Cursos

Eventos

Publicações

Pós-Graduação

Grupos de Estudo

Membros

Fale Conosco

 

 

 
 

 

- Dia -

- Horário -

- Local -

- Atividade -

 

21/05/2007

Segunda-feira

16:00 - 18:00

Auditório Macunaíma

Sala 405 - Bl. B

Conferência de abertura: Pequenos Impérios: organização social e solidariedade em Sêneca - Prof. Dr. Fábio Faversani (UFOP)

 

22/05/2007

Terça-feira

08:00 - 10:00

Sala 407

Bl. C

Sessão de comunicações 1: Influências dos mitos nas sociedades antigas

Sala 409

Bl. C

Sessão de comunicações 2: Estudos literários gregos: a tragédia, a comédia e a poesia

10:00 - 12:00

Sala 201

Bl. C

Sessão de comunicações 3: Arte e identidade entre Celtas e Vikings

Sala 203

Bl. C

Sessão de comunicações 4: Estudos sobre identidade grega

Sala 210

Bl. C

Sessão de comunicações 5: Valores, costumes e práticas sociais romanas

Sala 401

Bl. C

Minicurso: Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia - Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

14:00 - 16:00

Auditório 218

Bl. C

Mesa-redonda: Arte e identidade no mundo greco-romano

16:00 - 18:00

Auditório 218

Bl. C

Conferência: Pelas ruas de Alexandria... um passeio por um Egito que se expressa em grego - Prof.ª Dr.ª Fernanda Lemos de Lima (UERJ/FGV/UNIRIO)

18:00 - 20:00

Sala 411

Bl. C

Minicurso: Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação - Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA - UFF)

Sala 205

Bl. C

Minicurso: O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana - Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

20:00 - 22:00

Sala 316

Bl. C

Minicurso: Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) - Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

 

23/05/2007

Quarta-feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08:00 - 10:00

Sala 409

Bl. C

Sessão de comunicações 6: Política e religião no Oriente Próximo

Sala 305

Bl. C

Sessão de comunicações 7: Amor e relações interpessoais no mundo antigo

Sala 210

Bl. C

Sessão de comunicações 8: Relações com a religião e o divino na sociedade grega

10:00 - 12:00

Sala 409

Bl. C

Sessão de comunicações 9: Estudos judaico-cristãos: história e fontes literárias

Sala 214

Bl. C

Sessão de comunicações 10: Militarismo, guerra e identidade na Roma antiga

Sala 205

Bl. C

Sessão de comunicações 11: Estudos literários gregos: Heródoto e Homero

Sala 411

Bl. C

Minicurso: Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia - Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

23/05/2007

Quarta-feira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

14:00 - 16:00

Auditório 218

Bl. C

Mesa-redonda: Arte e identidade nas elegias grega e romana

16:00 - 18:00

Auditório 218

Bl. C

Conferência: Tirocinium fori: O orador e a criação de “homens” no Forum Romanum - Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa (UNIRIO / CEIA - UFF)

18:00 - 20:00

Sala 411

Bl. C

Minicurso: Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação - Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA - UFF)

Sala 407

Bl. C

Minicurso: O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana - Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

20:00 - 22:00

Sala 407

Bl. C

Minicurso: Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) - Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

 

24/05/2007

Quinta-feira

 

 

 

08:00 - 10:00

Sala 409

Bl. C

Sessão de comunicações 12: Morte e ritos

funerários no mundo antigo

Sala 214

Bl. C

Sessão de comunicações 13: Roma e os outros

Sala 210

Bl. C

Sessão de comunicações 14: Visões do feminino na Grécia antiga

10:00 - 12:00

Sala 401

Bl. C

Sessão de comunicações 15: Estudos lingüísticos clássicos

Sala 311

Bl. C

Sessão de comunicações 16: Aspectos sócio-políticos do egito antigo através da iconografia e da arquitetura

Sala 210

Bl. C

Sessão de comunicações 17: Identidade romana: política e organização social

Sala 411

Bl. C

Minicurso: Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia - Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

14:00 - 16:00

Auditório 218

Bl. C

Mesa-redonda: Elementos étnicos e representações culturais no Mediterrâneo antigo

16:00 - 18:00

Auditório 218

Bl. C

Conferência: Fragmentos e fotogramas na construção da identidade de Helena - Prof.ª Dr.ª Maria Cecilia de Miranda Nogueira Coelho (PUC-SP / COGEAE)

18:00 - 20:00

Sala 411

Bl. C

Minicurso: Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação - Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA - UFF)

Sala 311

Bl. C

Minicurso: O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana - Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

20:00 - 22:00

Sala 305

Bl. C

Minicurso: Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.) - Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

 

 

SEGUNDA-FEIRA, 21 DE MAIO DE 2007

 

 

CONFERÊNCIA DE ABERTURA

Auditório Macunaíma —Sala 405, Bl. B. —16h às 18h

 

Pequenos Impérios: organização social e solidariedade em Sêneca

Prof. Dr. Fábio Faversani (UFOP)

 

A conferência propõe uma discussão sobre o papel atribuído por Sêneca a formas diversas de ordenamento social para a organização da sociedade. Propomos uma análise do corpus documental senequiano que leve em conta o papel das interações sociais para a hierarquia social e formação de redes de solidariedade.

 

 

*          *           *

 

TERÇA-FEIRA, 22 DE MAIO DE 2007

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 1: INFLUÊNCIAS DOS MITOS NAS SOCIEDADES ANTIGAS

Coordenador: Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima

Sala 407, Bl. C —08h às 10h

 

Hércules, o semideus profano

Diogo Pereira da Silva (Graduando em História - UFRJ)

 

Hércules, o maior herói da Antiguidade Greco-Romana, foi sempre identificado como um modelo de virtudes em variadas filosofias, pois através do sofrimento alcançou a imortalidade.

A partir de Cômodo (180-192), alguns imperadores romanos se ligaram a esse semideus, sendo o auge dessa prática o período de configuração da Tetrarquia, sistema político-religioso, no qual os imperadores se associaram a Júpiter e Hércules.

Objetivo nesta comunicação apresentar como a crítica de Lactâncio (c.250 —c.325) a Hércules, em Instituições Divinas I. 9, representa um ataque à legitimidade sagrada do sistema político tetrárquico.

 

Sekhmet e o mito da destruição da humanidade

Patricia Cardoso Azoubel Zulli (Graduanda em História - UFF/ CEIA)

 

Tentarei exemplificar alguns aspectos da sociedade egípcia utilizando-me da representação da deusa Sekhmet e do mito descrito na sala da tumba de Seti I no vale dos reis da destruição da humanidade pela mesma deusa.

 

O canto VIII da Eneida e a criação do Império Romano

Thiago de Almeida L. C. Pires (Graduando em História - UFF)

 

            Inspirado pelos ideais do império e pela figura de Augusto, Virgílio elabora aquela que será conhecida como sua maior obra, a Eneida. A respeito dela, esta comunicação pretende, portanto, examinar como o mito de fundação de Roma foi relido por Virgílio no canto VIII de sua gloriosa epopéia e como os conceitos e idéias do império romano foram introduzidos já neste seu mitológico primórdio.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 2: ESTUDOS LITERÁRIOS GREGOS: A TRAGÉDIA, A COMÉDIA E A POESIA

Coordenador: Prof. Ms. Guilherme Moerbeck

Sala 409, Bl. C —08h às 10h

 

Os qeataiv e o papel do comediógrafo em Pluto, de Aristófanes

Prof.ª Doutoranda Greice Ferreira Drumond (Letras Clássicas - UFRJ)

 

A fase de transição da comédia grega caracteriza-se, entre vários aspectos, pela mudança em uma parte da estrutura do gênero cômico que o distinguia das demais representações dramáticas - a parábase. Ela era o palco da manifestação direta dos comediógrafos que foi alterada, diminuindo a interferência do autor em suas produções e sua relação com os espectadores —os qeataiv, como se pode ver na peça aristofânica Pluto.

 

Arte e identidade em Ésquilo e Eurípides

Prof. Ms. Guilherme Moerbeck (UNIG - CEIA/UFF)

 

A presente comunicação tem como principal intuito discutir algumas questões relativas ao problema da identidade por meio das tragédias gregas. Para tal intento, utilizar-se-á, comparativamente, algumas obras de Ésquilo e Eurípides. Outrossim, pretende-se mostrar que as soluções dadas pelos autores, quando deparados com o mesmo problema, são bastante condizentes com a geração a qual cada um pertence. 

 

Poesia e Conservação Cultural

Prof. Rafael Barbosa (UFF)

 

A arte é para os gregos um dos modos essenciais de expressão da sua cultura. Valores religiosos, morais, políticos, familiares, entre outros eram levados ao espírito ouvindo o canto dos poetas. Nisto está a justificativa de chamar Homero de ”pai dos gregos”. Nesta comunicação procuraremos analisar e diferenciar o modo como nós compreendemos a literatura e o fazer poético atuais do modo como os gregos antigos compreendiam essas manifestações do espírito humano.

 

A paideía na poesia de Homero na Atenas Clássica

Vanessa Ferreira de Sá Codeço (Graduanda em História - UFRJ)

 

Esta comunicação se propõe a analisar, de forma sucinta, como a Atenas do Período Clássico (séc. V e IV a.C.) encontrou na poesia de Homero a base de seu sistema de instrução —paideía —e de que forma esta poesia foi apropriada para perpassar os valores helênicos/áticos.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 3: ARTE E IDENTIDADE ENTRE CELTAS E VIKINGS

Coordenador: Prof. Dr. Johnni Langer

Sala 201, Bl. C —10h às 12h

 

A arte celta de La Tène e seus estilos

Erick Carvalho de Mello (Graduando em História - UFF/CEIA)

 

A intenção deste trabalho é dissertar sobre os diferentes estilos presentes na arte celta do Vª século a.C. até a dominação romana, período identificado como La Tène. Pretendemos pontuar e exemplificar as classificações da arte leteniana, tais como os estilos: Waldalgesheim, plástico, das espadas etc.

Neste sentido, tomaremos por base as antigas classificações e considerações de Paul Jacobsthal e Paul-Marie Duval, empreendendo com este estudo a tarefa de identificar os motivos presentes na arte celta, para entendermos como eles se expressavam e como se relacionavam com o mundo a sua volta, além de suas influências. Desta forma, tentaremos compreender como esta visão de mundo se relaciona com a história deste povo durante sua participação no mundo antigo.

