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Fotos da VIII Jornada disponíveis em: www.viiijornada.myalbum.com.br |
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"Ao
ilustre historiador, filólogo, biblista e assiriólogo, Emanuel Bouzon
(1933-2006), nosso constante colaborador, a homenagem do CEIA."
TERÇA-FEIRA, 11/07/2006 Conferência de Abertura: A ética em cena: Filoctetes de Sófocles Prof. Dr. Fernando
Brandão dos Santos (FCLAr/UNESP) 14:00 - 16:00 - Auditório
Macunaíma, Sala 405 - Bl. B O Filoctetes de Sófocles, apresentado em Atenas em 409 a.C. tem
como epicentro em cena a discussão ética dos procedimentos para o uso da
palavra. A peça inicia-se no momento em que o jovem filho de Aquiles,
Neoptólemo, é levado por Odisseu até o local onde havia abandonado há dez
anos atrás o guerreiro Filoctetes, portador das armas invencíveis de Héracles
(arco e flechas) e que devem, segundo uma profecia, tomar Tróia. Essa é a
versão de Odisseu que convence o jovem guerreiro a tomar as armas de
Filoctetes através do engano (dolo) com palavras, e não pela força. Trata-se
da primeira missão militar de Neoptólemo, que a princípio não aceita enganar
Filoctetes, mas convencido por Odisseu a tornar-se sábio e corajoso, aceita a tarefa. No entanto, depois do contato
com o homem asselvajado, abandonado em uma Lemnos desabitada, selvagem, o
jovem passa por um processo de mutação ética, revelando todo o plano urdido
por Odisseu ao próprio Filoctetes. No final, Héracles aparece trazendo as
deliberações de Zeus, recosmizando o mundo então em desordem. Não são só as armas que conquistarão Tróia, mas sim homens, que
mutuamente se ajudarão e se protegerão. Assim, a palavra volta a ocupar o seu
lugar de mythos, organizador do
mundo. Mesa-redonda: A função político-social
da poesia grega 16:00 - 18:00 - Auditório
Macunaíma, Sala 405 - Bl. B Coordenação: Prof.ª Dr.ª Nely Maria Pessanha Sólon, o poeta estadista Prof.ª Dr.ª Nely Maria Pessanha (Prof.ª
Titular de Grego/UFRJ) Partindo-se do fragmento
36W, pretende-se tecer considerações acerca da atuação política de Sólon na
Atenas de inícios do século VI a.C. A questão política e social sob a
ótica da comédia Profª Drª Silvia Damasceno
(Coordenadora do Setor de Grego/CEIA-UFF) Toda a produção artística
de Aristófanes, poeta cômico, desenvolveu-se concomitantemente com a guerra
do Peloponeso (431-404), e por essa razão, os relatos cômicos desse autor
mostram-se impregnados por essa atmosfera bélica, ainda que sob o disfarce do
riso. O enfrentamento entre as duas mais importantes “póleis” gregas,
acompanhadas das respectivas aliadas, ocasionou não sou o apogeu como a
decadência da hegemonia ateniense no Mar Egeu. Esse processo de degradação
irreversível ocorreu tanto nos aspectos político, social e econômico. Desse modo, a comédia
antiga, de caráter eminentemente político, encontra farto material para seus
enredos em uma sociedade decadente, mas que mantém a liberdade de expressão,
necessária para a existência da crítica exercida pelo riso. Em minha comunicação,
pretendo ressaltar, apoiando-me em algumas passagens do texto aristofânico,
de que modo a comédia antiga relacionava-se com os
aspectos social e político da democracia ateniense. A
função da poesia Teognídea Prof.ª Dr.ª Glória Onelley (CEIA-UFF) No ambiente de conflitos políticos e sociais e de mudanças
de valores que marcaram a época arcaica da Grécia, o testemunho literário
mais significativo do decadente exclusivismo aristocrático é a coletânea de
elegias reunida sob o nome de Teógnis, poeta que floresceu possivelmente em
meados do século VI a.C., em Mégara. A coletânea de elegias que lhe atribuem, os Theognidea, representa um corpus substancial de poesia destinada à
preservação do ideário aristocrático, haja vista nela transparecer um
programa para o restabelecimento dos tradicionais valores de uma nobreza
decadente e destituída. Pretende-se, então, no presente trabalho, demonstrar, com
base na tradução e análise de versos elegíacos, que a função da poesia
teognídea é de cunho político, já que constitui um eficaz instrumento de
manutenção da paidéia aristocrática. O ideal pacifista na poesia de
Píndaro Prof.ª Dra. Shirley Fátima Gomes de A.
Peçanha (Letras/UFRJ) As competições
desportivas tornaram-se tradicionais na Grécia, principalmente entre os
aristocratas, que, a partir do século VII a. C, assistiram às mais célebres
competições pan-helênicas e delas participaram. No período dos jogos, era
proclamada em todos os estados gregos a trégua sagrada, que
visava proteger os participantes na vinda, durante a estada e no
regresso para suas cidades. Assim sendo, a perspectiva político-social, no
período das competições desportivas, era de paz e ordem cívicas. Pretende-se verificar em
que medida, ao celebrar a vitória dos atletas, Píndaro propõe nas odes um
ideal pacifista a seus mecenas e ouvintes, considerando-se que, na condição
de poeta profissional itinerante, conviveu com chefes dos centros políticos e
culturais mais importantes da Grécia do século V a.C., representantes de
diferentes formas de governo. Minicurso: Ética,
poder e participação no mundo antigo: Atenas e Roma, uma perspectiva comparativa Prof. Ms. Manuel Rolph De
Viveiros Cabeceiras (CEIA-UFF) 18:00 -
20:00 - Auditório Macunaíma, Sala 405 - Bl. B A partir da consideração
da Atenas democrática e da Roma aristocrática como sociedades políades ou
cívicas, a proposta é examinar comparativamente as duas cidades quanto aos
seus mecanismos de participação política e às suas representações de cidadão
ideal.
QUARTA-FEIRA, 12/07/2006 Minicurso: Tradução
das fábulas de Fedro Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de
Paiva (Prof.ª Adjunto IV - Letras/UFF) 08:00 -
11:00 - Auditório Macunaíma, Sala 405 - Bl. B Breve introdução
explicativa a respeito da utilização do gênero por diversos autores, desde o
inventor Esopo na Grécia, até seus imitadores: Fedro em Roma, La Fontaine na
França e Monteiro Lobato no Brasil. Leitura, metrificação,
comentários morfossintáticos e tradução de algumas fábulas de Fedro. Interpretação da
moralidade contida nas fábulas analisadas. Pré-requisito: Ter
cursado a disciplina Latim IV Sessão
de Comunicações 1: Práticas sociais na Grécia antiga 08:00 - 09:30 - Sala: 207
- Bl. C Coordenação: Prof. Dr.
Fábio de Souza Lessa O ideal de bela morte e
práticas funerárias na Ilíada, de Homero Carmen Lucia Martins Sabino
(Graduanda em História – UFRJ/LHIA) Os ritos funerários
mostram-se essenciais no pensamento grego, pois é essa prática que garante ao
morto as honras que lhe são devidas e sua passagem definitiva ao Hades. Há
ainda outro aspecto, quando as práticas funerárias são negadas a fim de
impedir a ascensão do defunto ao estatuto social de morto
e, conseqüentemente, a concretização de seu fim heróico. O objetivo
deste trabalho é investigar como ideais de morte e os rituais correspondentes
tornam-se um importante aspecto de socialização
entre os gregos antigos e, para tanto, utilizaremos como documentação os
Cantos XXIII e XXIV da Ilíada, de Homero. Jogos em honra a Pátroclo: comparando
escritos e imagens da Grécia Arcaica Prof. Dr. Fábio de Souza Lessa
(LHIA/PPGHC/UFRJ) Nesta comunicação
propomos comparar como uma mesma temática – os jogos em honra a Pátroclo –
fora lida por suportes de informações diferenciados, isto é, pela
épica homérica (Ilíada XXIII, 257-897) e pelos pintores áticos do
século VI a.C., que, certamente, tiveram a sua inspiração na poesia de
Homero. Representações acerca do corpo e
esporte nas cerâmicas áticas do Período Clássico (Séculos V e IV a.C.) Fabio Bianchini Rocha (Graduando em
História - UFRJ) Corpo e pólis encontram-se
em relação de íntima reciprocidade. Utilizando-se do corpo e de suas
infinitas formas de expressão, a sociedade políade encontra um meio
efetivo de tornar pública e consolidar toda a ideologia particular a sua
dinâmica. Por
sua vez, as práticas esportivas são fatores primordiais na formação do
cidadão grego antigo. Desta forma, devem ser analisadas como meio efetivo
para o jovem alcançar a cidadania plena e ser enquadrado no modelo de cidadão
ideal vigente na Atenas do Período Clássico. Considerando
que as imagens pintadas nos vasos áticos constituem construções ideológicas
que refletem o modelo de comportamento idealizado pela sociedade, assim como
as expectativas desta mesma sociedade em relação aos diferentes grupos nela
inseridos, nos propomos analisar as representações do corpo e das práticas esportivas observados neste material, assim suas funções
na dinâmica políade. A paidéia
ateniense na peça As Nuvens de Aristófanes Vanessa Ferreira de Sá Codeço
(Graduanda em História - UFRJ) Nesta comunicação
propomos analisar a paidéia ateniense
do Período Clássico (Séculos V – IV a.C.) e a foram como ela foi representada na peça As
Nuvens do comediógrafo Aristófanes. Além da peça de Aristófanes,
utilizaremos como documentação as obras Política
de Aristóteles e as Leis de Platão. Sessão
de Comunicações 2: Das fontes textuais à história egípcia 08:00 - 09:30 - Sala: 412
- Bl. B Coordenação: Prof.ª Dr.ª Haydée Oliveira História, religião e ideologia: olhar
para o Egito do Reino Novo para entender o presente Fábio Afonso Frizzo de Moraes Lima
(Graduando em História - UFF/CEIA) A partir do referencial
teórico marxista, focado principalmente no próprio Marx e no italiano Antônio
Gramsci, buscaremos analisar a importância da religião egípcia, como
ideologia orgânica, na sociedade do Reino Novo (1550-1069). Para tal,
utilizaremos como fonte o conjunto de escritos funerários conhecido como O
Livro dos Mortos. Um segundo passo deverá consistir na análise de até que
ponto seria possível utilizar os conhecimentos obtidos com tal estudo para o
entendimento da nossa realidade presente e das ideologias orgânicas que a
permeiam. O uso de banco de dados em pesquisa
em história antiga. Relato de experiências Prof.ª Dr.ª Haydée Oliveira (CEIA-UFF) Em duas de minhas
experiências em pesquisa, no momento de meu mestrado e mais recentemente de
meu doutorado fiz uso de um banco de dados com o intuito de construir e
organizar minhas coleções de dados. O presente trabalho, a ser apresentado no
VIII encontro do CEIA, tem o objetivo de relatar sucintamente como foram tais
experiências destacando as facilidades e dificuldades envolvidas neste tipo
de empreendimento e todas as etapas contidas neste processo tais como: numa
primeira fase, a identificação das reais necessidades da coleção de dados e a
indicação das melhores ferramentas, numa segunda fase, as várias formas de se
chegar à construção propriamente de tais ferramentas, e finalmente, o que
exatamente pode-se esperar dos resultados obtidos através das já citadas
ferramentas. Um estudo sobre Königsnovelle Marco Antonio Ferreira Coelho
Mazzillo (Graduando em História - UFF/CEIA) O tropus literário
conhecido como Königsnovelle ou
romances reais tende a ressaltar a figura do rei sobre os demais,
transformando em feitos únicos do rei campeão as campanhas, mesmo aquelas que
não obtiveram o sucesso retratado nas paredes dos templos egípcios. Neste
sentido a presente comunicação pretende analisar a segunda estela de Senusret
III, em Semna, na Núbia comparando o discurso real com as estelas erigidas
pelo faraó Kamés no templo de Amon, em Karnak. Dos
textos das pirâmides aos textos dos sarcófagos: considerações sobre a
“democratização” da imortalidade no Egito Antigo Maria Thereza David João (Mestranda
em História - UFF) No período da história egípcia
que cobre desde fins do Reino Antigo até o Reino Médio (2134 a.C-1650 a.C), observa-se um fenômeno no
qual textos funerários anteriormente de uso exclusivo dos faraós em suas
pirâmides – os assim chamados “Textos das Pirâmides” – e que serviam como uma
espécie de guia na passagem para o outro mundo, tiveram o seu uso ampliado a
outras parcelas da população, que passaram a inscrevê-los, de forma resumida,
em seus caixões, inaugurando um novo tipo de literatura ritual funerária
conhecida por “Textos dos Sarcófagos”. A isso se chama “democratização” da
imortalidade, e este trabalho visa analisar alguns aspectos concernentes a
esse processo e o período em que ocorreu. Sessão de Comunicações 3:
Mito, rito e oralidade 08:00 - 09:30 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Ms. Valéria Reis Estratégias para o estudo dos homens-memória
na Atenas Clássica (séc. V a IV a.C) Alexandre Santos de Moraes (UFRJ) A
tradição de oralidade é praticamente consensual entre os estudiosos do
Período Clássico Ateniense (séc. V a IV a.C.). Esta sociedade confiava a
guarda e a transmissão das histórias de heróis, genealogias e mitos aos
chamados homens-memória. Em grandes ou pequenas audiências sua
participação na vida políade acontecia através da palavra cantada,
oralizada. Os homens-memória desempenhavam um papel importante no sentido de
promover uma sensação de pertencimento e identidade cultural. Todavia,
como propõe Erik Havelock, a oralidade não deixa fósseis.
