Hogwarts: Uma História no Fundo do Poço
Capítulo 9
UM COMEÇO TEMPESTUOSO
- Alguém aí sabe qual é a sala de Artes? – perguntou Fred Weasley em voz alta, para o amontoado de alunos grifinórios que tentavam reunir o material e seguir para suas aulas.
- Olhem! Aqui tem um mapa com todas as salas e como chegar até elas! – exclamou Hermione, apontando para o quadro de avisos.
Com a frase da garota, todos os presentes se amontoaram no quadro de avisos, quase esmagando a garota contra a parede.
- Que ótimo! As salas de Malfoy e Snape são lado a lado – exclamou Jorge ironicamente, observando o mapa por cima da cabeça de vários alunos.
- Acho que fizeram isso para os dois poderem tramar planos para Você-Sabe-Quem no intervalo das aulas – comentou Rony sombriamente.
- Não fale uma bobagem dessas! – repreendeu Hermione, observando os rostos de horror da maioria dos alunos.
- Vamos logo, não queremos nos atrasar – disse Harry, jogando sua mochila nas costas. Rony e Hermione o seguiram.
- Boa sorte com a professora Sinistra! – gritou Lino Jordan, ao ver o trio saindo do salão comunal.
Os três caminhavam em passos rápidos, à procura das salas de aula. Hermione olhava febrilmente a cópia malfeita do mapa das salas, e a cada segundo mandava os rapazes virarem em um lugar diferente.
- Tem certeza de que estamos no caminho certo? – perguntou Rony preocupado, quando passaram pela quinta vez por um quadro de um pomorim dourado a caminho de um tronco de árvore.
- Acho... – disse ela em voz baixa, pensando rapidamente – É ali! – exclamou de repente, jogando seu braço na direção leste, e batendo com força no nariz de Harry – Ops, desculpe Harry!
- Tudo bem – disse emburrado, concertando seus óculos com um meneio de varinha.
Chegaram quase em cima da hora, e a sala já estava praticamente cheia, com apenas alguns lugares ao fundo. Tiveram de se sentar nas últimas carteiras, um em cada fileira, por as mesas estarem arrumadas de modo individual.
- Bom dia, alunos – começou a professora Sinistra, fechando a porta da sala calmamente. – Hoje é o primeiro dia de aula de vocês e, por já estarem no primeiro colegial, aviso que terão de ter um comportamento exemplar para compreenderem a complexidade da matéria.
Vários alunos cochicharam entre si, e Rony lançou um olhar confuso aos amigos, como que pedindo explicações. Os alunos trouxas, pareciam levemente amedrontados.
- Começaremos com uma pequena revisão sobre os anos anteriores, e gostaria que copiassem o que está na lousa. Conversas são dispensáveis, mas não proibidas.
A professora apontou para o quadro, onde havia uma infinidade de palavras em português a serem copiadas. Os alunos tiraram seu material da mochila, e sentiram um grande desconforto em escreverem com lápis e caneta, ao invés de pena e tinta.
- Que coisa estranha! – murmurou Rony, que nunca tivera contato com tais instrumentos – Papai adoraria estar aqui.
- Eu me pergunto como os professores devem fazer para escrever tanta coisa no quadro, sendo que não podem usar magia na frente dos trouxas – comentou Harry curioso e intrigado.
Ninguém soube responder sua pergunta. Passaram quase a aula inteira copiando o conteúdo do quadro, e nos dez últimos minutos, a professora explicou brevemente o que havia ali, antes da já conhecida sineta tocar. Os alunos recolheram seus materiais e, um a um, foram saindo da sala.
Harry, Rony e Hermione demoraram o máximo que puderam para sair da sala. Cogitavam perguntar à professora como faria para escrever um novo conteúdo no quadro, mas quando havia apenas os três e Neville na sala, ela sacou sua varinha e fez dois movimentos com ela; um para sumir a escrita, e outro para fazer surgir outra completamente diferente.
- Então eles fazem assim – concluiu Hermione, surpresa pela descoberta.
Quando saíram da sala se deram conta que o tempo para trocar de aulas era muito pequeno, e logo estavam atrasados. Checaram o mapa de Hermione mais algumas vezes até encontrarem a sala de Matemática, que já estava com a porta fechada.
- Ah, que ótimo! – gemeu Rony – Ficamos de fora!
