Férias Malucas - Onde Tudo Pode Acontecer

Capítulo 73

         Carol e Brian vão correndo até o hotel, onde encontram Carla na sala, com uma mala no chão e a mão no rosto. Os dois se aproximam mais do que rapidamente e Carol diz:

         - Cá, o que foi? Por que essa mala? Você não está pensando em viajar, está?

         - Eu não tenho mais nada a fazer aqui, tenho? Então, para não ser um peso a mais para vocês? Vou embora, aí ninguém precisa se preocupar comigo. Além do mais, não conseguiria olhar nos olhos do Kev de novo. – disse ainda de cabeça baixa.

         - Olha Cá, eu acho que você devia tentar falar com ele, para quem sabe vocês se entenderem e evitar futuros sofrimentos. – sugeriu Brian.

         - Eu sei Bri, mas não vou voltar atrás. Vou para o Brasil, e ninguém me faz mudar de idéia. Só queria avisar vocês que o vôo sai às 2:30h. – disse levantando a cabeça. Seus olhos estavam cheios d’água.

         - Cá, tenta pensar um pouco... – insistia Carol.

         - No way sister. Já decidi. E o Dân me disse que eu não devia me exaltar muito e ficar mudando de emocional toda hora. Não ia fazer bem para mim nem para o baby. – disse com a voz triste.

         - Então não podemos fazer mais nada a respeito? – perguntou Brian. Carla balançou a cabeça negativamente. Logo em seguida abraçou os dois com força.

         - Por favor, prometam que não vão dizer ao Kev que eu vou viajar. – pediu, chorando um pouco.

         - Não podemos prometer uma coisa dessas! O Kev pode ter um ataque se não falarmos nada! – disse Carol surpresa pelo pedido.

         - Por favor... – insistia Carla.

         Brian olhou para Carol, que logo entendeu o que queria dizer, embora não concordasse. No final eles acabaram aceitando que não falariam nada. Ficaram abraçados por um tempo sem dizer nada, até que Brian perguntou:

         - Para onde você vai?

         - Vou para o Brasil, para a casa dos meus pais. Pensarei um pouco sobre minha vida e depois vejo o que faço. – respondeu limpando o rosto.

         - Então boa sorte mana! – diz Carol dando um último abraço.

         - Mas você já vai para o aeroporto? Vai ficar muito tempo lá. – disse Brian preocupado.

         - Vou dar uma volta antes, sei lá, talvez vou tentar me distrair um pouco. – respondeu sem ter a mínima idéia do que faria.

         - Por que não vê o show, Cá? – pergunta Carla. Queria de qualquer jeito que ela e Kevin se encontrassem de novo.

         - Não Rolth. Eu poderia me atrasar e não quero perder o vôo. E se der eu vejo lá no aeroporto mesmo, quem sabe. – respondeu Carla.

         - Então, boa sorte maninha! Não esquece de ligar pra gente, ok? – disse Brian a abraçando pela última vez.

         - Claro Bri! Eu ligo sim! – disse Carla.

         Depois de se despedirem (de novo), Carla pegou sua mala e foi caminhando até a saída. Pegou um táxi e seguiu rumo ao aeroporto (ou outro lugar). Carol e Brian pegaram um táxi logo em seguida, e foram para o estádio.

 

         - Hey Nick! Me passa esse pacote de fritas aí? – grita AJ. Ele estava vendo um jogo de futebol americano, sentado na poltrona, e não queria levantar para ir pegar os pacotes de fritas, e como Nick estava perto, pediu a ele.

         - Pega você, folgado! – respondeu Nick pegando um pacote para ele próprio.

         - Será que dá para fazer esse favor ou tá difícil? – perguntou AJ bravo.

         - Tá difícil! – Nick estava bravo com AJ, pois ele estava usando a tv e não deixava ele jogar videogame. Por isso estava revidando.

         - Caramba Nick! Custa pegar um simples pacote de fritas, é? – perguntou Kevin irritado. Levantou da cadeira onde estava, pegou um pacote e entregou a AJ, depois voltando para sua cadeira.

         - Poxa, vocês vão ficar com esse clima pesado? Já não basta tudo o que está acontecendo? – perguntou Rebeca triste.

         - Nós sabemos que todos estão passando por algum problema na vida, mas não é por isso que vamos ficar revidando nos outros, não é? – ajudou Dany.

         - Tem razão... – disseram os boys juntos.

         - Sorry bro, eu estava só querendo te irritar. Nem estava afim de ver esse jogo, era só para provocar. – desculpou-se AJ, desligando a tv.

         - Eu também errei. Não me custava nada te entregar as fritas. – arrependeu-se Nick.

         - Assim é melhor. – disse Howie mais feliz.

         - Vamos jogar videogame, então? – perguntou Dany.

         - Vamos! – responderam Nick, Rebeca e AJ.

         E os quatro começaram a jogar. Howie ficou paparicando Rebeca, fazendo carinhos e atrapalhando o jogo dela. Kevin ficou no canto dele, ouvindo música ou escrevendo alguma coisa. Pouco tempo depois chegam Brian e Carol, um pouco tristes, mas tentando parecerem normais.

         - O que aconteceu? Que caras são essas? – perguntou Howie.

         - Nada não. – respondeu Brian não convincente.

         - Deixa eu adivinhar o motivo dessas caras: Carla. – disse AJ. No mesmo momento Kevin olhou para eles.

         - Tá tão na cara assim? – perguntou Carol desanimada.

         - Aham. – assentiram todos.

         - O que aconteceu dessa vez? Não vão me dizer que... – disse Rebeca receosa.

