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SEGUNDA-FEIRA, 21 DE
MAIO DE 2007 CONFERÊNCIA DE ABERTURA Auditório
Macunaíma —Sala 405, Bl. B. —16h às 18h Pequenos
Impérios: organização social e solidariedade em Sêneca Prof. Dr. Fábio Faversani (UFOP) A
conferência propõe uma discussão sobre o papel atribuído por Sêneca a formas
diversas de ordenamento social para a organização da sociedade. Propomos uma
análise do corpus documental senequiano que leve em conta o papel das interações
sociais para a hierarquia social e formação de redes de solidariedade. * * *
TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO
DE 2007 SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 1: INFLUÊNCIAS DOS MITOS
NAS SOCIEDADES ANTIGAS Coordenador:
Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Sala
407, Bl. C —08h às 10h Hércules,
o semideus profano Diogo Pereira da Silva
(Graduando em História - UFRJ) Hércules,
o maior herói da Antiguidade Greco-Romana, foi sempre identificado como um
modelo de virtudes em variadas filosofias, pois através do sofrimento
alcançou a imortalidade. A
partir de Cômodo (180-192), alguns imperadores romanos se ligaram a esse semideus, sendo o auge dessa prática o período de
configuração da Tetrarquia, sistema político-religioso, no qual os
imperadores se associaram a Júpiter e Hércules. Objetivo
nesta comunicação apresentar como a crítica de Lactâncio
(c.250 —c.325) a Hércules, em Instituições
Divinas I. 9, representa um ataque à legitimidade sagrada do sistema
político tetrárquico. Sekhmet e o mito da destruição
da humanidade Patricia Cardoso Azoubel Zulli (Graduanda em
História - UFF/ CEIA) Tentarei
exemplificar alguns aspectos da sociedade egípcia utilizando-me da
representação da deusa Sekhmet e do mito descrito
na sala da tumba de Seti I no vale dos reis da
destruição da humanidade pela mesma deusa. O
canto VIII da Eneida e a criação do Império Romano Thiago de Almeida L. C.
Pires (Graduando em História - UFF) Inspirado
pelos ideais do império e pela figura de Augusto, Virgílio elabora aquela que
será conhecida como sua maior obra, a Eneida. A respeito dela, esta comunicação
pretende, portanto, examinar como o mito de fundação de Roma foi relido por
Virgílio no canto VIII de sua gloriosa epopéia e como os conceitos e idéias
do império romano foram introduzidos já neste seu mitológico primórdio. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 2: ESTUDOS LITERÁRIOS
GREGOS: A TRAGÉDIA, A COMÉDIA E A POESIA Coordenador:
Prof. Ms. Guilherme Moerbeck Sala
409, Bl. C —08h às 10h Os qeataiv e o papel do
comediógrafo em Pluto, de Aristófanes Prof.ª Doutoranda Greice
Ferreira Drumond (Letras Clássicas - UFRJ) A fase de transição da
comédia grega caracteriza-se, entre vários aspectos, pela mudança em uma
parte da estrutura do gênero cômico que o distinguia das demais representações
dramáticas - a parábase. Ela era o palco da manifestação
direta dos comediógrafos que foi alterada, diminuindo a interferência do
autor em suas produções e sua relação com os espectadores —os qeataiv, como se pode ver na
peça aristofânica Pluto. Arte
e identidade em Ésquilo e Eurípides Prof. Ms. Guilherme Moerbeck (UNIG - CEIA/UFF) A
presente comunicação tem como principal intuito discutir algumas questões
relativas ao problema da identidade por meio das tragédias gregas. Para tal
intento, utilizar-se-á, comparativamente, algumas obras de Ésquilo e
Eurípides. Outrossim, pretende-se mostrar que as soluções dadas pelos
autores, quando deparados com o mesmo problema, são bastante condizentes com
a geração a qual cada um pertence. Poesia
e Conservação Cultural Prof. Rafael Barbosa (UFF) A
arte é para os gregos um dos modos essenciais de expressão da sua cultura.
Valores religiosos, morais, políticos, familiares, entre outros eram levados
ao espírito ouvindo o canto dos poetas. Nisto está a justificativa de chamar
Homero de ”pai dos gregos”. Nesta comunicação procuraremos analisar e
diferenciar o modo como nós compreendemos a literatura e o fazer poético atuais do modo como os gregos antigos compreendiam
essas manifestações do espírito humano. A
paideía
na poesia de Homero na Atenas Clássica Vanessa Ferreira de Sá Codeço (Graduanda em História - UFRJ) Esta
comunicação se propõe a analisar, de forma sucinta, como a Atenas do Período
Clássico (séc. V e IV a.C.) encontrou na poesia de Homero a base de seu
sistema de instrução —paideía
—e de que forma esta poesia foi apropriada para perpassar os valores helênicos/áticos. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 3: ARTE E IDENTIDADE ENTRE
CELTAS E VIKINGS Coordenador:
Prof. Dr. Johnni Langer Sala
201, Bl. C —10h às 12h A
arte celta de La Tène e
seus estilos Erick Carvalho de Mello
(Graduando em História - UFF/CEIA) A
intenção deste trabalho é dissertar sobre os diferentes estilos presentes na
arte celta do Vª século a.C. até a dominação romana, período identificado
como La Tène. Pretendemos
pontuar e exemplificar as classificações da arte leteniana,
tais como os estilos: Waldalgesheim, plástico, das
espadas etc. Neste
sentido, tomaremos por base as antigas classificações e considerações de Paul
Jacobsthal e Paul-Marie Duval,
empreendendo com este estudo a tarefa de identificar os motivos presentes na
arte celta, para entendermos como eles se expressavam e como se relacionavam
com o mundo a sua volta, além de suas influências. Desta forma, tentaremos
compreender como esta visão de mundo se relaciona com a história deste povo
durante sua participação no mundo antigo. O
armamento e a vestimenta dos celtas como uma forma de identidade no final da
Idade do Ferro Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH
- UFF/ CEIA) Um
dos elementos que autores clássicos como Cícero e Diodoro
Sículo utilizaram para identificar os celtas foi
descrever suas armas ou vestimentas. Não raro, essas descrições buscavam
realçar o caráter “não civilizado” dos gauleses. Cícero utilizou o fato dos
celtas vestirem calças como um sinal de barbarismo, juntamente com a prática
de sacrifícios humanos e de falarem uma língua incompreensível, o gaulês. O objetivo deste trabalho é
abordar textos de autores clássicos que relatam acerca do armamento e da
vestimenta dos celtas. Tais relatos demonstram como esses elementos eram
utilizados como uma forma de identificar os celtas em relação aos gregos e
romanos. Articularemos com reconstruções modernas e exemplos iconográficos da
arte celta e do período romano. A
identidade guerreira na arte germânica: do período das migrações à Era Viking (séc. V-XI d.C.) Prof. Dr. Johnni Langer (Pós-doutorando
em História - USP) A
comunicação pretende discutir algumas questões relacionadas à construção da
identidade dos guerreiros germânicos através da análise da arte em geral,
especialmente a criada para fins cotidianos e funerários (adornos pessoais,
estatuetas, pingentes, estelas, moedas, etc).
Abrangendo os germanos continentais do período das migrações até os Vikings da Escandinávia Medieval, a comunicação também
refletirá sobre os usos imagéticos e icônicos para a construção de uma
legitimidade social das categorias (ou classes) que detinham o poder político
e militar no mundo antigo e medieval, sem esquecer as relações religiosas
destas mesmas elaborações artísticas. A
cruz “celta”: arte e identidade religiosa nas ilhas britânicas (séc. V-IX
d.C.) Prof.ª Doutoranda Luciana de
Campos (Letras - UNESP) A
comunicação pretende abordar o significado das cruzes irlandeses,
cognominadas tradicionalmente como “Celtas”, nas ilhas britânicas no período
dos séculos V a IX d.C. Esses monumentos religiosos comumente foram erigidos
dentro de dois grandes eixos temáticos: símbolos e imagens de origem pagã
(advindas da religiosidade pré-cristã) e temas cristãos (especialmente de
narrativas bíblicas). Algumas problemáticas surgem desta constatação: a
sobrevivência de temas paganistas em monumentos
cristãos representou uma técnica de evangelização ou uma simbiose entre as
duas religiosidades, no caso, a perpetuação de elementos culturais do
paganismo mesmo após a conversão? Essa é grande questão de nossa pesquisa —a
arte escultural das cruzes irlandesas representando elementos de identidades
religiosas nas ilhas britânicas. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 4: ESTUDOS SOBRE IDENTIDADE
GREGA Coordenador:
Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Sala
203, Bl. C —10h às 12h Hellas: elementos basais da
identidade do polités clássico no período arcaico Fábio Santos de Goes (História - UNIRIO) Nesta
comunicação, procuramos identificar no período arcaico os elementos basais do
que viria a ser a identidade do polités da Hellas clássica. A prosa de Hesíodo é rica em exemplos
daquelas características que nos acostumamos a associar ao período clássico:
a importância da palavra e da assembléia, a noção de diké ou justiça, a stasis, a
religião - cujos deuses não são senhores absolutos, mas antes criaturas que
dividem com os homens o dom comum da racionalidade e do discernimento entre o
bem e o mal. Como documentação, apoiar-nos-emos nos Erga, e como bibliografia
recorreremos a Pierre Vidal-Naquet, Vernant,
Luciano Cânfora e outros autores. O
épico e o trágico Prof. Mestrando João Luiz Farah Rayol Fontoura (Filosofia
- UFRJ) O
objetivo desta comunicação é apresentar as diferenças entre as noções gregas
de virtude à época homérica e à época trágica. Ao longo do tempo, ocorre na
Grécia um conjunto de mudanças culturais que inclui a redefinição do conceito
de virtude. Não é apenas através da filosofia e da sofística que isso se
opera, mas também a arte trágica reflete essa mudança. Novas utilizações
artísticas dos mesmos antigos elementos mitológicos legitimam ou contestam
culturalmente as mudanças nos conceitos que definem a identidade grega
desejável e a educação que se deve dar aos jovens para que façam jus a ela.