É sempre uma tarefa difícil investigar a ordem dos seus discursos orais e seu
estatuto social. Nossa comunicação pretende sugerir um viés nesse sentido:
Através da compreensão e análise das representações míticas do deus Hermes –
o arauto dos deuses – buscaremos novas referências para estudar as
prerrogativas das quais estes homens-memória eram legítimos
portadores. Glauco: quando o pescador se torna
imortal Prof.ª Dr.ª Ana Livia Bomfim Vieira (UEMA) Esta comunicação objetiva
analisar o mito de Glauco, o pescador, que depois de um salto iniciático se
torna imortal. Abordaremos as ambivalências ligadas a sua atormentada
imortalidade e a seu dom profético. De
desconhecido a herói: a alteração do status de Odisseus, na estadia
entre os Feácios Carlos Eduardo Botelho Santos
(Graduando em História - UFRJ) Esta comunicação pretende
analisar, a partir do episódio da passagem de Odisseus entre os Feácios (Odisséia,
cantos VI-XIII), o papel dos ritos de hospitalidade como um espaço de
reconhecimento das diferenças do status dos diversos nobres homéricos
e, portanto, um lugar de excelência, no que tange à “negociação” de poder
político no mundo de Homero. Metaphorein: entre a imagem e a interpretação no
discurso oracular Prof.ª Ms. Valéria Reis (UNESA) O processo de inspiração comum
ao poeta e ao mântis, na Antiguidade Grega, seria ocasionado por uma suspensão temporal no ato de
contemplação de uma ‘visão’ privilegiada. A metáfora intercalar-se-ia entre a
imagem visualizada e a hermenêutica do discurso. Como processo, metaphorein seria a realização verbal
do discurso divino o qual abarcaria a totalidade temporal, contrapondo-se a
uma visão parcial do tempo e dos fatos na hermenêutica humana. Sessão
de Comunicações 4: Relações de gênero e suicídio na Grécia
antiga 09:30 - 11:00 - Sala: 412
- Bl. B Coordenação: Prof. Dr.
Alexandre Carneiro Cerqueira Lima O belo morto suicida Fernanda Mattos da Silva (Mestranda
em História Comparada - UFRJ/LHIA) Nesta comunicação,
procuraremos discutir os limites do conceito de “bela morte” forjado
nas epopéias. Sabemos que esta representação sobreviveu em períodos
posteriores, se tornando o paradigma seguido ainda no século V a.C. A partir
desta afirmação, objetivamos entender o porquê desse ter sido um ideal que
fora imposto em um contexto completamente diverso, o século V
a.C.. Trabalharemos com a hipótese de
que tal fato se deve a uma mudança na relação do homem com a morte,
permitindo ao suicida atingir a condição de um belo morto. Esparta e os valores: numa
perspectiva de história comparada Prof.ª Mestranda Isabel Sant’Ana Martins
Romeo (PPGHC/UFRJ) Muitos historiadores
trabalham a chamada “miragem espartana”, isto é, um discurso comum da
literatura grega que exaltava a pólis dos espartanos como baluarte da
maioria dos valores gregos aristocráticos existentes no Período Clássico.
Atenta aos discursos “não espartanos” a historiografia trabalhava, e ainda o
faz, com uma construção da lacedemônia divergente das demais póleis.
Essa relação tornava-se ainda mais antagônica quando o estudo focava as
esposas espartanas. Essa comunicação, longe
de esgotar o tema, pontuará algumas incongruências deste padrão
historiográfico a muito defendido. Desvendando o feminino nas cerâmicas
do acervo do Museu Nacional da UFRJ Magda Gomes da Silva (Mestranda em
História Comparada - UFRJ/LHIA) Nesta comunicação,
propomos analisar o corpus imagético
que compõe a coleção Imperatriz Tereza Cristina do Museu Nacional da UFRJ sob
a ótica das relações de gênero. Há um consenso entre os especialistas acerca
da existência de um modelo ideal de esposa forjado pela sociedade grega e que predomina na documentação
literária grega. Tencionamos estudar como este modelo foi lido pelos pintores no decorrer dos
períodos Arcaico e Clássico da Grécia Antiga. Sessão de Comunicações 5:
O Egito antigo (faraônico e romano) através de fontes iconográficas e
arqueológicas 09:30 - 11:00 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação: Prof. Doutorando Luís Eduardo Lobianco Um estudo sobre a família em estelas
funerárias egípcias do Reino Médio (2040-1640 a.C.) Liliane Cristina Coelho (UTFPR) As estelas funerárias são artefatos importantes para o estudo
da sociedade no Egito faraônico, pois estavam disponíveis a todos aqueles que
pudessem custear a sua confecção. Além da fórmula de oferendas e da
representação do morto diante de uma mesa recoberta de
alimentos, tais objetos trazem inscrições relacionadas ao falecido,
como o seu nome, seus títulos, os nomes de seus familiares, de seus amigos ou
servos. Com base nesses dados, é possível estabelecer relações de parentesco
e, por meio delas, empreender um estudo sobre a organização familiar na
sociedade egípcia. Assim, essa comunicação tem por objetivo apresentar alguns
dos resultados da pesquisa que empreendemos com esses monumentos. Para esse
fim, foram selecionadas algumas estelas funerárias pertencentes à coleção do
Museu Nacional, consideradas mais significativas no conjunto. A
romanização no Egito - um estudo iconográfico Prof. Doutorando Luís Eduardo Lobianco
(CEIA-UFF) Por meio da Análise de
Conteúdo, aplicada a fontes primárias iconográficas produzidas no Egito
durante parte da dominação romana (séculos I e II d.C.), esta comunicação
objetiva analisar os diferentes níveis de intensidade, em que o processo de
romanização floresceu naquela província, no que tange às práticas religiosas
politeístas ali existentes. Para
tanto, opero com dois diferentes corpora: imagens presentes
em reversos de moedas cunhadas no ateliê de Alexandria e iconografia
funerária oriundas do Fayum e de Abydos, no Médio e
Alto Egito, respectivamente. O
estudo aponta que, em geral, à medida que se afastam de Alexandria, rumo à χώρα – chóra, as imagens guardam cada vez
mais elementos do substrato cultural faraônico, em detrimento do uso de
componentes das culturas grega, helenística ou romana. Vísceras inteiras ou pela metade? Um
estudo sobre os vasos canópicos da coleção do Museu Nacional Prof. Ms. Moacir Elias Santos
(UNIANDRADE/CEIA-UFF) Desde as primeiras tentativas na conservação de corpos
através das técnicas de embalsamamento, os egípcios sabiam que era necessária
a extração dos órgãos internos para evitar a sua decomposição. Para os
privilegiados, o procedimento incluía a limpeza, a secagem com natrão, a
colocação de resinas e o envolvimento com faixas de linho. Por último, os
órgãos deveriam ser depositados em quatro vasos, cuja aparência mudou
significativamente ao longo dos três mil anos da história egípcia. A partir
da XVIII dinastia até o final do Primeiro Milênio, os vasos tiveram as suas
tampas esculpidas com as efígies dos filhos de Hórus. Têm justamente esta
forma, os oito vasos completos e duas tampas avulsas que se encontram entre
os inúmeros artefatos egípcios da coleção do Museu Nacional. Nessa
comunicação apresentaremos um estudo dos referidos vasos, bem como
discutiremos os resultados obtidos, visando um melhor entendimento de certos
aspectos da religião funerária egípcia. A magia no contexto da religião
popular dos antigos egípcios Taiany Bittencourt Calazans Vaz (Graduanda
em História - UFF/CEIA) A religião popular do
Egito faraônico, sobretudo para o III e II milênio a.C., é de documentação
muito mais difícil do que os aspectos régio e
templário da mesma religião. Nesta comunicação interessar-nos-ão os aspectos
mágicos da religião popular, que consistiam em aspectos diversos: 1) amuletos
apotropaicos para diversas finalidades (boa gravidez e bom parto, proteção
contra os demônios causadores de doenças, etc); 2) magia vinculada à religião
votiva, por exemplo, mediante deposição nos templos e em certos cemitérios de
múmias de determinados animais, sendo tal ato acompanhado de pedidos a
entidades sobrenaturais; 3) encantamentos mágicos pronunciados por médicos ou
sacerdotes para obtenção de certas finalidades, só em contados casos
preservados por escrito. Esta comunicação tratará de ilustrar estes e outros
aspectos mediante uso de documentação arqueológica e escrita. Sessão de Comunicações 6: A
romanização em abordagens diversas 09:30 - 11:00 - Sala: 207
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa Imperium
sine fine
- A questão do espaço urbano no Alto Império, a Britânia Romana e a cidade de
Camulodunum Bernardo Luiz Martins Milazzo (Graduando
em História - UNIRIO) O presente trabalho de
pesquisa analisa os meios e estratégias de intervenção romana no espaço
geográfico da província romana denominada Britannia. Como fator desse
processo, procuramos observar, em linhas gerais, as características e a
importância da construção de centros urbanos em tal província.
Posteriormente, teremos como foco principal de análise um dos mais
proeminentes desses centros locais do poder romano – Camulodunum –,
tanto como presença da autoridade imperial, assim como fator de resistência
local. Para tratar e auxiliar essa pesquisa, utilizamos de
teorias contemporâneas acerca da urbanização, traçando um corpo metodológico
para podermos compreender melhor o que foram as civitas no mundo
romano e também dentro das especificidades encontradas na Britannia. Império
sine fine -
A experiência imperial romana na província da Síria Palestina Jorwan Gama da Costa Junior (História
- UNIRIO) Esta comunicação visa
demonstrar como será desenvolvido o projeto de pesquisa de iniciação
científica intitulado: Imperium sine fine – A experiência imperial romana
na província da Síria-Palestina. Este trabalho visa demonstrar como será
conduzida a pesquisa intitulada:, que por sua vez está ligada a um
projeto de pesquisa coordenado pela Prof.ª Claudia Beltrão chamado: Oikeiōsis
e Justiça no Período Helenístico: uma leitura aristotélica do pensamento
estóico e os pressupostos em Antíoco e Ário Dídimo. Partindo do conceito de “Império sine
fine”, estudaremos o processo de romanização na Judéia, que mais tarde viria a se tornar a
província da Palestina Taertia. Imperium
sine fine
- A experiência imperial romana na província da Germânia Otto Carlos Barreto Neto (História -
UNIRIO) Esta comunicação visa
demonstrar como será desenvolvido o projeto de pesquisa de iniciação
científica intitulado: Imperium sine fine – A experiência imperial romana
na província da Germânia. Este trabalho visa demonstrar o processo de
romanização da Germânia após sua “anexação” pelo imperator Júlio
César, demonstrar as ferramentas deste processo e a conseqüente inserção de
germanos no exército romano e toda a problemática desta interação. A fonte
usada neste projeto é a Germânia de Tácito, que retrata detalhadamente
os habitantes, costumes e características desta região. Para aprofundar esta
análise acerca da relação entre dois mundos tão diferentes, observamos a
seqüência de guerras, sejam elas defensivas ou ofensivas, que percorreram
entre os séculos I AC e I DC e o afastamento germânico da influência latina após
a batalha de Teutoburgo. Quinto Sertório: um elemento de
romanização Vanessa Vieira de Lima (Graduanda em
História - UNIRIO) O presente trabalho vem a tratar
de um tema bastante discutido na atualidade, a romanização. Sua base é
a Conjuração de Sertório ocorrida na Hispânia nos últimos anos da República.
Tal personagem é utilizado porque retrata bem as intervenções políticas e
econômicas na Península Ibérica, as negociações ideológicas e o intercâmbio
cultural existente entre os romanos e os povos nativos em meio a um momento
de destacada relevância na história desta civilização, a Guerra Civil. O
território em que se desenrolará a revolta compõe hoje o que chamamos de
Espanha e, em certa medida, Portugal. As fontes analisadas dão bem conta de
todo esse processo; as quais são de autoria de Plutarco – Sertório: año
77-76 a. C e Sertório: año: 74 a.C. As metodologias empregadas são a
semiótica e a leitura isotópica desenvolvidas por Ciro F. S. Cardoso e Algirdas Greimas,
respectivamente. Sessão de Comunicações 7: Estudos
de política na literatura greco-romana 09:30 - 11:00 - Sala: 307
- Bl. B Coordenação: Prof. Dr.