         - Depende do que você está pensando... – respondeu Brian.

         - Será que quando falam da Carla pelo menos podem me incluir na conversa? Ou então falem em outro lugar! – disse Kevin irritado, porém triste.

         - Bom gente, ela falou para não falar mas temos que dizer. Não conseguiremos segurar por muito tempo. – disse Brian.

         - BRIAN? Você tinha prometido à ela... – disse Carol surpresa.

         - Eu sei Angel, mas nunca faria isso e além do mais eu cruzei os dedos! – disse Brian.

         - Então fala logo! Tudo o que diz respeito a ela me diz respeito também. – diz Kevin impaciente.

         - Não! Se falarmos agora é capaz de você não fazer o show e sair correndo daqui. Falaremos depois. – decidiu Carol.

         - E enquanto isso vai nos deixar curiosos, é? – perguntou Nick.

         - É a única escolha Frack. – respondeu Brian dando de ombros. – E minha Angel tem razão.

         - Alright. Então, esperemos o fim do show. – disse Kevin voltando a se sentar.

---Enquanto isso, em algum lugar--->

         Carla caminhava sem rumo pelas ruas. Passou por uma loja de videogames online (aqui no Brasil eu iria na Monkey! Hehehe) e resolveu entrar. Pensou em se distrair um pouco, e pagou uma hora de jogo.

         Sentou no computador número 5, um número que significava muito para ela, em vários sentidos. Ela bem que tentou se concentrar e jogar direito, mas era impossível, pois todos seus pensamentos estavam voltados para Kevin, e para o bebê que estava para vir.

         - Caramba! Estou jogando dinheiro pela janela! Pra quê jogar se não consegui me concentrar? Vou fechar o micro que ganho mais. – disse para si mesma.

         Estava levantando da cadeira quando viu um garotinho, de no máximo uns oito anos, olhando maravilhado para as pessoas jogando. Tinha cabelo preto e olhos verdes, o que fez Carla se lembrar de Kevin. Se aproximou dele e disse:

         - Hey garotinho, qual é o seu nome?

         - É Mike. – disse um pouco tímido.

         - Então Mike, estou vendo que você gosta de jogar videogame, não é? – perguntou simpática.

         - Eu adoro! O único problema é que minha mãe não me deixa jogar, porque precisa economizar o dinheiro, sabe? – disse o garotinho.

         - Eu sei o que é isso. Mas você quer jogar na minha vez? – perguntou com um estranho sentimento no peito.

         - Por quê? Você não gosta de jogar? – perguntou surpreso.

         - Não é isso, eu adoro jogar, mas é que hoje eu perdi a vontade, e não quero desperdiçar o que paguei. Por isso quero que você jogue para mim. – disse Carla sorrindo.

         - É sério? – perguntou radiante de felicidade. – Posso jogar mesmo?

         - Claro que pode! Quanto tempo quer jogar? – perguntou Carla abrindo a carteira.

         - Não quero fazer você gastar dinheiro comigo. – disse tímido.

         - Que isso! Se você não quiser jogar eu vou ficar triste. – disse Carla.

         - Minha mãe vem me buscar daqui a duas horas. – disse Mike.

         - Então vou colocar para você jogar essas duas horas, ok? – disse feliz.

         - Muito obrigada! – disse dando um beijo no rosto dela.

         - Espero que você se divirta, Mike. – disse o olhando com ternura. Em seguida foi ao caixa e acrescentou o tempo. Depois voltou até onde o menino jogava animadamente. – Eu já estou indo, ok?

         - Tá bom... Mas como você se chama? Quero saber o nome da moça tão bondosa que me fez o garoto mais feliz do mundo!

         - Que isso, não exagera... – disse encabulada. – Meu nome é Carla.

         - Tá. Obrigado Carla! – disse radiante.

         - De nada Mike! Então eu te vejo por aí, certo?

         - Certo!

         E os dois se despediram. Quando saiu, sentiu uma sensação estranha, e mesmo com todos os seus problemas, sentia uma felicidade inexplicável. E pensou:

         - O que está acontecendo comigo? Me sinto bem mesmo com todos os problemas que rodeiam minha cabeça. Será que estou ficando louca?

         Passou por uma rua deserta, onde tinha apenas um idoso sentado no chão. Quando ela passou por ele, que sorriu e disse:

         - Sabe senhoria. Alguém tão bela como você não devia estar tão confusa assim. Saiba que existem males que vêm para o bem. E que às vezes você se sente bem mesmo na parte mais triste de sua vida. Você pode estar feliz, mas não sabe porque, e depois descobre que está feliz por causa de uma coisa que aconteceu e que você não queria que acontecesse, e logo você vê que está aprendendo a gostar.

         - Por que está me dizendo isso senhor? Não entendi... – disse Carla confusa.

         - Não esqueça dessas palavras senhorita. E seja feliz. Não seja como eu, que não consegui enxergar o que estava na minha frente que eu não dei importância. E não caia nas peças do destino, sempre tome cuidado com qualquer passo que você der.

         - Continuo sem entender nada. – disse Carla.

         - Algum dia você vai entender. Não se preocupe. – disse o velhinho.

         Carla abriu a carteira e deu uma nota de 10 dólares para o velhinho, que agradeceu. Depois continuou caminhando pelas ruas cada vez mais confusa. Resolveu ir para o aeroporto, já que não tinha mais nada a fazer por ali.

 

O que vai acontecer agora? Brian e Carol contarão que Carla voltou para o Brasil? E como Kevin reagirá? O que está deixando Carla tão confusa?

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