Se comparadas ao alcance de um espetáculo teatral, a filosofia e a sofística
estavam restringidas a relativamente poucos. Como a arte, então, afetava as
pessoas durante este período de mudança da identidade grega? A
dimensão autobiográfica na Grécia Clássica ou buscando uma identidade imortal Prof.ª Dr.ª Marilia Santanna Villar (CAP - UERJ) O Banquete de
Platão revela a importância da busca pela imortalidade no mundo grego. Dois
são os caminhos apontados pelo filósofo para alcançar esse objetivo: os
filhos ou a produção artístico-cultural. Atualmente, vivemos em um mundo em
que tudo passa tão rápido, mas, em meio a essa realidade efêmera, o homem
continua sua busca pelo imortal. No presente trabalho, os escritos
autobiográficos são tidos como uma tentativa importante nessa busca. Se hoje
a autobiografia e os gêneros afins (dos diários aos blogs,
passando por filmes, canções, orkuts) têm um espaço
garantido, seja nas livrarias, na Internet ou nos cinemas, devemos lembrar
que a prática de escrever sobre si mesmo é bastante antiga. Apresento, aqui,
um esboço das origens dos escritos autobiográficos na Antigüidade grega. Para
essa análise, parto de algumas considerações feitas por Monique Trédé-Boulmer em “La Grèce antique a-t-elle connu l’autobiographie
?”, para propor uma reflexão sobre essa “pré-história” de um gênero
literário que, apesar de situado ainda hoje em um campo marginal, desperta
cada vez mais interesse. O
princípio de individuação como suporte do conceito de identidade na cultura
apolínea Prof. Doutorando Renato
Nunes Bittencourt (PPGF - UFRJ) Este
trabalho versa sobre a importância do princípio de individuação no
desenvolvimento cultural da civilização apolínea, conforme as pesquisas de F.
Nietzsche apresentadas ao longo de O
nascimento da Tragédia. O princípio de individuação é o processo de
criação do ser individual como figura delimitada pelas categorias do espaço e
do tempo, circunstância que favorece a distinção precisa entre o “eu” e o
“outro”, ou seja, a compreensão íntima da identidade pessoal. Em decorrência
desses fatores, surgiriam as prédicas apolíneas de “Nada em excesso” e
“Conhece-te a ti mesmo”, pois é a partir da compreensão dos seus próprios
limites individuais que o ser humano se tornaria capaz de agir de maneira
equilibrada em sua vida cotidiana, respeitando, para tanto, a individualidade
alheia e garantindo assim a manutenção da ordem social. Um dos pontos de
relevância de tais reflexões reside no fato de que é a partir da cultura
apolínea que a compreensão da identidade subjetiva do ser humano adquire o
estatuto de importância no desenvolvimento das instituições gregas, de
maneira que a tradição socrático-platônica seria a grande herdeira dos
valores normativos do apolinismo. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 5: VALORES, COSTUMES E
PRÁTICAS SOCIAIS ROMANAS Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Lívia Lindóia Paes Barreto Sala
210, Bl. C —10h às 12h O
riso como forma de crítica social e comportamental nos epigramas de Marcial Prof.ª Dr.ª Arlete José Mota
(ProF.ª Adjunta de Língua e Literatura Latina - UFRJ) O percurso do riso na literatura
latina se estabelece já no período arcaico com as comédias de Plauto e Terêncio. Não se pode
falar sobre o uso de mecanismos do riso na Antiguidade sem citar, por
exemplo, peças dos dois comediógrafos. São nomeados também Horácio e Juvenal,
os expoentes da sátira, gênero literário propriamente latino. Note-se que
Horácio consegue até criar divertidas anedotas que vão servir para veicular
os ideais de Augusto. Quanto ao epigrama,
introduzido na literatura latina por Catulo, tem maior destaque neste gênero
Marcial, que imprimiu características que permanecem até hoje como
definidoras do estilo epigramático: exposição clara e extremamente realista
de comportamentos humanos os mais diversos possíveis e certas notas obscenas
que trouxeram ao poeta de Bílbilis um pesado fardo.
O poeta fala de tudo e de todos. Foi ao mesmo tempo bajulador, amoroso, homem
preocupado com a brevidade da vida (para surpresa de alguns), amante, amigo e
inimigo. Partindo destes conceitos, o presente trabalho
objetiva comentar epigramas selecionados de Marcial, estabelecendo
eixos temáticos que destaquem elementos de crítica social e personagens que
exponhamos vícios e vicissitudes humanos. Os
vícios romanos no tempo de Nero: uma leitura do Satyricon,
de Petrônio Bruna Prudêncio da
Silva (Graduanda em Letras - UFF) Esta
comunicação é produto de nossa pesquisa no projeto de iniciação científica (CNPQ/UFF) orientado pela Prof.ª
Dr.ª. Lívia Lindóia Paes Barreto. Tem por objetivo estudar os costumes
romanos no tempo do imperador Nero. Roma, nesse momento, ainda está sob o
domínio da dinastia Julio Claudiana, que teve seu
apogeu durante o principado de Octauius Augustus.
Todavia uma série de transformações no plano moral e ético faz parte do
cenário cotidiano da urbe. Trata-se
de uma época em que os vícios se fazem presentes, a começar por atitudes dos
próprios imperadores que se distanciam do conceito da antiga uirtus romana tão incentivado por Octauius. Tomaremos como fonte primária de nossos estudos
o Satyricon,
de Petrônio. Destacaremos o triângulo amoroso vivido por Encólpio,
Ascilto e Gitão,
personagens principais do romance, a fim de discutir o caráter transgressor
desses aventureiros e os valores morais e éticos inerente aos mesmos. A
escravidão rural romana no Rerum Rusticarum de Varrão José Ernesto Moura Knust (Graduando em História - UFF / CEIA) A
partir do tratado de Marcus Terêncio Varrão Rerum Rusticarum
pretendo identificar e analisar aspectos importantes das transformações radicais
pelas quais passava a sociedade romana no século I a.C. se refletindo nas
formas de utilização e controle do trabalho escravo rural. A
representação dos valores do homem romano no filme “Gladiador” Maria Lúcia Malheiros Cardoso
(Graduanda em Letras - UFF) O
que é Roma? Essa pergunta tem despertado o interesse de estudiosos de
diversas áreas do conhecimento ao longo de mais de dois mil anos da
civilização ocidental. Em nossos dias, transportada para a tela do cinema,
seduziu milhões de espectadores em todo o mundo. Neste trabalho, procuramos
analisar a representação dos valores do homem romano no filme “Gladiador”,
dirigido por Ridley Scott, que nos apresenta um
interessante confronto de idéias e imagens reveladoras da complexidade da
civilização romana. MINICURSO Sala
401, Bl. C —10h às 12h Tradução
de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de
Paiva (Letras - UFF) Leitura,
tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das
peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento
inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero
da ruptura final. MESA-REDONDA ARTE E IDENTIDADE NO MUNDO GRECO-ROMANO Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel
de Araújo Auditório
218, Bl. C —14h às 16h Pintores
de vasos em Corinto: arte e identidade Prof. Dr. Alexandre Carneiro
Cerqueira Lima (CEIA - UFF) Este
trabalho tem como objetivo compreender certos tipos de esquemas pictóricos
criados pelos pintores que viveram na pólis de Corinto nos séculos VII e VI a. C. Analisaremos,
principalmente, os frisos pintados nos vasos contendo representações de
animais e entidades sobrenaturais. A partir destes frisos, poderemos perceber
a criatividade dos artesãos ao criarem signos que explicitam os espaços da
cultura e da selvageria, as margens, as fronteiras, bem como a própria construção
da identidade do artesão coríntio. Arte
e identidade na Roma republicana: as transformações no horizonte cultural da
aristocracia tardo-republicana Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão
da Rosa (UNIRIO / CEIA - UFF) As
obras de arte são um objeto de pesquisa importante para a análise
historiográfica e os dois últimos séculos da República romana perfazem um
momento de mudanças vertiginosas nas artes em geral, e na literatura em
particular. Pouco antes de Cícero, por exemplo, a produção literária em latim
era incipiente, consistindo basicamente de traduções ou adaptações da poesia
épica e do drama gregos e algumas tentativas pioneiras de criação de uma
literatura latina. Em fins do século I a.C, podemos falar da existência de
uma literatura em língua latina já consolidada e com características
particulares e o mesmo podemos dizer, em maior ou menor grau, em relação às
artes plásticas. Pretendemos analisar alguns passos fundamentais no processo
de ampla transformação cultural ocorrido em fins da República, destacando o
papel do ethos
competitivo da aristocracia romana como catalisador deste processo. Cidadania
e escravidão no mundo romano: uma discussão sobre identidade no romance grego
O Asno de Ouro de Apuleio Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo (CEIA - UFF) Nesta
comunicação, pretendo analisar a identidade romana como sinônimo de
cidadania, em contraste com o não-ser do escravo neste contexto. Identifico a
cidadania com o direito a ter família, bens, escravos, assim como possuir
valores caros àquela sociedade, como pudor e integridade do corpo,
impossibilidades em relação ao escravo no mundo greco-romano. Para dar conta
deste escopo, analiso algumas passagens deste romance grego, caracterizando este tipo de arte, especialmente as
constantes no Livro XI, 14-20. Ser
cristão no Império Romano nos séculos IV e V: a construção de uma fronteira Prof.ª Doutoranda Márcia
Santos Lemos (UESB / PPGH - UFF) Objetiva-se,
com esta comunicação, colocar em foco a afirmação da identidade cristã no
Império Romano dos séculos IV e V. Com este fito, num primeiro momento,
abordamos o processo de conversão ao cristianismo. Em seguida, discutimos
como a historiografia eclesiástica ajudou a forjar um sentimento de unidade
entre os seguidores de Cristo. Enfim, analisamos como Agostinho de Hipona, ao refutar as práticas pagãs, consideradas
inconciliáveis com a nova fé, forneceu importantes elementos para a
construção de uma fronteira que deveria separar o cristão do “ímpio”. Para
tanto, utilizamos como documentação duas fontes em especial, a História
Eclesiástica e a Cidade de Deus. CONFERÊNCIA Auditório
218, Bl. C —16h às 18h Pelas
ruas de Alexandria... um passeio por um Egito que se expressa em grego Prof.ª Dr.ª Fernanda Lemos
de Lima (UERJ/FGV/UNIRIO) Pretendemos
apresentar os resultados dos estudos desenvolvidos no Farol de Alexandria,
núcleo de estudos que, há três anos, no Instituto de Letras da UERJ, vem
desenvolvendo estudos em torno do mundo Egípcio sob dominação da estirpe dos Ptolomeus, buscando compreender, através da leitura e
tradução de textos literários do período —como Calímaco,
Herondas, Teócrito —, o
fabuloso encontro de culturas tão múltiplas da Antiguidade. Para
tanto, é preciso compreender a política do período, que atrai para a grande
Alexandria estudiosos para seu Museu, que difunde o culto da divindade fruto
do sincretismo egípcio-grego —Serápis —, e na qual
vemos surgir figuras de reis e rainhas, cujos nomes soam gregos, mas cujas
representações diversas os mostram de modo egípcio. É preciso entender a
razão de vermos Berenice trajada de Isis, de encontrarmos personagens
contando as maravilhas do Egito, a terra rica em ouro,
sábios e deuses. Os
caminhos que percorremos pelas ruas de Alexandria acabaram por nos levar para
outras estradas, a fim de oferecermos os resultados de nossos trabalhos a
todos interessados, através da internet. Para
nos acompanhar nesse breve relato sobre uma viagem que se inicia nos textos
da Antiguidade e chega a web, convidamos todos aqueles que já foram tocados pelo
impulso do conhecer. MINICURSOS Mito
e razão: perspectivas de análise e interpretação Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF) Sala
411, Bl. C —18h às 20h O
minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de
abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente,
desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia
antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes
estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas.
Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell. 1. O mito como narrativa
exemplar; 2. O mito como deformação
do real; 3. O mito como
racionalização primitiva; 4. O mito como ”ipso alter”; 5. Possibilidades
estratégicas do uso das diferentes leituras. O
papel dos druidas na sociedade celta pré-romana Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH
- UFF/ CEIA) Sala
205, Bl. C —18h às 20h O objetivo deste minicurso é
abordar o papel dos druidas na Gália e na Britânia
pré-romanas. Nas últimas décadas, vários sítios arqueológicos foram
descobertos na França; tais descobertas permitiram elaborar novas
articulações com as fontes clássicas. Não devemos ver os druidas como um
grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam
presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As
novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas
eram de ordem religiosa e político-judiciária.
Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos
druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia.
As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para
articularmos nossa pesquisa. Abordaremos
no curso nos seguintes pontos: 1. As funções dos druidas
nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca
Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas; 2. A pesquisa
arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários
descobertos em solo francês; 3. O papel dos druidas
nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o
período dos oppida e os contatos com Roma; 4. O aporte das fontes
literárias irlandesas. Direito
e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF) Sala
316, Bl. C —20h às 22h Este
minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes
primárias: a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e
da coleção B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon
de Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b)
”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas
alexandrinas e iconografia funerária. Através
desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas
ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais
importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de
origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”. Às
supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a
metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal
documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens
culturais romanos no Egito de então. 1. Direito no Egito
romano; 2. Religião no Egito
romano; 3. Aplicação da
metodologia às fontes primárias (estudo dirigido). * * *
QUARTA-FEIRA, 23 DE
MAIO DE 2007 SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 6: POLÍTICA E RELIGIÃO NO
ORIENTE PRÓXIMO Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira Sala
409, Bl. C —08h às 10h A
realeza: o aspecto divino nas sociedades antigas Jadir Félix da Silva Junior
(Graduando em Letras Português/ Hebraico - UFRJ) Nas
sociedades arcaicas, religião e política estavam entrelaçadas e ambas
co-existiam, até certo nível, em uma simbiose harmônica. Há relatos onde reis
se portavam como sacerdotes e sacerdotes exerciam a autoridade dos reis. Baseando-nos em algumas pesquisas
históricas anteriores, constatamos que essas sociedades compunham um mundo
mítico onde deuses e feitos grandiosos afloravam constantemente. O mundo
físico influenciava no mundo espiritual. Tomando tais conhecimentos
históricos por ponto de partida para a pesquisa, propomo-nos expor o quadro
histórico-social onde os grandes reis assumiam estatutos divinos. Tomamos por
exemplos o Egito e a Babilônia. No primeiro, os faraós são as representações
carnais de Hórus e no segundo exemplo, babilônico/persa, os imperadores se afirmaram como deuses-reis. Analisar-se-á em contrapartida a realidade da
nação de Israel onde a monarquia vai ser um regime de governo posterior,
substituindo uma teocracia sacerdotal. A
monarquia divina no antigo Egito: um exame de dois textos (século XIX e
século XVI a.C) Marco Antonio Ferreira
Coelho Mazzillo (Graduando em História - UFF/ CEIA) Nesta
comunicação pretendo analisar a importância da ideologia da Monarquia divina
na construção do Estado faraônico examinando dois textos. O primeiro exemplo
são as estelas erigidas sob o reinado de Kamés, no templo de Amon-Ra, em
Karnak. Elas ilustram a reafirmação da monarquia
divina enfraquecida pelo domínio estrangeiro. O segundo exemplo é a segunda estela de Semna que esta
relacionada à política externa desenvolvida durante o reinado do faraó Senusret III na Núbia. Para tanto será aplicado o
conceito de ideologia orgânica formulada pelo marxista italiano Antonio
Gramsci. Na religião egípcia a ideologia orgânica é a
base da monarquia divina. Esta comunicação é fruto da pesquisa financiada
pelo CNPQ. A
história profética de Israel no tempo do Exílio (587-539) na visão de John Bright Maria Alice Biscaro de Bakker (Mestranda em
Teologia Bíblica AT - PUC) Esse
trabalho tem como objetivo fazer um retrato da fé de Israel como força
socialmente determinadora em sua identidade histórica. A
destruição de Jerusalém e o exílio marcam a grande linha divisória da
história de Israel. De um golpe sua existência nacional terminou e, com ela
todas as instituições: nunca mais Israel seria recriado da mesma forma. Com o
Estado destruído, chegara ao fim a antiga comunidade
do culto nacional. Apesar de tudo Israel sobreviveu à calamidade, mas,
formando uma nova comunidade das ruínas da antiga, retomou a vida como povo.
