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PROGRAMAÇÃO
25 DE OUTUBRO
DE 1999 > Sessão de Abertura: 08:30 - sala 213 Bl O
> Sessões Temáticas de Comunicação
Sessão de
Comunicações I: 09:00 / 10:40 - Sala 213-O REFLEXÕES
SOBRE O MITO GREGO E A POÉTICA CLÁSSICA Coordenador:
Ciro Flamarion Cardoso (CEIA-UFF) - O Mito de
Orfeu nas Metamorfoses de Ovídio Ana Lúcia
Cerqueira (CEIA-UFF) O trabalho
permite uma leitura do mito de Orfeu a partir do texto ovidiano
As Metamorfoses, sublinhando ainda o simbolismo das direções nas
culturas antigas e a importância do orfismo na
história da espiritualidade grega, sem perder de vista a retomada do mito em
outros textos literários. - O ethos trágico na Poética de Aristóteles Maria Helena
Varela (CEIA-UFF) Revelando o
avesso da moral heróica, a tragédia celebra a cidade como lugar onde se
representam as relações entre o ethos
trágico, a lei e o logos. Enlaçando a poética e a retórica,
subordinando ambas à ética, Aristóteles restitui aos discursos verossímeis
uma razoabilidade argumentativa e um sentido moral próximo dos filósofos da
Nova Retórica e do Neopragmatismo contemporâneos. - Édipo, uma
Proposta de Leitura Maurício
França de Santanna (CEIA-UFF) A presente
comunicação tem como objetivo analisar o tipo de linguagem estabelecida entre
Édipo e outros personagens, que aparecem na tragédia Édipo Rei, de
Sófocles. É interessante notar como o personagem principal muda seu discurso
dependendo das "perseguições" que podem vir a prejudicá-lo. Seu caráter é
exaustivamente transformado no decorrer da tragédia e confirma o quanto as inovações
de Sófocles são relevantes. - Electra: o
Mito em Debate
Rívia Silveira Fonseca
(CEIA-UFF) Este trabalho
pretende apresentar o mito de Electra e observar o debate que se cria acerca
do mito quando confrontamos os textos de dois tragediógrafos
gregos Sófocles e Eurípedes. Sessão de
Comunicações II: 10:50 / 12:30 - Sala 213-O PODER,
ALTERIDADE E BENS DE PRESTÍGIO: ETÍOPES, GREGOS, CELTAS E GERMANOS Coordenador:
Manuel Rolph Cabeceiras (CEIA-UFF) - A
Hospitalidade Céltica em Hochdorf
Adriene Baron Tacla (LHIA-UFRJ) Os contatos
entre a pólis dos Massaliotas
e os chefes celtas, tanto na documentação textual quanto na arqueológica,
sempre ocorrem em rituais de banquete-hospitalidade ou a eles se remetem,
evidenciando um ritual específico para que sejam entabuladas as relações e
para que um estrangeiro seja aceito nessas sociedades. Objetivamos,
assim, na presente comunicação, analisar as relações políticas entre a pólis dos Massaliotas e
a tribo de Hochdorf, na segunda metade do século VI
a.C., através da prática da hospitalidade céltica, partindo dos bens
encontrados na tumba do chefe dessa tribo, próxima a Stuttgart, no sudoeste
da Alemanha. - Imagem do
Estado em Homero Alexandre
Galvão Carvalho (UESB) Esta comunicação
trata da esfera política do mundo homérico. Uma análise da natureza do Estado
Grego Arcaico, demonstrando as diversas opiniões, muitas vezes
contraditórias, da sociedade homérica. As bases do poder real, abordadas
através da hereditariedade e da sucessão real. O dom e o contra-dom como um mecanismo
central de legitimação e mobilização política. O papel das assembléias nos
poemas e a resolução dos conflitos nestas assembléias. Finalmente uma análise
de um aspecto da ideologia, a dependência da vontade divina como um aspecto
da ideologia. - Heródoto e
os Etíopes Cristiano
Bispo (NEA-UERJ) A proposta de
nosso trabalho é evidenciar como os gregos olhavam o outro - os negros
etíopes - analisando em princípio a obra de Heródoto e algumas imagens nas
quais percebemos uma aparente euforização, como podemos
observar na seguinte citação: "(…) os etíopes são os mais altos e belos
de todos os homens (…)". (Heródoto, Livro III). - O Poder
Real e seus Símbolos em Beowulf Jorge Ricardo
C. de Carvalho R. da Câmara (CEIA-UFF) O poema épico
anglo-saxão Beowulf é rico em