- Deixe de ser bobo – disse Hermione impaciente, batendo na porta.
Levou cerca de vinte segundos até a professora McGonagall abrir a porta, levemente brava por ter sua aula interrompida. Quando viu os três, tomou imediatamente uma postura mais rígida.
- O que estão fazendo aqui?
- Hum... nos perdemos, professora – disse Harry de modo pouco convincente.
De dentro da sala, vários alunos espiavam atrás da professora, tentando ver quem chegara atrasado. Malfoy e seus capangas, que estavam nas primeiras carteiras, só faltavam cair das cadeiras de tanto rirem.
- Desta vez os deixarei entrar, mas garanto que da próxima ficaram de fora. E vou dar negativo para cada um de vocês – disse com voz imperativa, mas deixando-os entrarem.
O som de ‘vou dar negativo para cada um de vocês’ soou horrivelmente como ‘vou tirar alguns pontos de Grifinória por isto’ para Harry, que acompanhou os amigos até o fundo da sala, aos únicos lugares disponíveis. O fato de se sentarem novamente no fundo da sala fez com que sua concentração diminuísse absurdamente, e até Hermione não parecia completamente concentrada na aula.
- Bem, como ia dizendo... Por estarem iniciando o segundo grau agora, a complexidade das tarefas irá aumentar espantosamente, então sugiro que prestem o máximo de atenção nas aulas – disse a professora, todos os alunos a escutavam em silêncio. – Hoje iremos revisar brevemente as equações de segundo grau e alguns conceitos fundamentais de geometria, para amanhã começarmos realmente com a matéria nova.
Apontou para o quadro, onde havia uma infinidade de exercícios sobre os temas propostos, que Harry não fazia idéia de como resolvê-los. Passou grande parte da aula tentando copiar o quadro, mas os armários que eram Crabbe e Goyle estavam deixando as coisas mil vezes mais difíceis.
Olhou para os lados para registrar os atos dos amigos, e se sentiu confortado ao ver que Rony não escrevera quase nada, estava absorto tentando resolver o primeiro exercício; e Hermione anotava tantas coisas em frações de segundos que Harry ficou tonto ao examiná-la mais alguns segundos.
“Pense Harry, pense. Tudo o que aprendeu na escola primária não pode ter fluído de sua mente” pensava com severidade, quase socando seu lápis na folha.
Mas a aula acabou e Harry não tinha tido nenhum progresso. A professora McGonagall passou uma página de exercícios do livro, fora o que era para ser feito em classe. Quando saíram da sala, Rony lamentou-se o caminho todo até a sala de Binns de não ter tido nunca uma aula de Matemática decente. Harry concordou intimamente com o amigo, embora não tivesse dito nada na hora.
A aula de História com Binns foi tão entediante como as que costumavam ter em Hogwarts, mas os alunos trouxas pareciam estar fascinados com o retro-projetor que havia na sala, e mostrava a imagem desfocada e transparente de Binns.
- Que infantis, pensam que o professor está doente e está nos dando aulas através de um retro-projetor – comentou Hermione em tom debochado, logo no começo da aula.
- Alguém tinha de inventar uma desculpa para um fantasma ensinar a trouxas – comentou Rony sonolento, já encostando a cabeça em seu braço.
Desta vez sentaram-se propositalmente no fundo, pois já sabiam que não prestariam atenção nenhuma na aula. O professor explicava alguma coisa sobre a revolução da França que não pareceu nem um pouco importante para Harry. Pelo contrário, passara os primeiros quinze minutos da aula observando os rostos surpresos e excitados dos alunos trouxas, que comentavam entre si o novo método de ensino, enquanto faziam anotações febris do que o professor explicava.
Depois disso, ele se sentiu muito mais tentado a acompanhar Rony em seu cochilo matinal do que em prestar atenção nos trouxas. Aquela aula estava muito chata... Sem perceber, acabara adormecendo, para só acordar ao meio-dia, quando praticamente todos os alunos já tinham saído da sala, e só restavam eles e o grupinho de sonserinos.
- Vamos Harry, Rony... – pedia Hermione com voz cansada, no que parecia ser a milésima vez que os chamava – É hora do almoço, vamos logo...
Eles pareceram acordar à menção de ‘almoço’, e acompanharam Hermione até o salão de refeições, que aparentemente era invisível aos alunos trouxas.