Sua religião fortalecida encontrará aos poucos a direção que deveria tomar
nos séculos futuros. No exílio e depois do exílio nasceu o Judaísmo. Para Bright
essa é uma tarefa difícil escrever a historia de Israel neste período. As
fontes bíblicas são inadequadas. Sobre o exílio propriamente dito, a Bíblia
não nos diz virtualmente nada, a não ser o que se pode aprender indiretamente
com os escritos proféticos e outros escritos da época. Poder
central e poderes locais no Egito antigo: uma comparação entre as
autobiografias de Weni e Ankhtifi
de Mo´alla Prof.ª Mestranda Maria
Thereza David João (PPGH - UFF/ CEIA) Várias
teorias se destinam a explicar o fim do Reino Antigo (2686 - 2160 a.C.) no
Egito. Uma delas atribui como causa, dentre outros fatores, o excesso de
independência conquistado pelos encarregados da administração provincial, os nomarcas, frente ao poder central. O enfraquecimento do
Estado faraônico - verificado especialmente após a VI dinastia —permitiu que
estes funcionários agissem como pequenos reis locais, desempenhando funções
outrora exclusivas do monarca. Através de duas autobiografias —a de Weni, datada do Reino Antigo, e a de Ankhtifi,
datada de um momento imediatamente posterior, o Primeiro Período
Intermediário —procurar-se-á analisar algumas nuanças das relações entre
poder central e poderes locais, com ênfase para as transformações ocorridas
no período em tela. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 7: AMOR E RELAÇÕES
INTERPESSOAIS NO MUNDO ANTIGO Coordenador:
Prof.ª Katia Teonia Costa de Azevedo Sala
305, Bl. C —08h às 10h O
Banquete e construção do discurso do amor na relação mestre e discípulo Flavia Helena Ferreira
da Silva (UNESA) A
partir do Banquete faremos uma
abordagem sobre a questão do amor, tendo como base as idéias platônicas sobre
este assunto. A nossa análise tomará como base o que o amor representava para
a sociedade grega, enfocando a relação entre o mestre filósofo e os seus
discípulos. Além disso, será analisado até que ponto o modelo grego
influenciou a sociedade ocidental contemporânea na construção do discurso e
da visão do que é o amor conforme entendemos atualmente. Relações
de gênero em Catulo Prof.ª Katia
Teonia Costa de Azevedo (Letras - UFF/UFRJ) A
literatura latina nos deixou importantes referências às práticas entre pessoas
do mesmo sexo, tais menções perpassam vários gêneros literários e apresentam
inúmeros enfoques. O presente trabalho tem por
objetivo observar as relações de gênero tomando como base alguns poemas de
Catulo, que nos oferecem subsídios importantes para nosso estudo por
apresentar múltiplas abordagens sobre o assunto, pois ora percebemos um tom
mais lírico, ora um tom jocoso. A
arte, a identidade sexual e a homossexualidade nos povos do Crescente Fértil
na Idade do Bronze e do Ferro Prof. Mestrando Sérgio
Aguiar Montalvão (Letras - FFLCH / USP) A
homossexualidade mesmo sendo tão antiga quanto a própria humanidade, não era
conhecida por este termo; porém, era compreendida como relacionamento sexual
com pessoas do mesmo sexo. O trabalho tem como objetivo apresentar as noções
e conceitos de sexualidade e de homossexualidade que os povos da Região do
Crescente Fértil (Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Hititas,
Cananeus e Israelitas) tinham e como era
desenvolvida por tais povos através dos relatos e do desenvolvimento
artístico dos povos da região naquele contexto, como a arte vinculada à
sexualidade e a homossexualidade, os termos que eram designados para nomear
aqueles que praticavam tais atos, a sua identidade sexual (mulheres
masculinizadas, homens afeminados), social e religiosa
(sacerdotes-prostitutos cultuais); relatos de mitos e leis que fazem alusão a homossexualidade no período delimitado, trazendo uma
visão comparativa sobre o desenvolvimento do modo de como tais povos pensavam
sobre o que chamamos hoje de homossexualidade. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 8: RELAÇÕES COM A RELIGIÃO
E O DIVINO NA SOCIEDADE GREGA Coordenador:
Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Sala
210, Bl. C —08h às 10h Os
aedos
e a religião grega arcaica (séc. VIII a VI a.C.) Prof. Mestrando Alexandre
Santos de Moraes (PPGHC - UFRJ) Considerando
as principais abordagens da historiografia contemporânea, nossa comunicação
pretende debater a inserção dos aedos nas práticas religiosas da Grécia antiga entre os
séculos VIII e VI a.C.. Interações
religiosas Felipe Hollanda Cavalcanti Velloso (Graduando em História -
UFRJ) A
comunicação tem como problemática central o estudo das diversas formas
religiosas em vigor na Grécia em seus períodos arcaico, clássico e
helenístico, mais especificamente a comparação entre as cosmogonias, teogonias e antropogonias de
diversas seitas que atuavam em contraste com a religião cívica tradicional da pólis. Este
trabalho tem como base os textos de Hesíodo (a teogonia),
assim como a documentação textual que envolve as teogonias
rapsódicas, órficas e até
pitagóricas, visando observar a relação entre as
mesmas e o espaço que ocupavam socialmente. Esse tipo de estudo serve para a
construção de uma imagem religiosa grega ainda mais pluralizada, contribuindo
igualmente para a compreensão do sincretismo religioso e a forma de como é
construída uma identidade religiosa. Desta forma, esta pesquisa acaba por
trabalhar um aspecto pouco visto dentro do politeísmo helênico, a dimensão
das funções soteriológicas e escatológicas,
geralmente negligenciado em vista de sua função cívica. Apologia
platônica: quando prática filosófica e desígnios divinos se encontram Gabriel Moraes Dias de Souza
(Graduando em Letras Português/ Grego - UFF) Na
Apologia platônica, Sócrates admite estarem suas práticas filosóficas sob
desígnios divinos. Se formos, no entanto, cuidadosos neste ponto, seremos
levados a este questionamento: como pode a perspicácia intuitiva socrática
ser convertida em saber? A tal questão tentaremos, com esta comunicação,
responder. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 9: ESTUDOS
JUDAICO-CRISTÃOS: HISTÓRIA E FONTES LITERÁRIAS Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira Sala
409, Bl. C —10h às 12h Bíblia
hebraica - manifestação de arte e identidade. Aspectos característicos da
poética hebraica bíblica Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa
Prata Ferreira (FL/UFRJ e PPGHC/IFCS/UFRJ) Compreendemos a construção e formação
da identidade e memória no Judaísmo tendo como base o texto bíblico. Cabe
ressaltar que a Bíblia Hebraica (Tanach) constitui a pedra fundamental da cultura, do
pensamento e da prática judaica, e toda a literatura judaica subseqüente
consiste, em grande escala, em comentários a seu respeito. Apresentação de
aspectos característicos da poética hebraica bíblica. Longe de esgotarmos todas as possibilidades
poéticas e em particular dos antropomorfismos e antropopatismos
bíblicos, entendemos que se faz necessário resgatar o sentido original do
texto, respeitando as especificidades não apenas da língua hebraica, mas de
uma maneira muito particular de pensar o mundo e o religioso que
caracterizavam a mentalidade do homem bíblico. A
memória da infância de Jesus de Nazaré no Evangelho da Infância, de Tomé Diádiney Helena de Almeida
(História - UFRJ) Partindo
do pressuposto que as origens de Jesus de Nazaré foram reconstruídas à luz
dos aspectos “maravilhosos” da sua vida pública, pode-se observar que o Evangelho
da Infância, de Tomé reproduz a memória de um grupo cristão específico que
viveu nos primeiros séculos da Era Cristã. Além de querer demonstrar as
habilidades mágicas do Jesus menino, e portanto de
seu poder, este escrito tem por objetivo definir a identidade de Jesus.
Assim, a cristologia também é um elemento
importante que perpassa pelas histórias que são narradas por este evangelho.
Os cristãos do século II que transmitiram essas histórias oralmente sabiam
que elas remeteriam também às histórias conhecidas sobre o ministério de
Jesus. E assim elas fariam sentido para quem as ouvisse. Tais histórias podem
soar estranhas para um cristão moderno, mas para círculos cristãos gnósticos da época eram muito pertinentes, faziam sentido. Privilégios
divinos: um estudo comparativo acerca das relações com o
divino presentes nas Lâminas Áureas e nos escritos da comunidade judaica de Qumran Prof.ª Mestranda Lolita Guimarães Guerra (PPGHC - UFRJ) As
relações entre o cristianismo e o “orfismo”
inspiraram comparações as quais, freqüentemente, tomaram o tema da
ressurreição como fator comum. Contudo, um traço marcante da documentação órfico-dionisíaca como a experiência de um vínculo com o
divino enquanto garantia de uma pós-morte privilegiado, encontra-se tanto no
cristianismo primitivo quanto nos hinos de Qumran
(s. II a.E.C.-I E.C.). Assim como nas Lâminas Áureas (s. V-II a.E.C.) o
morto lança mão de seu vínculo com os deuses a fim de garantir um tratamento
especial no Hades, os membros da comunidade de Qumran afirmavam ter sido livrados do Abismo por seu
senhor. Analogias como estas indicam a necessidade de expandir as comparações
entre o orfismo e o cristianismo a outras
manifestações religiosas presentes em comunidades judaicas e ambientes
helenizados. O
perfeito combatente: identidade social em contexto de guerra santa Prof. Dr. Valtair Afonso Miranda (Ciências da Religião -
Universidade Metodista de São Paulo) O
Rolo da Guerra é parte de um importante
grupo de escritos encontrados na gruta 1 de Qumran.
Datado de cerca de 164 a.C., de origem judaica, contém o relato de uma guerra
escatológica entre o grupo sectário a ele subjacente e o restante da
humanidade. Percebe-se, entretanto, que apesar da nota tão peculiar de
orientar uma guerra que se daria no final dos tempos, o rolo é, como outros
livros de grupos judaicos da época, um documento de definição de limites
sociais. Ele procura descrever a identidade da seita, mesmo projetando-a para
um grupo de futuros combatentes. Isso faz com que muito mais do que uma
descrição do futuro combate, ele seja uma prescrição do perfeito combatente,
fornecendo, então, elementos para a definição de identidade social de um
grupo sectário em contexto de guerra religiosa. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 10: MILITARISMO, GUERRA E
IDENTIDADE NA ROMA ANTIGA Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa Sala
214, Bl. C —10h às 12h A
identidade patriótica romana nas Odes de Horácio Prof.ª Ana Thereza Basilio Vieira (Professora Adjunta de Língua e Literatura
Latina - UFRJ) O
Império Romano, após um período de guerras e lutas civis, passa às mãos de
Augusto, no século I d.C., quando advém a chamada pax romana. Nessa época, um grande caráter patriótico e um forte
sentimento de nacionalidade pairam sobre Roma. A sensação de paz e de alívio
renova as esperanças do povo romano, resgatando antigos costumes já
abandonados, como os casamentos, a contenção do luxo excessivo, a política de
solução pacífica e a reorganização das fronteiras no Ocidente. Horácio,
vívido poeta deste período, mostra em algumas de suas Odes a nova ordem política e social, desencadeada por Augusto.