descrições sobre as características, manifestações e manutenção do poder
real, apresentando-se como uma útil fonte para o seu estudo no que diz
respeito às populações germânicas na Alta Idade Média. Nestas comunidades de
caráter tribal, o poder real se manifesta através do herói, o líder
guerreiro, advindo de seu sucesso em batalha e da capacidade de arrebanhar um
bando guerreiro. A manutenção do poder passa pela legitimação do líder junto
à comunidade na medida em que ele se insere em certos códigos de conduta, ou
seja, dentro dos limites impostos pela aristocracia de guerreiros, como
justiça e generosidade, e pela sua capacidade em administrar o tesouro, como
uma engrenagem essencial de um sistema de dom e contra-dom, que caracteriza a
circulação de bens materiais: o rei é o "doador de anéis". O outro
aspecto da atividade do rei é que este deve ser um grande guerreiro,
conseguindo assim o respeito de seus subordinados, e porque a atividade
bélica e de conquista é essencial estabelecer uma base material (o butim) para a redistribuição de riquezas. A contrapartida
é a fidelidade ao chefe tribal. >
Mesa
Redonda: A Épica nas Sociedades Antigas - As epopéias
babilônicas: o exemplo Gilgamesh Emanuel Bouzon (PUC-RJ) A épica é
importante gênero da literatura babilônica, do qual é possível dar muitos
exemplos: o Enunma elish (épica da criação), o poema de erra, a
épica de Gilgamesh que é nosso objeto: além disso,
poder-se-iam citar precursores sumérios (Gilgamesh e Agga).
Umas das obras épicas mais conhecidas é, sem dúvida, o poema de Gilgamesh. A versão mais antiga, preservada parcialmente,
é a paleobabilônica. A mais completa, contudo, é a
versão ninivita, atribuída ao exorcista Sin-leqe-uninni. Poemas sumérios
isolados constituíram certamente as fontes usadas nas versões babilônicas. A
versão ninivita padrão compreende doze cantos, onze
dos quais formam uma estrutura cíclica completa, sendo o último um acréscimo
posterior. - A épica
associada ao faraó no Antigo Egito: Königsnovelle Ciro Flamarion Cardoso (CEIA-UFF) Trataremos de
mostrar que, no pensamento egípcio, a lógica da monarquia divina associava o
gênero épico principalmente à figura do faraó; umas poucas exceções são constituídas
por relatos militares de tom épico em tumbas de particulares. O egiptólogo
alemão Alfred Herrmann propôs definir certos textos
egípcios como Königsnovelle ou
"romances reais": neles, os eventos relatados sofrem releitura
poética e ideológica, surgindo topoi
discursivos recorrentes que descrevem, não tanto reis individuais quanto o
protótipo do faraó ideal: superiormente inteligente, campeão inigualável,
piedoso em relação aos deuses (sendo, ele mesmo, divino), adorado e aclamado
pelos súditos etc. A Königsnovelle não é um
verdadeiro gênero: cobre textos de tipos e finalidades heterogêneos. Trata-se
de uma modalidade multifuncional de discurso sobre o rei. - As
Metamorfoses de Ovídio como poema épico
Manuel Rolph Cabeceiras (CEIA-UFF) A tradição vigente
entre os antigos gregos de Homero como criador e modelo maior da epopéia,
acabaria perpetuada por seus sucessores, os romanos, os quais elegem
Virgílio, o "novo Homero", como legítimo intérprete de Calíope. Ora, não se pode deixar o quanto uma tal leitura
encobre da acirrada luta de representações culturais ocorrida sob o regime de
Augusto, estando entre os seus resultados a estigmatização
das várias tentativas de reinvenção do épico enraizadas na poesia helenística
e culminadas no poema As Metamorfoses de Ovídio. > Conferência:
O Brihadaranyaka Upanishad
e a Sociedade Indiana Antiga: Edgar
Ferreira Neto (NEA-UERJ e UNIRIO)
> Atividade
Cultural: O Cantar das Musas Recital de
Poesias do Mundo Antigo com Marta Fernandes de Carvalho e Paulo Roberto
Pinheiro Felizardo Programa: De Safo de Lesbos (século VII / VI a.C.), Ode à Anactória
(fr. 27, trad. Nely Pessanha)
e Prece à Afrodite (fr. 1, trad. Nely
Pessanha). De Ovídio (43
a.C. - 17 d.C.), A Arte de Amar (I, 1-34, trad.
