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![]() Dr. Bezerra de Menezes
No ano de 1838 entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde, em dez meses apenas, preparou-se, suficientemente, até onde dava os conhecimentos do professor que dirigia a primeira fase de sua educação. Muito cedo revelou a sua fulgurante inteligência, pois aos 11 anos de idade iniciava o curso de Humanidades e, aos 13 anos, conhecia tão bem o latim que ele próprio o ministrava aos seus companheiros, susbtituindo o professor da classe em seus impedimentos. Seu pai era um homem relativamente abastado, porém, por efeito de seu bom coração, comprometeu sua fortuna, dando abonos em favor de parentes e amigos, que o procuravam, a fim de explorarem os seus sentimentos de caridade. Percebendo, então, que seus debitos igualavam seus haveres procurou os credores e lhes propôs entregar sua fazendas de criação e tudo o mais que fosse suficiente para integralizar a divida. Os seus credores recusaram a proposta, dizendo-lhe que pagasse quando e como pudesse. O honrado cidadão insistiu, mas não conseguindo demover seus credores decidiu-se a tornar mero administrador do que fora a sua fortuna, retirando apenas o que fosse necessario para a manutenção de sua familia, que passou da abundancia as privacoes. Foi nessa fase que Adolfo Bezerra de Menezes, formulando os mais veementes votos de orientar-se pelo carater integro de seu pai, e com minguada quantia que seus parentes lhe deram, partiu para o Rio de Janeiro, a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava - a Medicina. Ingressou em novembro de 1852 como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericordia. Doutorou-se em 1856, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 1858, concorreu a uma vaga de lente substituto da Seção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Nesse mesmo ano, o mestre Manuel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião-Mor do Exercito, fe-lo nomear seu assistente, com o posto de Cirurgião-Tenente. Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador Haddock Lobo, sob a alegação de ser medico militar. Com o objetivo de servir o seu partido, que necessitava dele para ter maioria na Camara, resolveu afastar-se do Exército. Em 1867, foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado numa lista triplice para uma carreira no Senado. Quando politico, levantaram-se contra ele, a exemplo do que sucede com todos os politicos honestos, rudes campanhas de injuria, cobrindo seu nome de improperios entretanto, a prova da pureza de sua alma, deu-a, quando deliberou abandonar a vida publica e dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuia. Corria sempre ao casebre do pobre onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de medico e o auxilio da sua bolsa minguada e generosa. Afastado interinamente da atividade politica, dedicou-se a empreendimentos empresariais criou a Companhia Estrada de Ferro Macae-Campos, na então provincia do Rio de Janeiro. Posteriormente, empenhou-se na contrução da via ferrea de Santo Antonio de Padua, pretendendo leva-la ate o Rio Doce, desejo que não conseguiu realizar. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetonica que, em 1872 abriu o Boulevard 28 de Setembro , no então bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da Companhia Carril de São Cristovão. Voltando a politica, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato ate 1880. Foi ainda presidente da Camara e Deputado Geral pela Provincia do Rio de Janeiro, no ano de 1880. Quando o Dr. Carlos Travassos empreendeu a tradução de O Livro dos Espiritos , de Allan Kardec, ofereceu um exemplar, com dedicatoria, a Bezerra de Menezes. No dia 16 de agosto de 1886, um auditorio com cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade, que enchia o salão de honra da Velha Guarda, ouviu, em silencio, emocionado, atonito, a palavra de ouro do eminente politico, do eminente medico, do eminente cidadão, do eminente catolico, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, que proclamava aos quatro ventos a sua adesão ao Espiritismo. Ela era um autentico religioso, no mais alto sentido. Sua pena foi, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, posta ao serviço do aspecto religioso do Espiritismo. Demonstrada a sua capacidade literaria no terreno filosofico, que pelas replicas, quer pelos estudos doutrinarios, a Comissão de Propaganda da União Espirita do Brasil incumbiu Bezerra de Menezes de escrever, aos domingos, no O Paiz , tradicional orgão da imprensa brasileira, dirigido por Quintino Bocaiuva, uma serie de artigos sob o titulo O Espiritismo - Estudos Filosoficos . Os artigos de Max , pseudonimo de Bezerra de Menezes, marcaram a epoca de ouro da propaganda espirita no Brasil. Esses artigos foram publicados, ininterruptamente, de 1886 a 1893. Bezerra de Menezes tinha o encargo de medico como verdadeiro sacerdocio por isso, dizia: Um medico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se e´ longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate a porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora a porta que procure outro, esse não e´ medico, e´ negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse e´ um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a unica esportula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espirito, a unica que jamais se perdera nos vais-e-vens da vida. No ano de 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo no Brasil, e os que dirigiam os nucleos espiritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais estreita e indestrutivel. Os Centros Espiritas, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autonoma. Cada um deles exercia sua atividade em um determinado setor, despreocupado em conhecer as atividades dos demais. Esse estado de coisas levou-os a fundação da Federação Espirita Brasileira (FEB). Nessa epoca, ja existiam muitas sociedades espiritas, porem as unicas que mantinham a hegemonia eram quatro: a Academica, a Fraternidade, a União Espirita do Brasil e a Federação Espirita Brasileira. Entretanto, logo surgiram entre elas rivalidades e discordias. Sob os auspicios de Bezerra de Menezes, e acatando importantes instrucoes, dadas por Allan Kardec, atraves do medium Frederico Junior, foi fundado o famoso Centro Espirita porem nem por isso deixava Bezerra de dar a sua cooperação a todas as outras instituicoes. O entusiasmo dos espiritas logo se arrefeceu, e Bezerra de Menezes se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o unico frequentador do Centro. A cisão era profunda entre os espiritas que se dividiam em misticos e cientificos . Em 1893, a convulsão provocada no pais, pela revolta da armada, provocou o fechamento de todas as sociedades espiritas. No Natal do mesmo ano, Bezerra encerrava a serie de artigos que vinha publicando em O Paiz . Em 1894, o ambiente demonstrou tendencias de melhora e o nome de Bezerra foi lembrado como o único capaz de unificar a família espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da FEB, cargo que ocupou até 11 de abril de 1900, quando desencarnou, vítima de violento ataque de congestão cerebral. Devido ao seu Espírito caridoso e prestativo, Bezerra de Menezes mereceu o cognome de O Médico dos Pobres .
por José
Basílio extraído do site: www.geae.org |
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