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Esta foto do telescópio Hubble mostra parte do planeta Júpiter
(à esquerda) e uma de suas luas, Io.
Numa segunda foto, Io parece deslizar sobre a atmosfera de Júpiter,
com sua sombra projetada sobre as densas nuvens que recobrem o planeta.
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Nesta segunda foto, Io projeta sua sombra (o ponto escuro à direita)
na superfície de Júpiter.
Na realidade, Io está a 500 000 quilômetros de Júpiter,
uma vez e meia a distância entre a Terra e a Lua. A sombra, que na
foto é apenas um pequeno ponto escuro, tem aproximadamente 3 640
quilômetros de diâmetro, mais que a distância entre Curitiba
e Fortaleza. A última foto é a mais intrigante. É
o flagrante de uma erupção de Pillan, um dos vulcões
de Io, até então inativo.
-> A erupção do vulcão Pillan em Io: resultado das
marés gravitacionais.
As novas imagens registradas pelo Hubble estão entre as mais fascinantes de uma nova era na exploração espacial. Depois de passar séculos pesquisando os oito planetas companheiros da Terra no sistema solar, os astrônomos e engenheiros espaciais estão descobrindo que as grandes novidades estão em seus satélites. Ao todo, o sistema solar tem 63 luas conhecidas. São mundos congelados e relativamente pequenos, mas alguns têm características surpreendentes. O maior deles é Ganimedes, satélite de Júpiter cujo diâmetro é superior ao do planeta Mercúrio. O menor é Deimos, satélite de Marte, com apenas 12 quilômetros de diâmetro (o da Lua tem 3 476 quilômetros).
O
que existe lá...
Veja
o que os cientistas sabem até agora sobre algumas luas em outros
planetas:
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Trikão
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A maior das oito luas de Netuno tem a superfície coberta por vulcões
de gelo que, em vez de lava, lançam nitrogênio líquido
e metano.
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Europa ->
É uma das dezesseis luas de Júpiter. Suspeita-se que, sob
a superfície de gelo, haja um oceano de água com 50 quilômetros
de profundidade.
-> Ganimedes
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Outra lua de Júpiter, é a maior do sistema solar. Seu tamanho
ultrapassa o do planeta Mercúrio. Possui uma tênue atmosfera
com oxigênio.
-> Fobos
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É a maior das luas de Marte. Imagina-se que possa servir de base
para viagens espaciais. Ainda não está confirmada a presença
de gelo ali.
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Caronte
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Tem metade do tamanho de seu planeta, Plutão. Sua composição
é desconhecida, mas a superfície parece ser coberta de gelo.
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Titã
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A mistura de nitrogênio, metano e outros compostos torna a atmosfera
da maior lua de Saturno parecida com o da Terra há bilhões
de anos.
Pressão Infernal - Apesar
de ter consumido muito
tempo e dinheiro, a exploração dos planetas não revelou
até hoje as esperadas surpresas. Verificou-se que, com exceção
da Terra, o único com alguma chance de abrigar formas de vida, até
o momento, é Marte. Enquanto isso, as possibilidades de haver vida
nas luas do sistema solar parecem bem mais promissoras. "Depois de termos
resolvido os grandes mistérios que cercavam os planetas, chegou
a hora de nos concentrarmos nas luas, que tínhamos praticamente
ignorado até agora", disse a VEJA o astrônomo americano Richard
Terrile, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da
Nasa, em Pasadena, na Califórnia.
Para sustentar a vida, tamanho pode ser um problema. Grandes planetas,
como Júpiter e Saturno, têm forças gravitacionais varias
vezes maiores que as da Terra. As pressões na superfície
são infernais, maiores que as encontradas no mais fundo dos abismos
submarinos terrestres. Nessas condições adversas, há
pouca chance de sobrevivência para um organismo mais complexo do
que uma ameba. Nas luas, a situação é diferente. "Os
satélites, principalmente os de Júpiter e Saturno, têm
dimensões adequadas para abrigar vida e, em alguns casos, atmosfera
rica em metano e nitrogênio, substâncias que levaram ao surgimento
das primeiras moléculas orgânicas em nosso planeta", afirma
o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão.
As condições básicas para a existência de vida,
na forma conhecida até agora, são a presença de água,
energia e matéria orgânica. Recentemente, descobriu-se que
em Titã, a maior lua de Saturno, chovem nutrientes orgânicos.
Além disso, durante seus 4,5 bilhões de anos, o satélite
teve longos períodos de forte insolação, o bastante
para derreter o gelo de sua crosta, fornecendo água em forma líquida,
segundo o astrônomo americano Carl Sagan, já falecido. Algumas
das principais dúvidas dos pesquisadores deverão ser respondidas
em 2004, quando a nave Cassini, da Nasa, começar a explorar as maiores
luas de Saturno e lançar uma sonda na superfície de Titã.
Io é um dos mais interessantes satélites do sistema solar.
Nenhum outro tem tanta atividade vulcânica. Ali, há dezenas
de vulcões em erupção ao mesmo tempo. É o único
lugar onde se pode observar a superfície se transformando em curto
espaço de tempo. Comparando com o que aconteceu na Terra, é
como se várias eras geológicas se sucedessem em questão
de horas.
Depois das fotos do Hubble, os cientistas esperam obter novas informações
a respeito de Io no final deste ano, quando a sonda Galileo fará
duas passagens rasantes sobre o satélite para capturar novas imagens.
"Esse tipo de pesquisa só é possível com a nova tecnologia
para construir naves-robôs pequenas e baratas", afirma Terrile. "Agora
temos verba para investigar vários desses satélites ao mesmo
tempo."
A atividade vulcânica em Io é fruto da proximidade com Júpiter.
As forças gravitacionais do planeta gigante são tão
intensas que jogam o satélite para a frente e para trás,
gerando poderosas marés internas que ativam os vulcões. "A
mesma coisa acontece em Europa, outro satélite de Júpiter",
explica a astrônoma brasileira Rosaly Lopes Gautier, especialista
da Nasa em planetas. "Ali, o calor interno mantém um oceano líquido,
provavelmente de água, escondido sob uma capa de gelo." Estima-se
que esse mar tenha duas vezes mais água que todos os oceanos da
Terra. Nenhum outro lugar concentra tantas condições propícias
à existência de vida. Graças ao vulcanismo, Europa
teve, por bilhões de anos, calor suficiente para a formação
de moléculas complexas, como proteínas. Por isso, é
hoje um dos principais alvos da curiosidade científica no sistema
solar.
Origem: Revista
Veja de 28 de Abril de 1999.
Data da divulgação:
10/05/1999.