Anna Lia A. de Almeida Prado) e As Metamorfoses (I, 76-78; dito
o "O Homem", trad. Maria da Glória Novak). 26 DE OUTUBRO
DE 1999 >
Sessões Temáticas de Comunicação Sessão de
Comunicações III: 08:00 / 09:45 - Sala 210-N SOCIEDADE
E RELIGIÃO NO ANTIGO ORIENTE PRÓXIMO: OS CASOS DO EGITO FARAÔNICO E DO ISRAEL
BÍBLICO Coordenadora:
Edna Ribeiro (CEIA-UFF) -
A Narrativa
Hebraica Bíblica: a Construção da Memória versus a Formação da
Identidade Judaica Cláudia Andrea Prata Ferreira (UFRJ) Tendo como
referência a literatura hebraica bíblica, procuramos estudá-la como sendo um
projeto de construção da memória. Essa memória construída literariamente a
partir de uma tradição oral e escrita, evidencia uma relação singular entre o
humano e o divino e procura legitimar em seu discurso a idéia de uma religião
e tradição do livro. - Uma
Interpretação Genética e Crítica da Religiosidade dos Antigos Hebreus
Edmílson Bento da Silva
(CEIA-UFF) Exame das várias
manifestações religiosas entre os antigos hebreus exteriores ao iaveísmo e das relações deste com essas manifestações. - O Culto
Privado a Amon nos Textos e Iconografia da XVIII e XIX Dinastias Julio Cesar Mendonça Gralha (CEIA-UFF) Através das estelas, dos textos e da iconografia nas tumbas de particulares,
podemos perceber como este segmento social concebia o deus e como se
relacionava com ele no cotidiano. Amon não era somente o Deus dos Faraós, ele
era acessível as preocupações humanas e possuía diversas qualidades comuns
aos egípcios. - O "Novo"
Shawabti da Coleção Egípcia do Museu
Nacional Maria Beltrão
e Moacir Elias Santos (Museu Nacional - UFRJ) A coleção
egípcia do Museu Nacional possui um caráter ímpar. Em sua constituição, as
peças, na sua maioria, foram adquiridas através de inúmeras doações, como as
de D. Pedro I, em 1826; Sr. José Francisco Guimarães; Conselheiro Felipe
Lopes Neto, em 1873; I. Dumont Villars; e do Dr.
