Caminhos

 

XXXII

 

Escrevo estas palavras

no interior de um cubículo

que se estende verticalmente

em um pedaço de quadrilátero urbano.

Pela janela

(quadrado de silicatos transparentes)

entreaberta, vêm os ruídos

do mundo.

Quero cruzar os umbrais da porta

que nos separa

e deixar trancadas aqui dentro

minhas angústias e desilusões,

mas tenho medo de pisar no

espaço que todos dividem

e ser atropelado pela horda de veículos

em carreira desenfreada pelas vias

que limitam o quadrilátero

em que escrevo.

 

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