De: A. Pedro Roque Oliveira <[email protected]>
Para: velocipedia egroup <[email protected]>
Assunto: No Oásis de Cabeço de Vide
Data: Sexta-feira, 15 de Setembro de 2000 20:34
Ave e-VL,
Quando se gosta de algo, repete-se a dose. É o que se
pode afirmar
relativamente aos eventos ciclísticos organizados, lá
para as bandas de
Portalegre, pelo Manuel Vilela e os seus pares dos "Ases
do Pedal".
Assim sendo, quando recebemos o convite nem pestanejámos.
Fomos a correr
consultar o calendário e a agenda e procurámos que nada,
nem ninguém
obstaculizasse a nossa deslocação.
Era-nos proposto, desta vez um périplo até às termas
sulfúreas de Cabeço de
Vide. Seriam quase 40 kms. de ida e outros tantos de
regresso. O interesse
era acrescido uma vez que já havíamos escutado referências
elogiosas à sua
piscina / represa (aspecto refrescante a que nos
referiremos mais adiante).
Apesar de grande parte do trajecto ser percorrido em auto-estrada,
chegar a
Portalegre não é tarefa simples uma vez que 230 kms. têm
de ser percorridos
ainda - a saída teve de ser efectuada bem cedo. Como
desta vez não existiam
"espanhóis" por quem a organização esperasse
fomos mesmo os últimos a
chegar, apesar de não nos termos atrasado relativamente
às 09:00 previstas
embora tenha sido, mesmo, chegar e partir.
Tarefa também complicada foi a de estacionar a viatura
uma vez que no local
de encontro, a pitoresca Praça da República, se situa a
PSP local. Os
lugares "legais" estavam todos preenchidos e os
"estacionáveis", apesar de
vagos, estavam ladeados por viaturas grampeadas. Não
tivemos outra solução
do que parar um pouco mais afastado junto ao átrio de
uma igreja e longe da
visão "autoante" da polícia.
Mal chegamos fomos logo mimoseados com uma T-Shirt do
evento com as cores
dos "Ases" e do INATEL e lá fomos, alegremente,
de forma condizente com a
meteorologia do dia e que começava a aquecer logo pelas
09:00.
Para aquecer efectuámos um pequeno périplo pela cidade
que serviu para
mostrar a pureza das suas linhas (nós cá, que já
conhecíamos, recordámos com
agrado).
De referir que o número de participantes era mais
restrito relativamente ao
anterior evento (Coudelaria de Alter), sem embargo, o
andamento dos
ciclistas era um pouco mais homogéneo, embora , nos
reagrupamentos
verificássemos que a cauda se alongava um pouco. também
o percurso escolhido
era pouco acidentado. O relevo local é assim mesmo:
terras de montado,
pequenos cabeços (os típicos "montes") e
muitas ribeiras (desta vez e á
excepções de uma única, bem secas). Assim é fácil de
compreender que o ritmo
foi elevado, cortado apenas pelos inevitáveis
reagrupamentos e pelo lanche
matutino e da tarde.
Assim sendo optamos por um ritmo moderado. Não faz
sentido sprintar como um
perdido para depois ter de estar á espera que o grupo se
reuna de novo.
Excepção para as descidas, que apesar de não serem
muito longas ou
inclinadas eram algo técnicas e bastante agradáveis de
fazer, sobretudo com
a minha novíssima Z4 que nos transmite uma enorme
segurança a descer, de tal
forma que não tardou a surgir uma cobra a morder-nos a câmara
de ar
traseira.
Contra factos não há argumentos, a partir desse momento
e sem segunda
oportunidade de substituição, não nos restou outra
solução que não fosse
descer mais moderadamente, não estava nos nossos planos
fazer o resto da
incursão no jipe de apoio.
Num passeio com estas características (elevada
quilometragem) em início de
época é importante ter o pulso sob controlo para não
sermos surpreendido
pelo cansaço no final (o traçado relativamente plano,
de resto ajudava este
objectivo). Foi, assim possível circular entre as 130/150
p.p.m. entre
subidas e descidas praticamente sem perder o contacto com
a cabeça do grupo.
De referir que a "muleto" esteve perfeitamente
à altura dos acontecimentos
tendo até despertado alguma curiosidade dos nossos pares
e, houve até quem
injustamente lhe chamasse a "bicicleta da esposa"...
Devo referir, todavia,
que apesar desta barbaridade retórica, a referida máquina,
para além da sua
brilhante estética, provou ser o tipo de velocípede
ideal para este tipo de
traçados: o quadro, embora em alumínio é bastante
confortável, ideal para
percursos longos e rolantes, os semi-slick foram uma das
melhores invenções
desde a cerveja em lata e o guiador tipo "DH"
acrescenta-lhe ainda mais
conforto e manobrabilidade. A eficácia deve-se sobretudo
à excelente Z4
(grande compra!) que, em conjunto com o guiador torna
qualquer terreno
transponível.