 

O armamento e a vestimenta dos celtas como uma forma de identidade no final da Idade do Ferro

Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

 

Um dos elementos que autores clássicos como Cícero e Diodoro Sículo utilizaram para identificar os celtas foi descrever suas armas ou vestimentas. Não raro, essas descrições buscavam realçar o caráter “não civilizado” dos gauleses. Cícero utilizou o fato dos celtas vestirem calças como um sinal de barbarismo, juntamente com a prática de sacrifícios humanos e de falarem uma língua incompreensível, o gaulês.

            O objetivo deste trabalho é abordar textos de autores clássicos que relatam acerca do armamento e da vestimenta dos celtas. Tais relatos demonstram como esses elementos eram utilizados como uma forma de identificar os celtas em relação aos gregos e romanos. Articularemos com reconstruções modernas e exemplos iconográficos da arte celta e do período romano.

 

A identidade guerreira na arte germânica: do período das migrações à Era Viking (séc. V-XI d.C.)

Prof. Dr. Johnni Langer (Pós-doutorando em História - USP)

 

A comunicação pretende discutir algumas questões relacionadas à construção da identidade dos guerreiros germânicos através da análise da arte em geral, especialmente a criada para fins cotidianos e funerários (adornos pessoais, estatuetas, pingentes, estelas, moedas, etc). Abrangendo os germanos continentais do período das migrações até os Vikings da Escandinávia Medieval, a comunicação também refletirá sobre os usos imagéticos e icônicos para a construção de uma legitimidade social das categorias (ou classes) que detinham o poder político e militar no mundo antigo e medieval, sem esquecer as relações religiosas destas mesmas elaborações artísticas.

 

A cruz “celta”: arte e identidade religiosa nas ilhas britânicas (séc. V-IX d.C.)

Prof.ª Doutoranda Luciana de Campos (Letras - UNESP)

 

A comunicação pretende abordar o significado das cruzes irlandeses, cognominadas tradicionalmente como “Celtas”, nas ilhas britânicas no período dos séculos V a IX d.C. Esses monumentos religiosos comumente foram erigidos dentro de dois grandes eixos temáticos: símbolos e imagens de origem pagã (advindas da religiosidade pré-cristã) e temas cristãos (especialmente de narrativas bíblicas). Algumas problemáticas surgem desta constatação: a sobrevivência de temas paganistas em monumentos cristãos representou uma técnica de evangelização ou uma simbiose entre as duas religiosidades, no caso, a perpetuação de elementos culturais do paganismo mesmo após a conversão? Essa é grande questão de nossa pesquisa —a arte escultural das cruzes irlandesas representando elementos de identidades religiosas nas ilhas britânicas.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 4: ESTUDOS SOBRE IDENTIDADE GREGA

Coordenador: Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima

Sala 203, Bl. C —10h às 12h

 

Hellas: elementos basais da identidade do polités clássico no período arcaico

Fábio Santos de Goes (História - UNIRIO)

 

Nesta comunicação, procuramos identificar no período arcaico os elementos basais do que viria a ser a identidade do polités da Hellas clássica. A prosa de Hesíodo é rica em exemplos daquelas características que nos acostumamos a associar ao período clássico: a importância da palavra e da assembléia, a noção de diké ou justiça, a stasis, a religião - cujos deuses não são senhores absolutos, mas antes criaturas que dividem com os homens o dom comum da racionalidade e do discernimento entre o bem e o mal. Como documentação, apoiar-nos-emos nos Erga, e como bibliografia recorreremos a Pierre Vidal-Naquet, Vernant, Luciano Cânfora e outros autores.

 

O épico e o trágico

Prof. Mestrando João Luiz Farah Rayol Fontoura (Filosofia - UFRJ)

 

O objetivo desta comunicação é apresentar as diferenças entre as noções gregas de virtude à época homérica e à época trágica. Ao longo do tempo, ocorre na Grécia um conjunto de mudanças culturais que inclui a redefinição do conceito de virtude. Não é apenas através da filosofia e da sofística que isso se opera, mas também a arte trágica reflete essa mudança. Novas utilizações artísticas dos mesmos antigos elementos mitológicos legitimam ou contestam culturalmente as mudanças nos conceitos que definem a identidade grega desejável e a educação que se deve dar aos jovens para que façam jus a ela. Se comparadas ao alcance de um espetáculo teatral, a filosofia e a sofística estavam restringidas a relativamente poucos. Como a arte, então, afetava as pessoas durante este período de mudança da identidade grega?

 

A dimensão autobiográfica na Grécia Clássica ou buscando uma identidade imortal

Prof.ª Dr.ª Marilia Santanna Villar (CAP - UERJ)

 

O Banquete de Platão revela a importância da busca pela imortalidade no mundo grego. Dois são os caminhos apontados pelo filósofo para alcançar esse objetivo: os filhos ou a produção artístico-cultural. Atualmente, vivemos em um mundo em que tudo passa tão rápido, mas, em meio a essa realidade efêmera, o homem continua sua busca pelo imortal. No presente trabalho, os escritos autobiográficos são tidos como uma tentativa importante nessa busca. Se hoje a autobiografia e os gêneros afins (dos diários aos blogs, passando por filmes, canções, orkuts) têm um espaço garantido, seja nas livrarias, na Internet ou nos cinemas, devemos lembrar que a prática de escrever sobre si mesmo é bastante antiga. Apresento, aqui, um esboço das origens dos escritos autobiográficos na Antigüidade grega. Para essa análise, parto de algumas considerações feitas por Monique Trédé-Boulmer em “La Grèce antique a-t-elle connu l’autobiographie ?”, para propor uma reflexão sobre essa “pré-história” de um gênero literário que, apesar de situado ainda hoje em um campo marginal, desperta cada vez mais interesse.

 

O princípio de individuação como suporte do conceito de identidade na cultura apolínea

Prof. Doutorando Renato Nunes Bittencourt (PPGF - UFRJ)

 

Este trabalho versa sobre a importância do princípio de individuação no desenvolvimento cultural da civilização apolínea, conforme as pesquisas de F. Nietzsche apresentadas ao longo de O nascimento da Tragédia. O princípio de individuação é o processo de criação do ser individual como figura delimitada pelas categorias do espaço e do tempo, circunstância que favorece a distinção precisa entre o “eu” e o “outro”, ou seja, a compreensão íntima da identidade pessoal. Em decorrência desses fatores, surgiriam as prédicas apolíneas de “Nada em excesso” e “Conhece-te a ti mesmo”, pois é a partir da compreensão dos seus próprios limites individuais que o ser humano se tornaria capaz de agir de maneira equilibrada em sua vida cotidiana, respeitando, para tanto, a individualidade alheia e garantindo assim a manutenção da ordem social. Um dos pontos de relevância de tais reflexões reside no fato de que é a partir da cultura apolínea que a compreensão da identidade subjetiva do ser humano adquire o estatuto de importância no desenvolvimento das instituições gregas, de maneira que a tradição socrático-platônica seria a grande herdeira dos valores normativos do apolinismo.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 5: VALORES, COSTUMES E PRÁTICAS SOCIAIS ROMANAS

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Lívia Lindóia Paes Barreto

Sala 210, Bl. C —10h às 12h

 

O riso como forma de crítica social e comportamental nos epigramas de Marcial

Prof.ª Dr.ª Arlete José Mota (ProF.ª Adjunta de Língua e Literatura Latina - UFRJ)

 

            O percurso do riso na literatura latina se estabelece já no período arcaico com as comédias de Plauto e Terêncio. Não se pode falar sobre o uso de mecanismos do riso na Antiguidade sem citar, por exemplo, peças dos dois comediógrafos. São nomeados também Horácio e Juvenal, os expoentes da sátira, gênero literário propriamente latino. Note-se que Horácio consegue até criar divertidas anedotas que vão servir para veicular os ideais de Augusto. Quanto ao epigrama, introduzido na literatura latina por Catulo, tem maior destaque neste gênero Marcial, que imprimiu características que permanecem até hoje como definidoras do estilo epigramático: exposição clara e extremamente realista de comportamentos humanos os mais diversos possíveis e certas notas obscenas que trouxeram ao poeta de Bílbilis um pesado fardo. O poeta fala de tudo e de todos. Foi ao mesmo tempo bajulador, amoroso, homem preocupado com a brevidade da vida (para surpresa de alguns), amante, amigo e inimigo. Partindo destes conceitos, o presente trabalho objetiva comentar epigramas selecionados de Marcial, estabelecendo eixos temáticos que destaquem elementos de crítica social e personagens que exponhamos vícios e vicissitudes humanos.

 

Os vícios romanos no tempo de Nero: uma leitura do Satyricon, de Petrônio

Bruna Prudêncio da Silva (Graduanda em Letras - UFF)

 

Esta comunicação é produto de nossa pesquisa no projeto de iniciação científica (CNPQ/UFF) orientado pela Prof.ª Dr.ª. Lívia Lindóia Paes Barreto. Tem por objetivo estudar os costumes romanos no tempo do imperador Nero. Roma, nesse momento, ainda está sob o domínio da dinastia Julio Claudiana, que teve seu apogeu durante o principado de Octauius Augustus. Todavia uma série de transformações no plano moral e ético faz parte do cenário cotidiano da urbe. Trata-se de uma época em que os vícios se fazem presentes, a começar por atitudes dos próprios imperadores que se distanciam do conceito da antiga uirtus romana tão incentivado por Octauius. Tomaremos como fonte primária de nossos estudos o Satyricon, de Petrônio. Destacaremos o triângulo amoroso vivido por Encólpio, Ascilto e Gitão, personagens principais do romance, a fim de discutir o caráter transgressor desses aventureiros e os valores morais e éticos inerente aos mesmos.

 

A escravidão rural romana no Rerum Rusticarum de Varrão

José Ernesto Moura Knust (Graduando em História - UFF / CEIA)

 

A partir do tratado de Marcus Terêncio Varrão Rerum Rusticarum pretendo identificar e analisar aspectos importantes das transformações radicais pelas quais passava a sociedade romana no século I a.C. se refletindo nas formas de utilização e controle do trabalho escravo rural.