Este trabalho pretende apresentar as reflexões de Horácio sobre o epicurismo
e o estoicismo, que propiciam uma vida de equilíbrio e de serenidade diante
das adversidades e da própria morte, e os anseios de paz e de esperança que
levam à concórdia. “A
arte militar”: discurso de poder e alteridade Leandro Alves Felício
(Graduando em História - UFRJ) O
objetivo de nossa comunicação é demonstrar como em um manual militar se
apresentam as inúmeras formas de discurso que vão
formar a linguagem ideológica impulsionadora de uma postura exemplar para um
corpo de militares (Legiões) na antiguidade romana, e como possíveis
contradições são estabelecidas à medida que se busca inspiração em formações
militares de outrora, numa tentativa de resgate a velhas tradições. Nesta
comunicação através do cruzamento de documentação de cultura material e
textual (na textual através de análise temática) procurarei demonstrar sua
relação na formação do discurso mencionado. O
assassinato de César em Plutarco e Suetônio Márcio Mendes de Lima
(Graduando em História - UFF/ CEIA) A
Guerra Civil e, dentro dela, o assassinato de Caio Julio César, foram eventos
de fundamental importância para a sociedade romana. Pretendemos com esta
comunicação analisar o assassinato de César através das obras Vida de Bruto e Vida de César, de Plutarco, e a biografia de Júlio César escrita
por Suetônio em Vidas
dos Doze Césares. Arminius/Hermann: uma leitura da
batalha de Teutoburgo Otto Carlos Barreto
Neto (Graduando em História - UNIRIO) A
batalha de Teutoburgo representa para Roma, no
século de Augusto, um duro golpe na força militar na região da Germânia. A
emboscada foi planejada e executada por Arminius,
líder da tribo germânica dos Cheruscos, onde Roma
perde três legiões inteiras. A batalha afastou a administração romana das
tribos a oeste da Germânia. A imagem de Arminius
foi resgatada nos últimos séculos por nacionalistas alemães, o rebatizando
com seu suposto nome Hermann. Nesta linha pretendo
detalhar uma análise de identidade em uma região extremamente fragmentada por
diversas tribos de costumes semelhantes que conviveram por muito tempo com a
influência de Roma, quais as conseqüências do imperialismo romano no
cotidiano de povos nômades e o contexto para que séculos depois um líder tribal
seja resgatado para simbolizar uma cultura germânica. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 11: ESTUDOS LITERÁRIOS
GREGOS: HERÓDOTO E HOMERO Coordenador:
Prof.ª Ms. Valéria Carneiro dos Reis Sala
205, Bl. C —10h às 12h Líbia
e Etiópia: aspectos humanos e geográficos Cristiano Bispo (NEA/UERJ) A
presente comunicação visa apresentar a diversidade humana e geográfica do
continente africano na obra “História” de Heródoto. Em suas narrativas
encontramos elementos singulares que contribuem para a construção de novas
perspectivas sobre a historiografia africana. As
mortes de Dólon e Reso: a
astúcia em Ilíada X Lilian Amadei
Sais (Graduanda em Letras Português/Grego - USP) Esta
comunicação pretende comentar o décimo canto iliádico,
conhecido como “Dolonéia”, a partir do conceito
arcaico de astúcia (mêtis)
que vigorava entre os gregos. Os
Oráculos na obra de Heródoto Prof.ª Ms. Valéria Carneiro
dos Reis (UNESA / CEIA - UFF) A
linguagem do Oráculo de Delfos consiste no ponto de vista divino o qual
abarca uma compreensão totalizante do tempo e do
espaço, da origem e da condição humana. O oráculo conserva para si a
compreensão total não só do plano das ações humanas, mas também da ordem que
transpassa o homem, deixando a este somente a visão de uma ordem em constante
mudança. No
sistema de ascensão e queda dos homens, K.H. Waters
propõe pelo menos dois níveis de causalidade para a perda humana os quais mostrar-se-iam na estrutura metafórica dos oráculos e atrelados
ao seu sistema de oposição e de complementaridade, proposto
por Jean-Pierre Vernant, quando estes, ao serem proclamados, apontariam para
a ordem em curso das ações de motivação humana, e para a ordem imutável,
sobre-humana e predeterminada. MINICURSO Sala
411, Bl. C —10h às 12h Tradução
de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de
Paiva (Letras - UFF) Leitura,
tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das
peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento
inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero
da ruptura final. MESA-REDONDA ARTE E IDENTIDADE NAS ELEGIAS GREGA E ROMANA Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Ana Lucia Silveira Cerqueira Auditório
218, Bl. C —14h às 16h A
elegia grega arcaica Prof.ª Dr.ª Glória Braga Onelley (UFRJ / CEIA - UFF) No presente trabalho, serão apresentadas
considerações essenciais acerca da elegia grega arcaica, com base na
teorização de Martin West. Desta modalidade poética
destacar-se-ão alguns de seus principais cultores, de cujos fragmentos será
feita uma análise crítico-literária, privilegiando-se,
nesta parte do trabalho, os versos dos poetas Sólon e Teógnis
de Mégara, com o objetivo de destacar-lhes os
pontos de identidade e de divergência no tocante à atuação política dos
cidadãos de Atenas e de Mégara e ao destino das
referidas póleis. A
arte da elegia Alexandrina Prof.ª Dr.ª Shirley Fátima
Gomes de A. Peçanha (UFRJ) Propõe-se neste trabalho tecer
comentários a respeito da elegia alexandrina, com
base em versos de seu principal representante: Calímaco
de Cirene. A fim de melhor compreender os
princípios estético-literários da elegia alexandrina,
faz-se necessária a apresentação de comentários
acerca do contexto político-social em que grassou esta variedade poética.
Para ilustrar a nova roupagem elegíaca, será analisado o fragmento 75 do
poeta Calímaco, que contém a famosa história de
amor de Acôntio e Cidipa. Arte
e identidade na elegia romana Prof.ª Dr.ª Ana Lucia
Silveira Cerqueira (UFF) A pesquisa reflete sobre a questão
da originalidade da elegia latina e lança um olhar especial sobre a pintura
das identidades das musas criadas pelos seus cultores em Roma: idealização e
realidade. CONFERÊNCIA Auditório
218, Bl. C —16h às 18h Tirocinium fori: O orador e a criação de “homens” no Forum Romanum Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da
Rosa (UNIRIO / CEIA - UFF) O
Forum Romanum era
o locus
por excelência do estabelecimento do significado cultural de gênero na Roma
Antiga. Uma parte do Forum
era um espaço ordenado para a realização e desenvolvimento dos negócios
“masculinos”: os discursos políticos, o recenseamento dos cidadãos, os
tribunais, ali tinham seu lugar. Os negócios “femininos”, por sua vez, tinham
seu espaço próprio, em torno do Forum Boarium, perto do templo da Mater Matuta, e os rituais femininos mais importantes eram realizados
fora do Forum
Romanum,
com a nada surpreendente exceção do Templo de Vesta.
Todo ano, no dia da Liberalia,
os adolescentes romanos de “boa família” eram levados por seus pais ou
tutores ao Forum,
para se submeterem a uma espécie de “rito de passagem” que, se satisfeitas as
suas exigências, lhes garantia a toga virilis. O tirocinium fori (recrutamento para o Forum), que coroava os ritos da
Liberalia,
era paralelo ao tirocinium
militae.
Tais rituais criavam o corpo masculino do cidadão romano em seu lugar, seu
vestuário e seu comportamento. Um importante fator para o bom sucesso dos
jovens nos rituais “que incluíam inspeções físicas” era a formação retórica.
A oratória era apropriada aos homens, distinguindo-os das mulheres, de quem
era esperada a castidade em benefício de sua família e, por conseguinte, o
silêncio. Tendo como ponto de partida um caso particular, revelado por Cícero
no Pro Caelio, analisaremos alguns
elementos dos ritos deste Festival. Cícero nos relata como era estruturado o tirocinium fori, que
incluía tanto os dons oratórios do jovem quanto o poder de atração sexual do
adolescente. O belo adolescente Célio foi passado de homem a homem em sua
formação: de seu pai a Cícero, de Cícero a Crasso, homens de grande destaque
na vida pública romana. O ensino, o treinamento retórico e o vínculo sexual
(velado na documentação) se aliavam na formação do homem público. Seu
aprendizado envolveu os fortes laços de hierarquia entre seniors
e juniores, que davam solidez à amicitia aristocrática, ilustrando
o princípio consolidado, mais tarde, por Sêneca (Ep.
114.1): talis oratio qualis vitae. O Forum era o locus do bom
orador e do bom cidadão, criando a identidade do vir bonus. MINICURSOS Mito
e razão: perspectivas de análise e interpretação Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF) Sala
411, Bl. C —18h às 20h O
minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de
abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente,
desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia
antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes
estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas.
Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell. 1. O mito como narrativa
exemplar; 2. O mito como deformação
do real; 3. O mito como
racionalização primitiva; 4. O mito como ”ipso alter”; 5. Possibilidades
estratégicas do uso das diferentes leituras. O
papel dos druidas na sociedade celta pré-romana Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH
- UFF/ CEIA) Sala
407, Bl. C —18h às 20h O objetivo deste minicurso é abordar
o papel dos druidas na Gália e na Britânia
pré-romanas. Nas últimas
décadas, vários sítios arqueológicos foram descobertos na
França; tais descobertas permitiram elaborar novas articulações comas fontes
clássicas. Não devemos ver os druidas como um
grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam
presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As
novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas
eram de ordem religiosa e político-judiciária.
Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos
druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia.
