Arquivo X: Eu Quero Acreditar
(X-Files: I Want to Believe)

 

Direção: Chris Carter
Elenco: David Duchovny, Gillian Anderson, Amanda Peet, Billy Connolly
Ano: 2008

 

Para os Fãs (como eu) da série de TV Arquivo X, poder rever os personagens na telona após tanto tempo do fim da série é uma emoção indescritível... Ver Scully, logo na primeira cena em que aparece, defendendo ardorosamente seu ponto de vista (como fez tantas vezes) é de uma alegria contagiante! E o que dizer de Mulder? Ele surge na tela, de costas, com seu “mini” discurso sobre o improvável para uma crédula Scully, enquanto está recortando jornais no que parece ser o antigo escritório do Arquivo X. Ao se virar, barbudo (enquanto a “ruiva” agora é loira), vemos que o tempo passou e detalhes são colocados na cena para os fãs do seriado.
Mulder é um foragido do FBI (no final da série, ele foi condenado à morte pelo “homicídio” de um soldado) e vive com Scully em uma pequena cidade. Enquanto ela voltou a praticar medicina em um hospital católico, Mulder fica em casa, comendo sementes de girassol, buscando notícias nos jornais que possam relatar fatos que não são facilmente explicáveis e jogando lápis no teto (mania já vista na série no episódio “Chinga”, da 5ª Temporada). Quando Scully é procurada pelo FBI para contatar Mulder para ajudá-los em um caso em troca de perdão pelo crime cometido, Mulder se nega a participar para, após olhar a foto de Samantha (sua irmã abduzida), decidir ajudar a agência com a condição que Scully o acompanhe. Após anos, podemos ver que a dependência entre os agentes continua, tal como quando Mulder fala para a agente Whitney: sou apenas a metade da dupla. Um não pode viver sem o outro!
Ao chegarem no FBI, os ex-agentes são colocados a par da situação: uma agente federal foi seqüestrada e, a única pista até agora, foi fornecida pelo Padre Joe, um padre vidente condenado por pedofilia. Logo surge em cena o tão costumeiro confronto entre Mulder e Scully: ele querendo acreditar que o padre diz a verdade, enquanto ela desconfia, se mantendo cética perante as revelações do padre vidente. Talvez apenas os fãs da série entendam o porquê daquela atitude de Mulder, em resolver seguir o padre, enquanto Scully, apesar de reticente em acreditar no que ouve, decida em um primeiro momento acompanhar o ex-parceiro, para só depois decidir se afastar da “escuridão”.
Para àqueles que não acompanharam a série, pode ser que o filme não passe de um filme policial, com cenas de romance entre os protagonistas, tendo no padre vidente a versão para a telona de Allysson e Melinda (as videntes das séries de TV “Medium” e “Ghost Whisperer”). Por outro lado, para os fãs, o filme é muito mais... Poder ver Scully e Mulder juntos na cama, brincando e ela “reclamando” da barba do parceiro é surreal para quem acompanhou 9 anos de uma tensão sexual sem limites; a referência ao filho dos dois, William, e sobre a decisão tomada por ela para o destino do garoto ainda a afeta após 6 anos; os ex-agentes discutindo, enquanto ela está de camisola e ele, sem blusa, faz a barba, com toda naturalidade; a paixão de um pelo outro, que na série era algo que ficava em segundo plano, com tantos monstros, “ets” e conspiração governamental; rever Skinner e o carinho dele para com seus ex-agentes. Para nós, Fãs, não há “estranheza” ver Mulder e Scully se chamarem ainda pelos sobrenomes (como afirmou um renomado crítico)... Estranho é ver uma “ninguém”, a agente vivida por Amanda Peet, querer charmar Mulder por Fox! Como o ex-agente uma vez disse na série, “nem minha mãe me chama de Fox”.
O filme tem defeitos sim, não dá para negar! Nem a cena que serviria para relembrar o ciúme de Scully, envolvendo Mulder e a agente Whitney foi bem feita como antigamente... O roteiro é fraco, com um final “sobrenatural” mal explicado e difícil de acompanhar, não ajudando para tentar fazer os “não iniciados” na série de TV virarem fãs do programa. Talvez por este motivo que, pensando neles, tenha sido lançada a caixa de Episódios Essenciais, com oito episódios escolhidos pelo criador da série e diretor do novo filme, Chris Carter. No filme, são citados nomes de videntes investigados por Mulder e Scully: Luther Boggs (do episódio “O Vidente”) e Clyde Bruckman (do “O Repouso Final de Clyde Bruckman”). Nestes episódios, entendemos claramente o porquê do ex-agente acreditar em pessoas com tais poderes e o motivo de Scully não acreditar, mas mesmo assim, confrontar o padre Joe no novo filme. Além destes, há os episódios “Prometeu Pós-Moderno”, cuja trama é muito parecida com a do novo filme, apesar do toque mais doce vindo do “Grande Mutato”; o episódio “Piloto”, onde somos apresentados aos agentes; o episódio “Lembranças Finais”, que mostra claramente que Mulder e Scully nunca desistem, não importa o que e a quem aconteça; os episódios “O Hospedeiro” e “Vampiros”, que mostram o monstro da semana e a relação dos agentes, respectivamente; e, por último, o episódio “Milagro”, onde temos a revelação dos sentimentos de Scully e que só vamos ouvir da boca da própria agente neste novo filme.
Além do filme em si ser um presente para os Fãs, com a tão famosa cena do beijo e do carinho entre Mulder e Scully (fato só presenciado brevemente em uma cena do último episódio da série, “A Verdade”, da 9ª Temporada), há também uma última cena, logo após os créditos finais: após muitas imagens do que parece ser a visão da Terra do espaço, chegamos ao mar próximo a uma ilha, e podemos ver Mulder (sem camisa, uau!) remando em um pequeno barco, tendo Scully - de biquini! - deitada como companhia. A câmera se aproxima, não muito, e logo sai, momento em que os ex-agentes se viram e acenam, como se soubessem que estavam sendo observados de longe, muito longe...
Ou, também, como disse o ator David Duchovny recentemente em uma entrevista, essa cena final foi o jeito do Chris Carter apresentar o fim desejado para seus agentes: sozinhos e juntos! Sentimento esse compartilhado por todos os fãs do seriado. Emocionante!!!!

 

Momento piada: Em uma cena sem falas, Mulder e Scully estão no FBI quando se deparam com as fotos do Presidente George Bush e do fundador da agência, Edgar Hoover, e a música tema toca os primeiros acordes....

 

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