 

A representação dos valores do homem romano no filme “Gladiador”

Maria Lúcia Malheiros Cardoso (Graduanda em Letras - UFF)

 

O que é Roma? Essa pergunta tem despertado o interesse de estudiosos de diversas áreas do conhecimento ao longo de mais de dois mil anos da civilização ocidental. Em nossos dias, transportada para a tela do cinema, seduziu milhões de espectadores em todo o mundo. Neste trabalho, procuramos analisar a representação dos valores do homem romano no filme “Gladiador”, dirigido por Ridley Scott, que nos apresenta um interessante confronto de idéias e imagens reveladoras da complexidade da civilização romana.

 

MINICURSO

Sala 401, Bl. C —10h às 12h

 

Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia

Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

 

Leitura, tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero da ruptura final.

 

MESA-REDONDA

ARTE E IDENTIDADE NO MUNDO GRECO-ROMANO

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo

Auditório 218, Bl. C —14h às 16h

 

Pintores de vasos em Corinto: arte e identidade

Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima (CEIA - UFF)

 

Este trabalho tem como objetivo compreender certos tipos de esquemas pictóricos criados pelos pintores que viveram na pólis de Corinto nos séculos VII e VI a. C. Analisaremos, principalmente, os frisos pintados nos vasos contendo representações de animais e entidades sobrenaturais. A partir destes frisos, poderemos perceber a criatividade dos artesãos ao criarem signos que explicitam os espaços da cultura e da selvageria, as margens, as fronteiras, bem como a própria construção da identidade do artesão coríntio.

 

Arte e identidade na Roma republicana: as transformações no horizonte cultural da aristocracia tardo-republicana

Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa (UNIRIO / CEIA - UFF)

 

As obras de arte são um objeto de pesquisa importante para a análise historiográfica e os dois últimos séculos da República romana perfazem um momento de mudanças vertiginosas nas artes em geral, e na literatura em particular. Pouco antes de Cícero, por exemplo, a produção literária em latim era incipiente, consistindo basicamente de traduções ou adaptações da poesia épica e do drama gregos e algumas tentativas pioneiras de criação de uma literatura latina. Em fins do século I a.C, podemos falar da existência de uma literatura em língua latina já consolidada e com características particulares e o mesmo podemos dizer, em maior ou menor grau, em relação às artes plásticas. Pretendemos analisar alguns passos fundamentais no processo de ampla transformação cultural ocorrido em fins da República, destacando o papel do ethos competitivo da aristocracia romana como catalisador deste processo.    

 

Cidadania e escravidão no mundo romano: uma discussão sobre identidade no romance grego O Asno de Ouro de Apuleio

Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo (CEIA - UFF)

 

Nesta comunicação, pretendo analisar a identidade romana como sinônimo de cidadania, em contraste com o não-ser do escravo neste contexto. Identifico a cidadania com o direito a ter família, bens, escravos, assim como possuir valores caros àquela sociedade, como pudor e integridade do corpo, impossibilidades em relação ao escravo no mundo greco-romano. Para dar conta deste escopo, analiso algumas passagens deste romance grego, caracterizando este tipo de arte, especialmente as constantes no Livro XI, 14-20.   

 

Ser cristão no Império Romano nos séculos IV e V: a construção de uma fronteira

Prof.ª Doutoranda Márcia Santos Lemos (UESB / PPGH - UFF)

 

Objetiva-se, com esta comunicação, colocar em foco a afirmação da identidade cristã no Império Romano dos séculos IV e V. Com este fito, num primeiro momento, abordamos o processo de conversão ao cristianismo. Em seguida, discutimos como a historiografia eclesiástica ajudou a forjar um sentimento de unidade entre os seguidores de Cristo. Enfim, analisamos como Agostinho de Hipona, ao refutar as práticas pagãs, consideradas inconciliáveis com a nova fé, forneceu importantes elementos para a construção de uma fronteira que deveria separar o cristão do “ímpio”. Para tanto, utilizamos como documentação duas fontes em especial, a História Eclesiástica e a Cidade de Deus.

 

CONFERÊNCIA

Auditório 218, Bl. C —16h às 18h

 

Pelas ruas de Alexandria... um passeio por um Egito que se expressa em grego

Prof.ª Dr.ª Fernanda Lemos de Lima (UERJ/FGV/UNIRIO)

 

Pretendemos apresentar os resultados dos estudos desenvolvidos no Farol de Alexandria, núcleo de estudos que, há três anos, no Instituto de Letras da UERJ, vem desenvolvendo estudos em torno do mundo Egípcio sob dominação da estirpe dos Ptolomeus, buscando compreender, através da leitura e tradução de textos literários do período —como Calímaco, Herondas, Teócrito —, o fabuloso encontro de culturas tão múltiplas da Antiguidade.

Para tanto, é preciso compreender a política do período, que atrai para a grande Alexandria estudiosos para seu Museu, que difunde o culto da divindade fruto do sincretismo egípcio-grego —Serápis —, e na qual vemos surgir figuras de reis e rainhas, cujos nomes soam gregos, mas cujas representações diversas os mostram de modo egípcio. É preciso entender a razão de vermos Berenice trajada de Isis, de encontrarmos personagens contando as maravilhas do Egito, a terra rica em ouro, sábios e deuses.

Os caminhos que percorremos pelas ruas de Alexandria acabaram por nos levar para outras estradas, a fim de oferecermos os resultados de nossos trabalhos a todos interessados, através da internet.

Para nos acompanhar nesse breve relato sobre uma viagem que se inicia nos textos da Antiguidade e chega a web, convidamos todos aqueles que já foram tocados pelo impulso do conhecer.

 

MINICURSOS

 

Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação

Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF)

Sala 411, Bl. C —18h às 20h

 

O minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente, desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas. Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell.

 

1. O mito como narrativa exemplar;

2. O mito como deformação do real;

3. O mito como racionalização primitiva;

4. O mito como ”ipso alter”;

5. Possibilidades estratégicas do uso das diferentes leituras.

O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana

Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

Sala 205, Bl. C —18h às 20h

 

            O objetivo deste minicurso é abordar o papel dos druidas na Gália e na Britânia pré-romanas. Nas últimas décadas, vários sítios arqueológicos foram descobertos na França; tais descobertas permitiram elaborar novas articulações com as fontes clássicas.

            Não devemos ver os druidas como um grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas eram de ordem religiosa e político-judiciária. Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia. As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para articularmos nossa pesquisa.

Abordaremos no curso nos seguintes pontos:

 

1. As funções dos druidas nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas;

2. A pesquisa arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários descobertos em solo francês;

3. O papel dos druidas nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o período dos oppida e os contatos com Roma;

4. O aporte das fontes literárias irlandesas.

 

Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.)

Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

Sala 316, Bl. C —20h às 22h

 

Este minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes primárias: a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e da coleção B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon de Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b) ”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas alexandrinas e iconografia funerária.

Através desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”.

Às supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens culturais romanos no Egito de então.

 

1. Direito no Egito romano;

2. Religião no Egito romano;

3. Aplicação da metodologia às fontes primárias (estudo dirigido).

 

 

*          *           *

 

QUARTA-FEIRA, 23 DE MAIO DE 2007

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 6: POLÍTICA E RELIGIÃO NO ORIENTE PRÓXIMO

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira

Sala 409, Bl. C —08h às 10h

 

A realeza: o aspecto divino nas sociedades antigas

Jadir Félix da Silva Junior (Graduando em Letras Português/ Hebraico - UFRJ)

 

Nas sociedades arcaicas, religião e política estavam entrelaçadas e ambas co-existiam, até certo nível, em uma simbiose harmônica. Há relatos onde reis se portavam como sacerdotes e sacerdotes exerciam a autoridade dos reis.

            Baseando-nos em algumas pesquisas históricas anteriores, constatamos que essas sociedades compunham um mundo mítico onde deuses e feitos grandiosos afloravam constantemente. O mundo físico influenciava no mundo espiritual.

            Tomando tais conhecimentos históricos por ponto de partida para a pesquisa, propomo-nos expor o quadro histórico-social onde os grandes reis assumiam estatutos divinos. Tomamos por exemplos o Egito e a Babilônia. No primeiro, os faraós são as representações carnais de Hórus e no segundo exemplo, babilônico/persa, os imperadores se afirmaram como deuses-reis. Analisar-se-á em contrapartida a realidade da nação de Israel onde a monarquia vai ser um regime de governo posterior, substituindo uma teocracia sacerdotal.

 

A monarquia divina no antigo Egito: um exame de dois textos (século XIX e século XVI a.C)

Marco Antonio Ferreira Coelho Mazzillo (Graduando em História - UFF/ CEIA)

 

Nesta comunicação pretendo analisar a importância da ideologia da Monarquia divina na construção do Estado faraônico examinando dois textos. O primeiro exemplo são as estelas erigidas sob o reinado de Kamés, no templo de Amon-Ra, em Karnak. Elas ilustram a reafirmação da monarquia divina enfraquecida pelo domínio estrangeiro. O segundo exemplo é a segunda estela de Semna que esta relacionada à política externa desenvolvida durante o reinado do faraó Senusret III na Núbia. Para tanto será aplicado o conceito de ideologia orgânica formulada pelo marxista italiano Antonio Gramsci. Na religião egípcia a ideologia orgânica é a base da monarquia divina. Esta comunicação é fruto da pesquisa financiada pelo CNPQ.

 

A história profética de Israel no tempo do Exílio (587-539) na visão de John Bright

Maria Alice Biscaro de Bakker (Mestranda em Teologia Bíblica AT - PUC)

 

Esse trabalho tem como objetivo fazer um retrato da fé de Israel como força socialmente determinadora em sua identidade histórica.

A destruição de Jerusalém e o exílio marcam a grande linha divisória da história de Israel. De um golpe sua existência nacional terminou e, com ela todas as instituições: nunca mais Israel seria recriado da mesma forma. Com o Estado destruído, chegara ao fim a antiga comunidade do culto nacional. Apesar de tudo Israel sobreviveu à calamidade, mas, formando uma nova comunidade das ruínas da antiga, retomou a vida como povo. Sua religião fortalecida encontrará aos poucos a direção que deveria tomar nos séculos futuros. No exílio e depois do exílio nasceu o Judaísmo.

            Para Bright essa é uma tarefa difícil escrever a historia de Israel neste período. As fontes bíblicas são inadequadas. Sobre o exílio propriamente dito, a Bíblia não nos diz virtualmente nada, a não ser o que se pode aprender indiretamente com os escritos proféticos e outros escritos da época.