As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para
articularmos nossa pesquisa. Abordaremos
no curso nos seguintes pontos: 1. As funções dos druidas
nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca
Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas; 2. A pesquisa
arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários
descobertos em solo francês; 3. O papel dos druidas
nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o
período dos oppida e os contatos com Roma; 4. O aporte das fontes
literárias irlandesas. Direito
e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF) Sala
407, Bl. C —20h às 22h Este
minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes primárias:
a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e da coleção
B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon de
Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b)
”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas
alexandrinas e iconografia funerária. Através
desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas
ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais
importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de
origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”. Às
supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a
metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal
documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens
culturais romanos no Egito de então. 1. Direito no Egito
romano; 2. Religião no Egito
romano; 3. Aplicação da
metodologia às fontes primárias (estudo dirigido). * * *
QUINTA-FEIRA, 24 DE
MAIO DE 2007 SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 12: MORTE E RITOS FUNERÁRIOS
NO MUNDO ANTIGO Coordenadora:
Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel
de Araújo Sala
409, Bl. C —08h às 10h A
morte dos guerreiros anônimos: uma análise dos ritos funerários na Ilíada Carmen Lucia Martins Sabino
(Graduanda em História - UFRJ/ LHIA) Era
essencial para um grego antigo obter uma sepultura. Assim, é necessário
salientar a importância do ato pelo qual se pretende recolher todos os
cadáveres possíveis dos guerreiros caídos em batalha, primeiro para que não
fossem ultrajados pelo inimigo e, segundo, para que se pudesse dar um funeral
digno ao morto. Certamente os heróis mortos recebiam as honras devidas, de
forma muito diferente dos mortos comuns, mas o que a Ilíada nos diz acerca das muitas mortes anônimas em combate? O
objetivo desta comunicação é analisar o aspecto cerimonial dos funerais dos
guerreiros aqueus e troianos, e para isso, utilizaremos como documentação o
Canto VII da Ilíada, de Homero. Dioniso:
a vida indestrutível através da morte Prof.ª Doutoranda Cristiane
Almeida de Azevedo (Ciência da Religião - UFJF) Entre
os deuses do panteão grego, Dioniso representa de forma mais definitiva a zoé, a vida
sem limitações, sem possibilidade de ser aniquilada. Como seu contraponto e,
ao mesmo tempo, complemento, surge também a morte. Paradoxalmente, vida e
morte se apresentam em Dioniso, o deus que morre para se mostrar
indestrutível, para mostrar que, como ele, a vida é também indestrutível e
poderosa. Nessa dinâmica, a vida surge da morte e a morte surge da vida, numa
repetição infinita. Esse trabalho pretende pensar o culto e o mito de Dioniso
como fundamentais para a religião grega antiga, afinal Dioniso representa a
possibilidade de brindar aquilo que é divino na vida, ou seja, a própria vida. Dos
templos e casas para as tumbas: o embalsamamento de gatos no antigo Egito Prof. Ms. Moacir Elias
Santos (UNIANDRADE / CEIA-UFF) Este
estudo tem por finalidade retomar uma pesquisa sobre o culto aos animais no antigo
Egito, em especial às práticas de embalsamamento e os rituais a eles
relacionados. Entre as inúmeras espécies da fauna associadas com as
divindades, o gato, símbolo de Bastet, será o foco
principal da presente comunicação. Domesticado pelos egípcios, este felino
tornou-se companhia e proteção das residências mas,
ao mesmo tempo, passou a representar uma espécie de “hipóstase” de Bastet. Para essa divindade inúmeros templos e monumentos
foram erigidos e milhares de gatos foram criados, mortos e mumificados. A
partir de um corpus documental, que
inclui tanto fontes primárias, como os gatos mumificados e ataúdes felideomorfos da coleção do Museu Nacional, bem como os
dados secundários, obtido por meio de outros pesquisadores,
serão apontados e contextualizados os diferentes motivos para a realização da
mumificação deste felino. Alimentos
para a eternidade: as oferendas funerárias em estelas
do Reino Médio Simone Girardi da Silva (Graduanda em História - UNIANDRADE) No
antigo Egito o significado dos alimentos ultrapassou a barreira da
sobrevivência material. Os egípcios acreditavam que, no além-túmulo,
repetiriam a sua existência num mundo perfeito governado por Osíris, mas para
assegurar esta nova vida, oferendas de diversos víveres seriam necessárias
para a manutenção do ka (energia
vital). Esse processo tanto era feito por meio das próprias oferendas
colocadas in natura nas capelas
funerárias, quanto por meio de representações esculpidas ou pintadas. Nesta
comunicação, buscaremos mostrar qual era o significado dos diversos alimentos
contidos em um tipo especial de monumento: as estelas
funerárias. Para tanto, escolhemos como fonte de pesquisa a iconografia e as
inscrições presentes nas estelas do Reino Médio
(2040 - 1640 a.C.). Nossa metodologia de análise consiste na descrição da
cena, na identificação das oferendas, dos nomes e títulos das personagens que
as acompanham. Com os dados obtidos até o momento, sintetizados em dois tipos
de gráficos, espera-se esclarecer alguns aspectos da relação dos egípcios com
a alimentação e as práticas funerárias. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 13: ROMA E OS OUTROS Coordenador:
Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco Sala
214, Bl. C —08h às 10h Romanização
na Britannia
Romana: o circus da colonia de Camulodunum Prof. Mestrando Bernardo
Luiz Martins Milazzo (PPGH - UFF/ CEIA) Por
todo o território imperial encontramos marcos do poder romano na paisagem.
Entre uma das formas de demonstrar esse poder, os romanos ergueram construções
magníficas, entre elas os circus. Essencialmente eles eram locais para corridas de
carros puxados por cavalos, locais para o entretenimento, mas também locais
da manifestação da romanitas.
Seguindo essa perspectiva, trataremos dos recentes e importantes achados
arqueológicos que levam à confirmação da existência de um circus na antiga cidade romana
de Camulodunum (Colchester),
na Britannia
Romana e sua relação com as estratégias de Romanização na ilha. Roma
e o oriente: as dificuldades de romanização da Palestina Jorwan Gama da Costa Junior
(História - UNIRIO) Passado
o período de tomada da cidade de Jerusalém, os romanos tentaram impor sua
hegemonia em uma região onde a religião era o elemento chave para o sentimento
de pertencimento de grupo que unia os judeus. Apresentava-se aos romanos uma
grande dificuldade, como conseguir romanizar uma região que já possuía uma
identidade própria bem estabelecida? Um grande obstáculo para os romanos
seria o fato dos judeus possuírem uma memória comum sobre o passado. Afinal,
eles já tinham lutado, por exemplo, pela libertação do domínio selêucida. Em suma, a dificuldade em romanizar a região,
em incutir nos judeus uma cultura romana, levou a uma dificuldade em
controlar a Palestina. Visões
de identidade entre dois grandes impérios da antigüidade: chineses e romanos Marcelo Senna Miranda
(Graduando em História - UNIRIO) Durante o período da Dinastia Han (206 a.C —221 d.C), a China
expande seus territórios e sua influência através do, até então, desconhecido
Ocidente. Através da Rota da Seda,
a China e o Império Romano vieram a ter conhecimento um do outro, ainda que
por via indireta, através de relatos de outros povos que intermediaram sua
relação. Tal conhecimento não chegou a se tornar substantivo o suficiente
para que cada qual pudesse ter um perfil fidedigno da identidade
sócio-cultural do outro. Esta comunicação tem como objetivo analisar relatos
contidos em registros escritos daquele período histórico, nos quais podem-se
comprovar: (i) o tipo de conceito que cada um destes dois povos veio a
formular a respeito do outro, e; (ii) as
incongruências entre os conceitos formulados e a identidade objetiva de cada
um deles. As
moedas de Arse-Sagunto: vestígios das interações
entre Roma e Sagunto Vanessa Vieira de Lima
(Graduanda em História - UNIRIO) A
comunicação em questão busca analisar as diferentes relações existentes entre
Roma e a cidade de Arse-Sagunto, situada na Hispania Citerior, em fins do
século III e meados do século II a.C. A escolha de tal cidade é singular,
pois a mesma inicia a expansão romana nesta província e, ainda, está situada
em uma posição estratégica política e economicamente. Assim, a fim de
elucidar as práticas imperialistas romanas e o processo de romanização e de
resistência, elegeu-se um corpus
documental composto por moedas. Isto porque estes vestígios além de se
constituírem como fontes artísticas e mesclas de temas romanos e nativos,
caracterizam-se como difusores de propagandas políticas e veículos de
integração em variadas esferas, já que os saguntinos
possuíam comércios monetarizados com o mundo
mediterrânico desde antes da II Guerra Púnica. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 14: VISÕES DO FEMININO NA
GRÉCIA ANTIGA Coordenador:
Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima Sala
210, Bl. C —08h às 10h A
condição da mulher-esposa na Atenas democrática Bárbara Shênia Cartes Lopes Borges
Jorge (Graduanda em Letras Português/ Grego - UFF / CEIA) Em
face da existência de vários grupos femininos integrantes da pólis
ateniense, durante o período clássico (V e IV séculos a.C.) - esposas
legítimas (cidadãs atenienses, bem-nascidas ou pobres), concubinas, cortesãs
(hetaîrai),
prostitutas vulgares (pórnai),
escravas, estrangeiras livres e sacerdotisas -, pretende-se nesta comunicação
examinar a condição e a função da mulher legítima, cidadã e filha de pai e
mãe atenienses, em virtude de haver sobre ela a maior quantidade de
referências fornecidas pela documentação textual e pela imagética e,
sobretudo, em virtude de recair sobre ela a responsabilidade pela
legitimidade da descendência no oîkos e na pólis. A
constituição das relações de identidade e alteridades femininas através das Tesmofórias Carolina da Rocha Nunes
(Graduanda em História - UFRJ/LHIA) Nossa
comunicação pretende demonstrar a construção das relações de identidade e
percepção das alteridades femininas na Grécia do período clássico através da leitura
e análise da peça “As mulheres que celebram as Tesmofórias”
de Aristófanes e a forma com a qual esta festa possibilitava a participação
das esposas na esfera pública e cívica na pólis ateniense. Nu
feminino na iconografia ática: analisando, tipificando
e desconstruindo os paradigmas de análise da
historiografia contemporânea Prof. Edson Moreira
Guimarães Neto (UFRJ) A
iconografia não só completa e enriquece as informações contidas na tradição literária,
como, além disso, transporta significados, dados e fatos culturais que não se
evidenciam nos documentos escritos. Nos últimos vinte anos tem proliferado a
produção historiográfica que trabalha com a cerâmica Ática, e dentre esses
trabalhos é considerável a parcela que analisa as representações do feminino
em tal suporte documental. Sendo assim, em nosso trabalho aplicaremos o
método de análise documental isotópica e as semióticas de Claude Bérrard e Claude Calame às
imagens produzidas pela iconografia ática, além de
discutirmos as interpretações e os paradigmas fomentados pela historiografia
contemporânea em torno dessas imagens tradicionalmente remetidas ao contexto
da prostituição. Mulheres
nas práticas esportivas helênicas Prof. Dr. Fábio de Souza
Lessa (LHIA - UFRJ) e Fábio Bianchini Rocha (Graduando em História - UFRJ) Entre
os gregos antigos, tradicionalmente, o esporte era um espaço restrito à
atuação dos homens; se constituindo ainda em uma ocasião
em que os cidadãos explicitavam sua virilidade frente aos seus ísoi. Diferente
do que comumente se poderia supor numa pesquisa sobre práticas esportivas,
buscaremos analisar, nesta comunicação, as possibilidades das mulheres
participarem de competições esportivas na Grécia Clássica (séculos V e IV
a.C.). As imagens representadas nas cerâmicas áticas
se constituirão na documentação da pesquisa. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 15: ESTUDOS LINGÜÍSTICOS
CLÁSSICOS Coordenadora: Prof.ª Dr.ª
Lívia Lindóia Paes Barreto Sala
401, Bl. C —10h às 12h A
língua de Vitrúvio (De architectura, I, 1-3) Prof. Dr. Eduardo Tuffani (Letras - UFF) O
”De architectura” de Vitrúvio
Polião e os níveis de linguagem no período clássico
da literatura latina, levando em consideração a ”Questão Vitrúvica”.
