Carnaval de 1956

E.C.09

 

 

Derlei Catarina De Luca

 
 

O carnaval de 56 foi animado. A criançada foi a primeira a gravar as musiquinhas e ajudar a vender VOTOS.

Neneco da Silva chefe da estação de trem e Silvino De Luca, dono da Fabrica de Café LUPA, vereador pela UDN e presidente do clube organizaram o concurso de rainha do carnaval entre as mais belas moças da cidade que freqüentam o CLUBE IPIRANGA. O Concurso escolherá a rainha e arrecadará fundos para a construção do hospital. Todas as boas famílias freqüentam o Clube. Adelaide Bartochak, Olívia Scotti mais conhecida como Nena e Lídia Zacarón são candidatíssimas.

Felix Pizzetti, Quintino Zanetti, Miguel Galdino, Walter Antunes, Arnaldo Lodetti. Mario Lodetti, Antonio Lima, Moacir Silva, Nisio Cardoso, Nelson Zacarón, Mauro Casagrande, Nisio Pavei. Itamar Speck, Dilton Rossi Fermo; os rapazes do centro são os mais entusiasmados; compram votos, debatem suas preferências, discutem quem é a mais bonita. Compram e vendem votos, em bloquinhos, impressos pelo Clube.  Olavo de Assis era quem mais puxava o bloco. Quem vendesse mais votos seria a rainha. Os bailes são animados, cada candidata tem sua torcida e Içara vive um dos seus momentos mais alegres. Os rapazes “tiram” as mocas para dançar e entregam os bilhetes que valem como votos.

 

Com oito anos de idade, asmática, mais ligeira que depressa, Derlei se oferece para levar os sapatos da rainha e segue atrás de Adelaide. Assim pode chegar pelo menos até a porta do salão e ver algo da festança proibida para crianças. Adelaide entra com seu vestido de “broderi” azul, magnífico bordado digno de rainha. Nena traja um vestido de tule branco e Lídia se veste de rosa. Quando a rainha entra ladeada pelas princesas a orquestra irrompe a tocar e o povo canta a plenos pulmões:

 

Oh abre alas, oh abre alas

Que nós queremos entrar

Nós somos da Içara

E não podemos negar.

 

Blocos carnavalescos de Criciúma chegam para participar do carnaval empolgando os organizadores. Jaime Zanatta e Aquilino Peruck entusiasmam a festa.

Encarrapitadas no muro que rodeia o clube, sem se importar com a chuva, observando a festa estão Derlei, Ozaide e Núbia, mais conhecida como Buga. Noutra ponta do muro, Anério, o moleque mor da cidade está vidrado olhando o baile e nem “intica” com as meninas.

Os pais e mães estão tão cansados e suados que não têm tempo de mandá-las dormir.

 A renda toda que houver, será em benefício da construção do hospital.

As garotas não perdem para as princesas. Elvira Scotti, Arlete Bitencourt, Yolanda Espíndola, Edite Lodetti, Natalina Cardoso, Estela Oliveira, as irmãs Piazza, Hilda conhecida como Bimba e Elza, Lola, Jandira Sartor, Rosa Rech preparam suas fantasias e fazem a glória do carnaval.

Neneco Silva, casado com D. Irma é bom pé de valsa, dança sem parar com as candidatas.

No domingo é feita a apuração e todos cantam o samba adaptado.  

Eu vou sair de fã

Já comprei minha fantasia

No meu bloco via a linda Adelaide

A Nena Scotti e a Lídia Zacarón

 

Esta marchinha vai causar sucesso

Vai sair do bolso do pessoal

Vamos dar quinze por cento

Para a Içara terminar seu hospital  

 

Com adaptação de música de carnaval do Rio de Janeiro os carnavalescos içarenses não se intimidam.

Contados os votos, Adelaide Bartochak reina no carnaval de Içara. Ganha a coroa e cetro. Nena Scotti e Lídia Zacarón são as princesas. O clube está em festa esperando as eleitas. É domingo de carnaval, a animação é grande. Uma chuva fininha cai sobre a cidade, mas não diminui o entusiasmo da rainha que se veste na casa de Maria e Silvino De Luca. Dali até o clube é apenas uma quadra. O sapato forrado de cetim azul pode estragar e a rainha calça um sapato velho para não sujar o novo na chuva e no barro.   

 
 

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