Artur Neiva. Desde o início do século, sem pesquisas em campo, a coleção
parou de crescer; fortuitamente em 1997, a Srta. Anna Maria Massot Thompson doou uma estatueta pertencente a sua
família. Esta foi prontamente identificada como um shawabti,
uma figura mágica confeccionada para integrar o enxoval funerário dos antigos
egípcios, a fim de substituir o morto em trabalhos na vida além-túmulo. Neste
trabalho apresentaremos um estudo sobre a referida peça. Sessão de
Comunicações IV: 10:00 / 11:45 - Sala 210-N OLHARES
SOBRE O CRISTIANISMO NASCENTE Coordenadora:
Jandyra Figueiredo (CEIA-UFF) - Os Caminhos
do Monaquismo Ocidental nos Séculos IV e V
Edmar Checon
de Freitas (CEIA-UFF) Os séculos IV e
V assistiram ao nascimento e enraizamento da vida
monástica no Ocidente. Cerca de 200 anos antes de Bento de Núrsia, diversos homens e mulheres buscavam a vida
retirada como forma de expressão do ideal cristão. Neste trabalho abordaremos
as alternativas e desafios que se apresentaram aos ascetas do Ocidente, em
meio às profundas transformações então em curso no mundo em que viviam. - Cristianismo
e Práticas Sincréticas no Ocidente Tardo-Romano Paulo Sérgio
Barboza do Rozário (UFES) Em nosso
procuramos demonstrar que no âmbito da religiosidade popular na Antigüidade
Tardia, o cristianismo se propagou entre os grupos populares (humiliores urbanos) desenvolvendo inúmeras
práticas consideradas sincréticas, pois a Igreja se utilizava de mecanismos
provenientes da própria crença popular para adaptá-los ao cristianismo. A conversão dos
grupos populares (humiliores urbanos) se deu
em muito sentido através desses mecanismos que ora eram aceitos plenamente e
ora eram repudiados pelos mesmos, estabelecendo assim em alguns sentidos uma
"conversão" de verniz. Pois em alguns exemplos percebemos uma
interação entre o cristianismo e antigas práticas pagãs no universo religioso
dos grupos populares no Ocidente Tardo-Romano. - A
Interiorização na Perspectiva Cristã Uiara Barros
Otero (LHIA-UFRJ) Esta comunicação
diz respeito aos aspectos intrínsecos a vida dos cristãos, aos valores
considerados supremos que devem ser interiorizados para garantir uma existência
purificada no relacionamento com o divino. A nossa análise é desenvolvida a
partir do texto do teólogo Orígenes do III século d.C. - Autoridade
e Teocracia na Antigüidade Tardia Carlos
Vinícius e Silva Martines (CEIA-UFF) A presente
comunicação se detém a fazer uma análise sobre a ideologia cristã durante a
transição da Antigüidade para a Alta Idade Média. Sessão de
Comunicações V: 10:00 / 11:45 - Sala 214-N O
IMAGINÁRIO DA MORTE NA GRÉCIA ANTIGA Coordenador:
André Chevitarese (LHIA-UFRJ) - Dois
Olhares sobre a Morte: Espectadores e Imagens na Atenas Clássica Carla Motta
do Nascimento e Paula Falcão Argôlo (LHIA-UFRJ) O presente
trabalho tem como proposta pensar a morte sob duas perspectivas diferentes,
quais sejam: a primeira apresentada pelo discurso cômico e a segunda pela
iconografia. Para tanto, utilizaremos a peça As Rãs, de Aristófanes, e
imagens que têm como suporte os lécitos áticos de fundo branco. Pretende-se
mostrar como a morte é definida nesses dois lugares de produção da sociedade
ateniense do V século a.C., percebendo, nas características levantadas em
cada tipo de documentação, pontos de aproximação e distanciamento. - Perséfone e
Orfeu: um Olhar sobre a Morte
Raphaela Serrador Ribeiro a
Andréa Vila Nova de Abreu (LHIA-UFRJ) A presente
comunicação tem por objetivo estabelecer uma análise comparativa entre os
mitos de Perséfone e Orfeu e seus respectivos cultos, quais sejam, os
mistérios de Elêusis e o Orfismo. >
Mesa
Redonda: Texto e Sociedade na Grécia Antiga -
Armadilha
da Linguagem no Texto Teatral Sílvia
Damasceno (CEIA-UFF) O lógos, na democracia ateniense, torna-se o
instrumento político por excelência, superando os demais instrumentos do
poder. No entanto, nem sempre o lógos está a
serviço da verdade ou veicula idéias em conformidade com a justiça. Em Filóctetes, de Sófocles, esses discursos se
confrontam, reproduzindo os debates retóricos tão em voga em Atenas. Esse
trabalho pretende colocar em evidência esses aspectos. - Filoctetes: a Educação de um
Aristhos Maria Regina
Cândido (LHIA-UFRJ) Partimos do
princípio que na tragédia Filoctetes,
Sófocles, definido como um escultor do comportamento humano, tem por objetivo
chamar a atenção do público para a questão da formação do caráter humano. -
Do Justo:
a Reprodução da Obra Considerada Apócrifa Auto Lyra
Teixeira (UFRJ) Do Justo (Perì
dikaíou) procura reproduzir um diálogo
socrático, nele sobressaindo o uso de ára,
partícula dedutiva. >
Conferência:
Escribas: Percalços de um Ofício Privilegiado:
16:30 / 17:45 - Sala 213 Bl O
Margaret Marchiori Bakos (UFRGS) > Atividade
Cultural: Teatro - As Coéforas, de Ésquilo
Grupo Kathársis (alunos da UFF) Composta em 458
a.C. pelo dramaturgo ateniense Ésquilo (525-456 a.C.), esta é a segunda peça
trágica da trilogia Oréstia, situada entre Agamêmnon
e As Eumênides, tendo por matéria a vingança
de Orestes, cuja temática se prende ao mito dos Atridas.
