Responsável por dirigir programas de TV (Sai de Baixo, A Diarista) e com um currículo cinematográfico que inclui “Zoando na TV” (ou também conhecido como o filme da Angélica), o diretor José Alvarenga Júnior apresentou um filme delicioso de se assistir, que nos leva da alegria ao choro e nos faz sentir feliz.
Baseado na peça de teatro homônima também interpretada pela atriz Lilia Cabral, Divã inova ao apresentar a personagem principal, Mercedes. O filme inicia com uma narração em off e com um passeio da câmera pela tela, nos levando a entender que estamos vendo a personagem. Porém, o que acompanhamos é, na realidade, o que a personagem vê: a vida que ela queria ter. E esse modo de apresentar fatos e personagens continua durante toda a projeção, pois veremos sempre o ponto de vista de Mercedes e de mais ninguém, incluindo aí seu terapeuta que, na acertada direção de Alvarenga, nem voz possui. Ao focalizar apenas Mercedes, acompanhamos suas mãos, os movimentos com a cabeça, com o corpo, procurando mostrar, no consultório e em cada momento da vida dela, o que ela estava sentindo, enfrentando, chorando e, até, amando.
A importância da câmera em Mercedes e em seu foco atinge o grau máximo quando acompanhamos seus “flashbacks”, os quais são apresentados com uma câmera trêmula, em uma tonalidade diferente e que, propositalmente, conta com um efeito sonoro daquelas antigas câmeras de projeção. É contagiante. O mesmo acontece quando deve ser retratado a angústia e nervosismo de Mercedes em um chá-bingo-dançante. Não há quem não se coloque no lugar dela e implore que ela consiga sair dali “sã e salva”. E com ênfase em sã.
Há alguns pontos fracos no filme, como as sequências envolvendo a filha da amiga ou mesmo o cabelereiro gay (ambos caricatos ao extremo). Mas nada que incomode ou tire o telespectador de se encantar e torcer para Mercedes encontrar aquilo que procura: saber se, no momento que a vida lhe ofereceu vários caminhos, ela escolheu o certo. Ou não. E isso tudo para, finalmente, mostrar uma Mercedes decidida, que amou e foi amada, que se entregou a vida e correu atrás dela quando achou que ela a estava abandonando. Enfim, que ela simplesmente soube viver, independente da escolha.
31/05/2009