Jogral
“Allan Kardec” - Martha
Rios Guimarães
(Luzes apagadas, apenas as 4 luzes coloridas estarão acesas para que a platéia não fique no escuro total. À luz de velas – ou lanterna – tem início a leitura).
NARRADOR:
18 de abril de 1857. Uma luz rasga o céu da humanidade, trazendo o Consolador
prometido por Jesus Cristo.
CORO:
Como isso aconteceu?
NARRADOR:
Essa história começa na França, no ano de 1804, quando em uma família
tradicional, nasce Hippolyte Leon Denizard Rivail. Desde muito cedo, sentiu-se
inclinado ao estudo das ciências e da filosofia, sendo educado na Suíça, em
uma escola que revolucionou o esquema de educação vigente.
CORO:
A escola era de Pestalozzi.
NARRADOR:
Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino, pelo seu bom caráter,
já aos 14 anos ensinava o que sabia a outros jovens.
CORO:
Ele tornou-se professor.
NARRADOR:
Fundou em sua casa cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada,
Astronomia, entre outros. Preocupado em tornar atraente o sistema de educação,
inventou um método diferenciado para facilitar o entendimento dos alunos.
CORO:
Foi escritor também.
NARRADOR:
Publicou muitas obras. Aritmética, Gramática, Química, Física, Astronomia,
Fisiologia, foram alguns dos assuntos abordados em seus vários livros.
CORO:
Ao lado de um grande homem, sempre há uma grande mulher.
TRÊS
VOZES: Rivail encontra em Amelie sua parceira ideal.
CORO:
E eles vivem juntos e felizes.
(barulho
de passos – as crianças marcham sem sair do lugar, ao mesmo tempo em que
falam:)
CORO:
E o tempo foi passando. (cessam os passos)
TRÊS VOZES: Estamos em 1854!!!
(som de batidas na mesa)
NARRADOR: Nos salões da Europa uma nova mania.
Homens e mulheres reúnem-se em volta de uma mesa para passar o tempo. E a mesa,
através de pancadas, comunica-se com essas pessoas, respondendo as perguntas
que lhes são feitas.
KARDEC: Não posso acreditar. Uma mesa não tem cérebro
para pensar, nem nervos para sentir.
Esse é um fato aparentemente contrário à natureza
e por isso minha razão o repele.
TRÊS VOZES: Quem é esse homem descrente e tão
convicto?
CORO (em sussurro): Rivail. Rivail.
NARRADOR: No ano seguinte Rivail participou, pela
primeira vez, de uma sessão e observando as mesas a girar percebeu naquele fenômeno
a revelação de uma nova lei que passou a estudar a fundo e com seriedade.
CORO: Percebeu que ali estava o segredo do passado e
do futuro da humanidade.
KARDEC: Era a solução que eu procurara por toda a
minha vida. Uma revolução nas idéias e nas crenças.
NARRADOR: Sempre observando, comparando e julgando
através do seu raciocínio, o professor levava a cada sessão uma série de
questões preparadas e metodicamente dispostas, obtendo sempre respostas
precisas, profundas e lógicas. Mais tarde, ao perceber que as suas anotações
tomavam o corpo de uma doutrina, teve a idéia de transformá-lo em um livro.
CORO: Mas o professor era meticuloso.
NARRADOR: Fez questão de submeter seus apontamentos ao exame de outros Espíritos. Foi assim que vários médiuns prestaram concurso a esse grandioso trabalho. As respostas de todos os médiuns foram comparadas, coordenadas, classificadas e analisadas por Allan Kardec, nome que o professor adotou a partir da publicação da magnífica obra:
CORO:
O Livro dos Espíritos.
TRÊS
VOZES: em 18 de abril de 1857.
(Apagar
as velas ou desligar as lanternas. Acender as luzes,)
NARRADOR:
Entregue de corpo e alma ao seu trabalho de pesquisa junto aos Espíritos,
Kardec contava com a assistência de uma equipe Espiritual preparada para a
tarefa.
CORO:
E eles estavam sempre auxiliando-o.
(barulho
de pancadas)
KARDEC:
Que barulho é esse?
ESPÌRITO:
Reveja tuas últimas anotações e perceberá uma falha que deverá ser
corrigida.
(Palmas
curtas e rápidas)
CORO:
O Espírito estava certo.
KARDEC:
Qual é o teu nome?
ESPÍRITO: Chame-me Espírito da Verdade. Estarei contigo para te proteger e te
amparar.
NARRADOR:
Infatigável em sua tarefa, Kardec debruçou sobre suas pesquisas. Em 1º de
janeiro de 1858 era lançado o primeiro volume da Revista Espírita, sem que
ninguém soubesse, sem ter nenhum apoio financeiro, o que o deixava livre para
editar a publicação à sua maneira, sempre recebendo o auxílio dos Espíritos
protetores. (ruído de pancadas na mesa). Demonstrando fôlego extraordinário,
nesse mesmo ano, Kardec funda uma sociedade para estudos do Espiritismo, com
espaço suficiente para receber os interessados que aumentavam a cada dia.
