
Gatos são animais estranhos. Ou são amados ou são odiados. Não há meio termo.
Sou do tipo daqueles que os amam. Tenho dois gatos, por enquanto.
É, por enquanto, porque fãs de gatos não sabem quando parar.
É quase como um vício. Você ve um gatinho pequeno na rua e logo dá uma vontade imensa de levar o bichano para casa. Mas, voltando ao Brad e Pitt, os meus gatos. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Primeiro veio o Brad, um gatinho pulguento e desnutrido do interior. Miava histericamente.
Brad veio para me fazer companhia, nos meus momentos de solidão.
Mas percebi, que Brad não suportava ficar sozinho.
Então veio a Pitt. Uma gatinha nascida em apartamento com cara de princesa.
Só que Brad odiou a Pitt.
Ela vinha para dividir o seu espaço, seus donos, sua cesta, sua comida.
A coitada da Pitt apanhou muito do ciumento do Brad.
Mas Pitt cresceu e se tornou uma gata bem resolvida, independente, dona de seu próprio focinho.
Brad também cresceu e tornou-se um gato-problema: carente, manhoso e cheio de vontades.
A cesta que outrora dividiam agora é exclusivamente da Pitt. Brad virou um gato "sem-cesta" e por mais que tente comprar a Pitt com lambidas, ela se impõe e enfia-lhe a patinha na fuça, como quem diz "agora é tudo meu".
Brad e Pitt se toleravam como irmãos que fingem que se amam na presença dos pais.
Dormiam conosco. Pitt, nos pés da cama, sem encostar em ninguém, lá no cantinho. Não gostava de ser incomodada. Se mexíamos com ela, simplesmente saía da cama e ía para a cesta. Sem problemas.
Mas Brad...dormia entre a gente, com o focinho colado no meu nariz e a pata no meu pescoço. E não adiantava nem debruçar-se por cima dele, por mais incômoda que fosse a posição. Brad não me largava.
E vivíamos assim, aguentando numa boa as neuroses uns dos outros.
Então veio Lucas , nosso filho e começaram os problemas.