 

Poder central e poderes locais no Egito antigo: uma comparação entre as autobiografias de Weni e Ankhtifi de Mo´alla

Prof.ª Mestranda Maria Thereza David João (PPGH - UFF/ CEIA)

 

Várias teorias se destinam a explicar o fim do Reino Antigo (2686 - 2160 a.C.) no Egito. Uma delas atribui como causa, dentre outros fatores, o excesso de independência conquistado pelos encarregados da administração provincial, os nomarcas, frente ao poder central. O enfraquecimento do Estado faraônico - verificado especialmente após a VI dinastia —permitiu que estes funcionários agissem como pequenos reis locais, desempenhando funções outrora exclusivas do monarca. Através de duas autobiografias —a de Weni, datada do Reino Antigo, e a de Ankhtifi, datada de um momento imediatamente posterior, o Primeiro Período Intermediário —procurar-se-á analisar algumas nuanças das relações entre poder central e poderes locais, com ênfase para as transformações ocorridas no período em tela.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 7: AMOR E RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO MUNDO ANTIGO

Coordenador: Prof.ª Katia Teonia Costa de Azevedo

Sala 305, Bl. C —08h às 10h

 

O Banquete e construção do discurso do amor na relação mestre e discípulo

Flavia Helena Ferreira da Silva (UNESA)

 

A partir do Banquete faremos uma abordagem sobre a questão do amor, tendo como base as idéias platônicas sobre este assunto. A nossa análise tomará como base o que o amor representava para a sociedade grega, enfocando a relação entre o mestre filósofo e os seus discípulos. Além disso, será analisado até que ponto o modelo grego influenciou a sociedade ocidental contemporânea na construção do discurso e da visão do que é o amor conforme entendemos atualmente.

 

Relações de gênero em Catulo

Prof.ª Katia Teonia Costa de Azevedo (Letras - UFF/UFRJ)

 

A literatura latina nos deixou importantes referências às práticas entre pessoas do mesmo sexo, tais menções perpassam vários gêneros literários e apresentam inúmeros enfoques.

           O presente trabalho tem por objetivo observar as relações de gênero tomando como base alguns poemas de Catulo, que nos oferecem subsídios importantes para nosso estudo por apresentar múltiplas abordagens sobre o assunto, pois ora percebemos um tom mais lírico, ora um tom jocoso.

 

A arte, a identidade sexual e a homossexualidade nos povos do Crescente Fértil na Idade do Bronze e do Ferro

Prof. Mestrando Sérgio Aguiar Montalvão (Letras - FFLCH / USP)

 

A homossexualidade mesmo sendo tão antiga quanto a própria humanidade, não era conhecida por este termo; porém, era compreendida como relacionamento sexual com pessoas do mesmo sexo. O trabalho tem como objetivo apresentar as noções e conceitos de sexualidade e de homossexualidade que os povos da Região do Crescente Fértil (Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Hititas, Cananeus e Israelitas) tinham e como era desenvolvida por tais povos através dos relatos e do desenvolvimento artístico dos povos da região naquele contexto, como a arte vinculada à sexualidade e a homossexualidade, os termos que eram designados para nomear aqueles que praticavam tais atos, a sua identidade sexual (mulheres masculinizadas, homens afeminados), social e religiosa (sacerdotes-prostitutos cultuais); relatos de mitos e leis que fazem alusão a homossexualidade no período delimitado, trazendo uma visão comparativa sobre o desenvolvimento do modo de como tais povos pensavam sobre o que chamamos hoje de homossexualidade.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 8: RELAÇÕES COM A RELIGIÃO E O DIVINO NA SOCIEDADE GREGA

Coordenador: Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima

Sala 210, Bl. C —08h às 10h

 

Os aedos e a religião grega arcaica (séc. VIII a VI a.C.)

Prof. Mestrando Alexandre Santos de Moraes (PPGHC - UFRJ)

 

Considerando as principais abordagens da historiografia contemporânea, nossa comunicação pretende debater a inserção dos aedos nas práticas religiosas da Grécia antiga entre os séculos VIII e VI a.C..

 

Interações religiosas

Felipe Hollanda Cavalcanti Velloso (Graduando em História - UFRJ)

 

A comunicação tem como problemática central o estudo das diversas formas religiosas em vigor na Grécia em seus períodos arcaico, clássico e helenístico, mais especificamente a comparação entre as cosmogonias, teogonias e antropogonias de diversas seitas que atuavam em contraste com a religião cívica tradicional da pólis. Este trabalho tem como base os textos de Hesíodo (a teogonia), assim como a documentação textual que envolve as teogonias rapsódicas, órficas e até pitagóricas, visando observar a relação entre as mesmas e o espaço que ocupavam socialmente. Esse tipo de estudo serve para a construção de uma imagem religiosa grega ainda mais pluralizada, contribuindo igualmente para a compreensão do sincretismo religioso e a forma de como é construída uma identidade religiosa. Desta forma, esta pesquisa acaba por trabalhar um aspecto pouco visto dentro do politeísmo helênico, a dimensão das funções soteriológicas e escatológicas, geralmente negligenciado em vista de sua função cívica.

 

Apologia platônica: quando prática filosófica e desígnios divinos se encontram

Gabriel Moraes Dias de Souza (Graduando em Letras Português/ Grego - UFF)

 

Na Apologia platônica, Sócrates admite estarem suas práticas filosóficas sob desígnios divinos. Se formos, no entanto, cuidadosos neste ponto, seremos levados a este questionamento: como pode a perspicácia intuitiva socrática ser convertida em saber? A tal questão tentaremos, com esta comunicação, responder.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 9: ESTUDOS JUDAICO-CRISTÃOS: HISTÓRIA E FONTES LITERÁRIAS

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira

Sala 409, Bl. C —10h às 12h

 

Bíblia hebraica - manifestação de arte e identidade. Aspectos característicos da poética hebraica bíblica

Prof.ª Dr.ª Cláudia Andréa Prata Ferreira (FL/UFRJ e PPGHC/IFCS/UFRJ)

           

            Compreendemos a construção e formação da identidade e memória no Judaísmo tendo como base o texto bíblico. Cabe ressaltar que a Bíblia Hebraica (Tanach) constitui a pedra fundamental da cultura, do pensamento e da prática judaica, e toda a literatura judaica subseqüente consiste, em grande escala, em comentários a seu respeito. Apresentação de aspectos característicos da poética hebraica bíblica.  Longe de esgotarmos todas as possibilidades poéticas e em particular dos antropomorfismos e antropopatismos bíblicos, entendemos que se faz necessário resgatar o sentido original do texto, respeitando as especificidades não apenas da língua hebraica, mas de uma maneira muito particular de pensar o mundo e o religioso que caracterizavam a mentalidade do homem bíblico.

 

A memória da infância de Jesus de Nazaré no Evangelho da Infância, de Tomé

Diádiney Helena de Almeida (História - UFRJ)

 

Partindo do pressuposto que as origens de Jesus de Nazaré foram reconstruídas à luz dos aspectos “maravilhosos” da sua vida pública, pode-se observar que o Evangelho da Infância, de Tomé reproduz a memória de um grupo cristão específico que viveu nos primeiros séculos da Era Cristã. Além de querer demonstrar as habilidades mágicas do Jesus menino, e portanto de seu poder, este escrito tem por objetivo definir a identidade de Jesus. Assim, a cristologia também é um elemento importante que perpassa pelas histórias que são narradas por este evangelho. Os cristãos do século II que transmitiram essas histórias oralmente sabiam que elas remeteriam também às histórias conhecidas sobre o ministério de Jesus. E assim elas fariam sentido para quem as ouvisse. Tais histórias podem soar estranhas para um cristão moderno, mas para círculos cristãos gnósticos da época eram muito pertinentes, faziam sentido.

 

Privilégios divinos: um estudo comparativo acerca das relações com o divino presentes nas Lâminas Áureas e nos escritos da comunidade judaica de Qumran

Prof.ª Mestranda Lolita Guimarães Guerra (PPGHC - UFRJ)

 

As relações entre o cristianismo e o “orfismo” inspiraram comparações as quais, freqüentemente, tomaram o tema da ressurreição como fator comum. Contudo, um traço marcante da documentação órfico-dionisíaca como a experiência de um vínculo com o divino enquanto garantia de uma pós-morte privilegiado, encontra-se tanto no cristianismo primitivo quanto nos hinos de Qumran (s. II a.E.C.-I E.C.). Assim como nas Lâminas Áureas (s. V-II a.E.C.) o morto lança mão de seu vínculo com os deuses a fim de garantir um tratamento especial no Hades, os membros da comunidade de Qumran afirmavam ter sido livrados do Abismo por seu senhor. Analogias como estas indicam a necessidade de expandir as comparações entre o orfismo e o cristianismo a outras manifestações religiosas presentes em comunidades judaicas e ambientes helenizados.

 

O perfeito combatente: identidade social em contexto de guerra santa

Prof. Dr. Valtair Afonso Miranda (Ciências da Religião - Universidade Metodista de São Paulo)

 

O Rolo da Guerra é parte de um importante grupo de escritos encontrados na gruta 1 de Qumran. Datado de cerca de 164 a.C., de origem judaica, contém o relato de uma guerra escatológica entre o grupo sectário a ele subjacente e o restante da humanidade. Percebe-se, entretanto, que apesar da nota tão peculiar de orientar uma guerra que se daria no final dos tempos, o rolo é, como outros livros de grupos judaicos da época, um documento de definição de limites sociais. Ele procura descrever a identidade da seita, mesmo projetando-a para um grupo de futuros combatentes. Isso faz com que muito mais do que uma descrição do futuro combate, ele seja uma prescrição do perfeito combatente, fornecendo, então, elementos para a definição de identidade social de um grupo sectário em contexto de guerra religiosa.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 10: MILITARISMO, GUERRA E IDENTIDADE NA ROMA ANTIGA

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa

Sala 214, Bl. C —10h às 12h

 

A identidade patriótica romana nas Odes de Horácio

Prof.ª Ana Thereza Basilio Vieira (Professora Adjunta de Língua e Literatura Latina - UFRJ)

 

O Império Romano, após um período de guerras e lutas civis, passa às mãos de Augusto, no século I d.C., quando advém a chamada pax romana. Nessa época, um grande caráter patriótico e um forte sentimento de nacionalidade pairam sobre Roma. A sensação de paz e de alívio renova as esperanças do povo romano, resgatando antigos costumes já abandonados, como os casamentos, a contenção do luxo excessivo, a política de solução pacífica e a reorganização das fronteiras no Ocidente. Horácio, vívido poeta deste período, mostra em algumas de suas Odes a nova ordem política e social, desencadeada por Augusto. Este trabalho pretende apresentar as reflexões de Horácio sobre o epicurismo e o estoicismo, que propiciam uma vida de equilíbrio e de serenidade diante das adversidades e da própria morte, e os anseios de paz e de esperança que levam à concórdia.