Segundo este mito, os filhos de Pélops, Atreu e Tiestes se odiavam, já
que Tiestes tinha cometido adultério com a esposa
de Atreu e este, para se vingar, matara todos os
filhos de Tiestes, com exceção de Egisto. Agamêmnon, um
dos filhos de Atreu, rei de Micenas,
casou-se com Clitemnestra, teve dois filhos (Orestes e Electra) e, liderando
os gregos durante 10 anos, partiu para a Guerra de Tróia. Ao voltar da
guerra, acompanhado de Cassandra, sua presa, é morto por Clitemnestra e
Egisto, que tinha se tornado amante desta. Clitemnestra, atormentada pelo
receio de alguma maldição, envia, com um grupo de cativas para fazer libações
ao morto (daí, coéforas, "que fazem
libações"), a sua filha Electra, a qual reencontra Orestes, de retorno a
Micenas. Estes passam, então, a tramar a morte dos
assassinos do pai. O elenco é
composto pelos alunos Elisane Nunes da Silva, Espedita Alexandra Lira Mesquita, Jamaci
Fontes da Silva, Maria Fernandes de Carvalho, Tatiana Vieira Barcelos (de
Letras), Maurício Santanna (de História) e Marcos
Vinícius Viana Ramos (de Engenharia) sob a direção da Profª Drª Ana Lúcia
Cerqueira, e cenário de Allan Kardec Passos Soares. 27 DE OUTUBRO
DE 1999 >
Sessões Temáticas de Comunicação Sessão de
Comunicações VI: 08:00 / 09:45 - Sala 316-N ÉTICA E
POLÍTICA NA ROMA ANTIGA Coordenadora:
Lívia Paes Barreto (CEIA-UFF) -Aeneis: Publica Magnificientia,
Mos Maiorum e Auctoritas no
Saeculum Augustum Alex Catharino de Souza (LHIA-UFRJ) Nosso trabalho
tem por objetivo analisar no poema épico Aeneis,
escrito pelo poeta latino Publius Vergilius Maro (70-19 a.C.)
entre os anos 29 e 19 a.C., os elementos que buscavam ressaltar o Mos Maiorum, a defesa destes valores morais e políticos
por Otávio Augusto (63 a.C. - 14 A.D.), além de legitimar a Auctoritas deste Princeps, justificando o Principatus Romanum,
através do processo de Publica Magnificientia
realizado durante no Saelucum Augustum pelas elites municipais italianas. -
De Símaco para Ausônio: Amizade e
Política no Século IV d.C. Carlos
Augusto Ribeiro Machado (USP) No século IV
d.C. o sistema político imperial passou por importantes transformações.
