Primeiro Sintra - Mafra

Sintra - Mafra, 01DEZ00


 


SINTRA - MAFRA

Terreno Bastante Técnico com Pedra, Lama e Água

Distância Total: 36 kms.
Grau de Dificuldade: Médio
Duração Aproximada: 03:30
 

MAPA DO PERCURSO

(aguarde pacientemente o carregamento das imagens)


LOCAIS DE INTERESSE NA INCURSÃO

SINTRA "GLOURIOUS EDEN"

ESTRADA DE SETEAIS E MONSERRATE

VÁRZEA JUNTO A NAFARROS

ODRINHAS

MOINHOS DA SERRA DO LIMA

VALE DE CHELEIROS

CARVALHAL

ASCENSÃO AO BOCO

CONVENTO DE MAFRA


"Nessa noite contou Manuel Milho o fim da história. Perguntara-Ihe Sete-Sóis se os soldados do rei sempre tinham conseguido apanhar a rainha e o ermitão, e ele respondeu: Não apanharam, correram o reino de ponta a ponta, buscaram casa por casa, e não os encontraram, e tendo dito isto calou-se. Perguntou José Pequeno: E então, é isso história que se ande a contar há quase uma semana, e Manuel Milho respondeu: O ermitão deixou de ser ermitão, a rainha deixou de ser rainha, mas não se averiguou se o ermitão chegou a fazer-se homem e se a rainha chegou a fazer-se mulher, eu por mim acho que não foram capazes, senão tinha-se dado por isso, quando uma coisa dessas um dia acontecer não passará sem dar um grande sinal, mas estes não, foi o caso há tantos anos que já não podem estar vivos, nem um nem outro, e com a morte sempre se acabam as histórias. Baltazar bateu com o gancho de ferro numa pedra solta. José Pequeno esfregou o queixo, áspero da barba, e perguntou: Como é que um boieiro se faz homem, e Manuel Milho respondeu: Não sei. Sete-Sóis atirou o calhau para a fogueira e disse: TaIvez voando.
Dormiram ainda outra noite no caminho. Entre Pêro-Pinheiro e Mafra gastaram oito dias completos. Quando entraram no terreiro, fol como se estivessem chegando de uma guerra perdida, sujos, esfarrapados, sem riquezas. Toda a gente se admirava com o tamanho desmedido da pedra: Tão grande. Mas Baltazar, olhando a Basílica: Tão pequena."

José Saramago, "Memorial do Convento", ed. Presença, Lisboa, 1982


COMENTÁRIOS

De: Fernando Carmo <[email protected]>
Para: Velocipedia <[email protected]>
Assunto: [ VELOCIPEDI@ ] S. Pedro e S. Roque
Data: Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2000 19:29

E ainda falam das IMFC!

De facto a jornada bttística de hoje teve o alto patrocínio de S. Pedro e de S. Roque! Do primeiro pela bonança com que nos presenteou, depois de na véspera ter despejado litros de água sobre as nossas cabeças; do segundo por nos ter guiado por trilhos de manteiga, desenhados no belo relevo de Sintra e Mafra.

Após termos enchido os olhos com Sintra e seus palácios, tivémos de quase tudo. Um sobe e desce constante, em zonas técnicas que a manteiga dos trilhos tornou ainda mais técnicas. O controlo das máquinas não era tarefa fácil, exigindo atenção, concentração e sorte para manter a burra de pé. Até o Pedro Santos foi ao tapete, coisa estranha em quem domina a bicicleta como ela o faz! No que me diz respeito, há muito que não caía, e hoje fui ao tapete por duas vezes. Na última das quais com uma visita a uma poça de água (lama).

De qualquer forma tivémos 35Km de BTT, depois de um aquecimento de 22Km, no asfalto que une Mafra a Sintra. Foi um passeio extremamente agradável em boa companhia, e a chegada ao convento de Mafra, se bem que não encerrasse em si a emoção de uma chegada a Santiago de Compostela, não deixou de ser um momento de enorme satisfação.

Apenas um reparo: as IMFC podem ser exigentes para o físico, mas não deixam o material no estado em que as nossas montadas ficaram. O físico no dia seguinte, apesar de moído funcionará outra vez, as bikes tornarão mais felizes os mecânicos!

