O autor com Moca do Chuí

 


CAÇANDO COM POINTER II

 

A década de 1980 foi de total mudança em nossos conceitos de caça esportiva. Paulatinamente fomos abandonando as linhagens com que havíamos feito tanto sucesso. Iniciamos essa década com a aquisição dos Apuliaes Roy, Bimba, Miss e Bella, num total de 8 filhotes, que distribuímos aos amigos Fernando Letzow e Sérgio Seidl, entre outros. Os ancestrais dos Apuliaes, de linhagens vencedoras em copas européias, foram trazidas para o Brasil, da Itália e da Finlândia, pelo cônsul italiano em Curitiba(PR), Dr. Marino D'Urso. Eram eles Ombra di Castel del Monte, Bang Della Marciola e Lakiampellum Opalus. Cruzamos esses exemplares com linhagens de propriedade de Hélio Alvarez, do Brasil, Siul Stratta, do Uruguai e do Dr. Annes (Canil de Aullus), da Argentina. Nasceram os excelentes Tora e Itu do Chuí, Edo, Ego, Neto e Quera do Passo do Salso. Essas linhagens deram ao Brasil os títulos de Vice-campeões e de Campeões Sul-americanos, competindo no Uruguai, Argentina e Chile. Ingressamos, assim, no mundo dos POINTERS Fórmula 1, de apurado instinto, alta velocidade na busca e incomparável estilo. Passamos a considerar seu trabalho até o levante da caça uma ação completa, sendo opcional o tiro na perdiz. Por certo, a maioria dos caçadores discordará, entretanto, depois de vários anos, há mais de uma década, nossas jornadas de caça se resumem a observar esses ventores bater os campos, fazendo mostras espetaculares, levantarem dezenas de perdizes das quais abatemos a cota compatível com a quantidade de peças existentes no local. Partimos do princípio de que lindos tiros podem ser obtidos em pedanas ou em atiradas de marrecas. Não é necessário praticarmos caçando perdizes. E ainda há um diferencial: na pedana e nas marrecas os companheiros assistem e podemos brilhar. No campo quase nunca temos testemunhas mas ficamos maravilhados e emocionados com suas performances. Saibam todos que é esporte completo sair a caminhar conduzindo um POINTER. Com apito para o comando e uma máquina fotográfica para registrar as mostras, quase sempre espetaculares, nosso exercício e prazer se completam. Experimentem adestrar um POINTER, treiná-lo seguidamente e apresentá-lo aos amigos. Procurem reunir os companheiros que caçam com esta raça em um dia de campo, cada um demonstrando a habilidade de seu pupilo. É claro que dá trabalho adestrar. Esta raça tem muita força, mas o desafio se justifica pelo retorno que temos, pois o POINTER é um cão dócil, incapaz de agredir quem quer que seja. Ele é companheiro de todas as horas, elegante, tem garra, resistência e estilo incomparáveis. Este conjunto de qualidades ziguezagueando pelo campo em busca de perdizes causa o máximo de prazer e constantes emoções. Ele é belo quando aponta a caça e define sua localização de cabeça elevada, usando somente o olfato. As tênues emanações trazidas pelo vento são suficientes para a amarrada, bloqueio e levante.

Nos tempos bicudos em que vivemos, com as cotas de caça diminuídas e algumas espécies proibidas, o caçador desportista poderá ter muito mais emoção caçando com um POINTER cujo trabalho, por si só, leva à pratica de um esporte completo.

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