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Caiçara Esporte Clube |
E.C.03 |
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Derlei Catarina De Luca |
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Os
dois grandes times de futebol de Içara foram Ipiranga e Caiçara. Jovem
que se prezasse, de família, morador do centro ou de bairro tentava
jogar em um dos dois times que se revezavam como vencedores nos
campeonatos. Domingo
à tarde a moçada se reunia para assistir aos jogos. O
Ipiranga foi fundado lá pelos anos 37 ou 38. Período da juventude de
Higino Borges, Silvino De Luca, Antonio Colonetti, Zequinha Garcia,
Quintino Rizzieri, Ildo Alves. Valdemar Bittencourt era o patrono da
equipe. Jovens
que marcaram época e hoje são lembrados como nomes de ruas, escolas e
até ginásio esportivo no município. Funcionava junto do clube do
mesmo nome e as partidas eram realizadas numa planície; a beira do rio,
onde passavam os trilhos da Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, num
terreno do senhor Hector Valvassori. O
Ipiranga jogava com times de outras cidades e participava dos
campeonatos. Em 1964, a diretoria decide não mais permitir que os
jogadores de outros times usassem suas dependências para trocar a roupa
depois dos jogos. Criou-se
um impasse. Como acertar os jogos sem lugar para trocar de roupa? As
discussões prosseguiram e o time rachou. Os
mais jovens, indignados, no dia 06 de janeiro de reuniram-se no Bar
Central, na rua Marcos Rovaris e fundaram a Sociedade Esportiva e
Recreativa Caiçara. Ladair Colle, Ângelo De Luca Pizzetti, Romário
Bittencourt, Valdir Lodetti, Adelor Cabreira (Loro), Osvaldo Bittencourt
– Copa, Felix Pizzetti e outros. O nome foi proposto
pelo Bona – Bonifácio Espíndola. Na
ata de fundação eles escrevem que a Sociedade se dedicará a
atividades esportivas e sociais sendo que “o quadro de sócios deverá
ser de todos os credos, cor, ideologia, política sem qualquer
discriminação”. A
primeira diretoria foi assim constituída: Presidente Ladair Colle, vice
presidente Moacir Antonio Pavei, lº secretário Osvaldo Candido
Bitencourt, 2º secretário Adelir Cabreira, lº tesoureiro Romário
Bittencourt, 2º tesoureiro Valmor Santana e Valdir Lodetti
fica no departamento esportivo que era o que interessava. Para
treinar e jogar conseguiram um terreno vazio de propriedade do senhor
Diomicio Freitas. Antonio Colonetti, da UDN, coletor estadual, foi quem
fez a negociação. O Caiçara poderia construir seu campo de futebol em
troca os jogadores votariam nele para deputado federal. Foi
a primeira briga entre Valdir e seu pai, Ângelo Lodetti. Diomicio
Freitas era da UDN e candidato a deputado federal. Ângelo Lodetti era
PSD, e fazia campanha para Joaquim Ramos do seu partido. Ângelo
Lodetti cobra do filho que, entre política e futebol escolheu o
futebol: _
Quem é que vai dar o campo? Ele vai dar o campo, votamos nele. Passada
a eleição, Valdir procura o pai, fiscal da prefeitura de Criciúma,
cujo prefeito, Néri Jesuíno da Rosa, fora eleito pela Aliança Social
Trabalhista. Precisavam de máquinas para aplainar o terreno. Seo Ângelo
manda as máquinas para Içara, então pertencente ao município de
Criciúma. Logo
em seguida, a Companhia Mineradora junto com a Estrada de Ferro
constroem uma caixa de carvão e uma ramificação do trem para buscar o
minério. Os trilhos passavam justamente no meio do campo. Valdir entra
em campo outra vez. Não em campo de futebol. Em campo de política.
Procura Antonio Colonetti (UDN) para conseguir ampliar o terreno do Diomício
Freitas. O terreno cedido tinha um barranco que precisava ser retirado. Procura
o pai (PSD) para conseguir as máquinas. Lá estava o Caiçara com seu
campo de futebol, demarcado, gramado, com as traves, só esperando os
gols. Valter
e Nane Possamai, Copá, Lili Cabreira, Tarcisio Fernandes, Arnaldinho
Lodetti, Julio César De Luca, Gentil Dori da Luz, Carlos Alberto Pavei,
João Cizeski, Nivaldo Valvassori, Valmor da Silva, Santos da Silva,
Heitor Valvassori, Rafael MazzuchelloAdilson Fernandes, Henrique
Guglielmi, Arilton Fernandes, José Dionísio Cardoso, Ademio Pavei,
Valmor Manoel Pacheco, José Guessi, Gilberto Lima, Valmor Biff. Centenas
de jovens içarenses defenderam a camisa do Caiçara e fizeram parte das
suas diretorias ao longo destes anos e como foi decidido na primeira
reunião o time aceita todos os credos e ideologias. O
Caiçara se expande, faz nome, participa dos campeonatos da LARM, tem
jogadores do centro e torcedores fiéis. Valdir
Lodetti deixa o campo, mas permanece no futebol como árbitro.
Atualmente é o Presidente da LARM. Liga Atlética da Região Mineira. O
local mais fácil de encontra-lo é na rua do campo do EC Criciúma. Em
1974, como juiz, vai apitar uma partida. Ex-jogador do Caiçara era
esperado que torcesse pelo time. Os jogadores se sentiram à vontade em
jogar pela bola e pelo soco. Deguinho,
jogador do Caiçara comete uma falta grave e Valdir o expulsa de campo.
Miúdo, baixinho, valente, o jogador se recusa a sair. Valdir, com a
altura que Deus lhe deu e os braços que o futebol lapidaram pega seo
Deguinho no colo e carrega pra fora do campo, joga-o num valo e manda o
jogo prosseguir. Que ninguém mais se atreva a desafiar o juiz,
autoridade absoluta no campo. Durante
46 anos o Caiçara utilizou o campo sem qualquer questionamento, até
que os herdeiros da família Freitas reivindicaram a propriedade. O caso
foi decidido na justiça em favor da Caiçara. O atual Presidente do Caiçara é Paulo Brígido e o time continua levantando a moral da galera içarense que gosta de futebol. |
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