1. INTRODUÇÃO O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolve, há mais de dez anos, ações que seriam chamadas hoje de humanização, no serviço de internação pediátrico, que a clientela chama de “sexto andar”. A criança , como é garantida pela Carta de Direitos da Criança Hospitalizada, tem a presença constante do acompanhante, geralmente a mãe, durante toda sua estadia. As crianças, que podem se locomover, transitam com as mães pelas áreas de circulação e pela sala de aula sempre movimentadas com a presença dos profissionais, estudantes de medicina, de enfermagem e residentes. Há lugares especiais para as crianças brincarem, o solário e a brinquedoteca. As datas comemorativas são sempre festejadas, dirigidas às crianças e acompanhantes e aos profissionais. A equipe de assistência é extremamente envolvida no propósito da atenção humanizada à criança. O clima no andar é mais ameno do que daquele usualmente encontrado em outros hospitais, embora se respeitem as necessidades clínicas e éticas para o tratamento do paciente. Foi nesse ambiente que, em 2001, se introduziu o projeto Abraçarte. O projeto nasceu durante as aulas Ciências Sociais Aplicadas à Saúde, disciplina obrigatória do primeiro período do curso médico da Faculdade de Medicina da UFMG. Um grupo de alunos propôs iniciar atividades lúdicas no serviço pediátrico de internação. A princípio, houve certa resistência por parte dos professores chamados para orientá-los. Afinal, eram alunos e por isso a dúvida se eles realmente dedicariam tempo e se haveria continuidade da proposta. Além disso, eram estudantes de Medicina, cujo currículo é extremamente exigente e demanda extrema dedicação. Para lhes dar chance de demonstrar se realmente queriam e poderiam levar a tarefa à frente, os alunos foram convidados pelo professor de Pediatria, um dos possíveis orientadores, para participar da Festa Junina, que aconteceria no serviço de internação. Foram observados durante o evento quando se constatou seu envolvimento e sua criatividade. A primeira resistência tinha sido quebrada, os professores-orientadores encantaram-se com a participação dos alunos. Com empenho e sob orientação, os alunos elaboraram projeto de acordo com as exigências acadêmicas. Para caracterizá-lo como projeto acadêmico deveria ser acrescentado um componente de pesquisa, o que foi feito. O Projeto Abraçarte: pesquisa e atividades lúdicas no ambiente hospitalar pediátrico foi apresentado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG, iniciando as atividades em dezembro de 2001. Outra resistência teria de ser enfrentada, a dos profissionais do serviço, mesmo porque, naquele momento inicial, só havia de concreto uma intenção. Por coincidência, na mesma época, estava-se estruturando o Programa de Humanização do Hospital, o que sem dúvida contribuiu para a aceitação do projeto. Com o tempo o Abraçarte mostrou que veio para ficar. Foi adquirindo apoio e credibilidade. Atualmente é um projeto institucional dos departamentos de Medicina Preventiva e Social e de Pediatria da Faculdade de Medicina e integra o Programa de Humanização da Assistência do Hospital das Clínicas. 2. OBJETIVOS Objetivo geral Introduzir práticas e reflexões e pesquisas na formação médica sobre a humanização da assistência à saúde que complementem e extrapolem a abordagem organicista e tecnicista da doença, tendo como foco a atenção às crianças hospitalizadas. Objetivos específicos • Contribuir para o movimento de humanização da atenção hospitalar. • Introduzir o aluno da graduação em vivências com pacientes hospitalizados dentro da perspectiva de cuidados integrais ao paciente. • Incentivar o trabalho interdisciplinar. • Desenvolver o espírito crítico e de pesquisa na abordagem do fenômeno saúde-doença, na perspectiva da interdisciplinaridade. • Contribuir para os movimentos sociais relacionados a direitos dos pacientes pediátricos. 