Apesar de estas se encaminharem no sentido de maiores burocratização e
centralização, não impediram que relações informais, como a amizade,
continuassem exercendo um papel substancial no mundo político. A
correspondência trocada entre Símaco e Ausônio, no final deste século, permite estudar como a
amizade podia exercer um papel estruturante tanto
para o poder pessoal de aristocratas, quanto para o exercício do poder
público oficial. - Kathékon/Officium. O Problema da
Tradução e a Construção de uma Ética Prática em
Panéio/Cícero Claudia
Beltrão (CEIA-UFF / UNIRIO) O tema do
tratado De Offiiis é concebido por
Cícero no quadro do pensamento estóico, declaradamente o estoicismo
"romanizado" de Panécio, na escolha dos
termos e conteúdos. Na ética, a originalidade maior de Panécio
liga-se principalmente ao fato de lançar o foco do argumento do sábio para as
pessoas comuns, que desejam praticar as virtudes. Em Panécio,
o tema dos deveres morais tem a ênfase dada nos resultados da ação, que podem
ser obtidos pela obediência, a praecepta,
pois uma "intenção" correta não está implicada. Os praecepta são direcionados não ao sábio, que é
apto para chegar às ações corretas através do lógos,
mas aos outros, a maioria dos homens. Cícero/Panécio
cuidadosamente conectam os deveres com as ações corretas, e tal procedimento
cria uma ética que define oficium como uma
ação à qual uma razão persuasiva pode ser dada. Este é o lado prático da
moralidade, a ética prática, que vê as máximas morais variando conforme as reais
necessidades sociais. -
A Elite Político-Econômica Romana vista a partir das Moedas do
Baixo Império Cláudio Umpierre Carlan (CEIA-UFF) O objetivo desta
comunicação é analisar as moedas como um meio de legitimação e propaganda do
poder imperial, discutindo a utilização de um simbolismo nas cunhagens das
peças dos Imperadores do período, em especial Constâncio II. Tais imagens
tinham um significado intrínseco, representando personagens de uma elite político-econômica, como um monumento a serviço do Estado. Para que isso
seja possível, será necessário identificarmos o que realmente achamos de
essencial na visualização, destacando o nosso objeto de estudo. -
De Cícero a
Apiano: os Conceitos de Ordem e Desordem na
Sociedade Romana (século I a.C. e II d.C.) Jorge Mario Davidson (CEIA-UFF) O trabalho
reflete acerca dos conceitos de ordem e desordem na sociedade romana, em fins
da República e no Alto Império. Constituem as principais fontes, os tratados De
Legibus e De Re Publica, de
Cícero, e as Guerras Civis, de Apiano.
Metodologicamente, optamos por uma abordagem semiótica dos textos, em uma
tentativa de alcançar a ideologia que preside a sua criação. Considerando a
distância temporal entre ambos os autores, quase dois séculos, nosso enfoque
move-se no terreno dos fenômenos sociais de longa duração, à procura das
estruturas mentais que permitem a um determinado grupo compreender e
organizar significativamente a realidade. -
Escravidão,
Conformismo e Resistência em Os Cativos de
Plauto Sônia Regina Rebel de Araújo (CEIA-UFF) O presente texto
visa apresentar algumas considerações acerca da escravidão no mundo romano a
partir da obra de Plauto, Os Cativos. Nela
podemos observar os seguintes temas: situação do escravo, visto como
propriedade e ser humano ao mesmo tempo, o que lhe possibilitava ser vendido,
legado, castigado; conformismo e resistência de escravos a essas diversas
situações; poder do amo sobre a propriedade, particularmente os escravos, o
que se reflete no vocabulário empregado pelo autor. Desse modo, pretendo
abordar o tema da escravidão em Plauto verificando
que este fenômeno sócio-jurídico estava se consolidando na península
italiana, no século III a.C., o que teve repercussões tanto no campo jurídico
- uma vez que os numerosos cativos de guerra para Roma tornavam-se
propriedades dos grandes proprietários de terra - quanto no âmbito da
cultura, uma vez que o vocabulário de Plauto nessa
peça acompanhou o processo de formação do modo de produção escravista em
Roma. Sessão de
Comunicações VII: 10:00 / 11:45 - Sala 316-N CONTINUIDADES
E DESCONTINUIDADES NA TRANMISSÃO CULTURAL DA HÉLADE Coordenadora:
Maria Helena Varela (CEIA-UFF) - Platão e o
Corpo Ideal Andréia
Santana da Costa Gonçalves (NEA-UERJ) A pesquisa
procura repensar a questão da dualidade "corpo-alma" em Platão,
buscando uma nova abordagem sobre o "corpo"; pretendendo assim,
evidenciar o estabelecimento de um modelo de "corpo", delineado por
