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As almas da Corda Bamba |
E.C.06 |
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Derlei Catarina De Luca |
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Primeira
estrada de ligação entre Içara e Criciúma, no tempo em que os
rapazes andavam a cavalo, as moças esperando o príncipe encantado e não
havia eletricidade.
A
trabalho ou por diversão era o caminho obrigatório, antes da Estrada
de Ferro, antes da estrada do Demboski e antes da SC 444.
Aos
sábados, os rapazes se reuniam em dois ou três preparavam os cavalos e
saiam em busca dos bailes e novenas pelas redondezas.
A
estrada da Corda Bamba era estreita, escura e com a vegetação cerrada.
Alguns
diziam que à noite ouviam gemidos, outros falavam em almas que
suspiravam. Os rapazes tinham certo receio e preferiam não passar por
ali sozinhos. Os cavalos empinavam o pescoço, corriam, jogavam os
cavaleiros para fora da sela e mais de um rapaz se machucou por isso.
Era sempre no mesmo lugar, perto de um pequeno riacho.
As
mães comentavam o estranho comportamento dos cavalos e algumas até
acenderam velas para as almas do purgatório. Quem sabe não era alguém
precisando de oração?
O
inspetor de quarteirão, depois de muito falatório, tenta pesquisar o
que estava acontecendo. Pesquisou, pesquisou pelos arredores e só o que
achou foram alguns galhos quebrados.
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Ora, ora, nunca soube que alma penada quebrasse árvore.
Pesquisou
mais um pouco e encontrou pedaços de fio de arame. Decidiu que na noite
de sábado daria plantão na estrada onde as almas costumavam se
manifestar.
No
sábado, antes do anoitecer, dirige-se ao local. Meia hora depois chegam
dois rapazes conhecidos. Estendem o arame, cada um se posiciona de um
lado da estrada, amarram o arame em árvores e ficam esperando. Quando
os rapazes festeiros se aproximam, eles começam a gemer e puxam o
arame.
Na
escuridão, não se enxerga o arame, mas os cavalos relincham, se
sacodem, pulam, sentem o arame bater nas suas pernas e do meio do mato
ouve-se vozes cavernosas e apavorantes.
A
autoridade, então se manifesta, dá um tiro para o alto e os cavalos
desandam a correr. Os aprontadores também.
Eram
dois rapazes do tipo “das melhores” famílias da vila. O
delegado chama os pais e os jovens não são presos em troca da promessa
de nunca mais bancar alma penada para assustar os viventes. |
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