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Não bebo na orelha
dos outros
nem gasto pólvora em
chimango.
Na vida eu mesmo me
mando,
não nasci pra virar
padre,
não levo ninguém pra
compadre
e nem desaforo pra
casa,
sou ferrão de
mamangava,
azedo que nem
vinagre.
Veneno de cascavel,
sou liso, agüento o
repuxo,
não nego que eu sou
gaúcho,
já quebrei muito
corincho,
sou arisco que nem
capincho,
estou sempre em
prontidão,
nunca afrouxei o
garrão,
sou valente e não me
micho.
Pago com fio de
bigode,
não devo vela pra
santo,
se caio já me
levanto,
se prometo já está
feito,
sou xucro, este é o
meu jeito,
fui criado
abagualado,
meio atirado pros
lados,
ser grosso é o meu
defeito.
Grudo mais que
carrapicho
no lombo de um
cavalo,
piguancha é o meu
regalo,
na vida esse é meu
vício,
peleando sou
estrupício,
derrubo mais que
cachaça,
dançando sou
pé-de-valsa,
gritando faço um
comício.
Sou um índio de
respeito,
mas logo viro
tormento
pra quem me puxar o
lenço
sem a minha
permissão,
já tiro satisfação
para cobrar o
prejuízo,
com tenência e com
juízo
ninguém me tira a
razão.
Desmamado em tempo
certo
cresci lindaço no
más,
preocupação pro meus
pais
tenteando no campo a
eguada,
guri, não temia
nada,
o tempo era só meu,
que vida que Deus me
deu!,
tranqüilo e dando
risada...
Nasci no Rio Grande
do Sul,
pêlo duro de
fronteira,
comigo não tem
tranqueira,
só em Deus eu levo
fé,
gosto de chimarrão e
mulher,
sou orelhano sem
marca,
sou livre, sou um
monarca.
Eu sou cria de Bagé!
Adenir Paz da Silva
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