Balanço dos estudos acerca da língua de Vitrúvio.
Características do latim do autor do ”De architectura”.
A prosa métrica como elemento artístico desenvolvido por Vitrúvio
Polião. A
gramática como arte: a presença da gramática grega no século
XIX Prof.ª Dr.ª Maria Bernadete
Carvalho da Rocha (Letras - UFF) A
gramática científica dos anos novecentos no Brasil associou os aspectos
descritivo e prescritivo. Assumiu não só o status de ciência por estar ligada à investigação metódica de
fatos lingüísticos, mas também o status
de arte. A partir de estudos sobre a obra de Manuel Pacheco da Silva Júnior,
gramático do século XIX, pretende-se estabelecer relação entre a gramática científica
brasileira e a gramática grega. É
ou não é? Sobre o verbo ser no poema de Parmênides Prof. Mestrando Rafael Huguenin (Filosofia - PUC-RJ) Na
origem de todos os problemas filosóficos levantados pelo conceito de ser e pela
utilização que os filósofos da antiguidade fazem do verbo ser, encontramos
Parmênides de Eléia. Tradicionalmente, seu poema é interpretado como uma
defesa da unidade monolítica do ser. Por meio de uma análise das utilizações
do verbo grego ser, a partir de Charles Kanh e
Alexander Mourelatos, tentaremos buscar novos elementos para a interpretação
do poema. Hino à primavera: um estudo semântico-linguístico nas Geórgicas Thaíse Pereira Bastos de
Almeida Silva (Graduanda em Letras - UFF) Nossa
pesquisa de Iniciação Científica, apoiada pela FAPERJ e orientada pela Prof.ª Dr.ª Lívia Lindóia Paes Barreto, tem como ponto de
partida o estudo das antigas crenças nas forças que deram origem à formação
do universo, de acordo com o mito cosmogônico, as divindades
primordiais. Uma delas é Gaia, a Mãe Terra. Ela
emergiu do Caos e gerou a vida. É chamada de Grande Mãe uma vez que
representa a natureza fértil responsável pelo nascimento e pelo amparo de
todos os seres. A partir do estudo semântico-lingüístico dos versos 323 —353
do livro II das Geórgicas
de Vergílio, mostraremos como o mantuano visualiza
a Deusa fertilizada pelas fecundis imbribus. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 16: ASPECTOS SÓCIO-POLÍTICOS
DO EGITO ANTIGO ATRAVÉS DA ICONOGRAFIA E DA ARQUITETURA Coordenador:
Prof. Dr. Luís Eduardo
Lobianco Sala
311, Bl. C —10h às 12h Descontinuidades
e permanências na arte amarniana —XVIII dinastia/século XIV a.C. Aline Fernandes de
Sousa (Graduanda em História - UFF/ CEIA) O
reinado do faraó Akhenaton atrai a atenção não só
pelas reformas religiosas e políticas efetuadas, mas também por sua peculiar
arte. Ela foi um importante canal difusor das idéias deste soberano,
responsável pela emergência do deus Aton como
divindade principal e pela construção de uma capital —Akhetaton
(Amarna) - em honra a esse deus. O impacto visual
provocado pelo novo estilo das representações levou muitos estudiosos a
defenderem a idéia de uma separação total da arte tradicional. Entretanto,
uma análise mais detalhada demonstra que não houve um abandono
do cânone tradicional, mas alterações para que essa arte se adaptasse ao
projeto político-religioso de Akhenaton. Esta
comunicação pretende analisar as continuidades e descontinuidades nas
representações do período amarniano, utilizando
como fontes imagens da realeza. A
função da iconografia na construção de uma “nova figura real” no antigo Egito
do Reino Novo (1550-1069 a.C.) Fábio Frizzo (Graduando em História - UFF / CEIA) O
Reino Novo (1550-1069 a.C.) traz grandes modificações na sociedade egípcia.
Pelo lado religioso, há uma menor mediação régia na relação entre indivíduo e
deus; pelo lado político, inicia-se um imperialismo que adota a tática de
integrar, ainda que não totalmente, as sociedades conquistadas. Neste
sentido, observamos a construção de uma espécie de “nova figura real”, que
busca, através de mecanismos de poder como o controle dos principais sistemas
simbólicos, o fortalecimento da imagem do faraó. Procuraremos demonstrar isto
através do estudo de iconografias régias, tanto nos templos construídos pelo
rei no exterior, como o caso da Núbia, quanto na própria tumba real, nos
conhecidos Livros do Mundo Inferior. O
público e o privado no Egito antigo: o exemplo de Kahun Prof.ª Mestranda Liliane
Cristina Coelho (PPGH - UFF / CEIA) As
noções de público e privado, conforme aceitas pela sociedade atual, sofreram
modificações ao longo do tempo. Dessa maneira, para os antigos egípcios essas
definições são diversas das usualmente adotadas por nossos contemporâneos.
Partindo desses pressupostos, elaborou-se um projeto de pesquisa que tem,
como um de seus objetivos, analisar a delimitação entre vida pública e vida
privada no Egito do Reino Médio (2040 —1640 a.C.). Para tal, adotaremos como
modelo a cidade de Kahun, situada no Fayum, uma comunidade ocupada durante o Reino Médio por
artesãos, que estavam a serviço das oficinas dos templos, e por sacerdotes
responsáveis pelo culto funerário do faraó Senuosret
II, e que se encontra bem documentada. A partir da arquitetura das casas, e
das atividades que eram desenvolvidas em cada ambiente, procuraremos a
distinção entre espaço público e espaço privado nas residências da “elite” e
da “não-elite” que coabitava nessa localidade. A
egípcia no Reino Novo: a imagética como reveladora de sua inserção na
estrutura social do Egito Sandra Raitani Bley Pereira (Graduanda
em História - UNIANDRADE) O
presente tema desta comunicação se encontra inserido num projeto
maior, pertinente à situação jurídica da mulher egípcia, principalmente no
tocante aos aspectos de igualdade com o homem. Dentro dessa idéia mais
ampla, julgamos que é necessário, inicialmente, tentarmos definir quem é esta
mulher, e como ela se encontra posicionada dentro da estrutura social
egípcia. Para tanto, restringiremos nossa análise ao período conhecido como
Reino Novo (c.1550-1070 a.C.), tendo como corpus
documental as pinturas murais, as estelas e a estatuária funerária. Como metodologia,
seguiremos a proposta da egiptóloga Gay Robins, referente à análise qualitativa das imagens, onde
a linguagem não verbal, traduzida pelas representações
que serão, aqui, objeto de análise, poderão trazer subsídios para a questão
que ora se propõe, qual seja, a de verificarmos o papel destinado à mulher e onde,
dentro da estrutura social, a mesma se encontrava inserida. SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 17: IDENTIDADE ROMANA:
POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO SOCIAL Coordenador:
Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel
de Araújo Sala
210, Bl. C —10h às 12h Dies Romanus: calendário, identidade e poder em Roma
no I século a.C. Airan dos Santos Borges
(Graduanda em História - UFRJ) Nesta
comunicação analisaremos a organização do tempo na sociedade romana do I século
a.C. através dos calendários epigráficos.