Abraços,

FC


De: A. Pedro Roque Oliveira <[email protected]>
Para: velocipedia egroup <[email protected]>
Assunto: [ VELOCIPEDI@ ] "Velocipedi@'s First Sintra Mafra off-road Trophy" - Full Coverage
Data: Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2000 23:53

SOB O SIGNO DA ÁGUA

Sob um sol radioso (assim começam todas as boas aventuras) se percorreram as terras que ligam o "Glourious Eden" à mesquita.

1. incógnita meteorológica
A incerteza pairou até ao último momento no ar: será que amanheceríamos com a tempestade? Eu sou daqueles que acreditam na ciência - ora se eles diziam chuviscos e vento era óbvio que iríamos ter um dia soalheiro!

2. concentração e arranque
Tendo preparado todo o trem meticulosamente - logo me fui esquecer do celular em casa (tentativa inconsciente de poupar algumas gramas, quiçá?). Ora ninguém me poderia contactar, o grupo do FC saiu atrasado, mas calhou que, por acaso, encontraram o CM e o FS que tinham estacionado frente à Mesquita e também saiam para Sintra (de auto) e que telefonaram, de imediato ao LP que, por acaso viajava com o APRO que, assim ficou a saber que o FC, o CN e o PS estavam a pedalar arduamente. Quase a chegar, o FC telefonou ao EO a dizer que estavam a 5 minutos (e estavam mesmo!), ora o APRO que estava preocupado ignorava que o FC tinha o número do EO e que, assim escusava de ficar preocupado, entenderam alguma coisa, não, mas porém é a verdade. Moral da História: saímos às 10:15 (também chegámos maioritariamente às 10:00 ;-).

3. Serra de Sintra
Sintra é um prazer para os olhos, por mais que a conheçamos (será que se pode realmente "Conhecer" Sintra?). E não há estrada que reflicta mais o "charme" romântico do que a que a liga, via Seteais e Monserrate, a Collares - foi por aí que nós seguimos! Passámos a esotérica Regaleira, Seteais e atingido o limite nascente de Monserrate descemos vertiginosa, primeiro muito rapida e depois muito tecnica e algo descompensadamente (right FC? :-) a Serra, até lá abaixo, até á Ribeira de Collares e à linha do eléctrico da Praia das Maças.

4. Nafarros
Curiosa e pitoresca povoação que entrou na história recente de Portugal pelo facto daquele indivíduo assim para o forte, muito viajado, que até fala mal francês e que aqui há uns tempos aparecia muito nos telejornais ali ter uma "dascha".
Para lá se chegar é preciso cruzar uma via romana muito degradada que atravessa um canavial e que estava muito escorregadio devido à extrema quantidade de água que por ele escorria na sua parte descendente e a pastosa lama na ascendente. Junto a Nafarros o trilho segue por uma moita e é muito pedregoso e técnico. Foi então que um dos peregrinos teve uma visão. Ele
julgou ver um lago no meio do trilho, mas não era nenhum lago era uma simples poça de água não muito profunda e que foi rapidamente atravessada pelas bicicletas por nós tão bem dirigidas.

5. Veículo aquático ou a "Zona dos Grandes Lagos"
A caminho de Odrinhas descobrimos que a bicicleta, afinal, é um veículo aquático - é notável a forma como sulca os "Grandes Lagos" em que aqueles trilhos se haviam convertido "overnight".

6. Odrinhas
Alguns tombos após alcançámos Odrinhas. Esta é uma povoação de raro interesse patrimonial. Para além do incontornável "Leite Vigor", de que é casa-mãe, são os detalhes que parecem ter parado no tempo: o reino da pedra. A magnífica fonte onde nos afogámos a sede e nos reabastecemos e que parece ali estar há séculos!

7. Chegada à "Madeira" e Lima por aí a baixo
Cruzámos o Funchal transportados por um estreito tapete de novíssimo asfalto e alcançámos, logo após, os moinhos da serra do Lima. Sentinelas imponentes dominando o vale que há-de ser o Lisandro, com o Carvalhal lá bem embaixo. Era o momento do dia - a trialeira aguardava que com ela nos divertíssemos, até às estufas com mais um lago pelo meio. Quem não conhecia a descida ficou encantado, quem conhecia achou fraco já que a lama impedia o binómio homem / máquina de plenamentre se exprimir como em ocasiões precedentes.