Marcos José de Araújo Caldas Heródoto, as tiranias e o pensamento
político nas Histórias Prof.ª Mestranda Camila da Silva Condilo
(USP) Esta pesquisa visa estudar a obra de
Heródoto a partir de uma perspectiva política. Neste
sentido, nosso estudo pretende demonstrar que existe um pensamento sobre a
política próprio de Heródoto que não se articula segundo as categorias
tradicionais de reflexão sobre a pólis: ele não se pautaria pela isonomia,
nem na importância do nomos como em Ésquilo ou Sófocles, nem na forma
de politeia (o que chamaríamos de constituição) como será para os
pensadores do século IV, embora tais formas estejam presentes em seu texto e
tenham sua importância. Nossa hipótese é que seu pensamento político poderia
ser caracterizado como empírico, isto é, pautado pelos êxitos e falhas das
experiências políticas do passado. Dentro desta perspectiva, tais
experiências – trazidas
por diversas histórias
(ou estórias) – seriam determinantes (ou ao menos de importância
significativa) em momentos de decisão, na manutenção ou mudança de regimes
políticos, revoluções etc., configurando uma espécie de “pensamento político
da ação”, se assim podemos falar. Analisamos os relatos sobre a tirania na
obra – um tema bastante trabalhado mas ainda um
tanto controverso entre os pesquisadores – como estudo de caso para a
verificação de nossa proposição. Tal escolha se apresenta com um campo ideal
de provas na medida em que Heródoto apresenta juízos contraditórios sobre a
tirania numa época em que já havia um certo senso condenatório sobre a
tirania como forma de governo. Ao explorar o fator político nas Histórias,
o trabalho pretende contribuir tanto no sentido de ajudar a entender se
existe uma reflexão sobre a política na narrativa, como também pretende ainda
contribuir no sentido de ajudar a entender essa ambigüidade da tirania
presente na obra e que foi perpetuada num debate acerca de seu caráter
objetivo ou convencional por parte dos estudiosos, pois a proposta do
trabalho implica uma revisão dessa bibliografia à luz das novas visões sobre
o autor como unidade textual. O modelo de justiça e soberania em
Hesíodo Carlos Eduardo de Souza Lima Gomes
(Mestrando em História - UFF) A comunicação visa
contemplar os aspectos modelares da justiça postulados por Hesíodo em seus
dois poemas – a saber: Os trabalhos e os dias e a Teogonia. A
partir desse modelo estabelecido, a figura de um soberano será então objeto
da comunicação tentando captar quais seriam os atributos morais e ações deste
para que seus súditos e toda a cidade viva em harmonia. Concepções de homem e bem comum: o
utilitarismo e o republicanismo Mariana Peluso de Araújo (Mestranda
em Ciência Política - UFRJ) Neste trabalho discuto as
concepções de bem comum ou bem público, envolvendo as perspectivas
utilitarista e republicana. São enfatizadas as concepções de homem e
sociedade subjacentes a cada uma dessas linhas de pensamento, que entendo
como fundamentais para a construção das idéias acerca do bem comum. Para além
do modus operandi da democracia, o
que está em jogo na discussão entre as duas correntes teóricas é a distinção
entre zoon politikon e homo oeconomicus. Para alcançar os
objetivos propostos, traço as concepções de homem e de bem comum, primeiro,
no utilitarismo, utilizando os autores Elie Halévy e Joseph Schumpeter. Para a vertente republicana, foram
selecionados o livro Política, de
Aristóteles e as obras As Fontes do
Self e Argumentos Filosóficos,
de Charles Taylor, expoente do atual republicanismo. República e Utopias: Platão e Cícero Shirley Mariano da Costa Sanchez
(UNIRIO) Duas obras, dois mundos,
duas culturas. Neste trabalho objetivaremos traçar considerações acerca de
duas importantes reflexões para a história da filosofia política: A República
de Platão e A República de Cícero. Não obstante, procuraremos destacar o
período que abarca o surgimento dessas obras, argüindo sobre o universo
diegético e a duração dos elementos que o constituem. Estas obras, homônimas,
e pertencentes a duas gerações distintas, servirão de instrumento analítico
para o estudo dos universos teóricos, ocupados por esses dois grandes mestres
da filosofia política da antiguidade. Propositalmente, a escolha desses
autores viabilizará o entendimento das condições históricas de Grécia e Roma,
coincidindo o surgimento de suas obras, com um momento de crise política e
social vivida nessas regiões. As grandes mudanças daí derivadas instigarão as
construções teóricas “ideais” propugnadas pelos autores. Sessão de Comunicações 8: Religião
e sociedade: estudos judaico-cristãos 11:00 - 12:30 - Sala: 207
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira Palestina, a periferia do Império
Romano: as formas de resistência ao poder constituído Alberto José Patricio Pereira
(Mestrando - PPGHC/UFRJ) Este trabalho visa
demonstrar a realidade do domínio imperial romano, a Palestina, que apresenta
características próprias nesta estrutura desse império. A
Palestina, por sua tradição estritamente ligada à religião judaica (com base
na Torá) e por seu histórico de submissão a diversos impérios, cultiva uma constante resistência ao espírito de domínio estrangeiro e
opressor, entranhado na tradição deste povo que tinha por objetivo
restabelecer o modo de vida israelita tradicional, que fora tão
implacavelmente transtornado pelo imperialismo romano. Nessa
perspectiva, as informações sobre protestos e resistências populares nas
quais temos informações escritas, representam a ponta do iceberg de
contestação popular ao domínio romano, em caso particular e, a fim de avaliar
a profundidade deste movimento na Palestina, é preciso admitir que todas as
formas de protesto e resistência, clandestina ou públicas, estão radicadas no
que tem sido considerado como “transcrito oculto”. Assim,
pretende-se examinar que fatores determinaram o insucesso da instauração de
um estável sistema de domínio romano na Palestina e a importância deste
transcrito oculto desenvolvido pelas classes populares (camponeses,
trabalhadores urbanos e escravos), que constrói o comportamento e o discurso
das mesmas em relação ao que convencionou-se chamar
de “transcrito oficial”, este determinado pelas elites. Aspectos
característicos da poética (hebraica) bíblica Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira
(Prof.ª Adjunta Letras Hebraico - UFRJ, PPGHC/IFCS/UFRJ) O Tanach (Bíblia Hebraica) abrange os Vinte Quatro Livros Sagrados, que foram canonizados como Escritos Sagrados no cânone judaico.
De toda a literatura judaica antiga criada, somente uma parte chegou até nós,
pois muitos livros se perderam nos tempos antigos, e vários outros,
considerados apócrifos, foram escondidos deliberadamente. Na presente
comunicação, apresentamos as principais características do pensamento e
linguagem dos autores bíblicos. Honra e vergonha: Maria, mãe de Jesus
e Maria Madalena na literatura cristã do I e II séculos Diádiney Helena de Almeida (Graduanda
em História - UFRJ) e Patrícia Elizabete da Silva (Graduanda em História -
UFRJ) Esta comunicação tem por
objetivo apresentar uma análise do objeto de estudo sob a perspectiva da
Antropologia Intercultural. Analisaremos através da literatura cristã as
figuras de Maria, mãe de Jesus e de Maria Madalena, personagens emblemáticas
do Cristianismo Primitivo que estiveram presentes em diferentes comunidades
culturais inseridas no Mediterrâneo. Considerando que estas sociedades são
regidas pelos valores de honra e vergonha, convém salientar que no caso
específico, estes dois valores estão diretamente relacionados com a
sexualidade e o poder. Para tal, utilizaremos
como documentação textual os Evangelhos intracanônicos e extracanônicos
datados do I e II séculos. A Concepção de Maria pelo Espírito
Santo e os ritos de Hierogamia politeístas: propostas para uma análise
comparativa Lolita Guimarães Guerra (Mestranda -
PPGHC/UFRJ) A intenção desta comunicação é propor uma alternativa de
análise do mito da concepção mariana à luz dos ritos praticados em ambiente
helênico e mesopotâmico em honra a Dioniso e à deusa do planeta Vênus,
Inanna. Tal investigação apóia-se no conceito de hierogamia como um evento
mítico e ritualístico em que um humano experimenta relações sexuais com uma
entidade sobre-humana. A crença cristã na união entre a mãe de Cristo e o
Espírito Santo parece poder ser analisada simbolicamente através da comparação
com tais manifestações politeístas em vista das analogias presentes nos três
mitos. Contudo, apesar das similaridades entre eles, devemos estar atentos
para as particularidades de cada um, a exemplo da aversão a este tipo de
“bodas sagradas” atestada na documentação judaica, como o Gênesis e o Livro
de Enoch. Sessão de Comunicações 9: A
representação da mulher na literatura latina 11:00 - 12:30 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Dr.ª Ana Lúcia Silveira Cerqueira Personagens
femininas em Metamorfoses de Apuleio de Madaura Aline
Fernandes de Sousa (Graduanda em História - UFF/CEIA) O presente trabalho é
oriundo de uma pesquisa de PIBIC da qual participo destinada ao estudo do
romance Metamorfoses de Apuleio, século II d.C. Tal narrativa conta a
trajetória do cidadão romano Lúcio que, numa viagem à
Tessália em busca de magia, acaba transformado em asno e passa por várias
desventuras típicas da vida de escravos. Esta comunicação tem por objetivo
comparar duas personagens femininas contidas na obra que representam posturas
opostas relativamente ao comportamento socialmente esperado das mulheres no
mundo romano: uma mulher nobre, virtuosa e defensora de sua
honra, por um lado e, do outro, uma mulher assassina, dissimulada e
audaciosa. Usaremos os pressupostos do método “estruturalista genético” de
Lucien Goldmann para dar conta de nosso objeto, assim como análise semiótica
textual. A representação da mulher em Roma
pelos poetas elegíacos Prof.ª Dr.ª Ana Lúcia Silveira Cerqueira
(UFF) Alguns textos da
historiografia romana revelam a participação das mulheres em Roma, mas é,
surpreendente, a forma como que os poetas elegíacos conseguem, com mais
clareza, pintar a imagem da mulher augustana. Este trabalho pretende
justificar a afirmação, acima. A identidade feminina na literatura
latina Bárbara Pontes dos Santos (Pós-graduanda em Letras
- UFF) Partindo de diferentes
gêneros literários latinos (epopéia, elegia e romance), pretende-se observar
como a construção ficcional da mulher foi sendo produzida e modificada
através dos séculos. As personagens femininas na Aulularia de Plauto Juliana Regoto Rodrigues
(Pós-graduanda em Letras - UFF) Este trabalho tem a intenção de mostrar as personagens femininas na obra Aulularia de Plauto, ou A Comédia da
Marmita, como também é conhecida. Nesta comédia podemos ver o desenrolar
de uma história em que o protagonista, um velho avarento, faz de tudo
para guardar uma marmita cheia de ouro. E a partir disso, aparecem as personagens femininas, que, de acordo com a visão de
Plauto, nos mostram seu papel social e seu comportamento dentro da sociedade
romana. Sessão de Comunicações 10: Ecos
da Antigüidade em épocas posteriores 11:00 - 12:30 - Sala: 412
- Bl. B Coordenação: Prof. Dr.
Syllas Mendes David Diálogos possíveis
– Alberto Caeiro e os Pré-Socráticos Daniele Kazan
(Licencianda em Letras - UERJ) Pretendemos,
neste trabalho, encontrar traços (e também divergências) pré-socráticos na
poesia de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, intitulado
por este como mestre de todos os heterônimos e seu
próprio mestre. Justamente por ser reconhecidamente mestre, motivou nosso
interesse, pois há um pouco de pensamento caeiriano nos outros heterônimos e
no ortônimo que, por sua vez, apresenta-se também múltiplo; mas, nem por
isso, deixam de ser todos incrivelmente distintos uns dos outros. Quanto às escolas
pré-socráticas, encontramos muito de sua filosofia nos poemas de Caeiro. E o
mais intrigante é que ele não pretende fazer filosofia: é apenas um poeta.