Partiremos da idéia de que estes documentos podem ser considerados vetores da
identidade romana e instrumentos de poder, ao ordenar e ditar o ritmo de vida
da sociedade. A
formação da identidade romana através da incorporação da cultura grega Carolina Oliveira de
Araújo (Graduanda em Letras - UFF) e Isabela Bastos de Carvalho (Graduanda em
Letras - UFF) Este
trabalho tem como propósito abordar o período romano compreendido entre os séculos
V a.C e I a.C.. Neste período, a forma de governo que estava em vigor era a
República. Do ponto de vista cultural, a cultura grega exercia grande
influência nos costumes do povo romano. Como os valores gregos foram
absorvidos pelos romanos? O que da cultura grega manteve-se e o que foi
adaptado? Para responder as questões que propomos, é necessário observar que,
apesar de incorporar a cultura helênica, os romanos tinham a generalidade de reelaborar, recriar e transformar tudo o que era
absorvido. Eles sempre mantiveram sua autenticidade e autonomia. Participação
popular e construção da identidade política do cidadão romano no final da
República Prof.ª Ms. Gisele Oliveira
Ayres Barbosa (USS / UGB) Ao
estudar o governo romano dos dois últimos séculos da República, duas
possibilidades de interpretação, alternadamente defendidas em obras recentes,
se abrem diante do historiador: a de uma Roma notadamente aristocrática na
qual a nobreza senatorial exercia absoluto controle sobre todas as
instituições políticas, inclusive os comícios, e a de uma Roma com tendências
democráticas na qual as assembléias e o voto popular exercido no interior
destas tinham uma importância se não decisiva ao menos considerável. Dentro
da proposta de estudo de uma História da Cultura Política e com o objetivo de
promover reflexões que contribuam para o citado debate, o presente trabalho
procura apresentar uma análise dos elementos que atuavam na formação da
identidade política do cidadão romano do final da República. Identidades
étnicas sob o Império Romano - uma análise a partir dos romances gregos Prof.ª Mestranda Rosana da
Costa Maia (PPGH - UFF / CEIA) Nesta
comunicação, apresentaremos alguns aspectos relativos às estratégias de
afirmação de identidades locais presentes no romance grego Leucipa e Clitofonte,
escrito por Aquiles Tácio, no século II d.C.
Partimos da hipótese de que o processo de identificação dos povos helenizados
da bacia oriental do Mar Mediterrâneo, sob o Império Romano, tinha como base
a referência à sua identidade de origem. Buscamos estudar de que forma
estavam construídas as relações de identidade/alteridade
entre tais povos. Nosso objetivo é definir qual o vinculo decisivo que lhes
confere uma identidade, pensada como forma de resistência aos dominadores,
considerando as múltiplas identidades existentes no âmbito do Império Romano. MINICURSO Sala
411, Bl. C —10h às 12h Tradução
de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de
Paiva (Letras - UFF) Leitura,
tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das
peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento
inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero
da ruptura final. MESA-REDONDA ELEMENTOS ÉTNICOS E REPRESENTAÇÕES CULTURAIS NO MEDITERRÂNEO
ANTIGO Coordenador:
Prof. Ms. Manuel Rolph De
Viveiros Cabeceiras Auditório
218, Bl. C —14h às 16h Esparta:
suas identidades políade e grega Prof.ª Ms. Isabel Sant’Ana
Martins Romeo (UFRJ) Nosso
trabalho propõe um debate sobre os discursos identitários
que levaram a segregação da “pólis” espartana do sistema que se convencionou nomear por
grego. Partindo de uma crítica à visão
“atenocêntrica” da história grega, buscamos
ressaltar os pontos análogos capazes de nos trazer à tona uma melhor
compreensão do mundo antigo grego, principalmente, com relação ao papel e
lugar social das esposas bem-nascidas. O
mar em festa: representações musivas dos cortejos
marítimos na África Proconsular Prof.ª Dr.ª Regina Maria da
Cunha Bustamante (LHIA/ PPGHC - UFRJ) Os
temas mitológicos ocupavam um importante espaço no marco decorativo tanto
público quanto privado na África Proconsular. Os
mitos e lendas sobre o mar estavam difundidos, fazendo parte da cultura
clássica compartilhada durante o Império Romano. Todos se moviam num universo
em que as divindades e os heróis da mitologia greco-romana representavam o
imaterial, o sagrado, a emoção, o saber e uma visão de mundo. Os afro-romanos
gostavam de encontrá-los, através da escrita e da imagem, em suas casas, na
escola, no fórum, no teatro, nas termas... No
politeísmo romano, havia uma multiplicidade de divindades e seres mitológicos
associados ao elemento aquático, que foram representados nos mosaicos da
África Proconsular: os deuses Oceano, Netuno, Vênus
e Baco, bem como os componentes de seus séquitos,
como Nereidas e Tritões, além de Cupidos. Aparecem também heróis que tiveram
aventuras no mar ou com seres mitológicos marinhos: Ulisses, Aríon, Perseu e Leandro. Nesta comunicação, selecionamos
algumas destas imagens, procurando identificar as leituras possíveis destes
discursos imagéticos e como sua(s) mensagem(ns)
interagiu(ram) na organização do pensar e do agir daquela sociedade. A
identidade do tecido social multi-étnico e
politeísta do Egito romano, analisada à luz da arte iconográfica egípcia
(séculos I e II d.C.) Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF) O presente trabalho objetiva
identificar as práticas politeístas dos componentes de três segmentos
étnicos, os quais se justapuseram às margens do Nilo, ao longo de
séculos: I) ”egípcios de origem”, II)
”gregos”, e III) ”romanos”; partindo do estudo de dois corpora de fontes primárias iconográficas: a) ”imagens funerárias”, tendo como ponto
em comum, a constante presença do deus faraônico Anúbis (portador de tríplice
função: o embalsamamento, a
intermediação entre o morto e o tribunal funerário, e, o zelo pelas
necrópoles); e b) ”imagens numismáticas de deuses egípcios” (dos períodos ptolomaico e romano, mas também do faraônico), oriundas
de Alexandria do século II d.C. A
representação do feminino e a construção da identidade romana: a morte
heróica de Lucrécia Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA - UFF) Diante
dos diferentes modelos heróicos masculinos difundidos pelos romanos, desponta
a figura altaneira de Lucrécia,
cujo comportamento é determinante na expulsão do último rei em Roma e a
consolidação de uma república aristocrática, patriarcal e
hierárquica. Através da representação
de sua morte heróica, Cícero e Tito Lívio
redesenham o espaço do mos maiorum como axial à identidade romana. CONFERÊNCIA Auditório
218, Bl. C —16h às 18h Fragmentos
e fotogramas na construção da identidade de Helena Prof.ª Dr.ª Maria Cecilia de Miranda Nogueira Coelho (PUC-SP / COGEAE) No
Nascimento da tragédia, Nietzsche,
ao falar dos homens gregos, faz um comentário particularmente interessante
sobre Helena de Tróia ao dizer: ”E assim, é possível que o observador fique realmente
surpreendido ante essa fantástica exaltação da vida e se pergunte com qual
filtro mágico no corpo puderam tais homens exuberantes desfrutar da vida a
ponto de se depararem, para onde quer que olhassem,
com o riso de Helena? a imagem ideal, ’pairando em doce sensualidade’, da
própria existência deles? (§ 36). Helena: hipóstase da existência do homem
grego. Seria pertinente esta instigante imagem? A fim de, pelo menos, tentar
compreendê-la, pretendo analisar algumas representações de Helena de Tróia na
literatura clássica grega, bem como sua presença no cinema. Esta análise será
feita por meio do exame de fragmentos de textos poéticos, principalmente a Ilíada, Odisséia, Elogio de Helena
e Helena, e de filmes, nos quais a
bela espartana aparece, seja como personagem mítica: Helena de Tróia (R. Wise, 1955), As Troianas
(M. Cacoyannis, 1971), Helena de Tróia (J. K. Harrison, 2003),
seja como metáfora da figura feminina: Eléna et les hommes (J.Renoir, 1956), Encaixotando Helena (J. Lynch, 1993), Cinzas do paraíso (M. Pineyro, 1996), Duas
vezes com Helena (M. Farias, 2002). MINICURSOS Mito
e razão: perspectivas de análise e interpretação Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF) Sala
411, Bl. C —18h às 20h O
minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de
abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente,
desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia
antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes
estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas.
Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell. 1. O mito como narrativa
exemplar; 2. O mito como deformação
do real; 3. O mito como
racionalização primitiva; 4. O mito como ”ipso alter”; 5. Possibilidades
estratégicas do uso das diferentes leituras. O
papel dos druidas na sociedade celta pré-romana Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH
- UFF/ CEIA) Sala
311, Bl. C —18h às 20h O objetivo deste minicurso é
abordar o papel dos druidas na Gália e na Britânia
pré-romanas. Nas últimas
décadas, vários sítios arqueológicos foram descobertos na França; tais
descobertas permitiram elaborar novas articulações com as fontes clássicas. Não devemos ver os druidas como um
grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam
presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As
novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas
eram de ordem religiosa e político-judiciária.
Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos
druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia.
As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para
articularmos nossa pesquisa. Abordaremos
no curso nos seguintes pontos: 1. As funções dos druidas
nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca
Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas; 2. A pesquisa
arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários
descobertos em solo francês; 3. O papel dos druidas
nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o
período dos oppida e os contatos com Roma; 4. O aporte das fontes
literárias irlandesas. Direito
e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF) Sala
305, Bl. C —20h às 22h Este
minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes primárias:
a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e da coleção
B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon de
Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b)
”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas
alexandrinas e iconografia funerária. Através
desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas
ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais
importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de
origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”. Às
supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a
metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal
documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens
culturais romanos no Egito de então. 1. Direito no Egito
romano; 2. Religião no Egito
romano; 3. Aplicação da
metodologia às fontes primárias (estudo dirigido). * * * |
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Inscrições: As inscrições de ouvintes serão realizadas até o
primeiro dia do evento, apenas presencialmente na sala do CEIA. Não
serão aceitas inscrições pela Internet. Valor do investimento: R$ 10,00 – Jornada R$ 5,00 – Minicurso (cada) Os participantes receberão o material do evento no dia da
inscrição e o certificado, com carga horária, no último dia da jornada. |
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