se que é na Educação Infantil que a criança terá oportunidade para desenvolver suas potencialidades, preparando-se e despertando para vida, convivendo com crianças de sua idade, transpondo as trocas estritamente familiares. A Educação Infantil  deve possibilitar à criança o desenvolvimento amplo e dinâmico desde o período sensório-motor até o operatório formal, favorecendo a realização de atividades desafiadoras, promovendo a descoberta e a construção do conhecimento. Visto que a primeira infância é uma etapa fundamental para o desenvolvimento posterior do indivíduo, a educação deve ter como objetivo possibilitar ao indivíduo compreender e interagir, sabendo articular todas as informações que adquirir.

Morin (2001) afirma que se vive na era da comunicação, onde o mundo encontra-se ligado em redes e apesar da união existente entre as nações, há uma incompreensão geral entre as mesmas. Por isso, além de entender é preciso compreender uns aos outros. Compreender significa apreender, o conjunto, as partes e o todo.

Tendo a possibilidade de compreender e interagir o cidadão terá condições para crescer social e cognitivamente, estando desta forma preparado integralmente para enfrentar a vida. A partir do reconhecimento das demandas comunicacionais, observa-se que o desenvolvimento de uma segunda língua, juntamente com a língua materna na Educação Infantil, constitui atualmente um diferencial. Segundo Sacks (1998, p. 33),  uma pessoa sem condições de comunicar-se se torna incapaz de raciocinar:  “A linguagem é algo que libera as  capacidades  de uma pessoa e lhe permite pensar”.

Constata-se que a língua é uma ferramenta para evolução cognitiva, ou seja, quanto maior a fluência lingüística maior a capacidade de desenvolvimento cognitivo. Sacks (1998, p. 83) afirma que: “a nossa experiência comprova a idéia de que a exposição em tenra idade a qualquer linguagem (...) desenvolve processos de pensamento conceitual complexo”.

Apesar dos avanços e das conquistas das pré-escolas, ainda não há uma lei que estipule a obrigatoriedade do ensino de uma segunda língua na Educação Infantil. Mesmo em escolas privadas onde, teoricamente, haveria condições financeiras para a contratação de professores habilitados para tal, observa-se que o ensino de uma segunda língua não é prioridade nos currículos. Entretanto, a experiência em escolas que praticam o ensino de uma segunda língua, tanto em nível de oficinas, quanto de conteúdo programático extra, vêm demonstrando que tal prática contribui para um maior desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo dos sujeitos em crescimento.

 


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2.     FATORES INFLUENTES NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

2.1.  Fatores Neuropsicológicos

 

Está claro que o pensamento e a linguagem possuem origens biológicas separadas; que examinamos, mapeamos o mundo e reagimos a ele antes de aprender uma língua; e que existe uma enorme esfera de pensamento – nos animais ou nos bebês – muito antes da emergência da língua (...) Um ser humano não é desprovido de mente ou mentalmente deficiente sem uma língua, porém está gravemente restrito no alcance de seus pensamentos, confinado, de fato, a um mundo imediato, pequeno. SACKS (1998,  p. 52)

 

Ao se tratar dos fatores neurocognitivos da aquisição da linguagem é imprescindível retomar alguns conceitos de neurologia funcional. A linguagem se adquire, processa e se efetiva a partir do córtex cerebral, passando principalmente pelo Giro de Brocca[1] e pela Área de Wernik[2], mas com a colaboração de todo o cérebro.

 

Ilustração 1: Córtex Cerebral

 

A aquisição da linguagem ocorre com o desenvolvimento de metacircuitos[3] a partir da estimulação sensorial relacionada com a linguagem externa, como a audição da fala e das entonações, e observação de expressões faciais, gestuais e corporais pelo bebê diante dos cuidadores. Esses metacircuitos passarão, justamente, pelas regiões corticais supra mencionadas, mas a linguagem não depende exclusivamente delas. Uma série de áreas associativas se intercomunicam, ligando as regiões (ditas) “da fala” com muitas e muitas outras regiões cerebrais, como aponta Machado (1988, p.222):

 

Modernamente, não se aceita mais a existência de centros da linguagem como compartimentos corticais estanques. A linguagem é fenômeno altamente complexo que envolve territórios corticais muito amplos. O fato de que lesões de algumas áreas corticais associam-se com maior freqüência a certos tipos de afasia, indica que os fenômenos da linguagem exigem a integridade de circuitos que passam por esta área, sem excluir a participação de outras áreas.

 

Esse processo de desenvolvimento de metacircuitos ocorre com mais eficiência durante a infância, especificamente do zero aos seis anos de idade. Já foram mencionadas anteriormente as fases sensório-motora (0-2) e pré–operacional (2-7), estabelecidas por Piaget[4]. Tais fases são importantes uma vez que suas características mostram as vantagens que uma criança tem de aprender uma segunda língua. Segundo Warpechowski (2004, p.2):

 

Existe uma espécie de prazo biológico para que determinadas tarefas sejam executadas com eficiência. Chamados de “janelas”, esse prazo tem a ver com o desenvolvimento maturacional do sistema nervoso. Antes se acreditava que, fechada determinada janela, o sujeito já não mais poderia desenvolver determinada habilidade. Hoje se sabe que o cérebro é bem mais plástico do que se acreditava outrora e que, embora a janela tenha se fechado, é possível desenvolver novas habilidades. O que ocorre é que, após o período maturacional ter se fechado, tal aprendizado se dá de forma menos eficaz: mais difícil, menos consistente e cheio de lacunas. Assim ocorre com a aquisição da linguagem.

 

Tal citação vai ao encontro de Richter (2000), que apresenta o conceito de momento crítico para a aquisição de fonemas. Este autor fortalece as idéias acima ao afirmar que, antes da conclusão do processo de lateralização e setorização do cérebro (de 0 a 5 anos de idade), a aquisição de novos fonemas pelo sujeito ocorre de maneira quase ilimitada, decaindo a medida em que avança o desenvolvimento biológico, até perder-se quase que completamente – do ponto de vista fonético – após a puberdade.  Conforme Richter (2000, p.100):

 

Biologicamente, o sotaque é a parte mais primitiva da linguagem humana, pois constitui  resquícios dos traços identificatórios de grupo para efeitos de liderança e acasalamento, que podemos encontrar nos animais inferiores. Na espécie humana, o indivíduo que ingressa na puberdade prepara-se biologicamente para a fase de comando social e reprodução. Portanto, o organismo, adaptando-se a essa fase, perde um pouco da plasticidade do aparelho fonador característica da infância. Os órgãos fonadores da criança até os cinco anos permitem-lhe adquirir com perfeição todos os fonemas de qualquer língua.

 

Pesquisas feitas por autores citados por Sacks (1998) sobre a aquisição da língua de sinais - que tem as mesmas implicações neurocognitivas que a qualquer língua falada[5] - apontam para as dificuldades e déficitts de aprendizagem lingüística para sujeitos após os cinco anos de idade, corroborando assim com a tese de que o aprendizado lingüístico precoce é mais eficiente do que o tardio. Isso não quer dizer que não haja aprendizado tardio, mas apenas que este traz em si algumas lacunas não encontradas no precoce. Para Sacks (1998, p.102):

 

Foi demonstrado por Elissa Newport e Ted Supalla (ver Rymer, 1988) que as pessoas que aprendem mais tarde a língua de sinais – o que significa aprendê-la depois dos cinco anos de idade -, embora se tornem suficientemente competentes, nunca dominam todas as sutilezas e complicações dessa língua, não são capazes de “ver” algumas de suas complexidades gramaticais (...) Isso vale também para a linguagem em geral.

 

Acreditava-se durante décadas que havia uma importância funcional maior do hemisfério cerebral esquerdo do que do direito na aquisição da linguagem. O que os estudos mais atualizados vieram comprovar, no entanto, é que ambos são importantes e trabalham conjuntamente para esta função, embora com estratégias e especificações determinadas. Num primeiro momento, o hemisfério direito acolhe a língua em aprendizado e, posteriormente, repassa para o hemisfério esquerdo, onde fica registrada e utilizada de maneira funcional, como se vê em Sacks (1998, p. 116):

 

O papel do hemisfério direito, assim concebido, é crítico para lidar com situações inusitadas, para as quais ainda não existe nenhum sistema descritivo ou código estabelecido – e também se julga que ele tem um papel na montagem desses códigos. Assim que esse código e montado, ou emerge, ocorre uma transferência de função do hemisfério direito para o esquerdo, pois este último controla todos os processos que organizados segundo essas gramáticas ou códigos (assim, uma tarefa lingüística nova muito embora seja lingüística, de início será processada predominantemente pelo hemisfério direito, e só depois passará um processamento rotineiro como função do hemisfério esquerdo).

 

Para explicar tal processo, pode-se recorrer ao esquema apresentado em Warpechowski (2004, p. 2):

 

Ilustração 2: Esquema de Aprendizagem no Cérebro

 

Esse processo acontece de forma semelhante durante toda a vida. No entanto, à medida que as “janelas” são fechadas, pode-se dizer, analogicamente, que menos espaço há para a aquisição efetiva de novos idiomas num sentido mais amplo. O cérebro, tendo fixado as normatizações da língua materna, filtrará os novos idiomas a partir das normas já internalizadas. Por outro lado, se a criança for exposta precocemente a uma língua estrangeira, esta poderá ser internalizada de forma semelhante à língua materna e se desenvolvendo em amplo espectro. Em Warpechowski (2004, p. 3):

 

Quando tal estimulação se dá dentro do prazo de uma janela neurológica, e se for em intensidade e persistência suficiente, tal metacircuito manter-se-á potencialmente aberto para sempre, mesmo na ausência de estímulos. É como um rio que, mesmo já quase seco devido à estiagem, mantêm o sulco de seu leito na paisagem, apenas esperando por uma chuva que o preencha. Do contrário, se a estimulação não for suficiente, ou for muito tardia, o “sulco”, ou melhor, o metacircuito necessitará constantemente de estímulo para se manter ou, simplesmente, desaparecerá.

 

A aquisição precoce de línguas não é importante apenas por uma questão de facilidade e amplitude. Ao estimular os centros nervosos de linguagem, estimulam-se, em cadeia, outros centros, causando um desenvolvimento cerebral múltiplo, não apenas restrito. Segundo Sacks (1998), tal aquisição desperta as capacidades lingüísticas do hemisfério esquerdo, ao passo que sua privação, total ou parcial, gera efeitos de retardo no desenvolvimento global deste hemisfério. O autor cita Cudworth, citado por Chomsky (1966), para exemplificar o desenvolvimento de funções múltiplas, a partir de um processo de aprendizado restrito.