3. COMO TRABALHAMOS (A METODOLOGIA) Logo que começamos a executar o projeto, percebemos que não bastava apenas atuar quando se quer construir uma experiência que perdure e influencie outras iniciativas. Por isso o desejo dos alunos deveria ter fundamentos e uma diretriz. Assim pensaram os professores-orientadores iniciais do projeto. Aliás, este é o papel da Universidade, e, para tanto, deveria ser construído um marco teórico-metodológico e ético para orientar o projeto. Nessa busca, se combinaram as experiências de dois professores de diferentes formações, um médico pediatra e uma socióloga, que tinham em comum apostar em boas idéias e se interessar na promoção de mudanças na atitude médica e na formação dos estudantes de graduação, num momento em que a pressão acadêmica vinha no sentido de privilegiar a pós-graduação. Das discussões e pelo próprio movimento do projeto, algumas proposições foram ficando mais claras. A primeira delas, era a de que as atividades do grupo deveriam se orientar por uma abordagem que combinasse aportes da clínica, das ciências sociais e da ética. Para construir esse referencial, recorremos à literatura sobre o tema da humanização, a filósofos e sociólogos que refletem sobre a vida cotidiana, as representações sociais sobre a doença e a morte, as instituições, em particular, o hospital, e à literatura sobre o brincar. A outra proposição era a que devíamos investir na procura de um método que permitisse compreender o ponto de vista do paciente, relegado a um segundo plano na literatura médica tradicional. Os alunos caminharam juntos nessas reflexões, fazendo a revisão bibliográfica e participando de todas as etapas de construção das pesquisas e das intervenções, muitas vezes antecipando as inquietações dos orientadores, como por exemplo, na discussão sobre o brincar que fazem com alunos da psicologia. Ao final, conseguimos desenhar uma estratégia metodológica. Para a pesquisa, o projeto se inspira na abordagem utilizada pelas ciências sociais que combina investigação e ação. Na medida em que o aluno-pesquisador está coletando dados, está também contribuindo para quebrar a rotina vivenciada no dia a dia dos pacientes. Enquanto pressuposto dessa metodologia, o produto da investigação visa a aplicação de seus resultados em ações que redundem em maior humanização da atenção ao paciente. Do ponto de vista operacional, os temas de pesquisa são definidos a partir da percepção de sua relevância tendo em vista os referenciais e objetivos do projeto. As atividades lúdicas são realizadas de acordo com o cronograma do serviço de pediatria em comemoração de datas festivas, em visitas agendadas para apresentações estilo clown, realização de oficinas, apresentação de breves esquetes relacionados a temas como, por exemplo, a dor, e corrida de leitos. As atividades de coleta de dados da pesquisa e as brincadeiras são desenvolvidas nos serviços de pediatria do Hospital das Clínicas da UFMG, contando com a supervisão dos profissionais do serviço e com o monitoramento pelos alunos veteranos do desempenho dos novos membros da equipe. 4. AS CONQUISTAS DO PROJETO A institucionalização Nesses três anos de execução do projeto podemos dizer que seus objetivos foram plenamente alcançados e sua sustentabilidade parece garantida. O Abraçarte recebeu, de imediato, o suporte do Departamento de Medicina Preventiva e Social que cedeu sala, equipada com dois computadores e uma impressora, apoio administrativo e de material de consumo, facilitando a realização dos trabalhos e o encontro permanente da equipe. O Hospital das Clínicas, através de sua direção, e dos profissionais do serviço de pediatria, não mede esforços para viabilizar a realização do projeto com o máximo de qualidade. Desde 2002, o Abraçarte se uniu, para efeitos administrativos e de solicitação de bolsas acadêmicas a outro projeto, o “Cathivar: humanizando o atendimento a pacientes fora de possibilidade de cura”, elaborado também por alunos da graduação de Medicina contando com parceria do departamento de Clínica Médica. Os dois projetos se abrigam hoje no projeto-mãe “Humanização do Atendimento ao paciente internado: paciente pediátrico e paciente terminal”. Cada um mantém sua individualidade, mas juntos, os dois grupos trocam experiências, organizam eventos e apresentam trabalhos em reuniões científicas. O projeto ABRAÇARTE recebeu no período bolsas anuais de aprimoramento discente e de extensão da UFMG. Em parceria com o Laboratório Brincar do Departamento de Psicologia da UFMG, o Abraçarte recebeu ainda uma bolsa de iniciação científica (PIBIC 2003/2004) para o projeto “Brincar em unidades de atendimento pediátrico: aplicações e perspectivas”. Parcerias e interdisciplinaridade O projeto Abraçarte se caracteriza como próprio de alunos de Medicina, em função de sua origem e de um de seus objetivos, o de contribuir para mudanças na formação médica. Mas isso não quer dizer que se feche ao desafio