Será? Defenderemos aqui a tese
de que Fernando Pessoa, possuindo grande conhecimento filosófico, criou o
mestre Alberto Caeiro de acordo com os postulados filosóficos dos nossos
primeiros “mestres gregos”, também se contrapondo, mas, de qualquer modo,
baseando-se neles: seja por convergência ou divergência. Desta forma,
Fernando Pessoa conseguiria dar conta de seu objetivo: fazer com que na arte
“esteja tudo quanto de essencial produziram o Egito, a Grécia, Roma, a
Renascença e a nossa época” (Apontamentos sobre estética feitos por Pessoa e
Campos - De Orpheu e do
Sensacionismo). www.O FAROL DE ALEXANDRIA: um projeto de divulgação
da cultura Alexandrina na Internet Prof.ª Dr.ª Fernanda Lemos de Lima
(UERJ/FGV) Nesta
comunicação, pretende-se discutir os caminhos, reflexões e propostas que
possibilitaram a construção do Projeto O Farol de Alexandria: Serápis na Internet,
que busca a construção de um site para a divulgação das pesquisas
realizadas em torno de vários temas literários e religiosos relativos à
Alexandria Ptolomaica, como a poesia de Calímaco, Teócrito, os mimos de
Herondas, bem como o estudo da criação de Serápis. Propõe-se uma reflexão
sobre as possibilidades de se construir uma base na internet para a
realização de cursos a distância na área de estudos
helênicos. Educação e filosofia Rafael Mello Barbosa (UFF/UFRJ) Todos sabem que a
educação básica no Brasil está em apuros, num beco sem saída, mas será que em
geral damos a devida importância para esse assunto? Quando a educação e o
sistema educacional naufragam o que mais corre risco de perder-se? Tudo
aquilo que para ela tende e dela depende e deriva. É claro que poderíamos
falar do "bom gosto" que é esquecido e deixado de lado, mas isso
seria uma apreensão superficial. É pela educação que nós entramos em contato
estreito com o uso da palavra e nos aprimoramos no trato conosco, com os
outros e com o mundo. Índice do menosprezo pela educação (pensada em sentido
mais amplo) são os ídolos que a juventude brasileira traz como guia de vida,
quantos deles são homens que se dedicaram algum conhecimento ou sabedoria, em
geral são atores, cantores e desportistas que valem mais por quanto aparecem
do que por quanto são. A educação na Grécia
antiga é um tema recorrente e exaustivamente trabalhado, por isso, pode nos
ajudar a compreender importância da educação em geral e para o Brasil. Nesse
intuito trabalharemos com a percepção ética enunciada por Aristóteles (o
hábito é o divino no homem) e a com a crítica platônica à educação grega em
geral. Valores da Antigüidade Clássica na épica virgiliana do Waltharius de Ekkehard I Prof. Dr.
Syllas Mendes David (CEIA/UFF) O poema
Waltharills, com seus 1456 hexâmetros latinos, fruto
do Renascimento
Carolíngio e, possivelmente, obra de um jovem estudante do mosteiro de Saint
Gall na Suíça do século IX ou X, apresenta passagens em que o poeta franco
manifesta qualidades deliberadamente virgilianas a contrastar com seus
germanismos na temática de sagas dos Niebelungen. O recurso esti1ístico da
ironia, prenunciado no verso 235, dá margem à inevitável ambigüidade das mais
óbvias interpretações do poema, ante os imperativos de uma estrita ética de
inspiração evangélica e as contradições de comportamento das personagens
germânico-cristãs. Sessão de Comunicações 11: Estudos
lingüísticos e literários no texto introdutório à Cosmographia de Claudius Ptolemaeus 11:00 - 12:30 - Sala: 307
- Bl. B Coordenação: Profª Drª
Lívia Lindóia Paes Barreto A relação sintático-semântica da
preposição sub no
texto introdutório à Cosmographia de
Claudius Ptolemaeus Maria Nazaré Achão Assunção
(Graduanda em Letras Português/ Latim - UFF) Nosso trabalho apresenta
a trajetória semântica da preposição sub no corpus
latino, A Cosmographia de Claudius
Ptolemaeus, texto Introdutório de Nicolas Germanus, organizador da edição
incunábula de 1486. Este estudo faz parte do Projeto de Iniciação Científica
aprovado pela FAPERJ. O foco da nossa análise, portanto, é a relação
sintático-semântica do latim, contextualizada na cultura renascentista
retratada na referida obra. Latim renascentista: uma retomada das
preposições ex, ab e de e suas possíveis alterações de uso Nathália Esteves da Silva (Graduanda
em Letras Português/ Latim - UFF) Nesta comunicação
apresentaremos uma reflexão a respeito do uso predominante da preposição de latina em relação às preposições ex e ab ao configurarem a idéia inicial de afastamento. Este estudo é
parte integrante do Projeto de Iniciação Científica - Pibic/ CNPq, intitulado
"A Cosmographia de Claudius
Ptolemaeus: análise, tradução e comentários”, sob a orientação da Profª Drª
Lívia Lindóia Paes Barreto. Coube-nos como objeto de pesquisa a análise do
texto Introdutório à referida obra, que é uma versão incunábula (1486)
escrita inicialmente em grego e depois, em latim, por Nicolas Germanus, um
intelectual do Renascimento. Nosso trabalho aponta para uma hipótese de
alteração no uso das mencionadas preposições latinas visível no período
renascentista, partindo de comparação com construções registrada no Bellum Gallicum de César. Oráculos sibilinos: reflexos pagãos
na cultura cristã-renascentista Thaíse Pereira Bastos de Almeida
Silva (Graduanda em Letras Português/ Latim - UFF) O presente trabalho é um
dos produtos de nossa pesquisa durante o projeto de Iniciação Científica,
apoiado pela Faperj e orientado pela Prof.ª Dr.ª
Lívia Líndóia Paes Barreto. A pesquisa tem como fonte principal o texto
introdutório da Cosmographia de Claudius Ptolemaeus cuja versão latina
de 1486 foi organizada por Nicolas
Germanus. Nesta Comunicação, a reflexão acerca do Renascimento, época na
qual se insere a já referida obra, será o ponto de partida
para a análise da lenda das antigas profetisas do mundo latino - as sibilas.
Deste modo, buscaremos evidenciar a relação entre o conceito pagão e o
conceito cristão-renascentista da lenda, com o objetivo de distinguir as duas
concepções. Mesa-redonda: Aspectos da ética no mundo
greco-romano: estrangeiros, mulheres e escravos 14:00 -
16:00 - Auditório Macunaíma, Sala 405 - Bl. B Coordenação:
Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo O estrangeiro
em Corinto Arcaica
Prof. Dr. Alexandre Carneiro
Cerqueira Lima (UFF) A presente comunicação
tem como objetivo compreender a prática da xenía – hospitalidade – na pólis
de Corinto durante a Tirania dos Cypsélidas (620-550 a.C.) De acordo com a
historiografia, o regime tirânico promoveu reformas, entre elas a construção
do díolkos, com o intuito de incrementar as práticas comerciais na região do
Istmo. Procuraremos demonstrar que os coríntios procuravam receber bem os
estrangeiros de passagem em sua pólis, por meio da prática da
prostituição sagrada. Além disso, salientaremos a opção por parte dos tiranos
em fomentar cultos e atividades dos grupos dos artesãos (cidadãos e metecos)
em Corinto nos VII e VI séculos a.C. O conquistador e o rebelde em Tácito Prof. Dr. Jorge Mário Davidson
(UNIRIO/CEIA-UFF) Em 84 d.C., o governador
da Britânia, Gnaeus Julius Agricola, venceu no combate do Monte Graupius um
importante contingente de guerreiros das insubmissas tribos caledônias que
ocupavam o norte da ilha. Em Agricola XXIX-XXXII, Tácito relata os
acontecimentos e reproduz o discurso proferido antes da batalha por Calgacus,
um dos lideres tribais. A construção do discurso de um estrangeiro, um
vencido, permite a Tácito construir uma imagem idealizada do rebelde além de
lhe oferecer uma oportunidade para expressar a sua própria visão critica do
Império Romano. Clodia Qua Meretrix: o Pro Caelio de Cícero Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa
(UNIRIO/CEIA-UFF) No discurso em favor de
Célio (Pro Caelio), acusado pela quaestio
de vi (sedição), Cícero
constrói um documento ímpar para os estudos de misoginia. A chave para a sua
defesa foi um affair entre Clódia e Célio, que deu ao orador a
oportunidade de representar a principal testemunha da acusação, a nobre
Clódia, imortalizada como a “Lésbia” dos Carmina
de Catulo, como o protótipo da meretrix, cujo testemunho não devia ser
levado em conta, permitindo-lhe concentrar o tratamento da acusação de Célio
neste único episódio do caso. Com isso, Cícero desviou a atenção do júri para
supostos motivos passionais do acusado, invalidando a grave dimensão política
do caso. Cícero recriou o caso de Clódia e Célio no tribunal, persuadindo sua
audiência (e os séculos futuros) da devassidão e da vileza de Clódia. Cícero
apresenta o acusado como um jovem apaixonado, fiel e dedicado, enganado por
uma “mulher livre” (i.e., sem marido), uma meretrix desregrada e não
confiável. Sabemos que este processo era, para Cícero, uma excelente
oportunidade de vingança pessoal contra os irmãos Clódio Pulcher, agente
político de César, e Clódia-dos-belos-olhos, cesariana que reunia à sua volta
políticos, artistas e filósofos da época. No discurso, as
extravagâncias que reprova em Clódia, aprova em Célio. Pede a
indulgência do júri para o rapaz e a condenação de Clódia que, segundo o
orador, não se comportava como uma boa matrona romana, pois se mantinha na
linha de frente da vida pública romana. O discurso introduz a hostilidade em
relação às mulheres em geral e uma atmosfera de tolerância em relação ao
jovem acusado, garantindo-lhe a absolvição e maculando a reputação de Clódia
(e das mulheres sem tutela masculina) pelos séculos vindouros. Escravidão e ética no mundo romano:
uma discussão a partir de O Asno de
Ouro Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo
(CEIA-UFF) Pode o escravo, um ser
humano definido como propriedade, em primeiro lugar, portanto um “não-ser”,
desprovido de honra e de dignidade, o avesso do cidadão, ter uma ética
própria? Discuto nesta comunicação aspectos ideológicos concernentes à visão
que as elites tinham dos escravos no mundo romano, tomando como locus
da análise uma fonte – O Asno de Ouro de Apuleio – para tentar
analisar o que tais elites entendiam por “bom” ou “mau” escravo mais próximo
ou distante de ter uma dignidade ou “honra”. Trata-se de uma discussão mais
geral sobre uma ideologia escravista no mundo romano e de como se pode
verificar o tema da ética em relação à escravidão. Analisarei as passagens
contidas nos Livros VIII, 22 e IX, 17-27.
Minicurso: Ética,
poder e participação no mundo antigo: Atenas e Roma, uma perspectiva comparativa Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros
Cabeceiras (CEIA-UFF) 18:00 -
20:00 - Auditório Macunaíma, Sala 405 - Bl. B A partir da consideração
da Atenas democrática e da Roma aristocrática como sociedades políades ou cívicas,
a proposta é examinar comparativamente as duas cidades quanto aos seus
mecanismos de participação política e às suas representações de cidadão
ideal.
QUINTA-FEIRA, 13/07/2006 Minicurso: Tradução
das fábulas de Fedro Prof. Dr.ª Edna
Ribeiro de Paiva (Prof.ª Adjunto IV - Letras/UFF) 08:00 -
11:00 - Auditório 218 Bl. C Breve introdução
explicativa a respeito da utilização do gênero por diversos autores, desde o
inventor Esopo na Grécia, até seus imitadores: Fedro em Roma, La Fontaine na
França e Monteiro Lobato no Brasil. Leitura, metrificação,
comentários morfossintáticos e tradução de algumas fábulas de Fedro. Interpretação da
moralidade contida nas fábulas analisadas. Pré-requisito: Ter
cursado a disciplina Latim IV Sessão de Comunicações 12: O
poder do mito, da morte e da magia na antigüidade 08:00 - 09:30 - Sala: 207
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Dr.ª Maria Regina Candido O diálogo entre as práticas mágicas
egipto-helênicas no contexto do Egito Ptolomaico Prof.ª Doutoranda Dulcileide do Nascimento
(UERJ/UFRJ) Em Os Argonautas,
de Apolônio de Rodes encontramos, como protagonista dos cantos III e IV,
Medeia, personagem construída sob o signo da magia. Partindo da idéia de que
sua ascendência esteja vinculada à fundação da Cólquida pela tropa egípcia de
Sésotris, tomamos Medeia como um arquétipo de maga, ao percebermos a tênue
linha existente entre as práticas mágicas encontradas na África helenizada e
as utilizadas por Medeia, evidenciando, desse modo, uma ligação com o Egito. A nossa proposta de comunicação
é visualizar, através do estudo da narrativa de Apolônio e de imagens
selecionadas, este aspecto cultural tão negligenciado quando tratamos de
estudos helenísticos: a magia. A complexidade das relações sociais
presentes no contexto funerário do cemitério do Kerameikos na Atenas Clássica Fabiane Silva Martins (Graduanda em
História - UERJ/NEA) Este trabalho tem por
objetivo mostrar como o Cemitério do Kerameikos se transformou num espaço
de poder e de relações sociais através das práticas mágicas que eram
realizadas em seu interior, fato que se refletia até mesmo na arquitetura
do cemitério, separando os que ali estavam enterrados por classe social,
gênero e idade. As práticas mágicas que
até antes do período Clássico eram voltadas somente para os rituais e
festividades da pólis ateniense que
uniam toda a Koinonia/comunidade,
estavam agora, também voltadas para atender os desejos individuais daqueles
que se sentiam lesados, injustiçados ou simplesmente tinham inveja de alguém
bem sucedido. Esta mudança de desejos para as quais a magia era feita se deu devido às novas ideologias e relações sociais que se
estabeleciam na Atenas do recorte temporal escolhido, um contexto de
turbulências e acentuadas mudanças, decorrentes do cenário de guerras
praticamente constantes que se estabeleceu em Atenas. Caronte: as interpretações da morte
na Atenas do Período Clássico Thiago Fernandes da Silva (Graduando
em História - UERJ/NEA) Pretendemos através do
estudo da Iconografia dos Lécitos funerais de fundo branco, especificamente
os que retratam Caronte, identificar como as transformações sociais do
período clássico atuaram na concepção da Morte na sociedade dos atenienses.
