Ombra do Chuí em mostra

 

 


CAÇANDO COM POINTER VI

 

 

                                                                                 

                        Já estamos com um pointerzinho adestrado de pátio e acostumado a bater campo, obedecendo comandos. Atende ao ouvir ”AQUI”, “NÃO”, “QUIETO” e outras ordens que você lhe ensinou. Mostra (amarra) a perdiz ao perceber a emanação, aguarda que você se aproxime dele e, quando estimulado, faz a perdiz voar e corre atrás.

                        É normal o filhote ficar paralizado diante da emanação da perdiz. Quando isso acontece e o animal, solicitado, não se move, você deve passar à sua frente e instigá-lo a avançar. Nunca, entretanto, a palavra de estímulo (“vamos” ou “levante”,... etc.) deve ser acompanhada de toques com as mãos ou pés, nem com chutes, como fazem alguns.  Ao iniciar a formação do companheiro de caçada é muito melhor que você se adiante e, ao cortar a emanação, faça com que o cão avance, até mesmo levantando a perdiz com os pés.

                        A emanação (cheiro) da perdiz funciona para o pointer como uma parede. Sua sensibilidade olfativa paraliza-lhe a ação. Se assim não fosse, o cão encontraria a caça, daria uma paradinha e a levantaria sem esperar o caçador, como fazem o Labrador e o Cocker Spaniel, que são cães de busca e não de aponte. O pointer deve esperar e, sob comando, levantar a caça. Se não o fizer assim, não presta para caçar.                 

                        Quando o filhote amarrar, esperar e, sob comando, levantar a perdiz, você deve usar uma arma de fraco estampido. Eu, inicialmente, usava revólver de brinquedo com espoleta de papel. Depois, passei a iniciar meus filhotes com tiros de pistola calibre 22, que aciono quando eles, sob comando, levantam a perdiz e correm atrás. Normalmente os cãozinhos levam um tremendo susto ao ouvirem os primeiros estampidos, voltando-se desesperados para mim. Nesses momentos há que demonstrar alegria, estimulando-os a correr atrás da perdiz e, ao mesmo tempo, jogando o brinquedo de plumas, que eles vêem, correm atrás e trazem à mão. 

                        É imprescindível que o filhote associe o tiro à perdiz e o vôo à ação de buscá-la abatida (a perdiz, no início, será o brinquedo). Somente quando o cãozinho amarrar, levantar a caça, não se assustar com o estampido e buscar o brinquedo é que podemos usar uma arma de caça e iniciar o abate. Ai então, nosso pointer estará caçando.

                        Dependendo da sensibilidade do filhote costumo usar espingarda calibre 32 para o abate inicial das perdizes. É importante não errar os primeiros tiros mas, se ocorrer, é bom ter o brinquedo de plumas à mão, atirando-o para que o filhote busque.

                        Sorte do adestrador será ferir a asa da primeira perdiz, pois ela viva, se escondendo, provavelmente despertará todos os instintos do cão que, faceiro, a dominará e trará a seu dono. Na ocasião é bom que se jogue com o pointerzinho, fazendo-o trazer várias vezes a caça ferida à mão. Superará, assim, qualquer temor, ficará confiante e saberá que o estampido é o sinal que terá para bocar e depois trazer a caça à mão.

Nunca devemos esquecer que a sensibilidade auditiva do cão é muito superior à humana. Se nós nos assustamos quando não esperamos o estampido, imagine um cãozinho ao percebê-lo por trás...

                                               Concluindo, insisto: tenha paciência com seu futuro companheiro. A caça só é desportiva quando o homem e seu cão se completam.

                                                

 

 

 

                                                          

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