Desde que Parry e Lord efetuaram suas paradigmáticas investigações sobre a obra de Homero, durante os anos 1920, os estudos da denominada tradição oral vêm influenciando decisivamente as mais variadas abordagens e temas das ciências humanas, especialmente as que envolvem os povos antigos e medievais do Ocidente. Passando por análises sobre mitologia, religiosidade, literatura, sociedade, chegando até mesmo a considerações sobre política e instituições, a oralidade tornou-se elemento chave para se compreender os mecanismos de interação entre as mais variadas esferas de uma cultura.

 
 

Outros debates (como os de Watt e Goody) ampliaram o escopo para a relação entre o oral e o escrito, sendo devedor de múltiplas abordagens (a história oral, de Vansina a Thompson; a poesia e literatural oral, de Finnegan a Havelock). Entre as mais recentes obras envolvendo estas aplicações para o classicismo e o medievo, temos Letramento e oralidade na Grécia Antiga, de Rosalind Thomas e A letra e a voz, de Paul Zumthor.

 
 

Para os estudos envolvendo os povos celtas e germânicos, todas estas abordagens vêm sendo muito promissoras - ao mesmo tempo em que tentam recuperar aspectos culturais e historicidades por um viés diferente da tradicional análise das fontes clássicas - propondo novas problemáticas de investigações, novos rumos e alternativas metodológicas para entender sociedades que dependiam quase que totalmente de tradições calcadas na voz.

 
 

Desta maneira, o presente colóquio propõe uma série de debates interdisciplinares, não somente a respeito da relação entre a oralidade e a literatura no mundo céltico e germânico, como também apresentando ao público a possibilidade de intercâmbio metodológico nos estudos de Antiguidade e Idade Média.

 
     
     
     
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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