- Eles não podem ver onde comemos? – perguntou Harry ainda um pouco abobado, não acordado completamente.
- É claro que não – respondeu Hermione com rispidez. – Eles vão comer na padaria do lado de fora, ou então em qualquer outro lugar. Aqui é exclusivo para alunos de Hogwarts.
- Melhor, assim não precisamos nos privar de magia por enquanto – comemorou Rony, sentando-se perto de Fred, Jorge e Lino, que pareciam muito entretidos em alguma conversa secreta, pois pararam assim que os viram.
- Como foram as aulas de vocês? – perguntou Jorge, parecendo profundamente interessado em saber.
- Sonolentas – respondeu Harry com sinceridade.
- Tivemos de copiar um bocado de coisa na aula da Sinistra – comentou Rony, já com um grande pedaço de frango na boca. – Na aula de McGonagall chegamos atrasados e levamos negativo; na de Binns... Bem... o que teve na aula de Binns? – perguntou ele, se dirigindo a Harry e Hermione.
- Não sei, passei metade da aula observando os alunos novos parecerem excitados com o retro-sei-lá-das-quantas – respondeu Harry dando de ombros.
- O professor Binns falava da Revolução Francesa – disse Hermione, parecendo ofendida com a falta de interesse dos amigos.
- Que seja – disse Rony fazendo pouco caso. – E como foram as aulas de vocês?
- Pior impossível – respondeu Fred sombriamente.
- Nem queiram saber como é – completou Jorge no mesmo tom.
- Levamos quatro negativos na aula de Snape – comentou Lino despreocupado.
- E depois descobrimos que cada negativo são menos cinco pontos, e cada positivo, mais cinco – concluiu Jorge.
- Então nós perdemos quinze pontos só na aula de McGonagall? – perguntou Hermione parecendo desesperada.
- Ao que parece, sim – respondeu Fred.
- Mas o que eles ensinaram? Como foi a aula do Malfoy? – perguntou Rony, não ligando a mínima para os pontos que já tinham perdido.
- Não vamos contar – declarou Fred abruptamente, fazendo Rony emburrar a cara. – Vocês vão ter aulas com eles, gostaríamos que descobrissem por si sós.
- Mas garantimos que as coisas tendem a ser piores que suas primeiras aulas – emendou Jorge, misteriosamente.
- Gostaria de saber como é que deixam gente daquela laia ensinar – comentou Lino, deixando apenas Rony mais curioso.
Rony bem que tentou arrancar mais informações dos gêmeos, mas não conseguiu nada. E parecia muito indignado com isso, pois enquanto caminhavam até a aula de Artes, revelou toda a fúria que sentia.
- Será que eles não podiam ao menos ter dito alguma coisa – perguntou em voz alta, completamente exasperado.
- Vai ver eles só queriam te deixar irritado – deduziu Hermione.
- Ou então a coisa é tão ruim que não quiseram nos contar – contrapôs Harry.
- Será que Malfoy os torturou até eles prometerem que não contariam nada? – questionou Rony pensativo.
- Não seja bobo – respondeu Hermione imediatamente.
Ao chegarem no corredor das aulas, deram uma pequena parada, para encontrarem forças para suportar duas aulas com as pessoas que menos simpatizavam em todo o mundo mágico. Ao entrarem na sala, perceberam que não estava muito cheia, e Draco Malfoy sorria abertamente para seus amigos, parecendo contar alguma coisa muito engraçada.
- Pro fundo – disse Harry com os lábios colados, em algo menos que um sussurro.
Eles se sentaram na última mesa da sala, onde cabiam de quatro a seis alunos. Pouco a pouco o resto dos alunos adentrou a classe, e quando Malfoy achou que a turma estava completa, fechou a porta e disse, num tom muito sério e aristocrático:
- Bem vindos – ele fez uma minúscula pausa -, à sua primeira aula de Artes.
Harry, Rony e Hermione trocaram olhares, sentindo que aquela não seria uma primeira aula de Artes.
*****
N/A: E então? O que acharam do começo das aulas? Ainda não está muito animado, mas esperem só até verem as aulas de Lúcio Malfoy e Severo Snape... Muita coisa aguarda os alunos de Hogwarts, então não perca o próximo capítulo!
<Anterior Próximo>