Por mim, e por vós, e por
mais aquilo
que está onde as outras coisas
nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu
tranqüilo:
quero solidão.
Meu
caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o
conheces? - me perguntarão.
- Por não ter
palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo
e nenhum irmão.
Que
procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo
sozinha com o meu coração.
Não ando perdida,
mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha
mão.
A
memória voou da minha fronte.
Voou meu amor,
minha imaginação...
Talvez eu morra antes do
horizonte.
Memória, amor e o resto onde
estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a
terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo
desilusão!
Estandarte triste de uma estranha
guerra...)
Ele
amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de
necessidade.
Não
foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura
causada.
Se
acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue
ferida.
Pus-me a cantar minha pena
com uma
palavra tão doce,
de maneira tão
serena,
que até Deus pensou que
fosse
felicidade - e não pena.
Anjos de
lira dourada
debruçaram-se da altura.
Não
houve, no chão, criatura
de que eu não fosse
invejada,
pela minha voz tão pura.
Acordei
a quem dormia,
fiz suspirarem defuntos.
Um
arco-íris de alegria
da minha boca se
erguia
pondo o sonho e a vida juntos.
O
mistério do meu canto,
Deus não soube, tu não
viste.
Prodígio imenso do pranto:
- todos
perdidos de encanto,
só eu morrendo de
triste!
Por assim tão docemente
meu mal
transformar em verso,
oxalá Deus não o
ausente,
para trazer o Universo
de pólo a
pólo contente!

Quando penso em você fecho os olhos de
saudade
Tenho tido muita coisa, menos a
felicidade
Correm os meus dedos longos em
versos tristes que invento
Nem aquilo a que
me entrego já me traz contentamento
Pode ser
até manhã, cedo claro feito dia
mas nada do
que me dizem me faz sentir alegria
Eu só
queria ter no mato um gosto de framboesa
Para
correr entre os canteiros e esconder minha
tristeza
Que eu ainda sou bem moço para tanta
tristeza
E deixemos de coisa, cuidemos da
vida,
Pois se não chega a morte ou coisa
parecida
E nos arrasta moço, sem ter visto a
vida.
Não
te aflijas com a pétala que voa:
também é
ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de
cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu
jardim.
Eu deixo aroma até nos meus
espinhos
ao longe, o vento vai falando de
mim.
E por perder-me é que vão me
lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho
fim.
Ou
se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol
e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não
se põe o anel,
ou se põe o anel e não se
calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no
chão,
quem fica no chão não sobe nos
ares.
É uma grande pena que não se
possa
estar ao mesmo tempo nos dois
lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o
doce,
ou compro o doce e gasto o
dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou
aquilo...
e vivo escolhendo o dia
inteiro!
Não sei se brinco, não sei se
estudo,
se saio correndo ou fico
tranqüilo.
Mas não consegui entender
ainda
qual é melhor: se é isto ou
aquilo.
"
... Permita que eu feche os meus olhos,
pois
é muito longe e tão tarde!
Pensei que era
apenas demora,
e cantando pus-me a
esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que
me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz
no silencio,
e a dor é de origem
divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e
aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas
no seu rumo ...