Através da análise da semiótica da imagem e da comparação com o modelo
anterior da morte - a figurada por Hypnos e Thanatos,
investigaremos as motivações do surgimento de Caronte como elemento
ritual no século V. A magia dos mitos nos defixios gregos
do Período Clássico ateniense Tricia Magalhães Carnevale (Graduanda
em História - UERJ/NEA) Hermes, Hekate, Perséfone
e Hades, deuses gregos que eram exaltados nos defixios atenienses, cuja fina e delicada lâmina de chumbo trazia
gravada imprecações odiosas contra adversários. A inveja do trabalho de outro
ateniense, o amor desejado, o medo da derrota nas competições esportivas e a
insegurança diante do tribunal, motivaram muitos atenienses a buscar ajuda
nestes katádesmoi. Sua magia se
beneficiava das almas daqueles que haviam quebrado o ciclo de vida ateniense,
como as grávidas mortas durante o parto, crianças, indivíduos assassinados,
suicidas. Através dos destas almas pediam permissão aos deuses ctônios já
citados para fazerem mal aquele considerado inimigo ou adversário pessoal. Como
nem todos os deuses faziam parte desta prática mágico-religiosa, nem mesmo
apareciam todos juntos nos defixios,
nos questionamos qual seria o critério para a seleção da divindade, teria
relação à sua mitologia e o contexto da lâmina ou seria o mago ou solicitante
adorador desta divindade? No que os atenienses acreditavam para buscar este
tipo justiça pessoal, em meio a tantas mudanças políticas, econômicas e
culturais características do Período Clássico? Sessão
de Comunicações 13: Literatura, gênero esociedade no
mundo antigo 08:00 - 09:30 - Sala: 307
- Bl. B Coordenação: Profª Drª
Sônia Regina Rebel de Araújo A questão do gênero na literatura
egípcia do IIº milênio a.C. Prof.ª Doutoranda Amanda Wiedemann (PPGH -
UFF) O presente trabalho é
resultado parcial de minha pesquisa acerca da posição dos gêneros no Egito do
IIº milênio a.C. Seu objetivo é analisar o papel de homens e mulheres, e suas
transformações ao longo do período em questão, numa sociedade em que,
teoricamente, tinham os mesmos direitos, mas na prática, as
vantagens que essa igualdade propiciava às mulheres não deve ser
superestimada. A história de Roma através das
mulheres de Petrônio Érica Dias Costa (Pós-graduanda em
Cultura, língua e literatura latina - UFF) O objetivo dessa comunicação é a abordagem da personagem feminina e sua
construção através do olhar de um literato, ou seja, um escritor de crônicas
de costumes. Com esse propósito as opções foram fontes que apresentam a
história do período da decadência romana e o livro Satiricon, de Petrônio. A primeira marca os estudos teóricos
sobre a sociedade e sua educação que já estava entrando em colapso por
fatores sócio-políticos; e a segunda é a demonstração prática dessa teoria
com enfoque na mulher e sua posição no mundo romano. A esposa e a amante no Satiricon de Petrônio Prof.ª Fabiana de Mattos Busquet
(Pós-graduanda em Cultura, língua e literatura latina - UFF) Nosso trabalho consiste
em fazer uma pequena mostra do papel da mulher na sociedade romana – esposa
ou amante – conforme foi relatado na obra Satiricon de Petrônio. Entre a moralidade e o sentimento: a dialética
de Electra e Clitemnestra Monique Lopes Inocencio (Licencianda em Letras - UERJ/Casa de Ruy Barbosa) Dois
dos grandes recortes do feminino na Antigüidade Clássica é a personagem
Electra, juntamente com sua mãe Clitemnestra. O drama da jovem princesa, que
corrói o dilema entre matar ou não a mãe, para se vingar da morte de seu pai
Agamenon, aparece sob três principais versões: as tragédias Electra - de
Sófocles; Electra - de Eurípides e a trilogia As Coéforas - de Ésquilo. Neste trabalho, pretendemos, partindo das versões
sofocliana e euripidiana do mito, estabelecer um contraponto entre dois
valores muito fortes que movem as ações de Electra, no percurso do
cumprimento de seu destino trágico: de um lado, o peso da moralidade,
que a faz enxergar no assassinato um crime perverso e abominável, que se
agrava quando cometido por uma mulher. De outro, os seus instintos latentes
que a impulsionam a praticar a vingança. Partindo desta dialética,
pretendemos refletir acerca do papel dos valores sociais e individuais na
construção da mulher na Antigüidade. Sessão de Comunicações 14: Estudos
sociais latinos a partir de fontes literárias e iconográficas 08:00 - 09:30 - Sala: 409
- Bl. C Coordenação: Prof.ª Kátia Teonia Costa de Azevedo O estudo de Plínio, o jovem no Brasil Daniel Aparecido de Souza (Graduando
em História - UNESP) Plínio, o jovem é o autor
de 10 livros de cartas privadas e protocolares, e do Panegírico de
Trajano. Suas cartas retratam várias relações de trato entre os romanos e
podem ser divididas, quanto a temática, em: vida
pública (políticas, históricas, anedotas e centuviral, caracteres,
obituários, patronato, advertências, domésticos (negócios e intimidade) e
literários (cênico e cortesia). Desta forma, a presente comunicação tem o
objetivo de apresentar as principais pesquisas realizadas nos últimos 30 anos
sobre Plínio, o Jovem no Brasil e posteriormente, mostrar as possibilidades
de objetos e abordagens possíveis para este rico conjunto de epístolas. Algumas
reflexões a cerca da relação homoafetiva no conto Garoto
de Pérgamo do Satyricon Prof.ª Katia Teonia Costa de Azevedo
(UFF/UFRJ) No presente trabalho,
propusemo-nos examinar a relação homoafetiva no episódio do Garoto de
Pérgamo, que compreende os capítulos 85, 86 e 87 do Satyricon de
Petrônio. Observaremos a
sexualidade como um conceito culturalmente construído e como se realiza sua
representação no drama satírico. Os Cativos de Plauto e a problemática
escravista na Roma Antiga Maria Íris Vieira Barcelos (Graduanda
em História - UFRJ) No período arcaico
(240-88 a.C.) da literatura latina vemos emergir a obra de Plauto. A obra
plautina apresenta presença predominantemente popular, tendo os escravos
papéis de destaque, extrema variedade de funções e características próprias.
O objetivo deste artigo é apresentar a importância do escravo na sociedade
romana bem como inferir as diversas representações sobre os escravos na Roma
Antiga, através da análise do discurso plautino, que é de total relevância
para a compreensão da sociedade romana, dando enfoque especial à obra Captivi
(Os Cativos). “Cave Canem”: a recepção das imagens na Antigüidade e na
Contemporaneidade Mateus Henriques Buffone (Graduando
em História - UFRJ) O
presente trabalho é um exemplo de como o acervo do Projeto Iconografia &
História Antiga Clássica pode ser utilizado por pesquisadores de forma a
fornecer uma documentação coesa de natureza iconográfica. Nesta comunicação,
analisaremos um mosaico proveniente da entrada da Casa do Poeta Trágico em
Pompéia. Esse mosaico tem representado um cachorro puxado pela coleira com os
dentes à mostra em sinal de aviso para os que entram, mas simultaneamente, é
carregado de um toque humorístico. A Epigrafia é presente nesse documento
iconográfico através de uma inscrição que significa “cuidado com o cão”. Um
episódio análogo pode ser observado no início da passagem XXIX da obra Satíricon
de Petrônio, onde Encólpio, entrando na casa de Trimálquio, se assusta com a
pintura de um cachorro no chão, contendo justamente a
inscrição “cuidado com o cão”. Representações semelhantes ainda podem
ser vistas na Contemporaneidade, através de placas de avisos contra
cachorros, encontradas nos portões de diversas casas, muitas vezes também
carregadas de um tom humorístico. Concluímos, portanto que as imagens na Antigüidade,
assim como na Contemporaneidade, transmitem mensagens que são imediatamente
entendidas pelos seus receptores, sendo a escrita usada como um complemento
de sentido. Sessão de Comunicações 15: Estudos
sociais gregos a partir de fontes literárias 08:00 - 09:30 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação: Prof. Dr.
André Alonso Hesíodo e Homero: dois modelos de
conduta e de enriquecimento Prof. Dr. André Alonso (CEIA-UFF) Homero e Hesíodo
apresentam visões diferentes da relação do homem consigo mesmo, com o outro e
com o mundo. Sua concepção de sociedade e de valores comuns é, por
conseguinte, também diversa. Surgem, assim, dois modelos distintos de vida,
com conceitos bastante característicos de justiça, de solidariedade, de
trabalho e de riqueza. A presente comunicação visa a estabelecer paralelos e
divergências entre esses dois modos de vida, com especial atenção para o
problema da aquisição de riquezas. Drímaco de Quios: um exemplo das
relações entre amos e escravos na Grécia Antiga José Ernesto Moura Knust (Graduando
em História - UFF/CEIA) Existiu por muito tempo
na historiografia o mito do “bom” amo grego, fato que explicaria a ausência
de rebeliões servis entre os escravos-mercadoria na Hélade, contrastando com
as grandes guerras servis na no final da República Romana. Analisando as
diferenças entre o escravismo romano e o grego, juntamente com as
transformações deste ao longo dos séculos, pretendo explicar o teor das
relações escravistas no mundo grego, bem como demonstrar porque a ação de
resistência no caso grego diferia daquela existente entre os romanos, usando
para isso alguns dos conceitos elaborados por João José Reis e Eduardo Silva
para pensar a resistência de escravos no caso brasileiro, especialmente sob a
forma de fugas. Como maior exemplo da aplicação de seus conceitos –
“negociação”, “conflito”, “fuga para fora”, etc. – à minha análise,
debruçar-me-ei sobre o caso de Drímaco de Quios, escravo fugitivo que liderou
uma comunidade de escravos fugitivos como ele, narrado por Ninfodoro de
Siracusa, citado por Ateneu no Banquete dos Sofistas. Aspectos da Astúcia na Grécia Antiga Lilian Amadei Sais (Graduanda em
Letras Português/Grego - USP) A comunicação pretende
trazer um panorama da astúcia (mêtis) na Grécia Arcaica, analisando
tanto o conceito de inteligência prática, como a deusa que este nome designa.
Tal panorama será ilustrado a partir de trechos da Teogonia, de
Hesíodo, e da Ilíada, de Homero.
A subserviência: uma das
manifestações de Eros Profª Drª Tânia Martins Santos
Fernandes (UFRJ) O Banquete, de Xenofonte, retrata uma das mais representativas
formas da sociabilidade grega na antiguidade clássica, o simpósio. Embora a
diversidade temática seja uma característica marcante da obra, pode-se
afirmar que o tema do amor ocupa posição relevante no diálogo e inspira
pronunciamentos que trazem à tona reflexões acerca do homem e dos aspectos
morais, sociais e políticos da sociedade grega da época. A partir da
observação das cenas narradas no Simpósio, verifica-se que o prosador do
século V, em passagens várias, faz menção à pederastia, delineando o perfil
do erastés e do erómenos. O presente trabalho visa
a demonstrar como eras, esta
poderosa força do desejo, estabelece uma relação de subserviência entre amante e amado. Sessão de Comunicações 16:
Política e participação no mundo antigo 09:30 - 11:00 - Sala: 307
- Bl. B Coordenação: Prof. Ms. José Roberto de Paiva Gomes O Império Romano entre o Pão e o
Circo Daniel Calixto dos Santos (Graduando
em História - UERJ/NEA) Esta pesquisa tem como
tema de abordagem O Império Romano entre o Pão e o Circo, o tema insere-se na
perspectiva sociológica weberiana, colocando a história em contato com a
sociologia. Consideramos que essa ciência esta voltada para a compreensão
interpretativa da ação social, no caso aqui analisado o evergetismo, conceito
trabalhado por Andrew Wallace que, nos fornece explicações sobre as
motivações do agente social, Otávio César Augusto, identificado como princips, primeiro entre os cidadãos
romanos, cuja denominação legítima se qualifica como dominação tradicional
exercida no período I a.C., na região de Roma. Para tanto, utilizamos a
documentação Res Gestae Div Auguste.
