A AULA QUE VIROU ENCONTRO Pe. Paulo Pires Assessor da Catequese |
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| Quase todos os catequistas j� sabem que n�o fica bem andar falando em aula na catequese. Chega a ser engra�ado quando algum se distrai e usa a palavra aula para descrever alguma de suas atividades; rapidamente ele se corrige e emprega a palavra �certa�: encontro. Textos que falam em aula, caderno, li��o, exerc�cio e semelhantes s�o olhados como coisa antiquada, sinal clar�ssimo de que o seu autor est� por fora do jeito atualizado de tratar. No entanto, � mais f�cil mudar o r�tulo do que transformar o que est� por tr�s dele; e muitos catequistas s� mudaram o vocabul�rio, mas continuaram fazendo o mesmo de sempre, n�o por m� vontade, mas por porque n�o sabem fazer outra coisa. A palavra aula est� assim desmoralizada possivelmente porque recorda um tipo de ensino rotineiro, livresco, sem vida e sem participa��o. Se um professor levar seus alunos ao Jardim Zool�gico e a turma passar o dia fazendo observa��es important�ssimas sobre os animais, provavelmente a garotada chegar� em casa dizendo que nesse dia �n�o houve aula�. N�o significa que n�o tenham aprendido at� mais do que nos outros; significa que a experi�ncia de aprender aconteceu por outros caminhos.
Da mesma forma, dizer que na catequese em vez de aula, se tem �encontro� n�o quer dizer que agora vamos nos reunir s� para conversa fiada e conv�vio e que n�o se tem conte�do a aprender. Mas a mudan�a de vocabul�rio indica o desejo de fazer uma mudan�a de m�todos, de tipo de relacionamento, de atividades e de prioridades. Talvez alguns professores muito criativos e mais apaixonados por educa��o at� venham dizer que o que estamos propondo com o nome de encontro seja, no fundo, a boa aula que eles sonham um dia poder dar. O que seria importante num encontro catequ�tico? Correndo o risco de esquecer algum aspecto, poder�amos citar: ? relacionamento pessoal e caloroso, como espa�o para cada um dizer o que traz no cora��o, o que o entristece, contato com a aten��o amiga dos companheiros e do catequista; ? possibilidade de o catequizando relacionar sua experi�ncia com o tema proposto, acrescentando o que a vida j� lhe disse sobre o assunto debatendo, contribuindo; ? confronto da B�blia com as experi�ncias da vida, sejam as pessoais (contadas por quem viveu), sejam as da realidade local (colhidas no notici�rio ou por observa��o direta); ? atividades concretas, de rela��o imediata com a vida, e n�o apenas exerc�cios do tipo escolar para fixar no��es aprendidas; as atividades n�o precisam ter um registro escrito (mas tamb�m n�o � proibido que tenham, dependendo do caso, dos interesses e dos h�bitos dos catequizandos); ? ora��o que recolha e celebre o que for discutido, aprendido, partilhado; ? experi�ncia de solidariedade e partilha entre o pr�prio grupo de catequizandos e deles para a comunidade; ? sensibiliza��o para os problemas locais que ser�o iluminados com a palavra de Deus e da Igreja, estimulando algum tipo de servi�o a ser prestado, de acordo com a idade e a maturidade dos catequizandos. Num sistema assim, as no��es s�o aprendidas � medida que v�o sendo vividas, discutidas, comentadas. Algumas coisas at� v�o ser aprendidas de cor, n�o porque algu�m marcou li��o para decorar, mas porque v�o se tornando importantes e caras ao cora��o do grupo. Ali�s, a express�o �de cor� significa �de cora��o�. � de cora��o, por exemplo, que um torcedor do Flamengo aprende a escala��o do seu time, sem nunca ter �estudado� tal lista com o nome dos jogadores: aprende porque traz aquilo no cora��o, aprende de fato ver jogos, conversar sobre isso, acompanhar as not�cias. Assim os catequizandos aprender�o a consultar a B�blia, a ter familiaridade com os quatro evangelistas, a rezar as ora��es mais comuns. Conhecer�o os Dez Mandamentos, n�o porque algu�m explicou numa aula e mandou decorar, mas porque eles foram temas de v�rios encontros, nos quais cada mandamento foi discutido, aplicado � realidade, confrontando com as not�cias dos jornais, analisado a partir de cenas de filmes e novelas, dramatizados, rezado, desenhado e transformado em motivo para agir. Saber�o como a Igreja costuma fazer certos atos porque deles ter�o participado. Ter�o respostas para algumas quest�es religiosas porque estas ter�o sido motivo de debate no grupo. N�o se trata de uma nova t�cnica a ser empregada na catequese; � um novo esp�rito na forma de se relacionar com as pessoas e com o assunto. Exige muito do catequista? Sem d�vida! Ele precisa estar bem mais preparado, mas em compensa��o tamb�m vai aprender muito mais, porque �encontro� � estrada de m�o dupla, onde todos aprendem com todos. |
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