Judeu da Galiléia e fundador do
Cristianismo, nascido em Belém,
cidade da Judéia meridional, nos
últimos anos do reinado de Herodes o
Grande, quando Roma dominava a
Palestina e Augusto era o imperador.
Independente da óptica religiosa,
produziu uma das alterações mais
profundas na história das
civilizações, seja como sua imagem
de Filho de Deus ou de moralista
sonhador ou de revolucionário. O
aparente paradoxo sobre o ano de seu
nascimento deve-se a um erro de
datação atribuído ao monge Dionísio
o Pequeno, encarregado pelo papa, no
século V, de organizar um
calendário, e o dia 25 de dezembro
foi fixado a mais de quatro séculos
da nossa era (440) como data do seu
nascimento com o fim de cristianizar
a festa pagã realizada naquele dia.
Por exemplo, o episodio bíblico da
visita dos três Reis Magos, teria
ocorrido 8 meses depois de seu
nascimento (19/12/06 a. C.),
justificando-se inclusive a
sinalização da Estrela Divina por
uma conjunção planetária justificada
por estudos de astronomia. O
principal testemunho sobre sua
existência são os quatro evangelhos,
base da fé cristã, onde estão
relatadas suas palavras e obras e as
reações de seu povo, escritos
originalmente em grego, se bem que o
de Mateus pode provir de um texto
anterior, em aramaico, aparentemente
escritos antes do ano 80, exceto o
de João, escrito no final do século
I. Esses escritos coincidem entre si
e com relatos de historiadores da
época, como o judeu Flávio Josef,
historiador da corte romana de
Domiciano e o maior dos
historiadores romanos, Tácito. Filho
de José, carpinteiro de Nazaré, na
Galiléia, e sua esposa, a Virgem
Maria, nasceu quando seus pais
estavam em Belém por causa de um
recenseamento. Como a notícia de que
teria nascido aquele que seria o rei
dos judeus, e como não sabia do seu
paradeiro, Herodes ordenou uma
matança de todas os meninos de Belém
e no seu território, com até dois
anos de idade (Mt 2:16), mas ele
escapou da matança porque seus pais
fugiram para o Egito, onde
permaneceram até a morte de Herodes,
alguns meses após, quando então José
decidiu regressar com sua família e
estabeleceu-se em Nazaré, e onde o
Salvador passou a maior parte de sua
vida trabalhando com o pai nas
tarefas de carpintaria. Sua primeira
aparição pública, aos 12 anos,
segundo Lucas, deu-se quando a
família visitava Jerusalém e seus
pais o encontraram entre os doutores
do Templo, ouvindo-os e
interrogando-os. Segundo a tradição,
após a morte de José, ELE
compreendeu que estava na hora de
começar a cumprir sua Divina Missão.
Aos trinta anos encontrou-se, na
Judéia, com seu primo João Batista,
filho de Zacarias, famosa na região
do Jordão por pregar o batismo como
sacramento de penitência para o
perdão dos pecados, sendo também por
João batizado. Iniciou a pregação da
Boa Nova, o Evangelho para os
gregos, ou seja, a realização das
profecias sobre o Messias e a
instauração do reinado de Deus sobre
o mundo a partir de Israel.
Seguiu-se então acontecimentos
impressionantes como o jejum no
deserto, durante quarenta dias e
quarenta noites, o episódio das
bodas de Cana, primeira manifestação
do seu poder divino, a expulsão dos
mercadores do templo, a prisão de
João Batista e o episódio da mulher
samaritana. Iniciando sua pregação
itinerante e a realização dos
inúmeros milagres, foi da Samaria à
Galiléia e, rejeitado em Nazaré,
chegou a Cafarnaum, às margens do
lago Tiberíades ou mar da Galiléia,
onde aconteceu o episódio da pesca
milagrosa, e catequizou seus
primeiros apóstolos: Simão Pedro,
seu irmão André e os filhos de
Zebedeu, Tiago e João, mais Filipe e
Natanael, ex-discípulos de João
Batista. Aos 31 anos completou seus
12 apóstolos, todos eles galileus,
realizou o famoso sermão da montanha
e pregou suas mais notáveis
parábolas, com as quais transmitia
sua doutrina ao povo, aos sacerdotes
e a seus seguidores. No período de
seus 32 anos aconteceu a morte de
João Batista por ordem de Herodes
Antipas, e os dois grandes milagres:
a multiplicação dos pães e dos
peixes e a ressurreição de Lázaro.
Também neste período ensinou no
templo de Jerusalém, estabeleceu o
primado de Simão, a quem chamou
Pedro, e em presença dele, de Tiago
e de João, realizou o prodígio da
transfiguração e entrou triunfante
em Jerusalém. À época do seu
nascimento, a Galiléia era um
conhecido foco da resistência judia
contra Roma. O povo judaico esperava
por um salvador revolucionário e
libertador que recuperasse sua
independência política perdida desde
o exílio da Babilônia, no fim do
século VI a. C., e depois de
dominados por outros povos, tinham
passado ao poder de Roma (63 a.C).
Portanto a sua pregação, para muitos
judeus, estava longe de ser coerente
com a missão divina de ser o rei dos
judeus. Aos 33 anos, foi considerado
blasfemo e acusado de conspirar
contra o César, quando Tibério era o
imperador de Roma. Aprisionado no
horto de Getsâmani, foi levado até
ao pontífice Anãs e, ante Caifás, o
príncipe dos sacerdotes, com quem se
haviam reunido os escribas e os
anciões, passou a ser submetido a um
processo religioso. Mais tarde, foi
conduzido à residência do procurador
romano da Judéia, Pôncio Pilatos,
que sem entender a revolta da
população, o enviou a Herodes
Antipas. Por um gesto político de
Herodes, foi devolvido a Pilatos,
que não achando delito nenhum
naquele homem, mas diante à pressão
dos chefes de Israel e de uma
multidão incitada por eles, ainda
propôs uma permuta de prisioneiros.
Porém a maior parte da multidão
optou pela soltura do prisioneiro
político Barrabás quando da opção de
troca proposta pelo governo. Então
pronunciou a sentença da sua
condenação à morte na cruz, depois
de declarar-se inocente de seu
sangue. De acordo com as leis
romanas, foi flagelado e teve que
carregar uma cruz até a colina do
Calvário, no monte Gólgota. Ali foi
crucificado junto com dois
malfeitores comuns, no dia 7 de
abril (27), dez dias antes de
completar 33 anos de idade, segundo
cálculos de estudiosos,
historiadores e astrônomos.