Ao encontro disso, Warpechowski (2004, p. 3-4) relata ter observado que sujeitos expostos precocemente a novos idiomas desenvolvem outras habilidades afetivas e sociais, além de maior fluência em seu próprio idioma.

Assim, os estudos neuropsicológicos vêm comprovando a importância do desenvolvimento lingüístico precoce, seja enquanto aquisição de uma primeira língua, seja como o aprendizado de uma segunda. Do ponto de vista neuropsicológico, derruba-se o mito de que uma segunda língua prejudique o desenvolvimento da língua materna. Ao contrário, o que os autores apontam é justamente o efeito potencializador do novo aprendizado sobre o que já foi aprendido.

2.2.  Fatores Psico-Sócio-Afetivos

 

Dominar uma língua é muito mais que aprender as formas da mesma e saber usá-las. Como visto no capítulo anterior a aquisição de um idioma requer a mobilização de ambos os hemisférios cerebrais. A seguinte citação ilustra o quão complexo é a aprendizagem de uma língua. Richter (2000, p.105) cita Widdoson:

 

Quando adquirimos uma língua não aprendemos unicamente como compor e compreender frases corretas como unidades lingüísticas isoladas de uma ocasional; aprendemos também como usar apropriadamente as frases com a finalidade de conseguir um efeito comunicativo. Nós não somos simplesmente gramáticas ambulantes... A aprendizagem de uma língua, abrange, portanto, a aquisição da capacidade de aprender frases corretas. Esse é um dos aspectos da questão. Mas ela também inclui a aquisição da compreensão de como essas frases, ou parte delas, são apropriadas num contexto específico.

 

Nota-se uma estreita relação entre Vygotsky e Piaget no que diz respeito à linguagem e pensamento. Ambos acreditam que o significado das palavras  é o resultado da união do pensamento com a linguagem. Quanto ao aspecto social, tanto Piaget, como Vygotsky, o consideram primordial para o desenvolvimento cognitivo, embora com enfoques diferentes.

De acordo com Piaget, a criança na fase sensório-motora não reflete o conhecimento que tem do real. Mesmo que não expresse a percepção do mundo através de palavras, há uma intensa interação com os acontecimentos e com as pessoas ao seu redor. Tal interação acontece na medida em que, para a criança apreender o significado das coisas, é necessária uma ação sobre o mundo. Nota-se aqui as idéias comuns de Piaget e Vygotsky: o pensamento antes da linguagem.

Para exemplificar esse conceito comum a ambos os autores, recorrer-se-á ao exemplo de Faria (1997), sobre o aprendizado da palavra “bico” . Para o bebê, tal vocábulo não contém nenhum significado. Ao tomar contato com o objeto “bico” através da visão, tato, paladar, olfato e audição, associando tal experiência com a pronúncia de “bico”, tal vocábulo será internalizado como representativo da experiência com o objeto. No entanto,  transcendendo ao exemplo, pode-se afirmar que isso será válido para qualquer vocábulo a ser associado à experiência: “chupeta”  ou, no caso deste trabalho, “pacifier”.

Antes de adquirir a linguagem, a criança, não separa o significante e o significado[6]. Este é um dos fatores que facilitam a aquisição de uma segunda língua nesta fase, pois a criança ainda não tem os signos lingüísticos de sua língua materna estabelecidos. Portanto ao ouvir uma palavra na língua alvo não haverá a tradução para língua materna. A apreensão do significado se dá através da ação sob o objeto e não pela tradução dos signos.

Além da idade, existem fatores psicológicos que influem na aprendizagem de um idioma. Como se observa nas palavras de Richter (2000, p.99):

 

O maior ou menor sucesso na aquisição de uma língua materna ou segunda língua está ligado à pelo menos estes fatores: idade; inteligência; aptidão; personalidade (incluindo: auto-estima, inibição, ansiedade, empatia,extroversão, motivação e audácia ou iniciativa); estilos de aprendizagem e atitudes sócio culturais.

 

Fatores afetivos fazem com que as crianças apresentem algumas vantagens ao aprender uma língua. Observa-se que as crianças não são tão críticas em relação aos seus erros quanto os adultos, o que gera uma maior autoconfiança e faz com que não haja tanta inibição por parte do aprendiz. Em uma aula de línguas, torna-se necessária à exposição do aluno, tanto para o professor, como para os colegas. A criança tem menos vergonha de errar e de manifestar suas dúvidas não sendo tão consciente de si própria como é um adolescente Continua RICHTER (2000, p.101):

 

O psiquismo infantil é egocêntrico, vale dizer, enxerga os fatos do ambiente, inclusive o que se passa como outras pessoas, sempre a partir de si próprio. Este traço se opõe a autoconsciência presente a partir da puberdade: a possibilidade de ver as coisas de fora de si mesmo, inclusive ver-se sob o prisma de outras pessoas. Ora a autoconsciência se liga a  fatores como  insegurança e inibição  que, decididamente, influem no grau de sucesso da aquisição de uma língua.

 

Além dos fatores afetivos, nota-se também, como aponta Richter, que o “ego lingüístico”  infantil é mais flexível, uma vez que aprender uma língua diferente do seu contexto social não representa uma ameaça. Nesta idade, ainda não há uma total identificação com um ou outro idioma. Assim as crianças são mais espontâneas e menos preocupadas com o processo de aprendizagem em si.

Traços de personalidade devem ser levados em conta no processo de aquisição de uma língua. Segundo Richter (2000, p.106), há que se observar durante o processo de aprendizagem as seguintes características dos aprendizes: Auto–estima, inibição, audácia ou iniciativa, ansiedade ou tensão, empatia, extroversão e motivação. Não se pode afirmar que tais traços de personalidade sejam decisivos por si só,  até porque como visto anteriormente o ensino de línguas depende de uma série de fatores que se dão conjuntamente. O que se constata, por meio de observação em sala de aula, é que a personalidade pode contribuir positiva ou negativamente, mas não impede que o aluno aprenda.

Com base na experiência em sala aula observa-se que dentre os fatores acima mencionados por Richter, motivação, iniciativa e inibição são os que mais influem na aprendizagem. 

A motivação influi, sem dúvida, positivamente, uma vez que o aluno que esteja motivado, não somente pela demanda externa, mas pelo desejo de aprender, terá mais sucesso, nos novos idiomas e em tudo o que possa realizar. Cordiè (1997, p.119), remete-se a Piaget: “Piaget tinha total consciência de que a criança que ele observava, tinha afetos e emoções, contudo para ele, o afetivo intervinha como fator energético, princípio de motivação cognitiva...”. 

A iniciativa está diretamente ligada com a disposição de correr riscos no uso do novo idioma. O aprendiz possuidor de iniciativa, não tem medo de errar, portanto, terá mais chances de testar e de criar, a partir do que lhe foi ensinado. Vê-se que a inibição relaciona-se com o medo de exposição e com a auto-estima do sujeito. Para a pessoa inibida e com baixa auto- estima, é muito difícil suportar o erro e expor-se a qualquer crítica.  Deste modo, consta-se que os fatores psico-sócio-afetivos influenciam diretamente sobre a aprendizagem do indivíduo.

 


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3.    A IMPORTÂNCIA DO INGLÊS ENQUANTO SEGUNDA LÍNGUA

 

Para se entender a importância da Língua Inglesa para educação infantil na Era Digital é fundamental, antes, conceituar-se o termo “digital”, situando-se assim esta era em suas características e demandas.

De acordo com BUSSARELO (1986), digital origina-se da palavra digitus, que significa dedo. A partir desta definição pode-se dizer que a era digital está em nossas mãos e veio através das conquistas de homens da era moderna, que foi caracterizada por anos de efervescente  energia criativa.

Tantas inovações e transformações marcaram o início do século XX, de 1900 até a eclosão da primeira guerra mundial em 1914. Estes foram anos de criações e estudos que embasaram a tecnologia de ponta que existe nos dias atuais, tecnologia esta que encurta as distâncias unindo o universo de ponta a ponta.

Santos Dumont, realizou o primeiro vôo documentado da história, foi um dos marcos deste período. Hoje se atravessa oceanos e mares chegando-se em qualquer lugar, voando-se em aeronaves com recursos tecnológicos inimagináveis antigamente. Henry Ford, outro destaque, levou até as massas o transporte motorizado com o Modelo T. O automóvel é um bem e um meio de transporte capaz de percorrer grandes distâncias e que está em constante evolução. Atualmente os fabricantes têm na sua linha carros chamados econômicos e com planos de compra acessíveis. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel em 1903 e em 1910, ao isolar o  rádio,  elemento químico radioativo, que  é usado para  curar doenças como o câncer. Além destas conquistas, registra-se o surgimento do telefone castiçal, que foi  sem dúvida um marco na revolução das comunicações tornando esta direta e mais rápida. As linhas telefônicas serviram de suporte para a viabilização do uso internet, que modificou todas as áreas do conhecimento e uniu definitivamente o mundo inteiro.

Essas conquistas foram essenciais para que se chegasse na era digital. Hoje, após anos de transformações, vive-se em um mundo ágil, em constante desenvolvimento cientifico e tecnológico, onde a interação e a informação são bens preciosos. É claro que o termo digital nos dias atuais, possui um significado mais amplo e faz parte do cotidiano das pessoas em diversos momentos de suas vidas.  No entanto, a  origem deste termo foi mencionada de maneira a deixar claro que  as tarefas que demandavam muito tempo podem ser realizadas tão fácil e rapidamente quanto apertar um botão.

Além das conquistas científicas e tecnológicas da era moderna, outro fator foi determinante para situação política mundial atual: O surgimento dos Estados Unidos como uma jovem e promissora nação, dando os primeiros passos para o que viria a ser a superpotência econômica do mundo. Em 1907 registra-se um recorde da chegada de 1,3 milhão de imigrantes aos EUA, segundo O’CALLAGHAN (1997, p79). A imigração gerou um rápido crescimento do mercado consumidor interno, sendo uma das molas propulsoras para a consolidação dos EUA como  potência. O resultado observado atualmente do poder dos EUA sobre o mundo não é apenas econômico, e sim cultural. Todo o dia depara-se com termos da língua inglesa, assiste-se programas na televisão que possuem o formato americano, veste-se roupas americanas, come-se o legítimo fast food, sem contar as músicas que são cantadas por milhares de  pessoas. Tal influência pode ser vista de diferentes formas. Uma delas é encarar como uma supervalorização do estrangeiro, um ponto negativo na medida em que se deve ter consciência de que a posição aculturada não é favorável para nação alguma.

A forma mais correta de se encarar a ascendência norte-americana sob o mundo parece ser a de contextualizá-la quanto à identidade cultural brasileira. Isso requer compreender a realidade de um país do terceiro mundo e entender que a comunicação e a provável identificação entre diferentes culturas são inevitáveis. A necessidade da comunicação entre diferentes nações não pode ser desconsiderada. Tal comunicação só se quando há conhecimento de outro, ou outros, idiomas.