Os inúmeros saltos chegaram até a ser ousados (para
alguém que normalmente
rola em "souplesse"). De tal forma que o Paulo
Parreira, ao tentar
imitar-nos, entrou sem demora em contacto de terceiro
grau com o solo
(circunstância a que não será alheio o comportamento
excessivamente
molejante da sua Manitou Magnum R). Este nosso amigo é
um sério candidato a
um "casting" de duplos - a forma sempre
espectacular com que tomba no solo
não deixa ninguém indiferente!
Como a canícula era forte a chegada às termas de Cabeço
de Vide
assemelhou-se, um pouco, à épica chegada da caravana de
Lawrence of Arabia
ao oásis, e que oásis, quer pela beleza e pitoresco do
local, quer,
sobretudo, pela piscina / represa de água fresca. Só
foi pena o acto
ablativo ser abreviado pelo horário apertado e não
podermos desfrutar mais
daquele plano de água. De resto o quadro era até um
pouco nostálgico - os
ciclistas que optaram por se banharem em "traje de
lycra" surgiam aos olhos
dos locais como uma espécie de grupo balnear da "belle
epoque" devido ao
calções de alças (uma espécie de levantadores de peso
circenses que nunca
dispensam uma boa gargalhada) nós, evidentemente, não
dispensamos os nossos
"speedo" mais adequados às circunstâncias (o
hábito também faz o monge!).
Não se depreenda das nossas palavras que, apesar da
detente balnear o almoço
estava já garantido, longe disso, era ainda necessário
subir ao cimo do
cabeço que dá o nome a Vide para visitar a zona histórica.
Neste caso não
tivemos outra alternativa senão esquecer o pulso e
empenharmo-nos,
seriamente, naquela subida. e que subida, daquelas que vão
aumentando a
inclinação e a degradação do piso (e neste dia a
temperatura) à medida que
trepamos pelo que a chegada ao topo foi ainda mais
aliviante do que a
anterior à piscina!
Seguiu-se a visita cultural á Igreja Matriz durante a
qual a bolacha
"Muesli" e a água se "sacralizaram",
respevtivamente, em hóstia e água
benta tendo introduzido um toque espiritual à nossa
incursão bem necessário
antes do já merecido almoço. Restava apenas descer para
o garantir e só
então demos conta do que havíamos subido, a descida
tinha um grau de
inclinação incrível!
No restaurante finalmente! A visão de uma mesa posta à
nossa espera é sempre
agradável, sobretudo após quase 40 kms. O dono do
estabelecimento não estava
habituado a servir ciclistas porque o ritmo de
processamento da mastigação e
deglutição era claramente superior ao rendimento da
copa pelo que teve de
haver um empenho extraordinário do "staff"
para que o fornecimento logístico
do lombo de porco pudesse estar à altura das circunstâncias.
Serviu este período, para além da incontornável renovação
energética, para
conviver com os nossos pares. Na circunstância o "populae
eborensis" os
nossos companheiros virtuais da "Velocipedia" -
Cláudio Nogueira (o tal que
sendo do Sul afinal é do Norte) e o Luís Pegado, para
além do Eduardo
Oliveira (o homem que desafiou o ELF Adventure no Ceará).
No "defeso" digestivo aproveitamos para
praticar alguns jogos regionais com
especial ênfase para o jogo da corda no qual os casados
provaram, que apesar
de tudo, ainda são os mais fortes. Além disso tomámos
contacto com um
curioso espécime botânico - uma árvore que tinha como
fruto uma bicicleta!
Optamos também por repetir a ablução na piscina, desta
vez sem companhia.
O regresso acabou por ser semelhante à ida, só que,
desta vez, sem furos.
Pior mesmo foi só a chegada a Portalegre, é que ao fim
de 75 kms. aquela
subida, ainda para mais em início de época, foi um
pouco complicada,
sobretudo quando estávamos apostados a não descontrolar
o pulso.
E assim terminou mais uma aventura lá para os lados de
Portalegre. Escusado
será dizer que ficamos a aguardar a próxima iniciativa
dos ases.
¤º°`°º¤ø,¸¸,ø¤º°`°º¤ø¤º°`°º¤ø,¸¸,ø¤º°`°º¤ø¤º°`°º¤ø,¸¸,ø¤
Saudações Virtuais, Virtual Best Regards
António Pedro Roque Oliveira
[email protected]
http://www.geocities.com/caminhos_2000
__O
_-\<,_
(_)/ (_) moderador "Velocipedi@"
|