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Allan
Kardec
A
Afabilidade e a Doçura
A
benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao
próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são as formas
de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que fiar nas
aparências. A educação e a frequentação do mundo podem dar ao
homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida
bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem
cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O
mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e
no coração o veneno; que as brandas, desde que nada as agaste,
mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro
quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando
estão por detrás.
A essa
classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que,
tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados
lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem
desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a
si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os
estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem
fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir.
Envaidecem-se de poderem dizer: "Aqui mando e sou obedecido",
sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: "E sou detestado."
Não basta
que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum
lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e
doçura não são fingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em
sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se,
pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém
engana. - Lázaro. (Paris, 1861.)
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho
Segundo o Espiritismo. 112 edição. Livro eletrônico gratuito
em
http://www.febnet.org.br.
Federação Espírita Brasileira. 1996.
Diferentes
categorias de mundos habitados
Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito
diferentes umas das outras são as condições dos mundos,
quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus
habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda
inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da
mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou
menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos
inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas
as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta
se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal
maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim
dizer, toda espiritual.
Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal,
predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da
maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos
diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se
contudo, em virtude do estado em que se acham e da
destinação que trazem, tomando por base os matizes mais
salientes, dividi-los, de modo geral, como segue: mundos
primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma
humana; mundos de expiação e provas, onde domina o mal;
mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o
que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da
luta; mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos
celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde
exclusivamente reina o bem. A Terra pertence à categoria dos
mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a
braços com tantas misérias.
Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele
presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases
do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a
perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de
adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais
adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de
puros Espíritos? São outras tantas estações, em cada
uma das quais se lhes deparam elementos de progresso
apropriados ao adiantamento que já conquistaram. aram Élhes
uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada,
como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um
mundo desgraçado, ou serem um relegados para outro ainda
mais infeliz do que aquele a que se vêem eram um impedidos
de voltar quando se obstinaram mal.
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o
Espiritismo. 112 edição. Livro eletrônico gratuito em
http://www.febnet.org.br.
Federação Espírita Brasileira. 1996.
ESPÍRITOS
Os espíritos protetores nos ajudam com os
seus conselhos,através da voz da consciência,
que fazem falar em nosso íntimo - mas
como nem sempre lhes damos a
necessária importância, oferecem-nos outros
mais diretos, servindo-se das pessoas
que nos cercam.
Allan Kardec
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Allan
Kardec
Bem e Mal Sofrer
Quando o
Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes
pertence", não se referia de modo geral aos que sofrem, visto
que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem
tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem;
poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem
conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos
recusa consolações, desde que vos falte coragem. A prece é um
apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base
uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse
que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é
proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e
à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a
aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se
apresenta cheia de tribulações.
O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica
descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto
lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um
repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a
vossa alma. Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não
consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida,
onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate
sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme
em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral.
Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem;
mas, Deus lhe reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa.
Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade,
sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os
ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de
vós para convosco, cheio de justa satisfação: "Fui o mais
forte."
Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim:
Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua
firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus,
porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra,
porque depois do labor virá o repouso. - Lacordaire. (Havre,
1863.)
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112
edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.
Federação Espírita Brasileira. 1996.
Fora da caridade
não há salvação
Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão
encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra,
porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu,
porque os que a houverem praticado acharão graças diante do
Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que
guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a Terra da
Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos
eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem
Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai.
Reconhecê-los-eis pelo perfume de caridade que espalham em torno
de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus,
nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de
ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua
origem, do que apresentando-a como regra, por isso que é um
reflexo do mais puro Cristianismo. Levando-a por guia, nunca o
homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a
perscrutar-lhe o sentido profundo e as conseqüências, a
descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei
todas as vossas ações ao governo da caridade e a consciência vos
responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, como também
fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não
basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer-se o bem,
mister sempre se torna a ação da vontade; para se não praticar o
mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.
Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis
gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem
hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os
ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos,
pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos
a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são
uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a
caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que
pertençam. Paulo, o apóstolo. (Paris, 1860.)
Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112
edição. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.
Federação Espírita Brasileira. 1996. |