CORO:
Sociedade Espírita de Paris.
TRÊS
VOZES: Fundada em 1º de Abril de 1858.
(As
crianças marcham sem sair do lugar. Rápido. Param e, então, falam:)
CORO:
1861.
NARRADOR:
O trabalho em conjunto de Allan Kardec e os Espíritos, rende novo – e sublime
– fruto. Dando continuidade aos ensinamentos contidos no Livro dos Espíritos,
surge nova obra, destinada a esclarecer os mecanismos da mediunidade.
CORO:
O Livro dos Médiuns.
(Barulho
de sino).
TRÊS
VOZES: Os sinos católicos dobram nervosamente.
CORO:
O que é isso? pergunta o bispo de
Barcelona.
(Barulho
de sino).
NARRADOR:
A pedido de uma amiga, residente na Espanha, Kardec envia vários volumes de
“O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns” e coleções da
“Revista Espírita”, obedecendo as normas legais de envio de mercadorias.
(Barulho
de papel celofane amassado ou similar = para parecer barulho de fogo)
TRÊS
VOZES: Fogo! Fogo!
NARRADOR:
O bispo de Barcelona ao conhecer o conteúdo da encomenda ordenou que os 300
livros fossem apreendidos e queimados em praça pública.
CORO:
Queimados pelas mãos de um carrasco.
KARDEC:
Espírito da Verdade, não ignoras o que acaba de passar-se em Barcelona.
Poderia orientar-me quanto ao meu procedimento?
ESPÍRITO:
Nada. A perda material destas obras nada é se comprada com a repercussão que
tal fato produzirá em favor da Doutrina.
CORO:
Extra! Extra!
TRÊS
VOZES: Os principais jornais da Espanha noticiaram a barbaridade.
CORO:
E este ato vil ajudou a difundir a Doutrina Espírita em todo mundo.
NARRADOR:
Enfraquecendo diariamente a sua saúde, em conseqüência de trabalhos
excessivos, Allan Kardec prosseguia em seu apostolado de amor e esclarecimento
de toda a humanidade. E em 1864, surge aquele que seria o livro mais temido
pelos representantes religiosos de então: O Evangelho segundo o Espiritismo.
(Barulho
de sinos)
CORO:
Heresia!!!.
TRÊS
VOZES: Bradou o clero. O livro atacou as penas eternas e outros pontos
defendidos pela igreja, causando grande apreensão entre os eclesiásticos.
NARRADOR:
Nosso amado professor iniciava um difícil período proveniente da investida de
inimigos e de problemas de saúde, mas superou todas as dificuldades, Allan
Kardec seguiu adiante e completou seu iluminado trabalho com a publicação de
mais dois livros.
CORO:
O Céu e o Inferno, em 1865.
TRÊS
VOZES: A justiça Divina segundo o Espiritismo.
CORO:
A Gênese, 3 anos depois.
TRÊS
VOZES: Os milagres e as predições segundo a Doutrina Espírita.
NARRADOR:
Com estas duas publicações chegou-se ao quinto volume que, juntos, formam o
Pentateuco Espírita, base do Espiritismo e leitura obrigatória para todos os
Espíritas.
CORO:
Leitura obrigatória!!!
TRÊS
VOZES: Kardec está cansado, mas cumpriu a sua missão.
(Toca
trecho da marcha fúnebre, enquanto crianças tiram a cartola).
TRÊS
VOZES: Allan Kardec sucumbiu. Era 31 de março de 1869.
CORO:
Desencarnou conforme viveu: trabalhando.
NARRADOR:
O homem não está mais aqui, mas o Espírito permanece entre nós. Kardec é
imortal e a sua memória e seus trabalhos estarão sempre com aqueles que
buscarem a verdade. A obra substituiu o obreiro e permanecerá firme no caminho
da renovação da humanidade.
TRÊS
VOZES: A imortalidade é a luz da vida.
(Crianças
agitam lenços brancos, enquanto falam:)
CORO:
Até à vista, Allan Kardec. Até à vista.
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Necessidades: Kardec
Cartola, bigode, costeletas e cavanhaque + calça escura + camisa
clara + casaquinho escuro Espíritos:
Roupa branca Demais:
Roupas iguais (ou bem parecidas) e cartola Papel celofane, velas/lanternas, marcha fúnebre, sininho (ou similar), lenços brancos. Obs.: O texto pode ser usado, desde que seja dado o devido crédito à autora. Martha Rios Guimarães é comunicadora, atuando na área comunicação e marketing e é educadora espírita desde 1992. |