Ele era um garoto de 7 anos. Mas parecia ter somente
4. Louro, de olhos castanhos e boca em forma de
coração, Vladimir era uma criança muito especial
naquele orfanato, perto de Moscou.

Uma canção cantada por ele, e gravada por uma
repórter durante uma reportagem, no orfanato, acabou
por alcançar um casal americano que já desistira de
ter filhos ou de adotar por causa das decepções
sofridas.
Contudo, a voz alta e límpida daquele garoto que
parecia cantar com melancolia uma antiga cantiga
russa, mexeu com os sentimentos de Rick.
Ele ligou para a esposa, no mesmo momento, e lhe
disse:
Querida, acabei de ouvir nosso filho no rádio.
Vladimir era portador de uma enfermidade chamada
artrogripose. Suas articulações começaram a se
tornar enrijecidas antes mesmo do nascimento.
Suas mãos eram viradas para dentro e seus pés para
cima e para trás. Ele andava como um foca,
deslizando e jogando os quadris para a frente,
puxando as pernas e os pés.
Foi uma longa luta. Adoção internacional é bastante
trabalhosa e cara. Finalmente, o casal foi a Moscou
para buscar o menino.
Chegados ao orfanato, foram introduzidos em uma
sala. Logo mais, puderam ouvir a tagarelice de uma
criança e a intérprete lhes falou que o menino
estava dizendo que não desejava ser apresentado na
cadeira de rodas.
A médica que o acompanhava o colocou em pé,
sustentando-o com seus braços.
O garoto de topete louro olhou sem qualquer receio e
com forte sotaque falou:
Mamãe, papai, amo vocês. E abraçaram-se os três,
emocionados, como se fosse um reencontro.
Vladimir teve muito que aprender. Necessitou
aprender inglês para poder se comunicar com os pais
e ir para a escola.
Mas ele desejava mais. Queria ter mãos normais para
poder escrever sem ajuda e pés normais para poder
andar de bicicleta e correr.
Submeteu-se a cirurgias das mãos para conseguir, ao
menos que os pulsos ficassem retos.
Os pés tiveram que ser amputados e adaptada uma
prótese com pés de borracha.
Vladimir ainda precisa de alguém para ajudá-lo em
muitas coisas, pois seus cotovelos e joelhos são
rígidos.
Mas, em sua bicicleta especial, impulsionada
manualmente, ele sorri feliz porque tem tudo o que
sempre desejou: um pai, uma mãe, a capacidade de
andar e uma bicicleta.
O casal Rick e Diana ainda adotou mais uma criança,
também portadora de deformações congênitas de braços
e pés.
A menina já se submeteu a algumas cirurgias e está
se recuperando.

Foi o próprio Vladimir que pediu aos pais que lhe
dessem uma irmã e hoje são uma família feliz.
E para não esquecer que foi a canção de Vladimir que
transformou quatro vidas, toda noite, na hora de
dormir, os pais cantam para as crianças.
O amor é verdadeiramente de essência divina e
consegue coisas inimagináveis. Mais do que isso, o
amor desconhece fronteiras, idiomas e quaisquer
outros obstáculos.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo A
canção de Vladimir, da Revista Seleções do Reader’s
Digest, de julho/2000.