interdisciplinar. Além de se expor continuamente durante a execução de suas atividades ao encontro com profissionais de diferentes formações, o Abraçarte abriu, em 2003, uma frente para a participação de alunos do Departamento de Psicologia da UFMG através do projeto de integração com o Laboratório Brincar desse departamento. A inserção de alunos de psicologia permitiu dar maior densidade às ações dirigidas às crianças hospitalizadas, transformando as atividades lúdicas em espaço de reflexão e de pesquisa sobre o brincar no hospital. Os alunos de psicologia coordenam seminários de leitura com os membros do Abraçarte, discutindo o significado da brincadeira e, durante a atuação, supervisionam a forma de abordagem da criança e de seu acompanhante, criticando e indicando a atitude mais apropriada. Com certeza houve um salto de qualidade com a contribuição dos alunos da psicologia, trazendo questionamentos e referenciais teóricos inovadores para o projeto. O Abraçarte, recentemente, estabeleceu nova parceria, desta vez, com o Departamento de Artes Cênicas da Escola de Belas Artes da UFMG. A participação do pessoal de artes era um sonho do hospital. O aceno de que isso seria possível foi recebido com entusiasmo pela Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão do hospital, que promoveu reuniões em que participaram representantes do colegiado do curso de Artes Cênicas, da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade e coordenadores de serviços e de projetos do programa de humanização da instituição. O sonho se concretizou. Em abril deste ano o hospital recebeu pela primeira vez a equipe dos alunos artistas. O professor, coordenador do serviço de pediatria, os acompanhou, pessoalmente, percorrendo os diferentes serviços de atenção à criança e os apresentando aos profissionais que os recebiam sempre com um sorriso e votos de boas vindas. Dentre outras participações das Artes Cênicas no hospital, o Abraçarte foi escolhido como um espaço de estágio para seus alunos que farão a direção dos trabalhos do grupo. Já se estão realizando encontros semanais para treinamento de técnicas de atuação, o que sem dúvida vai contribuir para melhorar a performance e em conseqüência a qualidade do trabalho do grupo. O investimento feito pela Universidade neste projeto de humanização pode ser visto como indicador de sucesso de uma iniciativa que partiu de alunos da graduação. Esse apoio, aliado ao empenho da equipe – em particular, dos alunos – em perpetuar a experiência e ampliar seu escopo de atuação, indica a possibilidade de manutenção do projeto. Os membros do grupo também não se cansam de buscar caminhos para promover sua marca. Vendem camisetas com o logotipo do Abraçarte, resultando em arrecadação de recursos financeiros, mesmo que pequenos, aplicados no projeto. 5. OS RESULTADOS DO PROJETO Atividades lúdicas e apresentações do Abraçarte A atuação do Abraçarte atinge toda a clientela de pacientes e acompanhantes das unidades pediátricas do Hospital das Clínicas: a enfermaria pediátrica (6º andar), com 60 leitos e média de permanência da criança por 15 dias, o Pronto Atendimento, com 20 leitos, o CTI pediátrico e o Ambulatório São Vicente, com 12 consultórios. São realizadas atividades semanais para cobrir o público-alvo. Os profissionais da equipe de atendimento também se envolvem com as atividades. Esses dados indicam a abrangência, do ponto de vista quantitativo, da atuação do grupo. Do ponto de vista qualitativo, a constância da presença dos alunos nesses espaços acabou por impregnar o ambiente do hospital e pode-se dizer que o Abraçarte já integra a cultura institucional. O Quadro 1 sintetiza as atividades lúdicas e as apresentações do Abraçarte durante o período de outubro de 2001 a setembro de 2004. Quadro 1 - ATIVIDADES LÚDICAS E APRESENTAÇÕES – out/2001 – abr/2004 MÊS/ANO TIPO DE ATIVIDADE* N Outubro /2001 a Dezembro/2002 Realização de corrida(s) leito a leito 07 Oficinas de pintura com lápis colorido e giz de cera 06 Atividades lúdicas com mini-peças teatrais 01 Atividades de mímicas e advinhações 02 Atividade de colagem 01 Atividade de músicas infantis 02 Oficinas para confecção de bichinhos com balões 01 Oficina para confecção de presentes para as mães 01 Participação na Festa do dia da Criança 01 Participação na Gincana de Natal do HC 01 Apresentações para divulgação do Projeto e da Campanha de Arrecadação de Lápis-de-Cor em outras instituições