Propomo-nos fazer uma analise comparativa entre traços identificados por nós
como evergetismo encontrado em outros momentos históricos, assim como mostrar
a semelhança do fenômeno do pão e circo com as políticas compensatórias da
atualidade. A questão da religião nas relações
diplomáticas entre Roma e Cartago - 509 a.C. Fabricio Nascimento de Moura
(Graduando em História - UERJ/NEA) Esta comunicação tem como
objetivo analisar a diplomacia Romana exercida pelos sacerdotes, a religião
concebida para o bem do Estado e de suas interações, assim como o juramento
de tratados, a questão dos sacrifícios e o teor simbólico dos deuses nas
relações internacionais entre Roma e Cartago. A religião concebida para o bem
do Estado e de suas interações. A moeda de Júlia Prócula: mulher,
poder e política na Roma Antiga Prof. Ms. José Roberto de Paiva Gomes (História
- UERJ/NEA) Trabalharemos o papel e o
poder político de uma eminente mulher romana Júlia Prócula que viveu no séc.
II d.C. Procuraremos abordar através de uma abordagem interdisciplinar entre
a história e a numismática sobre o papel ativo e atuante da mulher na
sociedade romana. A política romana nas relações de
poder com o Egito Ronald Wilson Marques Rosa (Graduando
em História - UERJ/NEA) Pretendemos, neste
trabalho, fazer uma análise sobre a política romana dialogando com as
relações de poder entre duas sociedades livres, tendo como principal fio
condutor, o comercio, ou melhor, a atividade mercantil, realizada,
principalmente, pelos publicanos. Nesta análise pretendemos não apenas visar
os aspectos político e econômico, mas também, analisar os aspectos social e
cultural, para tanto, estudamos as atividades de um publicano: Caio Rabirius
Postumus, através do documento, na forma de discurso de Cícero proferido no
Senado romano, através da análise deste documento, encontramos dados
relevantes sobre a interação política e econômica entre Roma e o Egito e
assim como a presença cultural egípcia na sociedade romana. Sessão
de Comunicações 17: Mito e religião na literatura grega 09:30 - 11:00 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação: Prof. Dr.
Marcos José de Araújo Caldas A ode a Dioniso na Antígona de
Sófocles Prof.ª Ms. Agatha Bacelar (Prof.ª Substituta de Língua e Literatura Grega/UFF) O quinto estásimo da Antigona
sofocliana (v. 1115-1154) constitui um hino dirigido a Dioniso, apresentando
todas as convenções poéticas características do gênero: invocações, epítetos,
genealogia, enumeração de locais de culto e de atributos, lembranças de atos
de culto anteriores e, enfim, preces no momento presente. Nele, o coro
suplica ao deus que vá a Tebas com seus "pés catárticos", de modo a
curar a "doença violenta" que arrebatou toda a cidade. Pela posição
que ocupa no enredo da peça, tal ode é considerada um hypórkhema,
um canto jubiloso que precede a catástrofe iminente, revelando, pois,
ironicamente, o caráter efêmero, senão ilusório, da alegria expressa pelos
anciãos de Tebas. Mas, o fato de esse hino ser também um hypórkhema
teria necessariamente como conseqüência uma ruptura do princípio de
reciprocidade que fundamenta a dinâmica desses cantos cultuais? Os
acontecimentos funestos narrados nas cenas seguintes revelariam que a prece
não foi atendida por Dioniso? Tebas permaneceria tomada pela "doença
violenta"? O presente trabalho busca responder
a essas questões através de uma análise que considera a ação performativa do
coro nessa ode tanto no que se refere ao enredo da peça quanto em suas
possíveis relações com as Grandes Dionisíacas. O riso dos deuses: o trágico e o
religioso no mito grego Prof.ª Doutoranda Cristiane Almeida de
Azevedo (PPG em Ciência da Religião - UFJF) No mito grego, o
religioso revela-se através do convívio entre homens e deuses, do estar-junto
contemplando as ações divinas no banquete festivo e sendo contemplado pelos
deuses. A partir desse convívio,
evidencia-se também a dimensão trágica dessa religião, pois faz parte da
proximidade uma distância que nenhuma convivência pode superar: a mortalidade
e fragilidade humana diante do mundo. O presente trabalho pretende pensar
essa relação paradoxal, como reveladora do religioso e do trágico, seguindo o
caminho traçado pelo filólogo e helenista Karl Kerényi. O autor aponta um
elemento privilegiado para a percepção do religioso e do trágico presente no
mito grego: o riso dos deuses. Para Kerényi, este riso transforma-se em um
elemento religioso que deixa claro a proximidade e a distância entre homens e
deuses. O mito da anámnesis
no diálogo Fédon Prof.ª Izabela Bocayuva (UERJ/UNESA) Dando continuidade ao
estudo dos mitos na obra de Platão, investigamos desta vez o mito da anámnesis no diálogo Fédon. Entendemos que este mito seja
estruturante do pensamento platônico pois trata
diretamente da possibilidade do conhecimento e assim também de como se
desdobra o próprio acontecimento da realidade. Nesse diálogo, esse mito é
considerado mais detalhadamente do que no diálogo Ménon, o que nos permite investigá-lo mais a fundo e sermos
conduzidos até uma noção mais nítida – e não ingênua como costuma ser a visão
dos manuais – de o que Platão possa entender pela dicotomia corpo/alma. Uma
tal noção mais nítida nos deixará compreender também com mais maturidade quem
é o filósofo para Platão. Esta compreensão, porém, só nos interessa se não
for uma mera satisfação de um “curiosismo” sobre um pensamento antigo, mas
sim um modo de ativarmos hoje mesmo nosso pensamento e orientarmos nossas
atitudes para o exercício de nossa liberdade. Influências de um Dioniso cretense na
formação religiosa em Homero e na Tragédia João Luiz Farah Rayol Fontoura
(Mestrando em Filosofia - UFRJ) Em 1500 a.C. caiu a
chamada Creta Minóica, um império marítimo anterior à formação da Grécia
homérica, cedendo aos Micênicos, o povo cuja cultura está retratada na poesia
homérica, o domínio regional. Estes absorveram dos minóicos muitos elementos,
inclusive religiosos. Enquanto em Creta o deus chamado de Dioniso Cretense e
sua mãe, relacionada à Grande Deusa Mãe dos frígios, eram representações
antropomórficas de uma religião natural, os micênicos os fizeram partes de
mitos de questões humanas ligadas à sua própria sociedade. Assim eles chegam
a Homero e à Tragédia como modelos éticos de uma sociedade diferente da de
sua origem. Porém, graças a trabalhos lingüísticos e arqueológicos dos
séculos XIX e XX os elementos do mito antigo, assim como seus possíveis
significados sociais originais, ainda são visíveis. Este trabalho utiliza
como principal referência o estudo de Karl Kerényi a respeito das escavações
nesta ilha. Sessão
de Comunicações 18: Epigrafia: sociedade e política 09:30 - 11:00 - Sala: 207
- Bl C Coordenação: Prof.ª Dr.ª Norma Musco Mendes Ordo
Populusque Nucerinus.
História, instituições e prosopografia de Nuceria
romana Prof.ª Dr.ª Maricí Martins Magalhães (LHIA-UFRJ) Projeto iniciado na
Itália e finalizado no Brasil com o decisivo apoio da FAPERJ. A Epigrafia
Latina como potencial de informações autônomo para o resgate da História
Política e Social das colônias e municípios em época romana. Um exemplo disso
é o trabalho desenvolvido nos anos anteriores com as coleções epigráficas dos
territórios de Surrentum e Stabiae, e agora com a coletânea
proveniente da colônia romana de Nuceria
Constantia, na Itália Meridional:
através do estudo da sua documentação lapidária foi possível montar um perfil
da sua sociedade, desde a classe dirigente citadina até o chamado
simplesmente populus. O trabalho
será ilustrado com as inscrições que testemunham a presença de senadores,
cavaleiros e magistrados no território. As estratégias de intervenção no
espaço e a construção da paisagem imperial na Lusitânia Prof.ª Dr.ª Norma Musco Mendes
(PPGHC/LHIA-UFRJ) O objetivo do presente
projeto de pesquisa é investigar as especificidades da experiência
imperialista romana, através de um estudo de caso: a Lusitânia. Os resultados
até o momento obtidos têm demonstrado que o impacto da conquista é
evidenciado pelas mudanças na paisagem do território, pela formação de uma
paisagem híbrida materializada pela criação de novas formas de relações sociais.
Estas novas práticas possibilitaram que as bases de poder e de status social
fossem reproduzidas nas províncias de forma diversificada de acordo com as
distinções sociais e regionais. Problematizamos,
portanto, as estratégias de intervenção -(retificação, ordenação,
disciplinamento, exploração de recursos)- no espaço urbano e rural como
discursos hegemônicos não verbais, mas constituídos por outros tipos de
linguagens, tais como: hábitos e formas de vida. O estudo destas questões tem sido enriquecido
pela confrontação
entre os dados extraídos da documentação textual e aqueles obtidos pelas
interpretações das inscrições epigráficas, realizadas pelos especialistas.
Desta forma, podemos afirmar que o estudo da construção da
paisagem imperial deve ser entendida como um mecanismo de dominação,
mas também tática de resistência. “O leão está de olho”: análise de um
mosaico afro-romano Prof.ª Dr.ª Regina Maria da Cunha
Bustamante (PPGHC/LHIA-UFRJ) Para esta comunicação,
optou-se por selecionar um mosaico que conjugasse imagem e inscrição
epigráfica e abordasse a questão política. Assim, será analisado um mosaico
datado do início do século III e encontrado em uma terma em Uzitta (atual
Henchir el Makhceba, na Tunísia). Este mosaico teve como comanditário um
membro da confraria dos Leontii, uma das associações típicas da África Romana
que patrocinava e organizava os jogos nos anfiteatros. O oferecimento deste
tipo de espetáculo constituía-se num importante elemento das relações
políticas no mundo romano. A elite provincial financiava divertimentos
públicos visando alcançar prestígio em sua comunidade, aceder a uma dignidade
municipal e reafirmar sua pertença ao grupo governante através de sua
munificência. Ampliando horizontes: a contribuição
da epigrafia para a quebra do paradigma de aculturação no conceito de
romanização Yuri Corrêa Araujo (Graduando em
História - UFRJ/LHIA) Tradicionalmente o termo
Romanização era utilizado para referir-se a uma adoção incondicional da
cultura romana por parte dos povos conquistados por ela no processo de
expansão. Tal visão legava ao indígena uma posição de passividade e ao mesmo
tempo dava ao Império uma falsa idéia de homogeneidade. Com as transformações
ocorridas na própria epistemologia da história os pesquisadores passaram a
questionar as noções de aculturação que marcaram os estudos sobre o Império
Romano até meados da década de 70. Recentemente, com a
teoria Pós-Colonial, os estudos sobre culturas inseridas dentro de um
contexto de dominação têm demonstrado que elas além de não terem sido
extintas ainda floresceram. No caso do Império Romano a epigrafia tem dado
grandes contribuições a esse respeito. Tendo como foco de estudo
o processo de interação das práticas religiosas na província da Lusitânia, a
presente comunicação objetiva demonstrar as contribuições que a epigrafia têm
dado para trazer até nós as diferentes respostas de indígenas e romanos
frente à cultura um do outro. Sessão de Comunicações 19: Espaço,
sociedade e política na Grécia 09:30 - 11:00 - Sala: 409
- Bl. C Coordenação: Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras Calendário romano: identidade, poder
e cultura, no Menologium Rusticum Colotianum Airan dos Santos Borges (Graduanda em
História - UFRJ/LHIA) Esta comunicação é fruto
dos resultados parciais já obtidos pela pesquisa que venho realizando sob a
orientação da Professora Doutora Norma Musco Mendes e co-orientação da
Professora Doutora Maricí Magalhães. Através dos estudos sobre
a religião e do diálogo com a sociologia, sabemos que o calendário é um
instrumento de organização do tempo e do ritmo de vida das pessoas de uma
sociedade. Partindo de um estudo
intertextual, quer dizer, do cruzamento dos dados obtidos pela análise das
inscrições do Menologium Rusticum Colotianum (datado de 31 d.C. e encontrado na região do Lácio) e da obra Os
Fastos, de Ovídio, procuraremos compreender a função política e
cultural da organização do calendário romano, ou seja, vendo- o como uma prática
cultural própria de sociedades que atingiram um alto grau de complexidade e
que vincula os vetores fundamentais do sistema de representações de sua
identidade, no caso, a romana. Nesse sentido, sua organização, é entendida
como uma garantia da manutenção da sociedade enquanto grupo, além de atualizar
e legitimar suas estruturas de poder, expressando e enfeixando totalidades e
globalizações ético-sociais já existentes. Uso e organização do espaço em época Arcaica: uma
proposta de estudo das colônias gregas da Magna Grécia e da Sicília Christiane Teodoro Custodio (MAE/USP) A necessidade de
dispersar sua população manteve-se quase que como uma constante na história
grega. É possível observar diversos movimentos, em alguns aspectos, muito
mais característicos de uma migração do que colonização propriamente. A fase
considerada a mais importante da expansão grega ocorreu entre meados do
século VII ao VI. Essa colonização empreendida a partir de meados do século
VIII a.C. rumo ao Ocidente é o foco de nosso interesse. Neste período, muitas
das comunidades helênicas situadas no Egeu ainda não estavam plenamente
constituídas enquanto póleis; e, concomitantemente, muitas enfrentavam
crises sociais, fossem comuns ao mundo grego, ou específicas de cada cidade.
