Drummond de Andrade, Carlos

Poeta mineiro (1902-1987).

A alma, prisioneira do corpo, vive em guerra com seu carcereiro.

A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras.

A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.

A natureza humana prefere a desgraça à mudança.

A vida necessita de pausas.

As leis não bastam: os lírios não nascem da lei.

Difícil compreender como no vasto mundo falta espaço para os pequenos.

E como ficou chato ser moderno, agora serei eterno.

É preferível variar de erros a insistir no mesmo.

Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado.

Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la.

Há muitas razões para duvidar e uma só para crer.

Há vários motivos para não se amar uma pessoa e um só para amá-la.

Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é o meu coração.

Não é fácil Ter paciência diante dos que têm excesso de paciência.

Não há nada como os bons sentimentos para estragarem um cidadão.

Não morres satisfeito, morres desinformado.

Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.

O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

O medo une mais os homens do que a coragem.

O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

 O perdão pode ser a maneira mais requintada de vingança.

O plágio é o melhor certificado de mérito do plagiado.

O primeiro amor passou, o segundo amor passou, o terceiro amor passou. Mas o coração continua.

O que se passa na cama é segredo de quem ama.

O verso é a vitória sobre os limites da linguagem.

Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara, sem uso, ela nos espia do aparador.

Os homens não melhoram, e matam-se como percevejos. Os percevejos heróicos renascem. Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado. E se os olhos reaprendessem a chorar, seria um segundo dilúvio.

Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei.

Sejamos pornográficos, docemente pornográficos.

Somos francos com os outros quando não dependemos deles.

Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo...

Todos os homens pequenos, superpostos, não formam um grande homem.

 
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