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Uma Vida Inteira de Dedicação!

Por Alvaro Ramos, criador e ex-presidente do Siberian Husky Club

Esta história é verdadeira e aconteceu comigo, eu só tinha 5 anos, mas me lembro como se fosse hoje. Que surpresa meus pais me reservaram para aquela noite. Dentro de uma caixinha cheia de furinhos descobri que meu presente era “vivo”, a caixinha toda amarrada com laços vermelhos, não pude me conter em desata-los e imediatamente eu abri  e vi aqueles olhinhos escuros me olhando e o rabo abanando, foi amor a primeira vista. Amor que cultivo até hoje pelos cães e outros animais, amor que cresceu comigo e me ensinou o que é a sincera amizade.

Era um cãozinho branquinho, com manchas beges, olhos negros e que eu chamei  de Toddy.

Toda minha infância se passou ao lado do meu cão, mas um dia quando eu não estava em casa ele pegou uma porta aberta e fugiu, com certeza estava me procurando, como não estava acostumado em ir a rua, ficou muito assustado. Logo assim que eu cheguei do colégio e senti a sua falta, acionei meu pai, coloquei toda família em busca pela vizinhança, mas nada.

A noite caiu e eu apavorado... como estaria meu amigo, se ele estava com fome, com  frio, foi assustador, assim  você se sente inútil e pequeno.

No dia seguinte meu pai colocou anúncio no jornal, a situação era igual ao comercial que o Jornal Globo veiculou a alguns anos; três dias depois o telefone toca e uma senhora diz que recolheu aqui perto, a  apenas uma quadra da minha, um cãozinho com as características do meu, ao chegarmos lá, ela repetiu que teríamos que provar que aquele era mesmo o nosso cão.

Para surpresa dela quando Toddy ouviu a minha voz, saiu dos fundos da casa correndo em minha direção, a alegria do reencontro bastou como prova necessária. Voltamos para casa felizes e ficamos amigos da família que havia salvo meu companheiro e amigo.

Toddy foi meu parceiro de todas brincadeiras, ele estava sempre presente, fomos crescendo juntos, meus amigos encontravam uma certa dificuldade em se relacionar com ele, porque ele não admitia “estranhos” em casa, por isso várias vezes quando estávamos jogando bola no quintal da minha casa e Toddy se soltava, era um corre-corre danado, todos subiam nas janelas, nos portões, nas árvores, onde pudessem fugir.

O tempo foi passando e nossa amizade era cada vêz mais forte, assim foi na infância e na adolescência, eu já estava com 20 anos quando o meu amigo, já bem velhinho morreu.

E sendo assim, seu amor por mim frutificou, hoje enquanto escrevo este texto, estou sentado ao computador e sinto colada no meu pé a presença constante de COCADA, minha grande paixão que abandonada ainda filhote foi resgatada pela minha filha Debora e trazida para nosso convívio, eu relutei um pouco, estávamos morando temporariamente num apartamento, mas ela me convenceu e a Cocada foi ficando até poder achar um novo lar para ela. Mas sua suavidade e delicadeza foi tomando conta de todos nós e ela foi conquistando o seu espaço, convivia com Pingo, um mestiço de Poddle que também abandonado foi recolhido por nós e Cocada foi nos cativando, conquistando e nos dando tanto carinho que assumiu, por méritos próprios a condição de Cão de Estimação, ... de muita estimação, hoje já tem sete anos é a mascote do Jornal, quem convive conosco tanto em casa como na redação do Jornal conhece a Cocada, ela é a prova viva da dedicação sem interesse, estou agora mesmo escrevendo este texto e ela esta deitada aos meus pés, se me mexo ou tento levantar, ela imediatamente se põe de pé a minha espera, me olhando com aquela pergunta no ar, “aonde você vai ?”

Ela me ensinou a mudar muitos conceitos que tinha como criador, como por exemplo o acasalamento multiplo. Cocada teve numa ninhada só filhotes de pais totalmente diferentes, e isso para mim era completamente impossível, ...mas não é.

A sua paixão e companhia iluminam nossas vidas por isso eu recomendo quem puder adote uma cão, um vira-lata mesmo, a amizade e gratidão deles será eterna.

Não esqueça, a convivência e o amor de um animal nos aproxima e nos engrandece como pessoas.  

 

 

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