Por outro lado, justamente por haver um confronto entre diferentes culturas é possível reconhecer a própria cultura como algo diferenciado e importante. Ao se tomar contato com uma cultura estrangeira abre-se à possibilidade de entendimento de um mundo maior, onde a cultura nativa faz parte de um contexto e, sendo assim, assume sua própria importância dentro desse contexto. Segundo Lopes (2001,p 43), “A aprendizagem de uma língua estrangeira, ao contrário do que podem pensar alguns, favorece talvez o material primeiro para tal entendimento de si mesmo e de sua cultura.”

Esse fragmento se comprovou durante o presente trabalho, pois segundo as avaliações psicológicas[7], as crianças com acesso a Língua Inglesa adquiriram maior fluência verbal – em Português! – do que o grupo B. Pode-se então dizer que ter acesso a um idioma estrangeiro não denigre de forma alguma a língua materna. Embora esse efeito pudesse ser produzido por outras línguas estrangeiras, a Língua Inglesa tem um forte argumento a seu favor: é o idioma oficial do comércio exterior, da informática, da cultura pop, ou seja, do Mundo.

Na era digital, a revolução tecnológica mudou o modo de negociar, de empregar recursos, de ensinar e de trabalhar, gerando soluções, promovendo crescimento econômico e mudando conceitos. No entanto, tudo isso trouxe uma necessidade quase que vital: a informação. Acerca de tal necessidade Morin (1999, p.35) afirma que:

 

O conhecimento do mundo como mundo é necessidade ao mesmo tempo vital e intelectual. È o problema universal de todo o cidadão do novo milênio: como ter acesso às informações sobre o mundo e como ter a possibilidade de articula-las e organiza-las?

         

Neste sentido, o papel educacional da língua Inglesa é importante uma vez que o conhecimento desta proporciona ao indivíduo interagir com o mundo, o que contribui diretamente para o seu crescimento pessoal e profissional. Ou seja, diante da proximidade existente entre os povos devido ao desenvolvimento dos meios de comunicações, e especificamente o surgimento da Internet, o inglês constitui uma ferramenta de comunicação. Conforme a Lei de Diretrizes e Bases Nacionais (Lei 9.394/96), a aprendizagem de uma língua estrangeira, juntamente com a língua materna, é um direito de todo o cidadão. Como citado anteriormente, a escolha da língua inglesa como segunda língua deve-se ao poder e a influência da economia norte-americana. Tal influência começa a surgir a partir de 1900 e depois da segunda guerra mundial, atingindo o seu ápice atualmente com a sociedade globalizada.

É fato notório que o idioma que medeia negócios e outras relações humanas nas mais diversas ocasiões é principalmente o Inglês, assim como este é uma importante ferramenta de trabalho e estudo. Observa-se que, na maioria das vezes, indivíduos com o domínio da língua inglesa ocupam as melhores posições no mercado e no meio acadêmico. Também sendo o Inglês a língua oficial para diversos periódicos, estes sujeitos têm o contato com bibliografias de alto reconhecimento, sem correr o risco de uma tradução desvirtuada por alguém de fora de sua área. Neste contexto, a língua inglesa serve como um importante instrumento para o indivíduo entender o mundo em que vive e, ao mesmo tempo, o mundo em que não vive, mas que está muito próximo.

Viver em uma era em que o mundo está ao alcance de nossos dedos não significa poder alcança-lo. São necessárias ferramentas que façam interfaces entre o mundo particular e os mundos outros das culturas estrangeiras. Embora relativamente acessíveis, incompreensíveis e inutilizáveis se não houver esta interface que é a linguagem.

A linguagem é o que todo o ser humano tem em comum. Porém, a língua é a marca de cada comunidade que, por sua vez, possui também crenças, valores, hábitos e suas tradições, que são vividas e transmitidas de gerações em gerações. O cidadão da era digital deve considerar que as culturas são também abertas, pois nelas há uma série de costumes, idéias, técnicas e saberes que vêm de diversas culturas. Pode-se dizer que tanto social como individualmente somos, ao mesmo tempo, singulares e plurais. O simples fato de nascer na era digital não dá ao indivíduo um passaporte que faça com que este entenda todas as culturas que estão a cada dia mais próximas. Há que se aprender a conviver nesta era que ao mesmo tempo aproxima e afasta, une e fragmenta. Sobre este fato, Morin (1999, p.26) recorre a Descartes, ao confrontar os paradigmas ocidentais e orientais:

 

O paradigma cartesiano separa o sujeito e o objeto, cada qual na esfera própria: a filosofia e a pesquisa reflexiva, de um lado, a ciência e a pesquisa objetiva, de outro. Esta dissociação atravessa o  universo de um extremo ao outro: Sujeito/Objeto, Alma/Corpo, Espírito/ Matéria, Qualidade/Quantidade, Finalidade/Causalidade, Sentimento/Razão, Liberdade/Determinismo, Existência/Essência.

 

Como o autor acima denuncia, há uma tendência crescente – e necessária – de um rompimento do dualismo cartesiano em prol de um novo paradigma integrador.

A inserção da Língua Inglesa na Educação Infantil vem ao encontro dessa tendência, na medida em que propõe não apenas uma visão pragmática e maniqueísta de uma língua estrangeira, mas um instrumento de desenvolvimento global dos sujeitos em nível acadêmico e profissional. Abrange, assim, esferas tais como: a neurocognição, a socialização, o desenvolvimento da crítica e os aspectos psicoafetivos do sujeito em desenvolvimento. Integra os objetivos de profissionalização da educação tradicional associado com os objetivos de desenvolvimento humano global dos novos paradigmas da Educação.

 


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4.    O MÉTODO DE ENSINO DA LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

       

“Um dos mais fascinantes aspectos do desenvolvimento humano é a habilidade para o aprendizado da linguagem” LIGHTBOWN & SPADA (1999, p.01)

 

De tempos em tempos, cada vez mais aparecem novos métodos para o aprendizado das línguas estrangeiras. Estes sempre recebidos como a chave do aprendizado da mesma, e proclamados melhores que seus antecessores. A preocupação maior do mercado do aprendizado de línguas é atender a demanda de ensinar uma segunda língua de forma mais rápida.

Muitos pesquisadores acreditam que aprender uma língua  é uma simples questão de imitação e formação de hábito. Os teóricos que acreditam que a aquisição da linguagem  se dá desta forma são chamados de behavioristas. De acordo com os behavioristas estudados por Lightbown & Spada (1999, p.35):

 

A aprendizagem verbal ou não verbal , se desenvolve através do processo de  formação de hábito. Os hábitos são formados porque os alunos recebem a informação lingüística dos falantes da língua em seu meio ambiente e reforços positivos para suas imitações e repetições corretas

 

Nesta concepção, as crianças imitam os sons à sua volta e então, recebem reforços positivos. Esta teoria ainda é muito freqüente no ensino de línguas. Passos da língua são ensinados separadamente e os alunos são expostos a amostras limitadas da linguagem, assimilando as partes para serem usadas na comunicação. Nesta teoria, são levados em consideração às necessidades e objetivos dos próprios alunos.

 Existem certos itens da língua que se aprende pela memorização. É o caso das fórmulas fixas. Para a aquisição destas formas o behaviorismo pode ser utilizado, porém há duas falhas consideráveis: a primeira é que pesquisas mostram que as crianças adquirem a língua alvo imitando e praticando bem menos do que se imaginava e a segunda é que os modelos a serem seguidos pelas crianças teriam que ser ideais. Além disto, pequenas amostras de fala não trazem todas as estruturas necessárias para a aquisição de uma língua. 

Segundo Chomsky, citado por Lightbown & Spada (1999, p.15),  “As crianças são biologicamente programadas para aprender a linguagem e esta se desenvolve na criança da mesma maneira que as outras funções biológicas são desenvolvidas”. Nesta abordagem, não há intervenção do ensino: o aluno aprende a língua estrangeira de forma inconsciente, da mesma maneira como aprende a  andar, produzindo suas regras internamente, assim como na primeira língua. De acordo com esta teoria, a capacidade para aprender  um idioma é inata.

No entanto, a Psicologia fundamentada em Vygotsky, segundo Richter (2000, p.25), traz uma importante crítica para tal método:

 

Afirma-se que os seres humanos tendem a agir cooperativamente, e a linguagem é apenas uma das formas convencionais de ação cooperativa. Situados nesta nova perspectiva, os pesquisadores que até então , praticamente se restringiam a estudar a compreensão e a produção da criança, passaram a estudar também a fala do adulto que interage com ela. Foi a partir  destes estudos que se pôde avaliar o papel  falante mais velho desempenha nessa interação e o tipo de estímulo lingüístico que o participante infantil recebe nesta troca.

 

Sabe-se que há estruturas inatas para a aprendizagem de linguagens, porém nota-se que tais estruturas necessitam ser ativadas através da interação entre a criança e alguém que domine a língua alvo. Tal constatação vai ao encontro da Teoria  Interacionista. Na visão Interacionista, descrita pelos mesmos autores, “ a linguagem se desenvolve como o resultado de uma complexa interação das características inatas do ser humano e o meio ambiente em que este se desenvolve” (Richter, 2000,p. 22).  Segundo esta concepção de aprendizagem, a atenção não é voltada somente para as atividades, mas também para interação do aluno com a sociedade e com o meio ambiente, ou seja, o todo. O aprendizado não de dá com fatos isolados de um contexto.

A teoria construtivista de Piaget, citado por Richter (2000), ilustra a necessidade da interação homem-mundo. Segundo este autor, tudo o que as crianças aprendem sobre linguagem é determinado pelo que já sabem sobre o mundo. Assim, observa-se que a visão interacionista vem ao encontro com o que realmente se espera da educação, e mais especificamente, do ensino de línguas. Nada, especialmente o ser humano, pode ser excluído do seu contexto.

Sugerir um método de ensino de uma segunda língua parece algo audacioso, uma vez que são inúmeros os teóricos que estudam e apontam suas fórmulas milagrosas para a aquisição eficaz de uma segunda língua. O bom senso indica que, mais importante que defender uma dada teoria, é atender as necessidades educacionais do educando de maneira mais ampla.  Concorda-se com Borges (1991, p. 27) quando afirma que o processo educativo necessita não apenas conhecimento técnico, mas muito mais que isso. Em suas próprias palavras:

 

A consciência da importância de uma educação que busque a formação do ser integral nos obriga a lidar com os contrastes da realidade interna e externa. Somente aqueles educadores que permitem o desafio do conflito na mudança, poderão ir construindo degraus na sua formação, buscando nesse processo não só lógico mas dialético maior auto-conhecimento.