No período Arcaico (séculos VIII-VI a.C.), a estrutura social e econômica da
Grécia, enfrentava diversas crises, relacionadas à questão da terra, a
servidão por dívidas e o monopólio da aristocracia nas instituições
políticas. É neste contexto que foram empreendidas as
primeiras expedições colonizadoras. Isto posto,
tentamos compreender a colonização como uma resposta às demandas desta
sociedade. Podemos inferir que essas novas cidades enfrentaram problemas e
tiveram de lidar com demandas específicas de forma original, o que resultou
em criações políticas, institucionais e até mesmo materiais que,
posteriormente, foram difundidas entre outras populações coloniais e também
na Grécia Continental. Entendemos que tais fenômenos estão intrinsecamente
ligados as fundações de cidades e, portanto, podemos
analisá-los a partir do uso e organização do espaço empregados nestas
colônias. Isto posto, nossa pesquisa insere-se na
perspectiva geral de estudo dos ambientes construídos e de identificação das
estruturas sociais neles materializadas. Nosso objetivo é apresentar
o potencial dos estudos sobre os espaços construídos como fonte para o
conhecimento de uma sociedade; e, mais especificamente, para a compreensão
das relações entre ambiente construído e sociedade na Grécia Antiga. Partimos
do princípio que o ambiente construído, por incorporar elementos dos sistemas
sociais, político, econômico, ideológico, e de se constituir em um
instrumento da comunicação humana, é um registro da história das sociedades,
é um artefato histórico. De sorte que tais estudos podem trazer à luz
importantes questões acerca do contributo das colônias ocidentais para as
metrópoles e ainda, na construção da identidade políade grega. Os espartanos: indo-europeus ou
“Bárbaros da Ásia” (?) - uma omissão historiográfica: originária de
menosprezo racial (?) José Luiz P. Rebelo (Graduando em
História - UFF/CEIA) As informações sobre os
espartanos, encontradas tanto em compêndios e enciclopédias quanto na
bibliografia especializada, freqüentemente estabelecem para eles uma origem
indo-européia. Os espartanos teriam sua ancestralidade nos dórios, {povo} que
invadiu a Hélade e conquistou a maior parte do Peloponeso. Diminutas são as
referências a participações de outros {povos} na composição étnica dos
espartanos e omite-se relaciona-los aos {povos} “Bárbaros da Ásia”. Partindo
dos relatos de Heródoto, em sua obra Histories,
pretende-se analisar e discutir os indícios de contribuições dos “Bárbaros da
Ásia” na etnicidade espartiata. Disputas políticas e conflitos
sociais em Corinto no século V a.C. Prof. Maurício dos Santos Ferreira
(UNISUAM/Cândido Mendes) Esta comunicação tem o objetivo de descrever os fatores que
levaram a cidade de Corinto – situada no istmo com o mesmo nome que faz ligação
este a porção Ática e a porção Peloponesa – a galgar um desenvolvimento
econômico comercial entre os séculos VIII ao VI a.C, para isso articulando
três esferas de poder e representação: a religião, a economia e a política
externa. Primeiramente abordaremos os aspectos míticos e geográficos
da fundação e desenvolvimento da cidade; será realizado, também, um
levantamento dos fatores que contribuíram para esta ascensão e consolidação
da hegemonia da cidade como o comércio; a religião, a exemplo da prostituição
sagrada, de cerimônias como da Xênia e algumas funções do templo como
elementos de legitimação do poder. Por fim efetua-se uma análise dos
discursos de Corinto nos momentos iniciais da Guerra do Peloponeso, através
da ótica de Tucídides contextualizando as ações da cidade na gênese e no
desenrolar do conflito analisado as ações tomadas para garantir os interesses
e hegemonia política comercial de Corinto no século V a.C. A finalidade deste trabalho é articular a economia, religião
e política como mecanismos para manutenção de uma hegemonia ameaçada pelo
processo de expansão imperialista de Atenas. Sessão de Comunicações 20: Ética
e política na Atenas Clássica 11:00 - 12:30 - Sala: 307
- Bl. B Coordenação: Cristiano
Bispo Aristófanes: a pólis e o debate pela
paz Alair Figueiredo Duarte (Graduando em
Filosofia - UERJ) As divergências entre
Atenas e Esparta deixam transparecer as ideologias sociais e políticas
existentes na pólis dos atenienses. Aristófanes e seu desejo de paz absoluta
entre os helenos, leva a comunidade dos atenienses a se questionar e debater
no teatro da guerra e como nos aponta o Tratado
de Nícias. Este acordo diplomático, entre as duas potências hegemônicas -
Atenas e Esparta - durante a Guerra do
Peloponeso, foi de suma importância
para os destinos políticos da Hélade. Os etíopes e o modelo guerreiro
aristocrático Cristiano Bispo (Mestrando em
História - UFRJ) O presente trabalho visa
apresentar as interações étnicas entre os etíopes e atenienses, no início do
V século, durante as Guerras Médicas. Acreditamos que em diversas passagens
da obra História de Heródoto e na
documentação imagética os etíopes foram representados e personificados com
atributos físicos e sociais valorizados pela aristocracia ateniense que
utilizou tais atributos como forma de resistência contra a ascensão das
instituições democráticas. Campo, tragédia grega e participação
popular: possibilidades conceituais para uma análise da política ateniense no
século V a.C. Guilherme Gomes Moerbeck (Mestrando em
História - UFF/CEIA) A idéia de campo, assim
como definida por Pierre Bourdieu, expõe a noção de uma arena de lutas na
qual estão dispostos os atores, individuais ou coletivos, e suas respectivas
disputas simbólicas, sejam elas políticas, artísticas, acadêmicas e etc. A
partir de tal enfoque teórico podemos questionar: em quais sentidos a
produção textual e a recepção articulam-se aos mecanismos de poder? Quem,
investido por meio de ritos, possui o reconhecimento da palavra autorizada? O
principal intuito desta comunicação é apresentar de forma sumária, alguns
problemas da teoria do campo político, para então, aplicá-la à Atenas do
século V a.C.. Para tal empresa, utilizar-me-ei principalmente de tragédias
gregas, mas, outrossim, de outras fontes de época. Diálogo entre Platão e Hipócrates José Provetti Junior (Mestrando em
Cognição e Linguagem - UENF) Quando nos referimos à
temática do evento foi-nos inevitável a remissão a
Platão e Hipócrates, uma vez que o pensamento destes autores influenciou
decisivamente a cultura ocidental. Num primeiro momento, a referência a
Platão é justificável já que ele teria iniciado a Ciência Política com sua
obra, A República, livro
habitualmente entendido como uma tentativa de sistematizar o fenômeno
político versando sobre os temas da justiça e da estrutura da polis, com acentuadas tendências,
consideradas utópicas, tanto à época do autor como na atualidade. Sessão de Comunicações 21: Relações
sociais e de poder no mundo celta e na China antiga 11:00 - 12:30 - Sala: 409
- Bl. C Coordenação: Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri Da
helenização celta Erick
Carvalho de Mello (Graduando em História - UFF/CEIA) O
objetivo deste trabalho é dissertar sobre a helenização celta entre os
séculos IV e III a.C., como um conceito de mão dupla e
centrado através de contatos dos celtas com o mundo clássico, mais
direta e intensamente através das colônias gregas do sul da França, em
especial Massalia. Dada a importância do mundo helenístico e suas relações no
período tratado, o estudo de seu contato com os celtas, tido como bárbaros,
se mostra em vias de analise ao mostrar traços peculiares que ambas as
civilizações trouxeram uma a outra em sua interação cultural e econômica,
influenciado-as mutuamente. O
festim na Gália pré-romana: Uma “instituição” celta Prof. Doutorando Filippo Lourenço
Olivieiri (CEIA-UFF) O objetivo deste trabalho
é abordar o festim celta como um fenômeno de extrema relevância na dinâmica
da sociedade celta na Gália pré-romana. Referências acerca do
festim são encontradas particularmente nas fontes clássicas formalmente
inspiradas em Posidônio de Apaméia, como Diodoro Sículo e Ateneu. O festim
também é um tema recorrente na mitologia celta da Irlanda pré-cristã. A
importância dessa prática vem sendo enfatizada nos estudos arqueológicos mais
recentes, uma vez que evidências sobre sua presença são cada vez mais
freqüentes em inúmeros sítios arqueológicos por toda a França. Pretendemos
realizar uma análise do festim levando em consideração as relações dos celtas
com o mundo mediterrânico. Dos “reis” às magistraturas: a
formação de uma nova aristocracia celta e os conflitos pelo poder (séculos II
e I a.C.) Luiz Gustavo Reis Rodrigues
(Graduando em História – UFF/CEIA) Com o fim das migrações e
invasões celtas no mediterrâneo, por volta do início do século II a.C., há o
retorno dos mercenários celtas para seus territórios nativos. Estes voltam
enriquecidos e com grande prestígio. Veremos como esses líderes guerreiros
assumirão um papel fundamental na sociedade celta, na formação de uma nova
aristocracia. Notaremos que as
qualidades guerreiras que os legitimava serão substituídas por novos valores,
como a riqueza proveniente do controle do comércio com Roma. No século I a.C.
esse “poder pessoal” exercido pelos chefes guerreiros será questionado e
reprimido, daí o surgimento das magistraturas entre os celtas, evidenciada
mais claramente na figura do vergobretus.
Utilizaremos como fonte principal o De
Bello Gallico de Júlio César, e, ainda, outras fontes textuais e
arqueológicas. Ideologia política, controle social,
memória e identidade coletiva na China do século IV a.C. Rosana da Costa Maia (Mestranda em
História – UFF/CEIA) Durante o período dos
estados Combatentes assistiu-se ao surgimento de uma proposta política que
pretendia impor um rígido controle social, direcionando a população para o
trabalho agrícola e a formação de um exército poderoso. Diante de um contexto
de grave crise moral e social, o Duque Xiao de Qin, assessorado pelo Ministro
Shang Yang, impôs uma legislação coercitiva e estabeleceu uma série de
proibições a práticas culturais seculares. Nesta comunicação, pretendemos
apresentar as conclusões da pesquisa desenvolvida, considerando a proibição
da festa e da música, da poesia e da história, e as implicações sociais da
proposta no que concerne à construção da memória e formação de uma identidade
coletiva e à tentativa de estabelecimento de uma nova hierarquia social. Sessão de Comunicações 22: Os
imperadores e a história militar romana 11:00 - 12:30 - Sala: 207
- Bl. C Coordenação: Prof. Doutorando Cláudio Umpierre Carlan A política romana na Antigüidade
Tardia e suas representações. O modelo constantiniano Prof. Doutorando Cláudio Umpierre Carlan
(UNICAMP/CEIA-UFF) Ao final do século III, e
durante boa parte do século IV, o mundo romano irá sofrer uma série de
reformas: políticas, administrativas, sociais, econômicas, militares,
religiosas. Essas reformas visavam reestruturar o cambaleante
Império, saindo de uma anarquia militar. Coube a Diocleciano iniciar o
processo, e a Constantino organizá-lo na prática. Graças a essas séries de
mudanças, o Império Romano se manteve “vivo” por mais alguns anos. Nessa
comunicação analisaremos as cunhagens constantinianas, e suas representações
políticas, criando um modelo que irá avançar os séculos, influenciando boa
parte do Mundo Ocidental. Como
corpus documental, utilizaremos a
coleção do Museu Histórico Nacional / RJ, importe acervo arqueológico
brasileiro, ainda pouco explorado. Considerações sobre a guerra em Roma
no século IV ac.; as guerras Samnitas Fábio Santos de Góes (História -
UNIRIO) Nesta comunicação
discutimos as Guerras Samnitas como eixo de transição do modo de condução da guerra
por Roma. Podemos aplicar o modelo de guerra mediterrânea
desenvolvido por Moses I. Finley para a sociedade grega arcaica no
tipo de guerra conduzida por Roma até a Segunda Guerra Samnita. Exploramos a
hipótese levantada por Giovani Brizzi de que no século IV Roma altera a sua
concepção e o seu modo de condução da Guerra, transformando-se na máquina
imperitalista que conquistou todo o entorno do Mediterrâneo. O ponto crucial
nesta virada é justamente a segunda guerra samnita. Usaremos como documentação
textual Ad
Urbe Condita de Tito Lívio e As Histórias, de Políbio. Trajano: o exemplo de
imperador-soldado Leandro Alves Felicio (Graduação em
História - UFRJ/LHIA) Nossa pesquisa tem como
objetivo demonstrar como o exército romano atuou na divulgação do projeto
imperial romano não somente como força de coerção, mas também como agente
cultural. Este estudo está sendo efetuado através da
identificação dos diversos aspectos culturais desta ação militar contidos na
documentação material da Coluna de Trajano e no documento textual A Arte
Militar de Flavio Renato Vegécio, por meio de uma analise intertextual
dos dois discursos mencionados.