ele, partindo das obras A República e O Banquete. -
As Imagens
Lacônias da Guerra de Tróia José Francisco
de Moura (LHIA-UFRJ) É objetivo de
nosso trabalho tentar fazer uma reflexão a respeito das imagens de vasos
lacônios de figuras negras produzidos no século VI a.C. e de suas relações
com a epopéia homérica. O fato de
somente algumas cenas da guerra de Tróia serem representadas na imagética
lacônia implicava uma escolha ideológica desses motivos. A afirmação da
estética aristocrática e de uma mentalidade hoplítica,
a se implantar no período, determinaram tanto a escolha de alguns temas
pontuais quanto a exclusão de outros. A tradição
literária, por um lado, associava os espartanos com a recepção primeira dos
poemas homéricos. Sua representação a níveis imagéticos teria a função de
congelar imagens que funcionassem como suporte da educação e ideologia dos esparciatas do período. -
As Leituras
Contemporâneas de Safo José Roberto
de Paiva Gomes (LHIA-UFRJ) Analisaremos,
nesta comunicação, os diferentes aspectos de abordagem feitos por autores
contemporâneos sobre a figura e a atuação social de Safo de Lesbos. As abordagens abrangem desde a releitura da
poetisa na sociedade inglesa do século XVIII até as recentes pesquisas sobre
seu caráter de praticante do lesbianismo, e as novas visões que a compreendem
como um ser político. - Tucídides e Flávio Josefo:
um Estudo da Historiografia Antiga a partir da Semiótica Textual Luís Eduardo Lobianco (CEIA-UFF) O modelo
historiográfico grego, na Antigüidade, determinava que o historiador
descrevesse com clareza o que tinha visto com seus próprios olhos. Esta
comunicação tem o objetivo de demonstrar - através da semiótica textual - que
tanto em História da Guerra do Peloponeso,
de Tucídides, quanto em História da Guerra dos
Judeus contra os Romanos, de Flávio Josefo,
ambos os historiadores se preocuparam em informar que seguiam tal modelo. -
As
Diferenças de Estrutura nos Diálogos de Platão Mário Antônio
de Lacerda Guerreiro (UFRJ) Diálogo, dianoia, dialética são três termos-chave para a
compreensão do pensamento de Platão (427-348 a.C.) e sua forma de expressão.
Victor Goldschimidt deu uma importante contribuição
para este tópico a partir da classificação dos diálogos em aporéticos e dogmáticos. Pretendemos examinar a validade
da referida classificação e verificar se ela é capaz de produzir maior
esclarecimento da relação entre pensamento e expressão dentro da filosofia
platônica envolvendo os mencionados termos-chave. -
Da Grécia
Arcaica à Grécia Clássica: o Valor do Discurso Oral Valéria Reis
(CEIA-UFF) A cultura grega
do século VIII ao V século a.C. sofreu mudanças no seu contexto
sócio-político, principalmente no que diz respeito à educação do homem para
exercer a cidadania. Por ser uma
cultura fundamentada no discurso oral, este trabalho terá como objetivo
evidenciar essas mudanças sócio-políticas na
trajetória do lógos. Sessão de
Comunicações VIII: 10:00 / 11:45 - Sala 318-N HOMENS E
MULHERES: COTIDIANO E MENTALIDADES NA GRÉCIA ANTIGA Coordenadora:
Maria Regina Candido (LHIA-UFRJ) - A Cultura
do Agricultor e do Artesão em Corinto nos VII-VI séculos a.C. Alexandre Carneiro
Cerqueira Lima (LHIA-UFRJ) A presente
comunicação tem como objetivo compreender os ritos praticados tanto pelos
camponeses (georgoí) quanto pelos artesãos (demiurgoi) na pólis
de Corinto nos séculos VII e VI a.C. Para tal, relacionamos o rito propiciatório
do kômos com a atividade do oleiro, através
da placa votiva de Pente Skouphia,
encontrada no témenos do Santuário de Poseidon. Privilegiaremos
em nosso trabalho a seguinte documentação: Escudo de Hesíodo, Odes
de Anacreonte, Histórias de Heródoto, Descrição da Grécia de Pausânias e as imagens pintadas na placa votiva e na
cerâmica coríntia. -
O Espaço
Social do Pescador na Atenas Clássica Ana Lívia Bomfim Vieira (LHIA-UFRJ) Este trabalho
objetiva analisar o papel social do pescador na sociedade ateniense do
período clássico. Este homem era considerado um caçador, contudo, não gozava
do mesmo status que este. O seu espaço era o do selvagem, contrário ao
espaço do cidadão do civilizado, do caçador que lança mão da sua coragem para
aprisionar a caça. -
Esposas
Atenienses e Integração Políade Fábio de
Souza Lessa (LHIA-UFRJ) Nesta comunicação pretendemos
analisar a constituição de lugares sociais por parte das esposas dos cidadãos
atenienses, possibilitando a sua integração na sociedade políade.