 

A visão interacionista de aquisição da linguagem parece mais adequada para guiar qualquer trabalho. Apresentando uma síntese das demais teorias, acrescentada de alguns conceitos originais - como o já referido conceito de contexto – confronta o sujeito (professor e aluno) com suas realidades (internas e externas).

Segundo Richter (2000, p. 37), “parte-se do princípio  de que o conhecimento e a própria vida humana são indissociáveis da ação transformadora sobre o mundo”. A linguagem verbal e não verbal medeia a relação homem-mundo. Sabe-se que a linguagem é um sistema de signos, e são estes signos que inserem ou não o ser humano em um determinado contexto.

 Para ensinar um idioma para crianças deve-se considerar que elas têm uma extraordinária curiosidade à cerca do mundo e das coisas que as cercam. Aprender ativamente e de uma maneira divertida, torna as descobertas fascinantes e faz com que as crianças façam parte na construção do seu conhecimento. Vale salientar que o processo de aprendizagem é mais importante do que a perfeição dos resultados, por isso as crianças devem sentir-se seguras  e confortáveis durante a aprendizagem.

A partir da análise de Lopes (2000), percebe-se que a teoria sócio-interacionista de Vygotsky, assim como o atual método interacionista, acredita que a aprendizagem se dá pela interação social entre os contextos de professores e alunos, promovendo assim a construção de um contexto comum. Vygotsky entende que a educação é um processo essencialmente cultural e social no qual alunos e professores participam interagindo na construção do conhecimento.

Do ponto de vista de Vygotsky, o desenvolvimento humano é compreendido não como decorrente de fatores isolados que amadurecem, tampouco de aspectos ambientais que agem sobre o organismo, controlando seu pensamento, mas de trocas recíprocas, que se estabelecem durante toda a vida entre indivíduo e meio , mediada pelo o outro. Vygotsky  defende o desenvolvimento do ser humano como produto dessa convivência, já que segundo ele, lembrado por Lopes (2001), o ser humano só se constitui como tal através da interação com os demais seres humanos. É o que se vê em Oliveira (1995), citado por Richter (2000, p. 73):

 

Vemos, assim, que para Vygotsky, as funções psicológicas superiores, típicas do ser humano, são, por um lado, apoiadas nas características biológicas da espécie humana e, por outro lado, construídas ao longo de sua história social. Como a relação do indivíduo com o mundo é mediada pelos instrumentos e símbolos desenvolvidos no interior da vida social, é enquanto ser social que o homem cria suas formas de ação no mundo e as relações complexas entre suas várias funções psicológicas... O desenvolvimento da espécie humana e do indivíduo desta espécie está, pois, baseado no aprendizado que, para Vygotsky, sempre envolve a interferência, direta ou indireta, de outros indivíduos e a reconstrução pessoal da experiência e dos significados.

 

Na da teoria sócio-interacionista de Vygotsky e do interacionismo, no que diz respeito à aquisição de uma segunda língua, há que se considerar as estruturas cognitivas inatas do sujeito, porém deve-se compreender que todo o conhecimento é construído socialmente uma vez que  o homem é um ser que transforma é pode ser transformado através das relações produzidas em uma dada cultura. Então apreender qualquer estrutura de uma língua, mesmo que seja só para a repetição e fixação da pronúncia, fora de um contexto relevante para o aluno, tornar-se-á cansativo.

4.1.  Ensino da Língua Inglesa: Enfoque Interacionista

 

Como mencionado anteriormente, o interacionismo é uma teoria de aquisição da linguagem na qual é respeitado o contexto e os interesses do aluno, com o intuito de tornar o ensino significativo para o aprendiz. Interacionismo e interdisciplinaridade são conceitos atuais – e em voga no ensino em geral e de línguas. Ambos levam em consideração que o mundo não consiste de coisas isoladas. Morin (2001, p.76),  contextualizando esses termos quanto à cultura global, afirma que :

 

Todos temos uma identidade genética,cerebral, afetiva comum em nossas diversidades culturais, por isso é preciso que aprendamos a dividir, a comunicar e a viver como humanos do planeta Terra e não mais estarmos isolados em uma só cultura. A integração entre povos e culturas é a fonte de energia que precisamos para enfrentar o desenvolvimento do presente e nos prepararmos para o futuro.

 

A partir dessa citação, pode-se dizer que para formar cidadãos aptos para enfrentarem  a realidade atual não basta despejar todo o tipo de informação sem que este tenha a capacidade  de articulá-las. A interação entre capacidades inatas e adquiridas, associadas ao intercâmbio entre diferentes áreas do conhecimento, permite que a construção do conhecimento enquanto instrumento de interação social se dê de maneira mais efetiva. Nesse sentido, para que o sujeito se torne parte atuante no processo é preciso que tanto “mestres” como “aprendizes” busquem o conhecimento juntos – transcendendo assim a barreira disciplinar que separa a equipe de mestres e o saber do aprendiz.

Dentro deste novo contexto torna-se necessário uma mudança de paradigmas onde a base do ensino deva ser interativa e relacional. Deve-se buscar a relação entre a teoria e a prática, entre o individuo e o contexto em que este está inserido. Além disso, observa-se a necessidade do trabalho em equipe, onde diferentes saberes possam unir-se a fim de enriquecer o processo de aprendizagem.

Segundo Cunha (1998), o professor não deve ser o centro do processo ensino-aprendizagem, pois se observa que ao respeitar e considerar a experiência dos alunos estes se sentem valorizados, o que estimula a sua participação no processo. O professor passa a ter o papel de provocador, na medida que esta nova posição instiga a curiosidade dos alunos. A sala de aula deixa de ser o lugar da certeza para ser um lugar de questionamentos e construção de respostas

Outro fator importante é que quando todos, professores e alunos, são agentes ativos na construção do saber há um resgate do prazer de ensinar e aprender. O que torna a sala de aula um ambiente estimulador é o fato dos alunos entenderem como aplicar os conhecimentos adquiridos na prática. Uma vez que se parte da realidade para mostrar a teoria o ensino passa a ser significativo. Geralmente a teoria e a prática são vistas como momentos distintos do conhecimento. No entanto observa-se que ao trabalharem a partir de problemas reais, rompendo com o modelo tradicional  de ensino, levam seus alunos a construir novas “teorias” a partir da prática.  Cunha (1998, p.80) apresenta o seguinte depoimento de um educador: “Hoje trabalhamos juntos e não temos vergonha de dizer ao colega “não sei”; parece que ficamos menos competitivos e mais solidários”. Para a autora, há uma satisfação por parte dos educadores quando estes descobrem a possibilidade da construção do coletivo.

Para ilustrar o depoimento citado anteriormente, e os benefícios que um trabalho interdisciplinar e o método interacionista podem trazer, vale citar o projeto “Three Little Pigs” elaborado e aplicado em uma escola na cidade de Cruz Alta.

O Projeto foi elaborado com a participação das professoras de sala do nível A2[8], juntamente com a professora de Inglês. O objetivo desta união foi tornar a aprendizagem do numeral 3 e de alguns antônimos significativo e desafiador. Significativo  porque partiu de um clássico da literatura infantil e é do conhecimento das crianças. Desafiador, porque as crianças foram integrantes,  ativos durante a realização do mesmo e responsáveis pela construção da história. Sabe-se que a criança aprende principalmente com o que ela produz na medida em que  a sua interação com os outros atinge o seu objetivo. A realização do projeto viabilizou a aplicação da “teoria” uma vez que as crianças tiveram condições de testar as estruturas ensinadas em Inglês.

O projeto em questão, foi elaborado a  partir de alguns conceitos do interacionismo  e de alguns conceitos de linguagem e conhecimento na visão de Piaget, nas palavras de  Faria (1997, p. 8) :

 

É comum observarmos algumas práticas inadequadas de professores de pré-escola. Quando querem transmitir uma informação ou uma regra de comportamento, por exemplo, geralmente fazem a criança relacionar palavras a gravuras,contam histórias, ect. De acordo com Piaget, a comunicação falada é recebida posteriormente à dos gestos. Isso explica o fato de o esforço de alguns professores de pré-escola nem sempre ser coroado de êxito. Para se comunicar com as crianças em idade pré escolar, os professores necessitam saber como o pensamento se relaciona com a linguagem, como se processa o desenvolvimento da linguagem nas suas várias formas (gestos, fala, escrita, imagens), como e quando usar cada uma dessas formas.

 

.As crianças que participaram do trabalho estão na faixa de quatro anos  e, de acordo com o autor já citado, a partir de pesquisas a cerca da teoria piagetiana, nesta idade elas se encontram no Plano Representativo Simbólico[9]. Assim, não faz sentido para a criança apenas repetir palavras isoladas de um contexto e de ações. Segundo Faria (1997) é importante que as crianças façam imitações externas, mobilizando os próprios corpos, relativas a objetos ou ações. Portanto, percebe-se que o enfoque interacionista apresenta-se adequado para o ensino de uma segunda língua.

 

 


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5.    METODOLOGIA E RESULTADOS

 

Para o alcance dos objetivos desta investigação, partiu-se de uma pesquisa bibliográfica na qual se buscou em autores reconhecidos a corroboração para a práxis exercida. Portanto, a monografia aqui apresentada é resultado de um estudo prático-teórico.

Da vivência dentro de uma perspectiva técnica interacionista, buscou-se na bibliografia teóricos que a embasassem. Desde o período acadêmico, muitos desses teóricos já eram fundamentos para a prática. À medida que o trabalho foi evoluindo, um maior repertório bibliográfico foi-se formando, até chegar-se ao corpo que ora se apresenta.

 

5.1.  O Método

 

A pesquisa é uma atividade voltada para solução de problemas, através do emprego de processos científicos. Uma pesquisa terá resultados mais confiáveis se for conduzida utilizando-se conceitos, métodos e procedimentos bem definidos. Desta forma, este estudo optou pela pesquisa descritiva.  Segundo Triviños (l987).

A pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipular variável. Procura descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros fenômenos, sua natureza e características. Os dados precisam ser coletados e registrados ordenadamente para seu estudo propriamente dito. A pesquisa descritiva, em suas diversas formas, trabalha sobre dados ou fatos colhidos da própria realidade. Ainda abrange aspectos gerais e amplos de um contexto, analisando e identificando as diferentes formas dos fenômenos, sua ordenação e classificação, as relações de causa e efeito. Não interfere na realidade, apenas descreve e interpreta os fatos que influenciam o fenômeno estudado, estabelecendo correlação entre variáveis.