 

“A arte militar”: discurso de poder e alteridade

Leandro Alves Felício (Graduando em História - UFRJ)

 

O objetivo de nossa comunicação é demonstrar como em um manual militar se apresentam as inúmeras formas de discurso que vão formar a linguagem ideológica impulsionadora de uma postura exemplar para um corpo de militares (Legiões) na antiguidade romana, e como possíveis contradições são estabelecidas à medida que se busca inspiração em formações militares de outrora, numa tentativa de resgate a velhas tradições. Nesta comunicação através do cruzamento de documentação de cultura material e textual (na textual através de análise temática) procurarei demonstrar sua relação na formação do discurso mencionado.

O assassinato de César em Plutarco e Suetônio

Márcio Mendes de Lima (Graduando em História - UFF/ CEIA)

 

A Guerra Civil e, dentro dela, o assassinato de Caio Julio César, foram eventos de fundamental importância para a sociedade romana. Pretendemos com esta comunicação analisar o assassinato de César através das obras Vida de Bruto e Vida de César, de Plutarco, e a biografia de Júlio César escrita por Suetônio em Vidas dos Doze Césares.

 

Arminius/Hermann: uma leitura da batalha de Teutoburgo

Otto Carlos Barreto Neto (Graduando em História - UNIRIO)

 

A batalha de Teutoburgo representa para Roma, no século de Augusto, um duro golpe na força militar na região da Germânia. A emboscada foi planejada e executada por Arminius, líder da tribo germânica dos Cheruscos, onde Roma perde três legiões inteiras. A batalha afastou a administração romana das tribos a oeste da Germânia. A imagem de Arminius foi resgatada nos últimos séculos por nacionalistas alemães, o rebatizando com seu suposto nome Hermann. Nesta linha pretendo detalhar uma análise de identidade em uma região extremamente fragmentada por diversas tribos de costumes semelhantes que conviveram por muito tempo com a influência de Roma, quais as conseqüências do imperialismo romano no cotidiano de povos nômades e o contexto para que séculos depois um líder tribal seja resgatado para simbolizar uma cultura germânica.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 11: ESTUDOS LITERÁRIOS GREGOS: HERÓDOTO E HOMERO

Coordenador: Prof.ª Ms. Valéria Carneiro dos Reis

Sala 205, Bl. C —10h às 12h

 

Líbia e Etiópia: aspectos humanos e geográficos

Cristiano Bispo (NEA/UERJ)

 

A presente comunicação visa apresentar a diversidade humana e geográfica do continente africano na obra “História” de Heródoto. Em suas narrativas encontramos elementos singulares que contribuem para a construção de novas perspectivas sobre a historiografia africana.

 

As mortes de Dólon e Reso: a astúcia em Ilíada X

Lilian Amadei Sais (Graduanda em Letras Português/Grego - USP)

 

Esta comunicação pretende comentar o décimo canto iliádico, conhecido como “Dolonéia”, a partir do conceito arcaico de astúcia (mêtis) que vigorava entre os gregos.

 

Os Oráculos na obra de Heródoto

Prof.ª Ms. Valéria Carneiro dos Reis (UNESA / CEIA - UFF)

 

A linguagem do Oráculo de Delfos consiste no ponto de vista divino o qual abarca uma compreensão totalizante do tempo e do espaço, da origem e da condição humana. O oráculo conserva para si a compreensão total não só do plano das ações humanas, mas também da ordem que transpassa o homem, deixando a este somente a visão de uma ordem em constante mudança.

No sistema de ascensão e queda dos homens, K.H. Waters propõe pelo menos dois níveis de causalidade para a perda humana os quais mostrar-se-iam na estrutura metafórica dos oráculos e atrelados ao seu sistema de oposição e de complementaridade, proposto por Jean-Pierre Vernant, quando estes, ao serem proclamados, apontariam para a ordem em curso das ações de motivação humana, e para a ordem imutável, sobre-humana e predeterminada.

 

MINICURSO

Sala 411, Bl. C —10h às 12h

 

Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia

Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

 

Leitura, tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero da ruptura final.

 

MESA-REDONDA

ARTE E IDENTIDADE NAS ELEGIAS GREGA E ROMANA

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Ana Lucia Silveira Cerqueira

Auditório 218, Bl. C —14h às 16h

 

A elegia grega arcaica

Prof.ª Dr.ª Glória Braga Onelley (UFRJ / CEIA - UFF)

 

            No presente trabalho, serão apresentadas considerações essenciais acerca da elegia grega arcaica, com base na teorização de Martin West. Desta modalidade poética destacar-se-ão alguns de seus principais cultores, de cujos fragmentos será feita uma análise crítico-literária, privilegiando-se, nesta parte do trabalho, os versos dos poetas Sólon e Teógnis de Mégara, com o objetivo de destacar-lhes os pontos de identidade e de divergência no tocante à atuação política dos cidadãos de Atenas e de Mégara e ao destino das referidas póleis.

 

A arte da elegia Alexandrina

Prof.ª Dr.ª Shirley Fátima Gomes de A. Peçanha (UFRJ)

 

            Propõe-se neste trabalho tecer comentários a respeito da elegia alexandrina, com base em versos de seu principal representante: Calímaco de Cirene. A fim de melhor compreender os princípios estético-literários da elegia alexandrina, faz-se necessária a apresentação de comentários acerca do contexto político-social em que grassou esta variedade poética. Para ilustrar a nova roupagem elegíaca, será analisado o fragmento 75 do poeta Calímaco, que contém a famosa história de amor de Acôntio e Cidipa.

 

Arte e identidade na elegia romana

Prof.ª Dr.ª Ana Lucia Silveira Cerqueira (UFF)

 

            A pesquisa reflete sobre a questão da originalidade da elegia latina e lança um olhar especial sobre a pintura das identidades das musas criadas pelos seus cultores em Roma: idealização e realidade.

 

CONFERÊNCIA

Auditório 218, Bl. C —16h às 18h

 

Tirocinium fori: O orador e a criação de “homens” no Forum Romanum

Prof.ª Dr.ª Claudia Beltrão da Rosa (UNIRIO / CEIA - UFF)

 

O Forum Romanum era o locus por excelência do estabelecimento do significado cultural de gênero na Roma Antiga. Uma parte do Forum era um espaço ordenado para a realização e desenvolvimento dos negócios “masculinos”: os discursos políticos, o recenseamento dos cidadãos, os tribunais, ali tinham seu lugar. Os negócios “femininos”, por sua vez, tinham seu espaço próprio, em torno do Forum Boarium, perto do templo da Mater Matuta, e os rituais femininos mais importantes eram realizados fora do Forum Romanum, com a nada surpreendente exceção do Templo de Vesta. Todo ano, no dia da Liberalia, os adolescentes romanos de “boa família” eram levados por seus pais ou tutores ao Forum, para se submeterem a uma espécie de “rito de passagem” que, se satisfeitas as suas exigências, lhes garantia a toga virilis. O tirocinium fori (recrutamento para o Forum), que coroava os ritos da Liberalia, era paralelo ao tirocinium militae. Tais rituais criavam o corpo masculino do cidadão romano em seu lugar, seu vestuário e seu comportamento. Um importante fator para o bom sucesso dos jovens nos rituais “que incluíam inspeções físicas” era a formação retórica. A oratória era apropriada aos homens, distinguindo-os das mulheres, de quem era esperada a castidade em benefício de sua família e, por conseguinte, o silêncio. Tendo como ponto de partida um caso particular, revelado por Cícero no Pro Caelio, analisaremos alguns elementos dos ritos deste Festival. Cícero nos relata como era estruturado o tirocinium fori, que incluía tanto os dons oratórios do jovem quanto o poder de atração sexual do adolescente. O belo adolescente Célio foi passado de homem a homem em sua formação: de seu pai a Cícero, de Cícero a Crasso, homens de grande destaque na vida pública romana. O ensino, o treinamento retórico e o vínculo sexual (velado na documentação) se aliavam na formação do homem público. Seu aprendizado envolveu os fortes laços de hierarquia entre seniors e juniores, que davam solidez à amicitia aristocrática, ilustrando o princípio consolidado, mais tarde, por Sêneca (Ep. 114.1): talis oratio qualis vitae. O Forum era o locus do bom orador e do bom cidadão, criando a identidade do vir bonus.

 

MINICURSOS

 

Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação

Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF)

Sala 411, Bl. C —18h às 20h

 

O minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente, desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas. Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell.

 

1. O mito como narrativa exemplar;

2. O mito como deformação do real;

3. O mito como racionalização primitiva;

4. O mito como ”ipso alter”;

5. Possibilidades estratégicas do uso das diferentes leituras.

 

O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana

Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

Sala 407, Bl. C —18h às 20h

 

            O objetivo deste minicurso é abordar o papel dos druidas na Gália e na Britânia pré-romanas. Nas últimas  décadas, vários sítios arqueológicos foram descobertos na França; tais descobertas permitiram elaborar novas articulações comas fontes clássicas.

            Não devemos ver os druidas como um grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas eram de ordem religiosa e político-judiciária. Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia. As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para articularmos nossa pesquisa.

Abordaremos no curso nos seguintes pontos:

 

1. As funções dos druidas nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas;

2. A pesquisa arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários descobertos em solo francês;

3. O papel dos druidas nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o período dos oppida e os contatos com Roma;

4. O aporte das fontes literárias irlandesas.

 

Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.)

Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

Sala 407, Bl. C —20h às 22h

 

Este minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes primárias: a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e da coleção B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon de Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b) ”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas alexandrinas e iconografia funerária.

Através desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”.

Às supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens culturais romanos no Egito de então.

