XXVI
Quero escrever numa palavra
os sonhos da infância,
os desejos da juventude,
caminhos que se cruzam,
linhas telefônicas ocupadas
e a insensatez dos homens
que buscam sem saber o quê.
Quero esconder nas palavras
a covardia de dizer "te
amo"
e o medo irracional
de saber a resposta.
Quero afogar meus desejos
nas águas de um deserto
cercado por metáforas e onomatopéias,
sílabas perdidas da palavra que
procuro.