 

5.2.  Caracterização dos Sujeitos

 

A pesquisa foi realizada em dois ambientes distintos. O primeiro, uma escola particular, denominada Escola A, que atende alunos de classe média; e o segundo, uma escola pública municipal, Escola B, que atende alunos de classe baixa e média. As escolas situam-se na cidade de Cruz Alta, RS. Participaram desta pesquisa dezoito alunos, nove de cada escola, com idade entre quatro e seis anos. Dos sujeitos analisados, nove tiveram contato formal com a Língua Inglesa desde os dois anos e os outros nove nunca tiveram acesso a uma segunda língua. Além dos alunos, participaram os pais dos alunos da Escola A.

 

5.3.  Processos de Investigação

O processo investigativo partiu do problema de pesquisa e desenvolveu-se em cinco fases: escolha dos sujeitos, aplicação do projeto interacionista, questionário aos pais, aplicação de testes aos alunos e análise dos resultados, conforme pode ser visualizado na ilustração a seguir.

Ilustração 3: Procedimentos

5.4.  Instrumentos de pesquisa e métodos de análise

      

Para a realização desta investigação, utilizaram-se os seguintes instrumentos de coleta de dados:

       - Projeto sob a visão Interacionista – Three Little Pigs-  com o objetivo de ilustrar a pesquisa ora referida. A análise deste projeto deu-se a partir da observação em sala de aula, feita por esta pesquisadora e pelas professoras das turmas.

       - Questionário aos pais - com o objetivo de avaliar o projeto Three Little Pigs. A análise dos resultados foi realizada com base na análise de conteúdo.

       - Testes – com o objetivo de demonstrar os benefícios que os alunos da Escola A  obtiveram, ao aprender uma segunda língua na Educação Infantil. Para a realização destes testes, contou-se com a colaboração de um profissional da área de psicologia[10], para a aplicação e análises dos resultados, uma vez que os referidos testes só podem ser aplicados por  profissionais habilitados.

 

5.5.  Tempo de  pesquisa

 

Com relação ao tempo de pesquisa, destacam-se dois tipos: o longitudinal e o de corte transversal. Aconselha-se o estudo longitudinal, quando o objeto de estudo é um processo dinâmico, que sofre mudanças através do tempo ou quando o pesquisador tenta compreender a origem e conseqüência de um fenômeno. Já o de corte transversal, o pesquisador coleta dados em um único momento, representando a população alvo, podendo, posteriormente generalizar as descobertas feitas (HOPPEN, 1996). Deste modo, este estudo utiliza-se do corte transversal, quanto ao tempo de pesquisa, pois se desenvolveu em dois meses letivos.

 


5.6.  Análise dos Resultados

 

O enriquecimento dos conhecimentos fornecido pelas teorias estudadas levou a imaginar como demonstrá-los de forma mais concreta. Uma das formas foi fazer, no presente texto, uma apresentação descritiva e comentada de uma atividade em sala de aula. Entre muitas realizadas diariamente, optou-se pelo projeto “The Three Little Pigs”, por ser uma atividade recente e na qual a teoria interacionista rigorosamente foi aplicada, não apenas pela pesquisadora, mas por toda equipe institucional da escola A, durante o mês de junho de 2004. Além das atividades corriqueiras, a instituição permite o desenvolvimento de projetos pedagógicos que, depois de apresentados em reunião e aprovados pelo conselho pedagógico, são efetivados com a participação de vários professores. No caso o projeto escolhido, da criação da professora de inglês, foi acolhido pelos outros professores desse nível que, a partir do mesmo, adaptaram-no para suas aulas; isso proporcionou um trabalho conjunto mais eficaz.

O objetivo do projeto foi realizar um trabalho interdisciplinar e que fosse significativo para os alunos ao trabalhar os seguintes pontos:

Além de contar, é necessário que se entenda o conceito dos numerais. No caso, o número alvo do projeto é o numero três (three). Ao participarem da história, as crianças não só aprenderam a contar em Inglês - one, two, three – visto que já sabiam contar em português, mas também entenderam o conceito, ou seja, a quantidade através da atuação como  The Three Little Pigs (Os Três Porquinhos).

A partir das personagens da história, foi possível a compreensão dos seguintes antônimos: Fat / thin (gordo / magro); big / small (grande / pequeno); good / bad (bom / mal) e short / tall (baixo / alto). Importante ressaltar que a tradução não foi utilizada nas aulas para ensinar a diferença dos termos. Com a, história e gestos corporais feitos pelo o professor e pelos alunos, estes compreenderam o significado. Outro fator que facilitou o entendimento por parte dos alunos é que a professora de sala trabalhou a mesma história da mesma forma que a professora de Inglês.

Para trabalhar os antônimos, open / close (abrir / fechar) ; strong / weak (forte / fraco), foram utilizadas as casas dos três porquinhos – confeccionadas em isopor -, e os materiais  palha, madeira e tijolo. Para que os alunos vivenciassem estes conceitos foram trazidos tais materiais para sala e os alunos tiveram a oportunidade de senti-los e caracteriza-los através de suas impressões. Durante o processo a professora –  teacher - somente utilizou a língua alvo, o inglês, e junto com os alunos foi apresentado o novo vocabulário. Antes de trabalhar separadamente tais conceitos a professora contou a história em inglês, utilizando gravuras e gestos.

Depois de escutar a história e trabalhar o vocabulário, as crianças coloriram e recortaram as máscaras das personagens. Após esta atividade foi realizada a dramatização da mesma. A professora narrava em Inglês e as crianças contracenavam. Interessante e gratificante foi vê-los usarem o vocabulário ensinado, antes mesmo de a professora narrar. Para exemplificar, quando o Wolf (lobo) dizia “Open the door!” (abra a porta) as crianças o faziam sem ajuda da professora.

A seguir, apresentar-se os planos de aula de inglês relativos ao Projeto, preparados em equipe pelas professoras do nível A2, que utilizaram os mesmos materiais e temas para suas aulas.

Projeto

Objetivos gerais:

 Criar uma situação de aprendizagem relevante para os alunos uma vez que eles terão a oportunidade de aplicar a teoria na prática através da dramatização. A dramatização dará oportunidade para os alunos “testarem as estruturas” trabalhadas e notarem em que contexto usa-las.

Objetivos específicos:

·           Trabalhar com o numeral  “3” e sua respectiva quantidade

·           A partir das personagens da história estudar os antônimos: strong/weak, tall/short, big/small, good/bad, thin/fat, close/open.

·           Reconhecer os materiais das casas dos three little pigs e caracterizá-las

·           Colorir e recortar as máscaras dos three little  pigs e do wolf para usa-las na hora da dramatização

 

Aulas do Projeto:

1ª Aula (01/06):

Nesta aula a professora contará a história para os alunos utilizando somente a língua alvo, as gravuras da história e gestos.

Antes da história:

T[11]: What’s this?

S[12]: it’s a book (eles já sabem  “livro”)

T: What can you see?

S: Os três porquinhos

T: Yes, the three little pigs ( a professora mostra os little pigs e fala) One, two, three little pigs. How many pigs can you see?

S: Three

T: GREAT! What about the animal behind the tree?

S: O lobo

T: Yes, the wolf.

Depois desta introdução, que dará oportunidade para os alunos identificar a história, a professora irá contá-la, esperando a participação e a colaboração dos alunos, uma vez que eles já a conhecem.

Após a história trabalhar com as características dos pigs e do wolf: fat, thin, bad, good, short, tall.

T: Are pigs fat or thin ( gestos).

S: Thin.

T: Are wolfs short or tall (getos).

S: Tall (Comparando o wolf  e os pigs da história).

GAME:

T: Let’s play!

A professora propõe aos alunos mímica. A turma é dividida em dois e eles têm que imitar ou a mother, ou o wolf ou os pigs. Os grupos têm que adivinhar e responder em inglês.

          2ª Aula  (08/06) :

Nesta aula será reforçado o vocabulário visto na aula passada e a partir dos materiais straw (palha), stick (madeira) e brick (tijolo), o objetivo será ver os antônimos strong (forte), weak (fraco). Além de trabalhar estes antônimos serão também vistos open (abrir), close (fechar).

Atividades:

-Colorir e recortar a máscara do lobo

-Relacionar as casas como seus respectivos materiais

-Cada aluno terá a oportunidade de ser o lobo “open the door” (abra a porta)

Obs: Os alunos já sabem como se diz porta em inglês

A professora bate forte na porta, com a máscara de lobo:

T: Open the door, open the door (Tudo previamente combinado com a professora de sala, que encoraja os alunos a abrir a porta)

Quando os alunos abrem a porta a teacher (professora) entra correndo dizendo :

T: I’m hungry (colocado a mão na barriga)

S: Na maioria das vezes os alunos entendem a brincadeira e saem correndo dado risadas.

T: Ok!!! Hello, How are you?

S: Hello, fine

Mostrando a máscara e utilizado gestos a professora diz: today we are going to color and cut the wolf mask, ok?

Cada aluno recebe a máscara do lobo .

T: Now you color and after you cut on the line.

Com as mascaras prontas os alunos terão a oportunidade de usar a estrutura open the door (abra a porta). Antes a professora vai até a porta e dizendo open and close, abre e fecha a porta.

Após esta atividade a professora mostra o material deixa com que os alunos os sintam e os caracterizem. A professora o faz falando em Inglês.

TOUCH: está atividade os alunos terão oportunidade de relacionar o material com o novo vocabulário.

T: João (qualquer aluno) come here and touch  the straw. Na primeira fez a professora toca no material junto com os alunos, em seguida eles terão a oportunidade de tentar sem a ajuda da professora.

          3ªAula (15/06):

O objetivo desta aula será recontar a história e trabalhar com o numeral  3 e suas respectivas quantidades.

Atividades:

·                Colorir e recortar a mascara dos porquinhos

·                Trabalhar, através da história, o três

A professora conta a história: Importante ressaltar que esta foi desenhada em um tamanho maior pelas professoras. Os mesmos desenhos serão utilizados tanto pelas professoras de aula quanto pela de Inglês.

História:

Desenho 1:

T: One upon a time, there were three (one, two, three), - mostrar com os dedos, little pigs. They wanted to build their houses. So they said bye-bye to their mother.

Desenho 2:

Pig number 1 made his house out of straw. This house was very weak.

A bad wolf came: Open the door!!!

The pig said: no, no, no

The wolf said: I will huff and I will blow your house down.

The pi number 1 ran away

Desenho 3:

Pig number 2 made his house out of stick. This house was weak.

A bad wolf came: Open the door!!!!

The two little pigs said: no, no, no.

The wolf said: I will huff and I will blow your house down.

The two little pigs ran away.

Desenho 4:

Pig number 3 made his house out of bricks. It was a very strong house.

A wolf came: Open the door!!!

The three little pigs said: no, no, no

The wolf: I will huff and I will blow your house down.

The house did not fall down.

Desenho 5:

The wolf decided to climb the chimney

Desenho 6:

The 3 pigs to a kettle of hot water and placed under the chimney

Desenho 7:

The wolf fell into the kettle and ran away shouting

Os alunos colorem e cortam máscara dos porquinhos,- cada um uma máscara.

