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Meu Filho, Hiperativo???
Psic.Danielson B. Warpechowski
(CRP 07/10.409)
Há alguns anos, fui chamado para
prestar consultoria em uma escola que apresentava alto índice de repetência e
muitos problemas de comportamento. Segundo palavras da coordenadora pedagógica
e da diretora, isso se devia ao fato de que “mais de metade dos alunos são
hiperativos”. Resolvi não confrontar a colocação de minhas contratantes. Antes,
fiz um breve levantamento dos casos apontados por elas como focos de problema
e, passado alguns dias, apresentei um diagnóstico institucional. Para o espanto
delas, mostrei que havia muitos alunos com desvio de conduta, alguns com
transtorno de ansiedade e muitos poucos com leve atraso no desenvolvimento
cognitivo, mas NENHUM HIPERATIVO sequer!
Tive que explicar, então, que o
TRANSTORNO DE ATENÇÃO POR HIPERATIVIDADE (TAH) é um problema neurológico
específico, e mais raro do que as pessoas imaginam. Uma falha neuroquímica e
estrutural em regiões do cérebro faz com que a atenção da pessoa fique flutuante,
dificultando ao máximo a focalização do pensamento da pessoa. Como resultado, o
hiperativo não consegue se deter em uma tarefa, atividade ou pensamento,
vagando constantemente de uma atividade para outra.. O tratamento requer uma
equipe multidisciplinar: o neuropediatra, com medicação, o psicólogo clínico,
com psicoterapia, e o psicopedagogo, com atividades de adaptação. No entanto, é
bom ressaltar que nem toda criança desatenta e agitada é hiperativa, já que a
desatenção e a agitação são sintomas comuns a diversos problemas. O diagnóstico
de hiperatividade se faz através de testes psicológicos e exames neurológicos
que só podem ser executados por especialistas.
Raramente estes sintomas são de fundo
neurológico, como são no caso da hiperatividade. Na grande maioria dos casos, o
comportamento agitado da criança está relacionado à associação de fatores
educacionais e emocionais. E entre muitos fatores destacam-se, acima de todos,
a incapacidade da criança de reconhecer limites e de tolerar frustração, ambas
relacionadas com a experiência de vida da criança.
É estranho, mas grande parte das
pessoas acreditam que a noção de certo e errado é algo que já nasce com a
pessoa. Essa idéia está completamente errada! Nossas atitudes são frutos
diretos de nossas experiências! Talvez, o primeiro registro desse conceito encontra-se
na Bíblia: “Educa a criança no caminho que deve andar, para que quando crescer
não se desvie dele.” (PV 22:6). Mas desde o final do século XIX, a ciência vem
comprovando essa verdade: é necessário passar para a criança, com clareza, o
que é certo e errado. De Melanie Klein a Chris Polly, todas as autoridades em
educação infantil batem na mesma tecla: a forma como a criança é educada por
seus pais e por seus primeiros mestres influencia diretamente em sua saúde
mental e em seu comportamento.
A dica é: ter plena consciência de
TUDO que se diz e se faz com a criança.
Um castigo não pode ser uma descarga do stress do adulto, assim como o
mimo não pode ser alívio para o sentimento de culpa dos pais ou professores.
Pense muito nas conseqüências ANTES de dizer “sim” ou “não” a uma criança, mas
depois de ter dito, mantenha. Diga sim para o certo e justo, e não para o
errado e injusto. Sempre, absolutamente! Não use sua autoridade para oprimir,
mas sim para educar! Caso haja mesmo
necessidade de “punição”, que esta sirva para que a criança realmente entenda a
conseqüência de seus atos, não como simples revanchismo que só gerará mágoas.
Se, como pais ou professores, for
difícil perceber essas coisas e/ou agir de acordo com elas, busque ajuda
profissional. Algumas vezes a criança até precisa de tratamento, mas pouco
ajudará se suas referências (pais e mestres) não estiverem equilibradas.
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