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1.
Pra emancipar um distrito
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9.
Parecia ditadura
Câmara
e Prefeitura
Só
divulgavam o “sim”
E
o povo contrariado
Começou
a achar errado
Todos
pensando assim. |
10.
Se um filho fala ao pai
Aqui
eu não fico mais
Dizem
que só dou despesa.
Um
pai que é amigo
Pondera:
“Trabalhe comigo
Ajude
a encher nossa mesa.” |
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11.
Já um pai inconseqüente
Agindo
inconsciente
Sem
qualquer contemplação.
Auxilia
a ir embora
O
filho que não adora
Despacha
a incomodação. |
12.
Se o Rincão era prejuízo
É
porque ninguém com juízo
Quis
tratá-lo como igual.
Nunca
foi aproveitado
Jamais
foi explorado
Seu
grande potencial. |
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13.
Mas surgiu um problemão
Como
divulgar o “não”
Se
já chegava o dia.
“Como
mostrar, diz o Teda
O
outro lado da moeda
Se
isto ninguém permitia? “ |
14.
O Guegué tentou comprar
Um
out-door pra mostrar
Qual
era a sua posição.
Não
conseguiu espaço
Criaram
muito embaraço
Não
podia dizer “não”. |
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15.
O Escaravaco desenhou
Três
faixas e pendurou.
Mas
meia hora depois
Foi
conferir o serviço
Nas
faixas deram sumiço
E
ninguém sabe quem foi. |
16.
O Teda desesperado
Tentou,
por outro lado
Escrever
para os jornais
Não
teve qualquer sorte
Questão
de vida ou morte
O
“não” aqui jamais. |
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17.
O Valterney escreveu
Mas
nenhum jornal lhe deu
A
devida atenção.
Pouco
importa o argumento
Aqui
em nenhum momento
Pode
surgir o “não”. |
18.
O Teda achou uma brecha
E
partiu como uma flecha
Pro
artigo difundir.
Pagou
pra ver publicado
O
seu desabafo inspirado.
Ninguém
pôde impedir. |
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19.
Todo mundo então gostou
Do
que ele ponderou
De
forma sensacional.
O
“não” passou a crescer
Nas
ruas dava pra ver
O
comentário geral. |
20.
A idéia se espalhava
Porém
isto não bastava
Era
preciso algo mais.
Surgiu
então o panfleto
E
aquele pequeno folheto
Fez
o papel dos jornais. |
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21.
O Ladair, o “Abelheiro”
O
Pedro Marques, ligeiros
Começaram
a espalhar.
O
folheto uniu então
Quem
pensava dizer “não”
Que
passaram a conversar. |
22.
Dentro do Bar do Nilão
O
pessoal do Rincão
Reclamou
um certo dia
Que
aquela turma do “não”
Semeava
confusão
E
ali se reunia. |
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23.
Então a todo momento
Vinha
o patrulhamento
E
o bar logo se enchia.
Porém
havia outros ninhos
O
Nem, oTaz , o Klebinho
Restaurantes
e pizzarias. |
24.
Mas havia necessidade
De
espalhar a novidade
A
todo povo de Içara:
“A
força está na união
Devemos
dizer o não
Pois
quem ama não separa.” |
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25.
O Gilmar do Foto Axé
Disse
com a maior fé
Causando
grande frissom:
“A
correta abordagem
Pra
espalhar a mensagem
É
com um carro-de-som.” |
26.
A mensagem foi gravada
O
carro caiu na estrada
Pouco
tempo trabalhou.
A
patrulha dá um recado
E
o motorista assustado
Pra
Fumaça retornou. |
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27.
Enquanto o panfleto corria
A
imprensa promovia
Um
comício arrasador.
Vieram
os deputados
Políticos
amontoados
E
até o governador. |
28.
Uma pergunta avulta:
“Se
plebiscito é consulta
Para
o povo definir
Por
que é que deputados
Oriundos
de outros lados
Vieram
interferir?” |
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29.
Se a Assembléia queria
Uma
resposta sadia
Pelo
“sim” ou pelo “não”
Deveria
ter atuado
Pra
que todo deputado
Agisse
com isenção. |
30.
O “sim” então passou
E
o Rincão comemorou
Numa
festa sem igual.
Mas
eis que surge a Justiça
Levantando
a premissa
De
que foi tudo ilegal. |
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31.
Será que a Assembléia sabia
Ouvindo
a procuradoria
E
quis fazer pilhéria?
Se
não sabia, foi incompetente
Se
sabia, foi inconseqüente
Com
uma coisa muito séria. |
32.
Um político sensato e probo
Não
faz o povo de bobo
Pois
surgirá a verdade.
Mas
uma lição vai ficar:
“Que
Içara aprenda a cuidar
De
cada comunidade.”
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