T: Let’s color and cut on the dotted line.

Com as mascaras prontas a professora trabalha a quantidade 3

T: I want groups of three little pigs (one, two, three)

A turma é então dividida em grupos de três:

A professora explica em português: vocês têm que decidir quem será o pig 1, o pig 2 e o pig 3

Depois os alunos dirão ao grande grupo: João is one, Joana is 2 and Pedro is 3

Aula que vem nós brincaremos de teatro. OK?

E eu trarei uma surpresa!!!

4ª Aula (14/06):

·           Material: casas que eles podem entrar, confeccionadas em isopor e feita com os respectivos materiais.

·           Dramatização da história: Todos os alunos terão oportunidade de atuar como pig ou como wolf.

Ao final do projeto, pode-se constatar que as crianças, através da vivência e não somente pela teoria, atingiram os objetivos propostos do projeto. Mais do que simplesmente decorar vocábulos, internalizaram conceitos em uma língua estrangeira, o que vem ao encontro das teorias interacionistas da aprendizagem a partir da interação entre a subjetividade, o social e o material. Respeitando o contexto dos alunos, a construção do conhecimento se deu através do processo clarificado por Morin (2001, p. 36):

 

O conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente. É preciso situar as informações e os dados em seu contexto para que adquiram sentido. Para ter sentido, a palavra necessita do texto, que é o próprio contexto, e o texto necessita do contexto no qual se enuncia.

 

Após a realização do projeto apresentado, aplicou-se o questionário aos pais, o qual tinha como objetivo investigar a opinião destes sobre o Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil do qual seus filhos participam. Os resultados do questionário são apresentados a seguir em dois blocos, antes da aplicação do programa de língua inglesa e após a realização do mesmo.

Os pais consultados colocam o Programa de Língua Inglesa como altamente importante para o comportamento de seus filhos (2º Lugar). Percebe-se que o valor atribuído ao Inglês, na opinião dos pais, é superior ao do desenvolvimento biológico e da escolarização em geral, sendo comparativamente igual em importância às companhias e à dinâmica familiar.

Ilustração 4: Opinião dos Pais

 

Os pais relatam diferenças no comportamento das crianças a partir do programa de língua inglesa. Acreditam eles que este serve de estímulo para o desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo. As crianças, segundo esses pais, utilizam-se do aprendido em aula no cotidiano de maneira tão consistente que chega a motivar os pais a estudar este idioma.

Também, em seus depoimentos, relatam uma diferença positiva na imaginação, na criatividade e na compreensão dos fatos do seu ambiente e do mundo. Muitos afirmam que seus filhos começam a ter a noção de “estrangeiro”, reconhecendo os termos em inglês e os diferenciando de outros idiomas. “Este aqui não é do Brasil!”, reproduz uma mãe as palavras do filho em frente à TV, assistindo um noticiário em idioma estrangeiro (não inglês).

Pelo o que foi relatado pelos pais, tais crianças ultrapassaram capacidades esperadas para sua faixa etária, na teoria piagetiana. Quando se esperava apenas respostas compatíveis com a fase sensório-motora, tiveram a capacidade de abstrair acerca das diferenças lingüísticas entre os povos. Tal relato traz à tona as palavras de Church (1961), citado por Sacks (1998, p.56):

 

A língua transforma a experiência (...) Por meio da língua (...) podemos iniciar uma criança numa esfera puramente simbólica de passado e futuro, de lugares remotos, de relações ideais, de eventos hipotéticos, de literatura imaginativa, de entidades imaginárias que vão de lobisomens a mésons-pi (...)

 

A opinião dos pais, e a experiência em sala de aula, vêm a comprovar, também de acordo com as palavras acima citadas, as barreiras que o aprendizado de um idioma podem ultrapassar. Além da opinião e da experiência, buscou-se também na testagem psicológica indícios dos efeitos do ensino precoce de idiomas, dentro de um método interacionista.

Deste modo, o psicólogo realizou os testes psicológicos, utilizando duas ferramentas para a avaliação: uma, os testes “projetivos”, e outra, a “simulação de tarefas”. O psicólogo esclareceu que os testes projetivos são de aplicação e interpretação amplas, fornecendo dados qualitativos sobre a personalidade global dos sujeitos. Já a “simulação de tarefas” fornece dados objetivos quanto à eficiência dos sujeitos em determinada atividade, o que permite a generalização desses dados para o comportamento global deste. Para a compreensão do teste realizado, cita-se CAMPOS (2000, p.15):

 

Baseando-se na hipótese de que a representação gráfica como qualquer traço expressivo da personalidade tende a integrar-se na direção de um gradual processo de maturação psíquica, Florens Goodenough, em 1925, organizou o Teste do Boneco que, graças à apuração de 51 itens no desenho, permite a avaliação do nível mental infantil. Seu teste oferece vantagens, porque não existe material específico; basta pedir à criança que desenhe um homem, munindo-a de folha de papel e lápis preto. E, ainda, como relação ao mesmo, B. Székely assinala que sua estandartização assegura um alto grau de fidedignidade e validade.

 

Sendo assim, utilizaram-se os testes projetivos HTP (desenho da casa, da árvore e da pessoa, acromaticamente) e Desenho Livre (cromático) para avaliar aspectos cognitivos e sócio-afetivos, a partir dos estudos de Ricci e muitos outros no final do século XIX, passando por Goodnoght, Buck e Machover, em meados do século XX, até nossos dias, conforme vê-se em Campos (2000). Valeu-se também do teste de Fluência Verbal, atribuídos Isaacs e Kennie, citados por Bertolucci et al (1998).  Antes desta aplicação, verificou o reconhecimento e uso de caracteres pelas crianças, apresentando letras e pedindo que pronunciassem palavras iniciadas pelas mesmas. Aplicou também a simulação de tarefas psicomotoras, consistindo de tabuleiros (retilíneo, curvilíneo, labirinto e caminhos múltiplos) por onde o sujeito deve passar peças de encaixe, marcando-se o tempo; tal teste mede a psicomotricidade fina, a rapidez de tempo de reação (TR) e o raciocínio concreto-espacial.

Como cada teste tem uma forma diferente de apresentar os dados, o psicólogo converteu cada resultado (tratado grupalmente) em um índice percentual único e de fácil leitura. A representação percentual é uma relação entre o escore médio e o mais alto escore da amostra, limitando assim os resultados exclusivamente aos grupos estudados.

Os resultados desta seguem conforme agora se apresentam:

Na ilustração 5 está representada a diferença de escores entre os grupos quanto ao item Eficiência no uso de letras. Tal teste não avalia apenas o reconhecimento de caracteres, mas, sobretudo a capacidade do sujeito de transformá-lo em palavras:

 

Ilustração 5: Uso de Letras

A partir dos resultados do teste do uso de letras - que aponta uma diferença de 13 pontos percentuais entre as populações testadas -, observa-se que, apesar das crianças ainda não trabalharem com a habilidade escrita diretamente, os indivíduos que têm o acesso a um outro idioma, apresentam uma certa superioridade também, no que diz respeito, utilização e ao reconhecimento das letras. Acredita-se que o fato delas exercitarem continuamente a relação de sons existentes entre uma língua e outra tenha facilitado relacionar as letras do seu próprio nome com outras palavras. Em conseqüência nota-se um aumento grafo-fonético. Tal suposição é embasada nos estudos teóricos apresentados neste trabalho, especificamente na teoria construtivista de Piaget já citada[13],que acredita que o aprendizado se dá a partir do conhecimento prévio e das experiências do sujeito para a nova construção cognitiva.

Já na próxima figura, vê-se a capacidade dos sujeitos de se expressarem verbalmente:

Ilustração 6: Fluência Verbal

Ambos os testes (Letras e Fluência) medem a capacidade lingüística do sujeito na sua língua materna.  O teste da fluência verbal tem como objetivo testar a capacidade  comunicacional verbal.  A diferença de 21 pontos percentual mostra que as crianças que têm o contato com uma língua estrangeira possuem uma maior capacidade comunicacional. Tal resultado vem a demonstrar o que a teoria aponta: o desenvolvimento de uma dada capacidade repercute como facilitador de outras. Sacks (1998, p.73) fala da importância de uma linguagem: “E a linguagem, como nos alerta Church, não é apenas mais uma faculdade ou habilidade, é o que possibilita o pensamento, o que separa o pensamento do não pensamento, o que separa o humano do não-humano”.

Da mesma maneira, segue abaixo a representação dos escores grupais no teste de Raciocínio Concreto:

Ilustração 7: Raciocínio Concreto

 

Tal teste não se relaciona com as habilidades lingüísticas do sujeito, mas com a capacidade de raciocínio e resposta. No teste  do raciocínio concreto foi examinada a capacidade de compreensão, avaliação, decisão e atitude diante de problemas práticos e concretos. Os resultados mostram uma diferença, ainda que baixa,  de 5 pontos percentuais entre os indivíduos avaliados. Acredita-se que em ambos os testes não houve tanta diferença, uma vez que estes não estão diretamente relacionados com a capacidade lingüística.

O teste da Capacidade de Compreensão, Julgamento e resposta mede a rapidez com que o  indivíduo responde corretamente frente ao estímulo inesperado. Os resultados obtidos foram:

Ilustração 8: Compreensão., Julgamento e Resposta

Tal teste apresentou uma diferença de sete pontos percentuais. As crianças que têm o acesso a outro idioma estão mais expostas a situações novas, não só lingüísticas, mas culturais, em comparação às crianças restritas a língua materna. Tal exposição pode, provavelmente, contribuir para uma maior prontidão das estruturas responsáveis pelo aprendizado de coisas novas. Em relação a tais estruturas recorre-se a Sacks (1998, p.116):

 

O papel do hemisfério direito, assim concebido, é crítico para lidar com situações inusitadas, para as quais, ainda não existe nenhum sistema descritivo ou código estabelecido – e também se julga que ele tem o papel na montagem desses códigos. (...) Assim uma tarefa lingüística nova, muito embora seja lingüística, de início será processada predominantemente pelo hemisfério direito... .

 

Tais testes quantitativos mostraram, no que diz respeito à linguagem, uma superioridade maior por parte do chamado “grupo de observação”. Porém, o dado mais importante para tal estudo é que em todos os testes aplicados, as crianças que estudam outro idioma obtiveram melhores resultados.

