POEMA DO CAÇADOR DESPORTISTA

“CAÇANDO COM POINTER”

 


 

I

Já se cantou caçador,

o de campo e de negaça.

Da natureza se engraça

o poeta e o trovador,

mas está faltando um cantor

que diga como se caça.

 

II

É normal contar-se “causo”

em cima de um perdigueiro

- o que foi o melhor parceiro,

em certa fase da vida –

com lorotas increídas

de um grande tarefeiro.

 

III

Rastreadores tem aos montes,

malhados de orelha oval.

Qualquer cruza de animal

pode dar um “macanudo”

com pelo liso ou lanudo

que encha o embornal.

 

IV

Mas caçar não é bem isso,

em o dizendo sustento:

se for prá buscar alimento

há mundéu e armadilha,

mil maneiras em tropilha

para o abastecimento.

 

V

Agora são outros tempos!

Por isso quero afirmar

que é uma arte caçar,

sair no campo às perdizes,

aos perdigões, que me dizes?

Isso que quero abordar.

 

VI

De palco tenho as planícies,

as coxilhas e os banhados,

os belos campos dourados

de matizes outonais

com os sonidos divinais

que me deixam deslumbrado.

 

 

VII

Palmo a palmo vou sorvendo

com os sentidos alerta.

A natureza me aperta

como um abraço de prenda:

é demais tanta oferenda

para um taura que desperta!

 

VIII

A passo, vento de frente,

vestido ao melhor rigor,

sou ardente espectador

da busca desenfreada,

embora bem cadenciada,

do meu principal ator.

 

IX

É um pointer, alta linhagem,

de galope “contenido”,

que corre, focinho erguido,

quarteando em velocidade:

exemplar de qualidade

que sabe usar os sentidos.

 

X

Em busca da emanação

vai olfateando o vento.

Está em seu elemento

o fabuloso “ventor”,

orgulho do caçador

que possui discernimento.

 

XI

E de repente, no ar,

sentindo odor conhecido,

com o corpo enrijecido,

o lindo pointer estanca

e em “scato” se “planta”

“dizendo” do acontecido.

 

XII

Chego feliz e ordeno

- vamos, Negro, que é caça!

Nervoso como é da raça

em “filata” se aproxima

ou em pontaços se arrima

no cheiro que lhe “arregaça”

 

XIII

Vem o momento supremo

do barulho da “sotreta,”

do engatilhar da escopeta

e o abate posterior

que determina ao ator

o final da sua retreta.

 

XIV

Mas muitas vezes ocorre

que de tão maravilhado

pelo trabalho acabado

do pointer que conduzi,

que dar no gatilho esqueci

tendo meu cão abraçado

 

XV

O esporte já é completo

no momento do levante.

Nem precisa levar diante

com o abate do bicho,

atirar já é capricho

ainda que interessante.

 

XVI

Caçar é bonito e nobre,

um esporte de respeito

prá quem leva muito jeito.

Por mais que o tempo passe

“caçador a gente nasce”

trazendo o germe no peito

 

 

 

XVII

Antes porém de encerrar

há um fato de relevo

que somente ao pointer devo.

No meu amado Rio Grande

e no pampa americano

em qualquer lugar qu’eu ande

tenho agora muito “hermano”:

o pointer me aproximou

dos meus queridos amigos!

 

XVIII

No Uruguai, na Argentina,

no Chile e até por aqui,

amigos eu consegui

tendo o pointer pelo meio.

E eles são, segundo creio,

o elo de ligação

fazendo aproximação

da estirpe de caçadores,

os melhores, sem favores,

na caça e conservação.

 

 

 

 

Henrique Dias de Freitas Lima

12/07/2001

 

 

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1