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Juno
Direção: Jason Reitman
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Allison Janey, Jason Bateman
Curiosidade: Diablo Cody, roteirista vencedora do Oscar 2008 de Melhor Roteiro Original por "Juno", já foi stripper.
Ano: 2007
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O diretor Jason Reitman gosta de assuntos polêmicos. Em “Obrigado por Fumar”, seu filme de estréia, ele colocou Aaron Eckhart (“Sem Reservas”) como um lobista que defende a indústria do fumo. Enquanto discute com seus colegas lobistas do armamento e da bebida, ele enfrenta uma repórter ambiciosa (Katie Holmes) e a relação com seu filho. Como educar tendo tal profissão? Sem julgamentos e tratando do assunto com uma habilidade de veterano na área, Reitman entregou um filme que vale a pena assistir e discutir. Agora, ele repete a dose com “Juno”.
Juno é uma adolescente típica que, abandonada pela mãe e criada pelo pai e pela madrasta, se vê grávida após a primeira transa. Mostrando toda maturidade que a idade lhe permite, decide fazer um aborto, apenas comunicando um incrédulo e ingênuo namorado. Após descobrir que sua “coisa” (como ela se refere ao bebê) já tem unha, decide ter o bebê e dá-lo para adoção. Em tal decisão ela apenas “comunica” os pais sobre o que está acontecendo com ela e o caminho que irá seguir.
Ao mostrar diálogos normais entre jovens sobre onde fazer um aborto e depois, a escolha dos pais adotivos nos classificados, Reitman mostra todo o descaso que a sociedade americana está oferecendo aos jovens, ao permitir que eles cresçam sozinhos e tomem atitudes que nem sempre serão as melhores. Apenas criticar Juno por estar grávida (a cena dela com a barriga de 8 meses chegando na escola e todos olhando é surreal) não transforma a adolescente em adulto. E nem muito menos irá coibir outros adolescentes de seguirem o mesmo caminho. Reitman deixa claro que há algo que não está certo na atual geração...
Mas o filme não é só sobre o desespero de ser mãe, ou melhor, de estar grávida na adolescência. É também sobre a esperança, daqueles que esperam para ter o tão sonhado filho e não conseguem. Jennifer Garner (do seriado “Alias” e do filme “Elektra”) transmite toda a doçura, medo e incerteza de alguém que deseja ser mãe e que se encontra numa posição tão delicada e difícil que é saber acolher a mãe do seu futuro filho.
Ellen Page está excelente no papel de Juno, concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz no Oscar 2008. Já o filme concorre na categoria principal, Melhor Filme. É difícil que ganhe... Mas se Reitman conseguir que pais pensem e os filhos analisem o que pode acontecer, já é um prêmio muito maior.
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