Além de testes quantitativos, foram aplicados também testes qualitativos (projetivos):  HTP e o FD. Tais testes apontam que as crianças que estudam outro idioma demonstraram maior: capacidade imaginativa, tolerância à frustração, grau de sociabilidade  equilíbrio afetivo.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Ao findar este estudo, observa-se que todos os autores consultados - mesmo que com abordagens e enfoques diferentes - concordam com a idéia de interação entre indivíduos para o desenvolvimento humano.  De acordo a bibliografia consultada, o homem não existe e não se constrói, tanto psicoafetivamente quanto neurocognitivamente, sem o outro.  Tais conceitos se comprovam na prática profissional, quando atividades que primam pela interação entre alunos apresentam grande índice de eficiência quanto à aplicabilidade da língua alvo por estes.

No sentido de responder aos objetivos expressos neste estudo bibliográfico, recorreu-se a autores que discorrem sobre as necessidades comunicacionais impostas pelo desenvolvimento mundial e a autores que através de suas teorias e pesquisas mostram a importância do desenvolvimento da linguagem. Acerca da comunicação, os estudos e a prática demonstram que esta é a necessidade básica do ser humano individualmente e socialmente. As relações com o mundo são mediadas pelas negociações feitas através da linguagem. O ser que não desenvolve suas habilidades lingüísticas não será capaz de agir eficientemente sobre o mundo e lidar com as situações que se apresentam, sendo relegado a um papel de inferioridade funcional perante os demais. Por outro lado, o desenvolvimento comunicacional precoce – que é o que se propõe no Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil – poderá construir instrumentos que lhe permitam interagir melhor com o mundo.

A partir dos estudos neuropsicológicos de Sacks (1998) sobre a aquisição da linguagem, pode-se dizer que o contato com uma segunda língua  em tenra idade traz grandes benefícios para o desenvolvimento global do indivíduo. Portanto, a aprendizagem de outro idioma torna-se um instrumento lingüístico fundamental para a potencialização das capacidades humanas em todas sua dimensões, sociais, culturais, afetivas, cognitivas e neurobiológicas.

Da cultura de língua inglesa traz-se o termo out there (lá fora), que representa tudo que não pertence intrinsecamente ao sujeito, mas que está potencialmente à sua disposição. Pessoas, objetos, conhecimentos, técnicas, relacionamentos, o mundo em si, tudo faz parte do out there[14], e colabora para a construção do sujeito. Acredita-se, pelo estudo realizado, que o desenvolvimento lingüístico, além de romper com fronteiras idiomáticas, permite ao sujeito uma maior capacidade de relacionamento out there. Quanto mais cedo essas ferramentas forem internalizadas pelo sujeito, mais eficaz será o relacionamento deste com o outro.

 A aprendizagem de uma segunda língua, juntamente com a língua materna, possibilita ao indivíduo interpretar e articular a gama de informações disponíveis. A educação deve andar de mãos dadas com a realidade que se caracteriza pela: comunicação, interação, pluralidade e  conhecimento. Constata-se que a educação deveria dirigir-se à totalidade do ser humano adaptando-se aos novos paradigmas sócio-culturais.

O Inglês serve como um elo de ligação entre e eu e o mundo. Como uma ferramenta de interação, precisa ter sua inserção facilitada na Educação Infantil. Tal afirmação  fundamenta-se na investigação feita no capítulo dois, que traz os fatores influentes na aquisição de uma segunda língua. Dentre os fatores mencionados na pesquisa a tenra idade é  um facilitador no processo de aquisição de um idioma, uma vez que as crianças possuem maiores habilidades neurológicas e afetivas até os seis anos de idade. Certas habilidades deveriam ser levadas em consideração no sistema de ensino.

O modelo interacionista de ensino abrange o desenvolvimento global do sujeito, uma vez que considera as estruturas biológicas junto com o contexto sócio-afetivo e cultural. Destaca-se assim como uma alternativa consistente para o ensino de idiomas na Educação Infantil, como a própria prática vem comprovando. Mesmo em uma cultura marcada pelo ensino tradicional – no qual não há a inter-relação entre conhecimento do professor e do aluno – o projeto de metodologia interacionista demonstrou aplicabilidade e eficiência, transcendendo ao próprio modelo institucional[15], sendo aceito como práxis por outros educadores. Essa capacidade de quebra de paradigmas é favorecida pelo modelo interacionista, indo de encontro com a demanda de formação educacional ampla. O interacionismo apresenta um novo paradigma que responde às necessidades integradoras da atualidade, rompendo com os paradigmas tradicionais baseados no fragmentarismo cartesiano.

Da prática para a teoria, da teoria para prática e para a teorização desta. Com esse movimento, foi possível constatar que teoria e prática podem – e devem - se construírem dialeticamente para cumprir seus objetivos. Os conceitos sócio-interacionistas de Vygotsky, o método de ensino interacionista, a teoria piagetiana e os conhecimentos oriundos da neuropsicologia e da psicanálise, em diálogo crítico constante, complementam-se na construção deste trabalho – que ora se encerra enquanto texto, mas – que continua nesse mesmo processo prático-teórico, em prol da qualificação do ensino de línguas.


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BIBLIOGRAFIA

 

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CAMPOS, Dinah Martins de Souza. O teste do Desenho como Instrumento de Diagnóstico da Personalidade. Petrópolis: Vozes, 2000.

COLE, Michael, WERTSCH, James V. Beyond the Individual-Social Antimony in Discussions of Piaget and Vygotsky. Capturado em 13 de Julho de 2004. On line. Disponível na internet: http://www.webpages.charter.net/schmolze1/vygotsky/colewertsch.html (livre tradução)

CORDIÈ, Anny. Histórico do Conceito de Debilidade da Psiquiatria à Psicologia. In CORDIÈ, Anny. Os Atrasados Não Existem: A Psicanálise de Crianças com Fracasso Escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

______. Inteligência e Debilidade em Uma Perspectiva Psicanalítica. In  CORDIÈ, Anny. Os Atrasados Não Existem: A Psicanálise de Crianças com Fracasso Escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

CUNHA, Maria Isabel da. A Aula como Espaço da Construção Paradigmática. In CUNHA, Maria Isabel da. O Professor Universitário na Transição de Paradigmas. Ararauqra: JM Editora, 1998.

FARIA, Anália Rodrigues de. O Pensamento e a Linguagem da Criança Segundo Piaget. São Paulo: Ática, 1997.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de janeiro: Nova Fronteira,1986.

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. 24ª. Ed. São Paulo: Paz e Terra,1979.

HOPPEN, Norberto. Et al.  Avaliação de artigos de pesquisa em sistemas de informação: proposta de um guia. Porto Alegre: UFRGS, 1996.

LIGHTBOWN, Petsy M., SPADA, Nina. How Languages Are Learned. Oxford: Oxford University, 1999.

LOPES, Luiz Paulo da Moita. Oficina de Lingüística Aplicada: natureza social e educacional dos processos de ensino/aprendizagem de línguas. Campinas: Mercado de Letras, 2000.

MACHADO, Ângelo. Neuroanatomia Funcional. Rio de Janeiro/São Paulo: Atheneu, 1988.

MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

RICHTER, Marcos Gustavo. Ensino do Português e Interatividade. Santa Maria:UFSM,2000.

SACKS, Oliver. Vendo Vozes – uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

TRIVIÑOS, Augusto. Introdução à pesquisa em ciências sociais a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987

UNIVERSIDADE DE CRUZ ALTA. Pró-Reitoria de Ensino e Pró-Reitoria de Pesquisa e Extensão. Estrutura E Normatização De Trabalhos Científicos: manual de normalização para trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses da Universidade De Cruz Alta – UNICRUZ . 2 ed. Cruz Alta: UNICRUZ, 2002.

WARPECHOWSKI, Danielson B. Aspectos Sobre a Aquisição da Linguagem: uma básica introdução – 1ª parte: aspectos neuropsicológicos. 5pp. Clinus Centro de Psicologia. Capturado em: 17/07/2004. On line. Disponível no endereço http://www.geocities.com/centpsimw/psicling1.htm.


 

 

 

 

 

Anexos

 


 

 

 

 

 

 

 

ANEXO A

 


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Anexo A: Questionário aplicado aos pais da Escola A pelo psicólogo, como sondagem antes dos testes nas crianças.

QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE ENSINO DE LÍNGUA INGLESA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

(Obs.: Esse material faz parte de um estudo de caso. O questionário objetiva avaliar O PROGRAMA, não cada aluno em particular. Portanto, não é preciso nenhuma identificação nem da criança nem de quem respondeu o questionário. Os dados serão analisados de maneira agrupada, sem avaliação individualmente, por um profissional habilitado, que repassará somente os resultados globais já tabelados do grupo todo para a professora.)

 

* * *

LEIA ATENTAMENTE CADA QUESTÃO E ASSINALE COM UM “X” DENTRO DOS PARÊNTESES CORRESPONDENTE A RESPOSTA CORRETA. SEJA SINCERO E HONESTO, E NÃO “CHUTE”. QUALUER DÚVIDA, PERGUNTE AO PSIC. DANIELSON.

 

01)Antes da escola, seu (ua) filho (a) freqüentou creche/maternal?

( )Sim

( )Não

 

02)Há quanto tempo seu (ua) filho (a) participa do Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil? ___________________________

 

03)ANTES de participar do programa atual, seu (ua) filho (a) era, em geral:

( )Muito retraído

( )Retraído

( )Nem retraído, nem expansivo

( )Expansivo

( )Muito expansivo

 

04)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( )Muito passivo

( )Passivo

( )Nem passivo, nem agressivo

( )Agressivo

( )Muito agressivo

 

05)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( )Muito ordeiro

( )Ordeiro

( )Nem ordeiro, nem desordeiro

( )Desordeiro

( )Muito desordeiro

 


06)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( )Muito compreensivo

( )Compreensivo

( )Nem compreensivo, nem incompreensivo

( )Incompreensivo

( )Muito incompreensivo

 

07)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) tinha, em geral:

( )Muita dificuldade de aprendizado e compreensão

( )Dificuldade de aprendizado  e compreensão

( )Nem dificuldade, nem facilidade de aprendizado e compreensão

( )Facilidade de aprendizado e compreensão

( )Muita facilidade de aprendizado e compreensão

 

08)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( )Muito instável emocionalmente

( )Instável emocionalmente

( )Nem instável, nem estável emocionalmente

( )Estável emocionalmente

( )Muito estável emocionalmente

 

09)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( ) Imaginativamente muito rígido: nada criativo, nem imaginativo.

( ) Imaginativamente rígido: pouco criativo e pouco imaginativo.

( ) Nem rígido, nem flexível imaginativamente.

( ) Imaginativamente flexível: criativo e imaginativo.

( ) Imaginativamente muito flexível: muito criativo e muito imaginativo.

 

10)ANTES de participar do programa atual, seu(ua) filho(a) era, em geral:

( ) Nada tolerante a qualquer tipo de frustração.

( ) Pouco tolerante a frustração.

( ) Às vezes tolerante, às vezes intolerante à frustração.