 

1. Direito no Egito romano;

2. Religião no Egito romano;

3. Aplicação da metodologia às fontes primárias (estudo dirigido).

 

 

*          *           *

 

 

QUINTA-FEIRA, 24 DE MAIO DE 2007

 

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 12: MORTE E RITOS FUNERÁRIOS NO MUNDO ANTIGO

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo

Sala 409, Bl. C —08h às 10h

 

A morte dos guerreiros anônimos: uma análise dos ritos funerários na Ilíada

Carmen Lucia Martins Sabino (Graduanda em História - UFRJ/ LHIA)

 

Era essencial para um grego antigo obter uma sepultura. Assim, é necessário salientar a importância do ato pelo qual se pretende recolher todos os cadáveres possíveis dos guerreiros caídos em batalha, primeiro para que não fossem ultrajados pelo inimigo e, segundo, para que se pudesse dar um funeral digno ao morto. Certamente os heróis mortos recebiam as honras devidas, de forma muito diferente dos mortos comuns, mas o que a Ilíada nos diz acerca das muitas mortes anônimas em combate? O objetivo desta comunicação é analisar o aspecto cerimonial dos funerais dos guerreiros aqueus e troianos, e para isso, utilizaremos como documentação o Canto VII da Ilíada, de Homero.

 

Dioniso: a vida indestrutível através da morte

Prof.ª Doutoranda Cristiane Almeida de Azevedo (Ciência da Religião - UFJF)

 

Entre os deuses do panteão grego, Dioniso representa de forma mais definitiva a zoé, a vida sem limitações, sem possibilidade de ser aniquilada. Como seu contraponto e, ao mesmo tempo, complemento, surge também a morte. Paradoxalmente, vida e morte se apresentam em Dioniso, o deus que morre para se mostrar indestrutível, para mostrar que, como ele, a vida é também indestrutível e poderosa. Nessa dinâmica, a vida surge da morte e a morte surge da vida, numa repetição infinita. Esse trabalho pretende pensar o culto e o mito de Dioniso como fundamentais para a religião grega antiga, afinal Dioniso representa a possibilidade de brindar aquilo que é divino na vida, ou seja, a própria vida.

 

Dos templos e casas para as tumbas: o embalsamamento de gatos no antigo Egito

Prof. Ms. Moacir Elias Santos (UNIANDRADE / CEIA-UFF)

 

Este estudo tem por finalidade retomar uma pesquisa sobre o culto aos animais no antigo Egito, em especial às práticas de embalsamamento e os rituais a eles relacionados. Entre as inúmeras espécies da fauna associadas com as divindades, o gato, símbolo de Bastet, será o foco principal da presente comunicação. Domesticado pelos egípcios, este felino tornou-se companhia e proteção das residências mas, ao mesmo tempo, passou a representar uma espécie de “hipóstase” de Bastet. Para essa divindade inúmeros templos e monumentos foram erigidos e milhares de gatos foram criados, mortos e mumificados. A partir de um corpus documental, que inclui tanto fontes primárias, como os gatos mumificados e ataúdes felideomorfos da coleção do Museu Nacional, bem como os dados secundários, obtido por meio de outros pesquisadores, serão apontados e contextualizados os diferentes motivos para a realização da mumificação deste felino.

 

Alimentos para a eternidade: as oferendas funerárias em estelas do Reino Médio

Simone Girardi da Silva (Graduanda em História - UNIANDRADE)

 

No antigo Egito o significado dos alimentos ultrapassou a barreira da sobrevivência material. Os egípcios acreditavam que, no além-túmulo, repetiriam a sua existência num mundo perfeito governado por Osíris, mas para assegurar esta nova vida, oferendas de diversos víveres seriam necessárias para a manutenção do ka (energia vital). Esse processo tanto era feito por meio das próprias oferendas colocadas in natura nas capelas funerárias, quanto por meio de representações esculpidas ou pintadas. Nesta comunicação, buscaremos mostrar qual era o significado dos diversos alimentos contidos em um tipo especial de monumento: as estelas funerárias. Para tanto, escolhemos como fonte de pesquisa a iconografia e as inscrições presentes nas estelas do Reino Médio (2040 - 1640 a.C.). Nossa metodologia de análise consiste na descrição da cena, na identificação das oferendas, dos nomes e títulos das personagens que as acompanham. Com os dados obtidos até o momento, sintetizados em dois tipos de gráficos, espera-se esclarecer alguns aspectos da relação dos egípcios com a alimentação e as práticas funerárias.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 13: ROMA E OS OUTROS

Coordenador: Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco

Sala 214, Bl. C —08h às 10h

 

Romanização na Britannia Romana: o circus da colonia de Camulodunum

Prof. Mestrando Bernardo Luiz Martins Milazzo (PPGH - UFF/ CEIA)

 

Por todo o território imperial encontramos marcos do poder romano na paisagem. Entre uma das formas de demonstrar esse poder, os romanos ergueram construções magníficas, entre elas os circus. Essencialmente eles eram locais para corridas de carros puxados por cavalos, locais para o entretenimento, mas também locais da manifestação da romanitas. Seguindo essa perspectiva, trataremos dos recentes e importantes achados arqueológicos que levam à confirmação da existência de um circus na antiga cidade romana de Camulodunum (Colchester), na Britannia Romana e sua relação com as estratégias de Romanização na ilha.

 

Roma e o oriente: as dificuldades de romanização da Palestina

Jorwan Gama da Costa Junior (História - UNIRIO)

 

Passado o período de tomada da cidade de Jerusalém, os romanos tentaram impor sua hegemonia em uma região onde a religião era o elemento chave para o sentimento de pertencimento de grupo que unia os judeus. Apresentava-se aos romanos uma grande dificuldade, como conseguir romanizar uma região que já possuía uma identidade própria bem estabelecida? Um grande obstáculo para os romanos seria o fato dos judeus possuírem uma memória comum sobre o passado. Afinal, eles já tinham lutado, por exemplo, pela libertação do domínio selêucida. Em suma, a dificuldade em romanizar a região, em incutir nos judeus uma cultura romana, levou a uma dificuldade em controlar a Palestina.

 

Visões de identidade entre dois grandes impérios da antigüidade: chineses e romanos

Marcelo Senna Miranda (Graduando em História - UNIRIO)

 

            Durante o período da Dinastia Han (206 a.C —221 d.C), a China expande seus territórios e sua influência através do, até então, desconhecido Ocidente. Através da Rota da Seda, a China e o Império Romano vieram a ter conhecimento um do outro, ainda que por via indireta, através de relatos de outros povos que intermediaram sua relação. Tal conhecimento não chegou a se tornar substantivo o suficiente para que cada qual pudesse ter um perfil fidedigno da identidade sócio-cultural do outro. Esta comunicação tem como objetivo analisar relatos contidos em registros escritos daquele período histórico, nos quais podem-se comprovar: (i) o tipo de conceito que cada um destes dois povos veio a formular a respeito do outro, e; (ii) as incongruências entre os conceitos formulados e a identidade objetiva de cada um deles.

 

As moedas de Arse-Sagunto: vestígios das interações entre Roma e Sagunto

Vanessa Vieira de Lima (Graduanda em História - UNIRIO)

 

A comunicação em questão busca analisar as diferentes relações existentes entre Roma e a cidade de Arse-Sagunto, situada na Hispania Citerior, em fins do século III e meados do século II a.C. A escolha de tal cidade é singular, pois a mesma inicia a expansão romana nesta província e, ainda, está situada em uma posição estratégica política e economicamente. Assim, a fim de elucidar as práticas imperialistas romanas e o processo de romanização e de resistência, elegeu-se um corpus documental composto por moedas. Isto porque estes vestígios além de se constituírem como fontes artísticas e mesclas de temas romanos e nativos, caracterizam-se como difusores de propagandas políticas e veículos de integração em variadas esferas, já que os saguntinos possuíam comércios monetarizados com o mundo mediterrânico desde antes da II Guerra Púnica.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 14: VISÕES DO FEMININO NA GRÉCIA ANTIGA

Coordenador: Prof. Dr. Alexandre Carneiro Cerqueira Lima

Sala 210, Bl. C —08h às 10h

 

A condição da mulher-esposa na Atenas democrática

Bárbara Shênia Cartes Lopes Borges Jorge (Graduanda em Letras Português/ Grego - UFF / CEIA)

 

Em face da existência de vários grupos femininos integrantes da pólis ateniense, durante o período clássico (V e IV séculos a.C.) - esposas legítimas (cidadãs atenienses, bem-nascidas ou pobres), concubinas, cortesãs (hetaîrai), prostitutas vulgares (pórnai), escravas, estrangeiras livres e sacerdotisas -, pretende-se nesta comunicação examinar a condição e a função da mulher legítima, cidadã e filha de pai e mãe atenienses, em virtude de haver sobre ela a maior quantidade de referências fornecidas pela documentação textual e pela imagética e, sobretudo, em virtude de recair sobre ela a responsabilidade pela legitimidade da descendência no oîkos e na pólis.

 

A constituição das relações de identidade e alteridades femininas através das Tesmofórias

Carolina da Rocha Nunes (Graduanda em História - UFRJ/LHIA)

 

Nossa comunicação pretende demonstrar a construção das relações de identidade e percepção das alteridades femininas na Grécia do período clássico através da leitura e análise da peça “As mulheres que celebram as Tesmofórias” de Aristófanes e a forma com a qual esta festa possibilitava a participação das esposas na esfera pública e cívica na pólis ateniense.

 

Nu feminino na iconografia ática: analisando, tipificando e desconstruindo os paradigmas de análise da historiografia contemporânea

Prof. Edson Moreira Guimarães Neto (UFRJ)

 

A iconografia não só completa e enriquece as informações contidas na tradição literária, como, além disso, transporta significados, dados e fatos culturais que não se evidenciam nos documentos escritos. Nos últimos vinte anos tem proliferado a produção historiográfica que trabalha com a cerâmica Ática, e dentre esses trabalhos é considerável a parcela que analisa as representações do feminino em tal suporte documental. Sendo assim, em nosso trabalho aplicaremos o método de análise documental isotópica e as semióticas de Claude Bérrard e Claude Calame às imagens produzidas pela iconografia ática, além de discutirmos as interpretações e os paradigmas fomentados pela historiografia contemporânea em torno dessas imagens tradicionalmente remetidas ao contexto da prostituição.

