ESTUDOS DE MICROBIOLOGIA

 

Vaginose por Gardnerella vaginalis

 

A Vaginose trata-se de uma infecção da vagina causada por 3 tipos de microorganismos: uma bactéria denominada Gardnerella vaginalis,  o protozoário Trichomonas vaginalis ou pelo fungo Cândida albicans. Infecções vaginais atribuídas ao Trichomonas vaginalis  ou Cândida albicans antes eram chamadas de vaginites inespecíficas. Hoje, grande parte dos casos são atribuídos à presença  de Gardnerella vaginalis, um bacilo pequeno, pleomórfico e GRAM variável.

 

Na presença desta patologia, não existem sinais de inflamação. Os sintomas são odor desagradável (o odor lembra peixe) na secreção vaginal principalmente durante a menstruação e relação sexual. Além disso, a secreção apresenta-se espumosa que usualmente é copiosa. A Vaginose por G. vaginalis é fator em muitos partos prematuros e recém-nascidos de baixo peso.

 

Apesar da bactéria estudada ser um habitante normal de vaginas assintomáticas, pode ser transmitida sexualmente. Nos homens não existe doença correspondente, mas apresentam o micróbio em suas uretras.

A presença de Gardnerella é muitas vezes maior em mulheres não infectadas. A vagina é habitada por uma população de bactérias que são os lactobacillus e quando o número desta população cai, há o crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas como as espécies de Bacteróides. Acredita-se que os lactobacillus produtores de ácidos, quando se apresentam em número menor, fazem com que o pH da vagina aumente (pH maior que 5) e cause a infecção.

 

O diagnóstico para a patologia é baseado na verificação dos sintomas (odor de peixe) e também por exames clínicos e laboratoriais como o Papanicolaou, Bacterioscópio de Secreção Vaginal cultura e pela coleta do material da vagina acrescentando uma solução salina para ser examinado ao microscópio.

 

Papanicolaou ou Citologia Oncótica:

 

Exame criado por Dr. George Papanicolaou, utilizado para detectar doenças que ocorrem no colo do útero e vagina pois permite a observação destes dois últimos. Consiste num esfregaço corado para determinar a presença de bactérias e outros agentes infecciosos (fungos, vírus, protozoários).

 

 

Na figura acima, pode-se observar as áreas visualizadas através do Papanicolaou. (colo do útero e Vagina).

 

O Papanicolaou consiste num exame externo da vulva e depois a colocação de um especulo na vagina para visualiza-la juntamente com o colo do útero.

 

Utiliza-se um especulo descartável que é lubrificado com silicone médico, esterilizado com óxido etileno, transparente e termicamente confortável.

 

 

Especulo Descartável

 

O exame de Papanicolaou pode ser complementado com a Colposcopia (para detectar a Gardnerella não foi preciso), pois o Colposcópio permite um aumento de 10 a 40 vezes.

 

Colposcópio

 

Esse exame é realizado no próprio consultório médico com a paciente na mesa de exame. Após colocar o especulo vaginal, o médico examina o colo do útero com o colposcópio.

 

Para realçar as imagens obtidas, usa-se corantes e produtos químicos nas áreas examinadas.

 

É indicado para resultados de Papanicolaou anormais, HPV (papiloma), etc.

 

A seguir pode-se observar imagem obtidas pela colposcopia de um colo do útero normal e outro inflamado.

 

 

Colo Normal

 

 

Colo Inflamado

 

Para a detecção da Gardnerella vaginalis não foi preciso realizar a colposcopia, mas somente o papanicolaou. Para a realização deste exame, o primeiro passo é a coleta do material a ser examinado.

 

Iniciou-se com a coleta tríplice: ectocérvice, endocérvice e vagina. Atualmente foi introduzida a técnica a coleta tríplice especial (CTE) que consiste em coleta de colo uterino (ecto/endocérvice) vagina e vulva. O material deve ser colhido sempre do canal vaginal com escova. Esta última coleta deve ser feita posteriormente para evitar sangramento.

 

Não se deve colher o material em colo friável (cervicite) ou no período menstrual ou pós-parto imediato, pois o sangramento prejudica a avaliação. No primeiro caso, deve tratar-se o processo inflamatório.

 

Não colher o material para avaliação oncológica quando houver aumento considerável do resíduo vaginal (colpites, citólise, pós-coito, etc).

 

Colher o material antes do exame ginecológico e não usar lubrificante  para a introdução do especulo.

 

Se a paciente estiver com a mucosa vaginal acentuadamente atrófica devem ser submetidas inicialmente a terapia hormonal estrogênica local e/ou sistêmica para posterior coleta citológica.

 

O material obtido pela raspagem ou escovado é espalhado na lâmina. As células colhidas são colocadas na lâmina e após este procedimento, o material é imediatamente fixado em álcool comum ou outro fixador disponível durante 15 a 30 segundos.  Posteriormente, o material é corado por corantes dentro dos padrões da técnica de Citologia Oncótica. 

 

Feito o exame, pode-se observar no microscópio óptico as células infectadas pela bactéria.

 

 

G. vaginalis observada no microscópio óptico

 

Conteúdo vaginal com a bactéria observado ao microscópio óptico. Coloração: May Grunwald-Giemsa

 

 

Na observação da secreção vaginal no microscópio, a presença da G. vaginalis é detectada pela visualização de CLUE CELLS que são células epiteliais descamadas recobertas com bactérias, principalmete a Gardnerella.

 

Clue Cells visualizados ao microscópio óptico

 

Bacterioscópio de Secreção Vaginal:

 

Exame utilizado para pesquisa e identificação de microorganismos em diferentes espécimes biológicas visando um diagnóstico rápido e provável de diferentes infecções bacterianas.

 

Prepara-se um esfregaço manualmente da amostra de secreção vaginal.

 

Para a realização do exame são necessários:

 

Lâminas de vidro

Swab

EPI

 

Coleta do material com swab  e com pequenos movimentos concêntricos espalha-se o material na lâmina para fazer o esfregaço.

Passar a lâmina sobre a chama do bico de bunsen para fixação do material.

 

Corar a amostra.

 

As lâminas devem ser devidamente identificadas.

 

OBS: O material para o exame deverá ser colhido, a fresco.

 

O tratamento da Vaginose por Gardnerella vaginalis baseava-se num tratamento com gás de ácido acético ou cultura de bactérias produtoras de ácido láctico, mas não foi efetivo. Hoje, primariamente, o tratamento é feito com metronidazol que é uma droga que irradica os anaeróbicos essenciais à continuação da doença, mas permite que os lactobacilos normais repovoem a vagina.

 

Antibióticos devem ser estendidos ao parceiro apesar de não ser totalmente comprovado ser uma doença sexualmente transmissível. Outra droga que vem se mostrando muito eficaz contra a Vaginose é a associação de tinidazol e tioconazol, sendo o tioconazol contra Trichomonas vaginalis e Cândida albicans e o tinidazol que é um composto quimicamente realcionado com o metronidazol, contra Gardnerella.

 

Atualizada em 11/03/2002

 

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