( ) Tolerante à frustração.

( ) Muito tolerante a todo tipo de frustração.

 

***

 

11)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( )Mais retraído do que antes

( )Sem alterações quanto a retraimento ou expansividade

( )Mais expansivo do que antes

 


12)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Mais passivo do que antes

( ) Nem passivo, nem agressivo

( ) Mais agressivo do que antes

( ) Inalterado quanto à passividade/agressividade

 

13)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Menos ordeiro do que antes

( ) Sem alterações quanto à ordem

( ) Mais ordeiro do que antes

 

14)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Menos compreensivo do que antes

( ) Inalterado quanto à compreensibilidade

( ) Mais compreensivo do que antes

 

15)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Com menos facilidade de aprendizado e compreensão do que antes

( ) Sem alterações quanto aprendizado e compreensão

( ) Com mais facilidade de aprendizado e compreensão do que antes

 

16)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Mais instável emocionalmente

( ) Sem alterações quanto ao emocional

( ) Mais estável emocionalmente

 

17)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Menos criativo que antes

( ) Sem alterações quanto à criatividade

( ) Mais criativo que antes

 

18)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Menos tolerante à frustração do que antes

( ) Sem alterações quanto à tolerância a frustração

( ) Mais tolerante a frustração do que antes

 


19)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Intelectualmente menos esperto

( ) Inalterado quanto ao intelectual

( ) Intelectualmente mais esperto

 

20)AGORA, estando participando do programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você pode afirmar que seu(ua) filho(a) está:

( ) Menos sociável do que antes

( ) Inalterado quanto à sociabilidade

( ) Mais sociável do que antes

 

21) Na sua opinião, quais os fatores que mais influenciaram nas mudanças de comportamento de seu(ua) filho(a) nos últimos meses? Assinale com: (MI)Muito Importante, (I)Importante, (PI)Pouco Importante ou (SI)Sem importância.

(  ) Desenvolvimento biológico

(  )Escolarização em geral

(  )Dinâmica familiar

(  )Televisão

(  )Prática de esporte

(  )Companhia

(  )Programa de Língua Inglesa

(  )Internet

(  )Jogos e brinquedos

(  )Outro: ________________

(  )Outro: ________________

 

22) Na sua opinião, o Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil exerceu sobre seu(ua) filho(a):

( )Muita influência má

( )Alguma influência má

( )Nenhuma influência

( )Alguma influência boa

( )Muita influência boa

 

23)Observando seu(ua) filho(a), você poderia dizer que o programa de Língua Inglesa na Educação Infantil:

( ) Prejudica as crianças

( ) É inútil para as crianças

( ) É uma atividade a mais, sem maiores ganhos ou prejuízos

( ) Ajuda no desenvolvimento das crianças

( ) É imprescindível para o desenvolvimento das crianças

 


24) Observando como seu(ua) filho(a) está aproveitando o Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil, você se sente:

( )Muito insatisfeito

( )Insatisfeito

( )Nem satisfeito, nem insatisfeito

( )Satisfeito

( )Muito satisfeito

 

25) Utilize este espaço para acrescentar, se quiser, suas impressões, comentários, críticas, sugestões, depoimentos e/ou elogios sobre o Programa de Língua Inglesa na Educação Infantil da qual seu(ua) filho(a) faz parte:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Após responder todas as questões, entregue esse questionário – de preferência, em envelope lacrado - somente para o Psic. Danielson, ou em local e para pessoa determinada pelo mesmo.)


 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANEXO B

 

 


 

TEXTOS    E-MAIL

Anexo B: Gráficos Extraídos Do Relatório Psicológico, Relativos Ao Questionário Aplicado Aos Pais


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANEXO C

 


TEXTOS    E-MAIL

Anexo C: Depoimentos Dos Pais Constantes Na Questão nº 25 Do Questionário Aplicado Pelo Psicólogo

 

“Já conhecia o trabalho da Profª Ana Paula porque minha filha era aluna dela em outra escola. Gosto da dinâmica usada pela mesma em sala de aula. E percebo que desde que começou com as aulas de inglês seu interesse vem crescendo continuamente. Um exemplo disso é que ela (minha filha), sempre fala ou cita em falas corriqueiras como é isto ou aquilo em inglês e se não sabe como é questiona, perguntando ou falando da professora.”  (Mãe de uma menina há 2 anos no PLIEI)

“A (nome) demonstra muito interesse nas aulas de inglês e sempre comenta sobre elas ao retornar da escola, repetindo inclusive o que foi visto no dia. Acho muito importante o aprendizado de inglês, ajuda no desenvolvimento intelectual da criança.” (Mãe de aluna a 1 ano).

“A minha filha sabe inglês melhor do que eu. A professora está de parabéns pois ela influencia positivamente as crianças. A pronúncia é o que melhora muito o interesse pelo inglês.” (Mãe de aluna há 2 anos).

“O Programa de Língua Inglesa nas séries iniciais é importante porque as crianças estão no auge da descoberta para eles tudo é impor6tante, mostrar para os outros que as palavras podem ser faladas de outra maneira, e a professora está conseguindo transmitir ou fazer eles entender o inglês, através do método o qual ela está trabalhando.” Acrescenta ainda: “A mesma quantidade de horas que se tem Português deveria ter de Inglês. O mesmo domínio de Português deveria ter no Inglês”. (A filha desta pessoa está no programa há um ano).

“O desenvolvimento da criança inicia desde quando nasce, porém as séries iniciais são de suma importância. Durante o período são criados estímulos para o desenvolvimento, por isso a língua inglesa faz com que o raciocínio melhore e a criança se expresse melhor.” (Pais de aluna há 2 anos)

“Acho que o programa de inglês na educação infantil está sendo direcionado de uma amenira muito dinâmica e objetiva. Pude observar de uma maneira muito clara os progressos do meu filho”. (Mãe de aluno com 1 ano de PLIEI)

“Estou muito satisfeita com os conhecimentos que meu filho está adquirindo na escola. Sugeri a professora que me indicasse um livro infantil de inglês para que em casa tivéssemos as dúvidas solicitadas pelo aluno. O entusiasmo dele é tanto em saber novas palavras que faz com que nós em casa precisamos recorrer ao dicionário de inglês. Depois de começar a cursar o inglês eu vejo no meu filho a necessidade de conhecer a palavra português para o inglês (tradução).” Acrescenta ainda: “Essa idade que mais se aprende, aprender inglês é imprescindível porque tudo vem em inglês nos dias de hoje. Até no ensino superior é exigido.” (O filho dessa senhora participa do PLIEI há um ano.)

“Percebemos o crescimento de nosso filho no ambiente familiar quanto a Língua Inglesa, pois vem demonstrando maior conhecimento, curiosidade para descobrir palavras novas, reconhecimento de palavras escritas quando lidas para ele, dando o significado e de modo geral mais expansivo em relação a língua, demonstrando mais entusiasmo ao relatar as coisas que aprende. Achamos que quanto mais cedo a criança tiver contato com a língua, mais gosta e mais facilidade para aprender ela terá.” (Casal de pais de um menino no PLIEI há um ano).

 

 

TEXTOS    E-MAIL

 



[1] Centro cortical de grande importância na articulação da linguagem.

[2] Centro cortical relacionado com a compreensão da linguagem.

[3] “Caminhos” formados pela interconexão de neurônios. Para WARPECHOWSKI (2004, p3): “Da Neuropsicologia trazemos o conceito de metacircuito, o qual explica que a estimulação constante de dadas regiões cerebrais constrói vias neuronais dentro do cérebro. Qual um córrego constantemente irrigado até tornar-se um rio, tais vias se fortalecem e se fixam, facilitando a recepção de novos estímulos, retroalimentando o processo.”

 

[4] Segundo Piaget , a cognição humana desenvolve-se com rapidez até mais ou menos 16 anos e a partir daí menos rapidamente. Algumas mudanças são críticas; outras mais graduais e de detecção difícil. De 0 a 2 anos, fase sensório-motora; de 2 a 7 anos, fase pré-operacional; de 7 a 11 anos, fase operacional completa; e de 11 a 16 anos, fase operacional formal – decisiva e caracterizada por abstração e pensamento formal que transcende a experiência concreta. Adolescentes e adultos podem receber eventual ajuda das explicações gramaticais  e do pensamento dedutivo lógico. Já as crianças aprendem uma língua sem a ajuda do pensamento formal  operativo.

[5] “Embora inconsciente, o aprendizado de uma língua é uma tarefa prodigiosa - mas, apesar das diferenças de modalidade, a aquisição da ASL [NM: American Sign Language] por crianças surdas tem semelhanças notáveis com a aquisição da língua falada por uma criança ouvinte. De maneira específica, a aquisição da gramática parece idêntica, ocorrendo de modo relativamente súbito, como uma reorganização, um descontinuidade no pensamento e desenvolvimento, quando a criança passa dos gestos para a língua, da indicação ou gesticulação pré-lingüística para um sistema lingüístico totalmente regido pela gramática: isso ocorre na mesma idade (aproximadamente 21 a  24 meses) e da mesma maneira, quer a criança fale, quer use a língua de sinais.” SACKS (1998, p102)

[6] De acordo com FARIA (1975) “ a linguagem fornece o protótipo  de um sistema de significantes distintos, uma vez que na conduta verbalizada o significante é constituído pelos signos coletivos que são as palavras, enquanto o significado é fornecido pela significação das palavras, ou seja, pelos conceitos(...)” (p209).

[7] Ver o capítulo: “Aquisição da Língua Inglesa na Educação Infantil”

[8] A2 é o nível da educação infantil, onde freqüentam crianças de quatro anos, na escola A.

[9] “No período simbólico , o equilíbrio incompleto da assimilação e da acomodação torna o sujeito capaz de representar os objetos ou eventos ausentes, embora ainda de forma deficitária. A imagem desempenha a função de significante que evoca o significado( ação exercida sobre as coisas), assim como as sensações experimentada em relação a elas. Quando a criança  evoca a palavra  chupeta, traz com ela a lembrança das ações de tocar e sugar. A palavra chupeta pode acompanhar a imagem e reforça-la, mas não constitui ainda, um significante propriamente dito.FARIA (1997, p.44)”.

[10]  Registro profissional: CRP 07/10.409. Endereço profissional: Av. Venâncio Aires, 614 – Sala 14. Cruz Alta. Fone: (55)3324-2909.

[11] Intervenções da “Teacher”.

[12] Provável respostas dos alunos (students)

[13] RICHTER (2000,  p.26)

[14] Semelhante ao conceito de “o outro” em psicologia.

[15] Refere-se aqui a Cultura Institucional vivida na escola A, cuja proposta político-pedagógica é, fundamentalmente, tradicional e que, no entanto, abriu-se para uma prática sob diferente paradigma.

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