A Coluna de Trajano que possuiu por volta de 39 m e 83 cm de altura,
circundada por espirais de esculturas, foi erguida a frente da basílica Ulpia
e entre as duas bibliotecas, sendo formada por um pedestal de pedra de 5,5 m
de altura, contendo em suas quatro faces troféus militares emoldurados em
ouro e a inscrição epigráfica que iremos analisar. Na coluna encontramos
mármore e bronze, sendo este último o material usado para a elaboração da
estatua do Imperador situada no seu topo.
Ao longo da estrutura da coluna encontram-se as passagens da história
de Trajano, onde comprovo através do método semiótico de análise imagética,
que elementos de cultura não romana foram integrados as fileiras do Exército
e consigo trouxeram uma enorme bagagem tanto militar como sócio-cultural
colaborando para uma mestiçagem de conceitos e modos de vida que enriqueceram
o Império. Nesta comunicação pretendo
demonstrar os resultados parciais já obtidos em relação á ação militar do
período do Imperador Trajano, onde a propaganda imperial contida na
documentação material é mais um exemplo da ação cultural. A propaganda do imperador
contida na epígrafe da coluna, neste caso, é efetuada pela citação das
construções de Trajano demonstrando como se fundamentou a grandiosidade do
império refletida nos empreendimentos físicos e na ação de um exército
multiétnico de liderança exemplar e organizada. O exército “invade” Roma: uma análise
comparativa dos textos de Díon Cássio e Herodiano Vinicius Azevedo de Miranda
(Mestrando em História - PPGHC/UFRJ/LHIA) Nesta comunicação iremos
abordar, através da análise dos textos de Díon Cássio (História de Roma) e
Herodiano (História do Império Romano depois de Marco Aurélio), a reação da
população de Roma, principalmente da aristocracia, à introdução dos soldados
das províncias (especialmente da Síria e da Ilíria) na sociedade civil romana
pelo imperador Septímio Severo. Este tem como objetivo garantir uma sólida
base de apoio no exército, pois seus primeiros anos no comando do Império
Romano transcorreram em um clima de instabilidade política. Entre inúmeras
reformas realizadas, temos a substituição de membros da ordem senatorial por
eqüestes provinciais oriundos das legiões romanas em inúmeros postos na
administração imperial, assim como diversos outros benefícios que garantiram
a oportunidade de ascensão social antes desconhecidas para os legionários de
categoria mais simples e que garantiram a lealdade das legiões ao imperador. Sessão de Comunicações 23: Religião,
sociedade e política no Império Romano 11:00 - 12:30 - Sala: 214
- Bl. C Coordenação:
Prof.ª Doutoranda Márcia Santos Lemos Arco de Constantino: ideologia e
legitimação Diogo Pereira da Silva (Graduando em
História – UFRJ/LHIA) Nossa pesquisa objetiva a
análise da legitimação multifacetada, uma característica própria do governo
do Imperador Constantino (306-337), a qual seria a conjugação de caracteres
pagano-cristãos, sendo um desenvolvimento decorrente do novo momento vivido
pelo Império Romano após as transformações estruturais sofridas a partir de
inícios do III século. Para tanto, pretendemos enfocar os discursos emitidos
pelos intelectuais integrados à propaganda imperial, textos cristãos e
pagãos, além dos marcos arquitônicos, e das moedas, fontes para uma análise
holística da ideologia imperial. Essa
comunicação objetiva apresentar os resultados obtidos, a partir da análise das
imagens e da inscrição epigráfica do chamado “Arco de Constantino”,
localizado em Roma, ressaltando três pontos principais: (1) a simbologia
pagã; (2) a questão do tirano. Eumachia, o arquétipo da sacerdotisa pública Fernanda Marins Sena (Graduanda em
História - UFRJ) Nossa pesquisa tem como
objetivo identificar os distintos papéis sociais desempenhados pelas mulheres
na sociedade romana e a forma como tais papéis foram apropriados pela
província da Lusitânia, através do estudo da estatuária entendida como
discurso de Romanização. Nesta
comunicação pretendo demonstrar os resultados parciais já obtidos em relação
á identificação da identidade das sacerdotisas. Para tanto, recorremos à
análise da imagem e da inscrição epigráfica existentes no Edifício de
Eumachia, localizado na cidade de Pompéia, para desvelar o sistema de
representações que demarcava a identidade e a função social da sacerdotisa na
sociedade romana. Nesta apresentação
utilizarei a análise do Edifício de Eumachia, localizado na cidade de
Pompéia, para o estudo da Sacerdotisa Pública na sociedade romana. Como em
minha pesquisa, sobre a estatuária romana na Lusitânia, trabalho com os
diversos tipos de mulheres da sociedade, procuro em outras províncias o
aprofundamento nesse estudo. Utilizando a análise iconográfica e epigráfica tenho por objetivo nessa comunicação: como este
tipo de mulher era vista pela sociedade? Qual era sua função? Como poderia
utilizar este arquétipo em minha pesquisa? Práticas cotidianas e ação política
do episcopado cristão na Antiguidade tardia Prof.ª Doutoranda Márcia Santos Lemos
(UFF/DH-UESB) O propósito deste
trabalho é colocar em foco o cotidiano dos homens que constituíram o
episcopado cristão no Império Romano do século IV e, se afirmaram enquanto
autoridade temporal e espiritual na sociedade da época. Com este fim,
abordamos a conjuntura que influenciou na construção e legitimação dos bispos
como figuras centrais da Igreja e, analisamos o perfil desses clérigos, suas
práticas e relações. Para tanto, utilizamos como documentação primária
impressa, um conjunto de fontes variadas (crônicas, epístolas e sermões),
todas de origem eclesiástica. O caráter subversivo do arianismo em
sua forma inicial Prof. Mestrando Mauro Joppert
(PPGHC/IFCS/UFRJ) O Imperador Constantino,
após uma luta de cerca de 20 anos, consegue eliminar todos os seus rivais e
se torna o imperador único do Império Romano. Era necessário reconstituir as
bases de legitimação do poder imperial, desgastada pela longa crise. Em nossa pesquisa procuraremos
identificar as formas como Constantino buscará essa legitimação na religião e
mais especificamente no cristianismo. Essa legitimação é obtida grosso modo
através de processos analógicos entre Constantino e a divindade cristã. Ocorre que a definição da
divindade cristã foi fruto de intensa disputa entre facções religiosas que
ficou conhecida como Questão Ariana, daí as constantes intervenções de
Constantino nessa disputa religiosa. De acordo com a teoria do
campo religioso de Bourdieu, dentro de uma disputa religiosa, o poder
político apóia a facção religiosa que lhe fornece a legitimação simbólica. Nossa hipótese é que essa
legitimação religiosa era fornecida por Eusébio de Cesaréia. Em vista disso
iremos analisar, dentre outros, a documento Vita Constantini, tentando identificar como se dava essa
legitimação. Nessa comunicação
investigaremos como uma corrente religiosa, o Arianismo em sua fase inicial,
pode se constituir em obstáculo à legitimação do poder político, sendo por
isso perseguido por este. Mesa-redonda: Aspectos da expressão
religiosa e mágica na Antiguidade: Egito, Grécia e Roma 14:00 -
16:00 - Auditório 218 Bl. C Coordenação: Prof. Dr.
Marcos José de Araújo Caldas Procissões délficas: a
(des)-territorialização da cidadania Prof. Dr. Marcos José de Araújo
Caldas (CEIA-UFF) Quase todas as
cidades-Estados gregas, representadas por seus respectivos membros, enviavam,
em períodos regulares, a Delfos, ao santuário de Apolo, e a outros santuários
da Hélade delegações processionais, cujo objetivo era satisfazer com
oferendas e preces o deus local.
Percorrendo longas distancias, os devotos do deus abandonavam suas
localidades natais e, aparentemente, suas correspondentes identidades
políticas em direção a um território divino, encravado no
distante Parnasso. O percurso efetuado ligava, por intermédio de uma
apoteose cívica, espaços - material e simbólico - que, ao que parece, sem o
cortejo processional não se reconheceriam. O objetivo desta comunicação é
contribuir para análise do papel de integração e diferenciação da Religião no
seio das comunidades políades. Olhares sobre a magia no Império
Romano: Ovídio, Petrônio e Apuleio Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros
Cabeceiras (CEIA-UFF) No mais ancestral
testemunho da magia no mundo romano, a Lei das Doze Tábuas, a idéia
mais manifesta é o temor de seus malefícios ao se estipular a punição para
quem assim a praticasse. O fato é que o ceticismo em relação aos seus
efeitos, a exemplo de Juvenal e Luciano, encontra pouquíssima repercussão entre
as vozes que nos chegaram. Três
autores privilegiados para a compreensão de sua extensão e caracterização na
Roma Antiga são Ovído (Amores, Remédios para o Amor, Metamorfoses,
Fastos, Íbis), Petrônio (Satiricon) e Apuleio (Asno
de Ouro) e é a partir deles que se buscará delimitar a presença deste
fenômeno na sociedade imperial Defixiones: artefatos arqueológicos dos
participantes da magia Prof.ª Dr.ª Maria Regina Candido
(NEA-UERJ) Pesquisa sobre magia
tende a estabelecer uma estreita relação com os mitos, os ritos e a religião
que em termos teóricos aproxima-se da abordagem desenvolvida pela
Antropologia Histórica. A opção pela linha de pesquisa antropológica se deve
a possibilidade de analisar as atividades e a realização do Homem através de
um sistema de significados portador de sentido. Através desse diálogo, o
historiador estabelecer uma aproximação com argumentos, em forma de códigos presentes
na superfície dos defixiones, que
para serem compreendidos necessitam da delimitação do contexto social de
produção. “Venha a mim”: O oráculo no Egito
Antigo e a religiosidade pessoal Prof.ª Ms. Nely Feitoza Arrais (UFF) Freqüentemente analisada
do ponto de vista oficial, a religiosidade do Egito Antigo
apresenta-se envolta em ritos de iniciação e dependente de conhecimentos
elaborados que parecem afastar o homem comum de sua esfera. A prática
oracular, entretanto, permite-nos vislumbrar uma relação religiosa muito mais
próxima ao cotidiano da população egípcia. A presente comunicação tem por
objetivo apresentar uma recolha de fontes de base oracular no intuito de
evidenciar o caráter íntimo da relação entre os deuses egípcios e seus
crentes. Conferência: O uso político da ironia:
Sócrates no Tribunal Prof. Dr.
Fernando Santoro (UFRJ) 16:00 -
18:00 - Auditório 218 Bl. C Sócrates sempre relutou
em usar o discurso no âmbito público, preferindo a atuação privada, em que
propiciava o exame das virtudes e conhecimentos de seus interlocutores, um
por um. A despeito de si, por força de uma acusação de impiedade, precisa
defender-se num tribunal democrático, frente a 500 juízes. Esta defesa, como
sabemos, torna-se historicamente o ato político mais importante da vida de
Sócrates. Como ato político, o seu
discurso pode inscrever-se no gênero retórico. Interessa-nos, em nossa
análise, explorar os fins e os recursos da retórica socrática, especialmente
a idéia de que a verdade deve sobrepor-se à persuasão, e o recurso ao método
socrático da ironia. Minicurso: Ética,
poder e participação no mundo antigo: Atenas e Roma, uma perspectiva comparativa Prof. Ms. Manuel Rolph De
Viveiros Cabeceiras (CEIA-UFF) 18:00 -
20:00 - Auditório 218 Bl. C A
partir da consideração da Atenas democrática e da Roma aristocrática como
sociedades políades ou cívicas, a proposta é examinar comparativamente as
duas cidades quanto aos seus mecanismos de participação política e às suas
representações de cidadão ideal. |
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