 

Mulheres nas práticas esportivas helênicas

Prof. Dr. Fábio de Souza Lessa (LHIA - UFRJ) e Fábio Bianchini Rocha (Graduando em História - UFRJ)

 

Entre os gregos antigos, tradicionalmente, o esporte era um espaço restrito à atuação dos homens; se constituindo ainda em uma ocasião em que os cidadãos explicitavam sua virilidade frente aos seus ísoi. Diferente do que comumente se poderia supor numa pesquisa sobre práticas esportivas, buscaremos analisar, nesta comunicação, as possibilidades das mulheres participarem de competições esportivas na Grécia Clássica (séculos V e IV a.C.). As imagens representadas nas cerâmicas áticas se constituirão na documentação da pesquisa.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 15: ESTUDOS LINGÜÍSTICOS CLÁSSICOS

Coordenadora: Prof.ª Dr.ª Lívia Lindóia Paes Barreto

Sala 401, Bl. C —10h às 12h

 

A língua de Vitrúvio (De architectura, I, 1-3)

Prof. Dr. Eduardo Tuffani (Letras - UFF)

 

O ”De architectura” de Vitrúvio Polião e os níveis de linguagem no período clássico da literatura latina, levando em consideração a ”Questão Vitrúvica”. Balanço dos estudos acerca da língua de Vitrúvio. Características do latim do autor do ”De architectura”. A prosa métrica como elemento artístico desenvolvido por Vitrúvio Polião.

 

A gramática como arte: a presença da gramática grega no século XIX

Prof.ª Dr.ª Maria Bernadete Carvalho da Rocha (Letras - UFF)

 

A gramática científica dos anos novecentos no Brasil associou os aspectos descritivo e prescritivo. Assumiu não só o status de ciência por estar ligada à investigação metódica de fatos lingüísticos, mas também o status de arte. A partir de estudos sobre a obra de Manuel Pacheco da Silva Júnior, gramático do século XIX, pretende-se estabelecer relação entre a gramática científica brasileira e a gramática grega.

 

É ou não é? Sobre o verbo ser no poema de Parmênides

Prof. Mestrando Rafael Huguenin (Filosofia - PUC-RJ)

 

Na origem de todos os problemas filosóficos levantados pelo conceito de ser e pela utilização que os filósofos da antiguidade fazem do verbo ser,

encontramos Parmênides de Eléia. Tradicionalmente, seu poema é interpretado como uma defesa da unidade monolítica do ser. Por meio de uma análise das utilizações do verbo grego ser, a partir de Charles Kanh e Alexander Mourelatos, tentaremos buscar novos elementos para a interpretação do poema.

 

Hino à primavera: um estudo semântico-linguístico nas Geórgicas

Thaíse Pereira Bastos de Almeida Silva (Graduanda em Letras - UFF)

 

Nossa pesquisa de Iniciação Científica, apoiada pela FAPERJ e orientada pela Prof.ª Dr.ª Lívia Lindóia Paes Barreto, tem como ponto de partida o estudo das antigas crenças nas forças que deram origem à formação do universo, de acordo com o mito cosmogônico, as divindades primordiais. Uma delas é Gaia, a Mãe Terra. Ela emergiu do Caos e gerou a vida. É chamada de Grande Mãe uma vez que representa a natureza fértil responsável pelo nascimento e pelo amparo de todos os seres. A partir do estudo semântico-lingüístico dos versos 323 —353 do livro II das Geórgicas de Vergílio, mostraremos como o mantuano visualiza a Deusa fertilizada pelas fecundis imbribus.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 16: ASPECTOS SÓCIO-POLÍTICOS DO EGITO ANTIGO ATRAVÉS DA ICONOGRAFIA E DA ARQUITETURA

Coordenador: Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco

Sala 311, Bl. C —10h às 12h

 

Descontinuidades e permanências na arte amarniana —XVIII dinastia/século XIV a.C.

Aline Fernandes de Sousa (Graduanda em História - UFF/ CEIA)

 

O reinado do faraó Akhenaton atrai a atenção não só pelas reformas religiosas e políticas efetuadas, mas também por sua peculiar arte. Ela foi um importante canal difusor das idéias deste soberano, responsável pela emergência do deus Aton como divindade principal e pela construção de uma capital —Akhetaton (Amarna) - em honra a esse deus. O impacto visual provocado pelo novo estilo das representações levou muitos estudiosos a defenderem a idéia de uma separação total da arte tradicional. Entretanto, uma análise mais detalhada demonstra que não houve um

abandono do cânone tradicional, mas alterações para que essa arte se adaptasse ao projeto político-religioso de Akhenaton. Esta comunicação pretende analisar as continuidades e descontinuidades nas representações do período amarniano, utilizando como fontes imagens da realeza.

 

A função da iconografia na construção de uma “nova figura real” no antigo Egito do Reino Novo (1550-1069 a.C.)

Fábio Frizzo (Graduando em História - UFF / CEIA)

 

O Reino Novo (1550-1069 a.C.) traz grandes modificações na sociedade egípcia. Pelo lado religioso, há uma menor mediação régia na relação entre indivíduo e deus; pelo lado político, inicia-se um imperialismo que adota a tática de integrar, ainda que não totalmente, as sociedades conquistadas. Neste sentido, observamos a construção de uma espécie de “nova figura real”, que busca, através de mecanismos de poder como o controle dos principais sistemas simbólicos, o fortalecimento da imagem do faraó. Procuraremos demonstrar isto através do estudo de iconografias régias, tanto nos templos construídos pelo rei no exterior, como o caso da Núbia, quanto na própria tumba real, nos conhecidos Livros do Mundo Inferior.

 

O público e o privado no Egito antigo: o exemplo de Kahun

Prof.ª Mestranda Liliane Cristina Coelho (PPGH - UFF / CEIA)

 

As noções de público e privado, conforme aceitas pela sociedade atual, sofreram modificações ao longo do tempo. Dessa maneira, para os antigos egípcios essas definições são diversas das usualmente adotadas por nossos contemporâneos. Partindo desses pressupostos, elaborou-se um projeto de pesquisa que tem, como um de seus objetivos, analisar a delimitação entre vida pública e vida privada no Egito do Reino Médio (2040 —1640 a.C.). Para tal, adotaremos como modelo a cidade de Kahun, situada no Fayum, uma comunidade ocupada durante o Reino Médio por artesãos, que estavam a serviço das oficinas dos templos, e por sacerdotes responsáveis pelo culto funerário do faraó Senuosret II, e que se encontra bem documentada. A partir da arquitetura das casas, e das atividades que eram desenvolvidas em cada ambiente, procuraremos a distinção entre espaço público e espaço privado nas residências da “elite” e da “não-elite” que coabitava nessa localidade.

 

A egípcia no Reino Novo: a imagética como reveladora de sua inserção na estrutura social do Egito

Sandra Raitani Bley Pereira (Graduanda em História - UNIANDRADE)

 

O presente tema desta comunicação se encontra inserido num projeto maior, pertinente à situação jurídica da mulher egípcia, principalmente no tocante aos aspectos de igualdade com o homem. Dentro dessa idéia mais ampla, julgamos que é necessário, inicialmente, tentarmos definir quem é esta mulher, e como ela se encontra posicionada dentro da estrutura social egípcia. Para tanto, restringiremos nossa análise ao período conhecido como Reino Novo (c.1550-1070 a.C.), tendo como corpus documental as pinturas murais, as estelas e a estatuária funerária. Como metodologia, seguiremos a proposta da egiptóloga Gay Robins, referente à análise qualitativa das imagens, onde a linguagem não verbal, traduzida pelas representações que serão, aqui, objeto de análise, poderão trazer subsídios para a questão que ora se propõe, qual seja, a de verificarmos o papel destinado à mulher e

onde, dentro da estrutura social, a mesma se encontrava inserida.

 

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES 17: IDENTIDADE ROMANA: POLÍTICA E ORGANIZAÇÃO SOCIAL

Coordenador: Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Rebel de Araújo

Sala 210, Bl. C —10h às 12h

 

Dies Romanus: calendário, identidade e poder em Roma no I século a.C.

Airan dos Santos Borges (Graduanda em História - UFRJ)

 

Nesta comunicação analisaremos a organização do tempo na sociedade romana do I século a.C. através dos calendários epigráficos. Partiremos da idéia de que estes documentos podem ser considerados vetores da identidade romana e instrumentos de poder, ao ordenar e ditar o ritmo de vida da sociedade.

 

A formação da identidade romana através da incorporação da cultura grega

Carolina Oliveira de Araújo (Graduanda em Letras - UFF) e Isabela Bastos de Carvalho (Graduanda em Letras - UFF)

 

Este trabalho tem como propósito abordar o período romano compreendido entre os séculos V a.C e I a.C.. Neste período, a forma de governo que estava em vigor era a República. Do ponto de vista cultural, a cultura grega exercia grande influência nos costumes do povo romano. Como os valores gregos foram absorvidos pelos romanos? O que da cultura grega manteve-se e o que foi adaptado? Para responder as questões que propomos, é necessário observar que, apesar de incorporar a cultura helênica, os romanos tinham a generalidade de reelaborar, recriar e transformar tudo o que era absorvido. Eles sempre mantiveram sua autenticidade e autonomia.

 

Participação popular e construção da identidade política do cidadão romano no final da República

Prof.ª Ms. Gisele Oliveira Ayres Barbosa (USS / UGB)

 

Ao estudar o governo romano dos dois últimos séculos da República, duas possibilidades de interpretação, alternadamente defendidas em obras recentes, se abrem diante do historiador: a de uma Roma notadamente aristocrática na qual a nobreza senatorial exercia absoluto controle sobre todas as instituições políticas, inclusive os comícios, e a de uma Roma com tendências democráticas na qual as assembléias e o voto popular exercido no interior destas tinham uma importância se não decisiva ao menos considerável. Dentro da proposta de estudo de uma História da Cultura Política e com o objetivo de promover reflexões que contribuam para o citado debate, o presente trabalho procura apresentar uma análise dos elementos que atuavam na formação da identidade política do cidadão romano do final da República.

 

Identidades étnicas sob o Império Romano - uma análise a partir dos romances gregos

Prof.ª Mestranda Rosana da Costa Maia (PPGH - UFF / CEIA)

 

Nesta comunicação, apresentaremos alguns aspectos relativos às estratégias de afirmação de identidades locais presentes no romance grego Leucipa e Clitofonte, escrito por Aquiles Tácio, no século II d.C. Partimos da hipótese de que o processo de identificação dos povos helenizados da bacia oriental do Mar Mediterrâneo, sob o Império Romano, tinha como base a referência à sua identidade de origem. Buscamos estudar de que forma estavam construídas as relações de identidade/alteridade entre tais povos. Nosso objetivo é definir qual o vinculo decisivo que lhes confere uma identidade, pensada como forma de resistência aos dominadores, considerando as múltiplas identidades existentes no âmbito do Império Romano.