de ensino 02 Participação na divulgação dos 74 anos do HC/UFMG 01 Elaboração de cartilha infantil 01 Janeiro/2003 a Dezembro/2003 Realização de corrida(s) leito a leito 10 Oficinas de pintura com lápis colorido e giz de cera 08 Atividades lúdicas: mini-peças teatrais, mímicas e adivinhações 05 Atividade de colagem 02 Atividade de músicas infantis 02 Oficinas para confecção de bichinhos com balões 02 Oficina para confecção de presentes para as mães 01 Participação em festas (Junina, Dia das Crianças, Natal) 03 Participação na Gincana de Natal do HC 01 Realização de teatro de fantoches 01 Atividades lúdicas com portadores de Mucopolissacaridoses e doença de Gauche 01 Apresentações do Projeto e da Campanha de Arrecadação de Lápis-de-Cor em outras instituições de ensino 08 Janeiro/2004 a Setembro/2004 Realização de corrida(s) leito a leito 10 Oficinas de pintura com lápis colorido e giz de cera 03 Atividades lúdicas com mini-peças teatrais 03 Oficina para confecção de presentes para as mães 01 Participação na Festa Junina do HC 01 Atividade de colagem 03 Atividade de músicas infantis 02 Participação na Semana do Viver Melhor no Colégio São Miguel Arcanjo 02 Sessão cinema (apresentação de filmes infantis) 02 Grupo de estudo sobre o brincar com a Psicologia 01 Oficina de Capacitação em parceria com a “Artes Cênicas” 01 TOTAL 101 No quadro estão descritas as formas de intervenções no ambiente hospitalar e os locais onde, quando convidados, os membros do projeto expõem sua experiência de humanização da atenção à criança hospitalizada visando sensibilizar jovens pré-vestibulandos e estudantes de outras instituições de ensino superior. Pode-se observar na sinopse a variedade de estratégias de abordagem da criança hospitalizada, que vai desde a corrida de leitos, os alunos vestidos de palhaço, com esquetes e improvisos na relação com a criança acamada, a trabalhos de grupo, preparados em horários noturnos e fins de semana, tais como oficinas em que pacientes e acompanhantes se envolvem e se divertem. A variedade de estratégias de abordagem e a criatividade do grupo são resultado da permanente escuta da demanda quer durante a realização das pesquisas quer nas visitas sistemáticas aos pacientes ou por indicações da equipe de cuidados. Exemplo dessa escuta foi a realização da campanha para arrecadar lápis de cor, quando na pesquisa sobre a percepção da clientela sobre o Pronto Atendimento uma criança revelou sua satisfação ao receber um desenho para colorir e assim, passava o tempo. Desde então, quase sempre nas apresentações, as crianças recebem desenho para colorir com os lápis doados na campanha e esterilizados um a um pelos alunos para evitar infecção hospitalar. Produção científica e técnica O Abraçarte divulgou seu trabalho em diferentes fóruns, em seminários destinados a alunos da graduação da Faculdade, em cursos de graduação fora da UFMG, reuniões locais e congressos nacionais. O Quadro 2, a seguir, mostra os indicadores de produção do projeto. QUADRO 2 Quadro 2 - PRODUÇÃO CIENTÍFICA E TÉCNICA DO ABRAÇARTE – 2002/2003 Produção bibliográfica Número Resumo publicado em anais de evento local 01 Resumos publicados em anais de congressos nacionais 04 Aceite de artigo para publicação em revista indexada 01 Produção técnica Relatórios de pesquisa 03 Apresentação em seminário acadêmico local 04 Elaboração de Cartilha 01 Apresentação oral em evento local 01 Organização de evento local 01 Trabalhos apresentados sob a forma de pôster em eventos nacionais 04 Elaboração de Projeto 01 Aceite e publicação de resumo para apresentação em pôster em congresso internacional 01 Trabalho premiado 02 Resultados do projeto foram publicados em cadernos de resumo e em anais de congressos nacionais, e foi aceito um trabalho para apresentação em um congresso internacional, na Austrália, sob a forma de pôster. Estamos aguardando publicação do artigo encaminhado para a Revista Médica de Minas Gerais “Percepção da clientela sobre o atendimento da sala pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG”, com parecer favorável do Conselho Editorial da revista. Com prazer, no ano passado, recebemos a notícia de que nosso projeto-mãe de Humanização, que reúne o Abraçarte e o Cathivar, foi um dos 20 trabalhos selecionados entre mais de 200, para apresentação oral na Semana de Graduação da UFMG de 2003. Sentimos essa escolha como um reconhecimento do nosso trabalho. Em 2004, o artigo “Humanização do atendimento à criança hospitalizada – a experiência do projeto Abraçarte” foi publicado nos “Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária”, realizado em Belo Horizonte. O projeto foi também apresentado sob a forma de pôster, sendo um dos trabalhos premiados do evento. Visibilidade e impacto do projeto O Abraçarte teve sua experiência divulgada em boletins internos do Hospital das Clínicas e em matéria do jornal-laboratório “Tubo de Ensaio” do Curso de Comunicação da UFMG, em 2003. Em fevereiro de 2004 foi objeto principal com fotos coloridas da pagina dupla central da matéria “Alto astral invade os hospitais” do caderno Bem Viver de domingo do Estado de Minas, jornal de maior circulação estadual. A inserção de alunos de Medicina em projetos de humanização da assistência à saúde chama a atenção, porque o tema e a prática são comumente delegados a outros profissionais de saúde. As apresentações do Abraçarte, quando identificadas como atividade de alunos médicos, e também pelo envolvimento com o projeto transmitido por eles, causam surpresa e chegam a emocionar a audiência, o que é manifestado durante as palestras ou através de e-mails. A experiência do Abraçarte está sendo objeto de estudo de monografia de conclusão de graduação, como é o caso da pesquisa “Profissionais da alegria, buscando alternativas de expressão na relação com crianças hospitalizadas” do curso de Psicologia da PUC-MG. Outros interessados têm entrado em contato com o grupo com objetivo semelhante. Estimulados pelos resultados alcançados, os alunos dos grupos Abraçarte e Cathivar – que integram o projeto-mãe de Humanização – organizaram o “Simpósio bem-estar do paciente”, realizado na Faculdade de Medicina no período de 13 a 15 de maio deste ano. Vieram palestrantes de renome nacional, como os Doutores da Alegria e tivemos a participação de expositores de experiências de humanização desenvolvidas em Belo Horizonte e no interior. O evento obteve apoio da Universidade e patrocínio de várias empresas, conquistado pelos próprios alunos. Tivemos cerca de 370 participantes, na grande maioria estudantes de graduação de diferentes áreas da saúde. Os participantes mostraram-se assíduos e interessados nos termas abordados. Como recomendação do encontro foi proposto que os grupos organizadores tomassem a frente na construção de uma rede de troca de experiências de humanização hospitalar no Estado. Os retornos indicam que o evento foi bem sucedido. Avaliações manifestadas pessoalmente para a Comissão Organizadora ou por e-mail, referiam-se a ter sido o evento “muito bom”, “algo inédito na Faculdade de Medicina”. Outros expressaram “surpresa pela excelência do conteúdo das palestras”. Um mês após o evento, a equipe ainda recebia felicitações. Durante o Simpósio houve cobertura da assessoria de comunicação da Faculdade e o seu impacto apareceu na matéria “Bem-estar do Paciente foi grande sucesso”, onde se destaca o recorde de público na Faculdade (matéria anexa). Logo após o final do evento, saiu matéria “Mais afeto nos hospitais” relativa ao Simpósio, no Caderno Bem-viver do jornal Estado de Minas. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O sorriso da criança e seu envolvimento nas atividades realizadas, sem dúvida, são o maior retorno imediato da atuação do Abraçarte. Depoimentos de profissionais da equipe do hospital sobre os efeitos percebidos no sentido de maior bem-estar dos pacientes da enfermaria e do CTI, coletados na pesquisa sobre o brincar, cujos resultados ainda serão divulgados, também animam a equipe a continuar e reproduzir a experiência para outros ambientes hospitalares. O Abraçarte é uma demonstração da oportunidade de iniciativas desse tipo que estão em consonância com a diretriz de humanização da atual política de saúde, com as propostas de reforma do ensino médico e com o clima social de demanda por atendimento de melhor qualidade nos hospitais do Sistema Único de Saúde. Nossa experiência revela que o principal ingrediente para o sucesso de experiências como essa é o compromisso do grupo de alunos e orientadores com a proposta, cujo custo financeiro aproxima-se do zero, mas cujo investimento pessoal é enorme, recompensado pelo crescimento da formação acadêmica e ética e pela sensação de estar contribuindo para amenizar a estadia da criança no ambiente estranho e tenso do hospital.
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