Partimos do princípio de que as esposas atenienses constituíam, através das
suas "maneiras de fazer", lugares de ação na vida pública.
Aproveitando ocasiões para prever saídas, elas adicionavam ao discurso
idealizado masculino, que pressupunha a sua reclusão no oíkos,
uma prática cotidiana de atuação formalizada. -
O Método
Médico na Grécia do V Século Paula Maria
de Oliveira (NEA-UERJ)
Com a racionalização da physis, teremos uma mudança na prática médica,
tanto religiosa quanto racional, pois ambas usando métodos de cura diferentes
vão procurar buscar o equilíbrio da natureza do enfermo e restabelecer sua
saúde. - Clitémnestra: Modelo Transgressor de Esposa -
Atenas V século Severina
Oliveira Ramos (LHIA-UFRJ)
Clitémnestra,
esposa de Agamémnon, deixa transparecer, no
decorrer da Oréstia, ter sido educada de
acordo com o modelo ideal de comportamento (mélissa).
Então como podemos entender a sua atuação em moldes completamente opostos
daqueles pretendidos pela sociedade ateniense do período clássico, se a função
do teatro era de educar o cidadão? >
Mesa
Redonda: Texto e Sociedade na Roma Antiga -
A
Problemática da Tradução de Comédias
Plautinas Edna Ribeiro
(CEIA-UFF) A tradução
literária nos oferece uma possibilidade de acesso a obras de autores cuja
língua não dominamos. Essa tarefa é alvo constante de críticas, pois o
tradutor tem que optar entre a fidelidade à letra ou ao espírito. O texto em
verso acrescenta ao problema da forma do significante o da forma métrica. A
comédia é o non plus
ultra da tradução, pela necessidade imperiosa de desencadear o riso. - A
Eneida
como Pedagogia do Príncipe
Syllas Mendes David (CEIA-UFF) A Eneida,
apesar de inconclusa, apresenta elementos para uma leitura dos ideais de paz
social que Virgílio, no fim de sua vida, augura ao Principado. O sonho do
retorno cósmico da aurea aetas, no escapismo da poesia campestre, durante a
guerra civil, dá lugar a uma "topia"
humana de educação e de paz, na sociedade urbana dessa "Nova
Tróia", em Roma. O príncipe e os demais cidadãos têm por exemplar o
piedoso herói, aprendiz e modelo de liderança, nos doze livros da epopéia,
como que em doze trabalhos de Hércules, a serviço dos companheiros: um ideal
no mínimo, inverso aos da virtù
maquiavélica, pelo exercício das virtudes propostas no livro III da República
de Platão. - Apício e a Construção do Padalar
Romano-Imperial: Mil Sabores num Único Regina
Bustamante (LHIA-UFRJ) A partir da
leitura analítica de Apicius, analisar-se-á
a construção do paladar romano-imperial inserida numa perspectiva de história
cultural.
>
Conferência:
Escribas: Simônides de Ceos,
o Aedo da Batalha de Platéias
Nely Pessanha (UFRJ) > Atividade
Cultural: Dança: 18:00 - Auditório Florestan
Fernandes, Bl D, térreo
"Um Tributo
ao Egito Antigo"
ALLEDANCE -
Academia de Dança de Nilópolis >
Encerramento
18:30 - Auditório Florestan Fernandes,
Bl D, térreo |
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