 

MINICURSO

Sala 411, Bl. C —10h às 12h

 

Tradução de poemas de Catulo pertencentes ao ciclo de Lésbia

Prof.ª Dr.ª Edna Ribeiro de Paiva (Letras - UFF)

 

Leitura, tradução e comentários lingüísticos e culturais de poemas da obra catuliana pertencentes ao ciclo de Lésbia. Seleção das peças mais representativas das diversas etapas de sua paixão: o encantamento inicial, as decepções e constatações da infidelidade da amada e o desespero da ruptura final.

 

MESA-REDONDA

ELEMENTOS ÉTNICOS E REPRESENTAÇÕES CULTURAIS NO MEDITERRÂNEO ANTIGO

Coordenador: Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras

Auditório 218, Bl. C —14h às 16h

 

Esparta: suas identidades políade e grega

Prof.ª Ms. Isabel Sant’Ana Martins Romeo (UFRJ)

 

Nosso trabalho propõe um debate sobre os discursos identitários que levaram a segregação da “pólis” espartana do sistema que se convencionou nomear por grego.  Partindo de uma crítica à visão “atenocêntrica” da história grega, buscamos ressaltar os pontos análogos capazes de nos trazer à tona uma melhor compreensão do mundo antigo grego, principalmente, com relação ao papel e lugar social das esposas bem-nascidas.

 

O mar em festa: representações musivas dos cortejos marítimos na África Proconsular

Prof.ª Dr.ª Regina Maria da Cunha Bustamante (LHIA/ PPGHC - UFRJ)

 

Os temas mitológicos ocupavam um importante espaço no marco decorativo tanto público quanto privado na África Proconsular. Os mitos e lendas sobre o mar estavam difundidos, fazendo parte da cultura clássica compartilhada durante o Império Romano. Todos se moviam num universo em que as divindades e os heróis da mitologia greco-romana representavam o imaterial, o sagrado, a emoção, o saber e uma visão de mundo. Os afro-romanos gostavam de encontrá-los, através da escrita e da imagem, em suas casas, na escola, no fórum, no teatro, nas termas...

No politeísmo romano, havia uma multiplicidade de divindades e seres mitológicos associados ao elemento aquático, que foram representados nos mosaicos da África Proconsular: os deuses Oceano, Netuno, Vênus e Baco, bem como os componentes de seus séquitos, como Nereidas e Tritões, além de Cupidos.  Aparecem também heróis que tiveram aventuras no mar ou com seres mitológicos marinhos: Ulisses, Aríon, Perseu e Leandro. Nesta comunicação, selecionamos algumas destas imagens, procurando identificar as leituras possíveis destes discursos imagéticos e como sua(s) mensagem(ns) interagiu(ram) na organização do pensar e do agir daquela sociedade.

 

A identidade do tecido social multi-étnico e politeísta do Egito romano, analisada à luz da arte iconográfica egípcia (séculos I e II d.C.)

Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

 

O presente trabalho objetiva identificar as práticas politeístas dos componentes de três segmentos étnicos, os quais se justapuseram às margens do Nilo, ao longo de séculos:  I) ”egípcios de origem”, II) ”gregos”, e III) ”romanos”; partindo do estudo de dois corpora de fontes primárias iconográficas:  a) ”imagens funerárias”, tendo como ponto em comum, a constante presença do deus faraônico Anúbis (portador de tríplice função:  o embalsamamento, a intermediação entre o morto e o tribunal funerário, e, o zelo pelas necrópoles); e b) ”imagens numismáticas de deuses egípcios” (dos períodos ptolomaico e romano, mas também do faraônico), oriundas de Alexandria do século II d.C.

 

A representação do feminino e a construção da identidade romana: a morte heróica de Lucrécia

Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA - UFF)

 

Diante dos diferentes modelos heróicos masculinos difundidos pelos romanos, desponta a figura altaneira de Lucrécia, cujo comportamento é determinante na expulsão do último rei em Roma e a consolidação de uma república aristocrática, patriarcal e hierárquica.  Através da representação de sua morte heróica, Cícero e Tito Lívio redesenham o espaço do mos maiorum como axial à identidade romana.

 

CONFERÊNCIA

Auditório 218, Bl. C —16h às 18h

 

Fragmentos e fotogramas na construção da identidade de Helena

Prof.ª Dr.ª Maria Cecilia de Miranda Nogueira Coelho (PUC-SP / COGEAE)

 

No Nascimento da tragédia, Nietzsche, ao falar dos homens gregos, faz um comentário particularmente interessante sobre Helena de Tróia ao dizer: ”E assim, é possível que o observador fique realmente surpreendido ante essa fantástica exaltação da vida e se pergunte com qual filtro mágico no corpo puderam tais homens exuberantes desfrutar da vida a ponto de se depararem, para onde quer que olhassem, com o riso de Helena? a imagem ideal, ’pairando em doce sensualidade’, da própria existência deles? (§ 36). Helena: hipóstase da existência do homem grego. Seria pertinente esta instigante imagem? A fim de, pelo menos, tentar compreendê-la, pretendo analisar algumas representações de Helena de Tróia na literatura clássica grega, bem como sua presença no cinema. Esta análise será feita por meio do exame de fragmentos de textos poéticos, principalmente a Ilíada, Odisséia, Elogio de Helena e Helena, e de filmes, nos quais a bela espartana aparece, seja como personagem mítica: Helena de Tróia (R. Wise, 1955), As Troianas (M. Cacoyannis, 1971), Helena de Tróia (J. K. Harrison, 2003), seja como metáfora da figura feminina: Eléna et les hommes (J.Renoir, 1956), Encaixotando Helena (J. Lynch, 1993), Cinzas do paraíso (M. Pineyro, 1996), Duas vezes com Helena (M. Farias, 2002).

 

MINICURSOS

 

Mito e razão: perspectivas de análise e interpretação

Prof. Ms. Manuel Rolph De Viveiros Cabeceiras (CEIA —UFF)

Sala 411, Bl. C —18h às 20h

 

O minicurso pretende traçar uma panorâmica sobre os diferentes modos de abordagem do ”mythos” desenvolvidos no Ocidente, desde o momento em que a sua realidade foi posta em questão pela filosofia antiga até os dias de hoje, proporcionando o surgimento de importantes estudos também na área da literatura e das diferentes ciências humanas. Ênfase especial será dedicada aos estudos indo-europeus de Dumézil, à análise estrutural de Vernant e Detienne, à fenomenologia religiosa de Eliade e à psicologia analítica de Jung e Campbell.

 

1. O mito como narrativa exemplar;

2. O mito como deformação do real;

3. O mito como racionalização primitiva;

4. O mito como ”ipso alter”;

5. Possibilidades estratégicas do uso das diferentes leituras.

 

O papel dos druidas na sociedade celta pré-romana

Prof. Doutorando Filippo Lourenço Olivieri (PPGH - UFF/ CEIA)

Sala 311, Bl. C —18h às 20h

 

            O objetivo deste minicurso é abordar o papel dos druidas na Gália e na Britânia pré-romanas. Nas  últimas décadas, vários sítios arqueológicos foram descobertos na França; tais descobertas permitiram elaborar novas articulações com as fontes clássicas.

            Não devemos ver os druidas como um grupo apartado da dinâmica da sociedade celta, pelo contrário, eles estavam presentes nas transformações sociais, bem como nos contatos com Roma. As novas descobertas confirmam que as prerrogativas druídicas eram de ordem religiosa e político-judiciária. Assim, confirmam as principais fontes clássicas que abordam o lugar dos druidas nas sociedades celtas na Gália e Britânia. As fontes literárias irlandesas pré-cristãs também contribuem para articularmos nossa pesquisa.

Abordaremos no curso nos seguintes pontos:

 

1. As funções dos druidas nas principais fontes clássicas, tais como César (A Guerra das Gálias), Cícero (Sobre a adivinhação), Diodoro (Biblioteca Histórica), Estrabão (Geografia), entre outros. As prerrogativas político-religiosas;

2. A pesquisa arqueológica recente e sua articulação com as fontes clássicas. Os santuários descobertos em solo francês;

3. O papel dos druidas nas transformações da sociedade celta nos séculos II e I a.C., durante o período dos oppida e os contatos com Roma;

4. O aporte das fontes literárias irlandesas.

 

Direito e religião no Egito romano (séculos I e II d.C.)

Prof. Dr. Luís Eduardo Lobianco (CEIA - UFF)

Sala 305, Bl. C —20h às 22h

 

Este minicurso constitui-se em uma oficina de estudos das seguintes fontes

primárias: a) ”textuais” - papiros de Oxirrinco e da coleção B.G.U., fragmentos de ”O Decálogo”, de Fílon de Alexandria, e trechos do ”Livro do Êxodo” da ”Bíblia Sagrada”; e b) ”iconográficas” - imagens de divindades egípcias em reversos de moedas alexandrinas e iconografia funerária.

Através desta documentação buscar-se-á identificar as práticas jurídicas e religiosas ali mencionadas e representadas, respectivamente, próprias dos quatro mais importantes grupos étnicos do Egito Romano, no período: os ”egípcios de origem”, os ”judeus”, os ”gregos” e os ”romanos”.

Às supracitadas fontes primárias, aplicar-se-á, com vistas ao seu aprendizado, a metodologia da ”Análise de Conteúdo”, cujo objetivo é não apenas estudar tal documentação a fundo, bem como avaliar o grau de circulação dos bens culturais romanos no Egito de então.

 

1. Direito no Egito romano;

2. Religião no Egito romano;

3. Aplicação da metodologia às fontes primárias (estudo dirigido).

 

*          *           *

 

Inscrições:

As inscrições de ouvintes serão realizadas até o primeiro dia do evento, apenas presencialmente na sala do CEIA. Não serão aceitas inscrições pela Internet.

Valor do investimento:

R$ 10,00 – Jornada

R$ 5,00 – Minicurso (cada)

Os participantes receberão o material do evento no dia da inscrição e o certificado, com carga horária, no último dia da jornada.

 

________________________________________________________________________________________________________________________

 

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1