8. Carvalhal acima
Outro desses sítios extraordinários com que nos poderemos deparar ligando as margens da Ribeira de Cheleiros (que jusava grossa) altura de subir até ao Boco, pelo lado mais simples em que a pendente é menos generosa mas que eramais adequada ao estado de algumas transmissões em que as pequenas cremalheiras de 22 se recusavam a rolar a metálica corrente.

9. Do Boco à Mesquita
Alcançado o Boco descemos para a transposição do segundo dos três vales até Mafra, nada de especial - não só é pouco profundo como se encontra docilizado pelo asfalto. No topo a técnica descida até Vilãs por meio do arvoredo, por entre pedras e regos - bom momento e a dura subida por uma rampa de cimento com início na Vilã até Mafra e até à Mesquita contemplar
outras criaturas, tal como nós vestidas a rigor: os convidados de um casamento. Admiração e espanto - era natural - estávamos imundos e eles impecáveis (mesmo os noivos :-). Desimpedido o ponto fotográfico foi a nossa vez de posar.

10. Múltiplos Regressos
Do grupo, constituído por uma dúzia de ciclistas, 6 regressavam de auto, 5 de bicicleta. Do grupo de bicicleta 3 pela estrada e 2 off-road (os bravos do pelotão foram eu e o LP). Pela mesma via regressámos tornando a cruzar os vales descritos (desta vez ao contrário) e optando por alcançar o Carvalhal pela outra alternativa - se a subida era muito mais dura a descida era bem
mais técnica e com uma panorâmica espectacular do vale, da terra e da Ribeira - lindo de morrer!

11. Como alcançar Odrinhas sem subir (penosamente) o Lima? e chegada.
Pela estrada, pois então! Foi uma decisão acertada fazer aqueles metros por essa via deliciosamente pouco frequentada por automóveis. Chegados a Odrinhas, percorremos de forma inversa a "Zona dos Grandes Lagos"e após Nafarros, alcançada a linha do eléctrico também optamos pela estrada nacional e, a subida dura para Sintra Vila. Novo milagre: as 22 dentes estavam de novo operacionais! E a coisa ficou mais fácil. Foi tempo de nos divertirmos com os transeuntes boquiabertos com a nossa "mimetizaçãoambiental" - se em Mafra estávamos imundos, imagine-se a chegar a Sintra pelo mesmo caminho!

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Saudações Virtuais, Virtual Best Regards

António Pedro Roque Oliveira
[email protected]
http://www.geocities.com/caminhos_2000
__O
_-\<,_
(_)/ (_) moderador "Velocipedi@"

De: Eduardo Oliveira <[email protected]>
Para: <[email protected]>
Assunto: [ VELOCIPEDI@ ] Correspondência em dia e algumas provas
Data: Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2000 23:47

Olá

Depois de excelente passeio de BTT Sintra - Mafra (e regresso...) na
passada sexta-feira, onde as subidas foram mais fáceis que as descidas,
pois pelo menos sempre havia mais aderência no meio da lama :-), venho
pôr aqui alguns mails em dia.

Em primeiro lugar, desvendar o mistério do Cláudio Nogueira, sim havia
três intrépidos ciclistas que em vez de irem tomar banho e passear de
carro entre Mafra e Sintra, voltaram para Sintra de bicicleta, e
decidiram que se calhar era boa ideia passar por uma bomba de gasolina
para lavar as bicicletas, por forma a que aquelas coisas castanhas que
pesavam vinte quilos, voltassem a ter um aspecto mais decente e mais
leve.Comigo estavam o Rui Sousa e o José Pedro Abreu. Claro que também
não fomos tão malucos que voltássemos pelo mesmo caminho, como aqueles
que chegaram às 18h :-)

(...)


Um abraço,

Eduardo Oliveira


PLANOS FOTOGRÁFICOS DA INCURSÃO BTT

(aguarde pacientemente o carregamento das imagens)

. Todo o Grupo no início da vertiginosa descida de Monserrate a Galameres em plena Serra de Sintra ...

. Rolando na Várzea após Nafarros ...

. Plano de Eduardo Oliveira na Várzea ...

. "quem se mete em atalhos ..."

. PR na empolgante trialeira dos moinhos do Lima ...

. De novo a descida dos Moinhos do Lima ...

. Material impróprio para consumo após a chegada a Mafra ...

. Todo o Grupo frente à "Mesquita" ...

 

( photos BTT by Fernando Carmo)

 

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