Caminhos

 

XLI

 

Levo o gosto solitário das noites

que passei buscando teu corpo,

teu riso, teus olhos.

Levo a eterna ausência de teus cabelos,

sempre fugindo,

e o claro perfil de teu rosto, contra

a límpida lucidez da manhã.

Levo teu cheiro, estranho perfume

que me envolve e embriaga,

e o rubor de teus lábios,

desejo encarnado de um beijo

que não roubei.

Te levo na solidão dos meus dias,

na aridez de minha procura,

no eterno efêmero de minha angústia.

Deixa que as lágrimas estéreis que brotam de meus olhos

ceguem minha visão,

e então te terei presente,

eterna imagem em minha memória.

 

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