SAÚDE E BELEZA COM BOA ALIMENTAÇÃO
Veja como proporcionar maior bem-estar e beleza ao seu cão através da alimentação.
A Alimentação é via de mão dupla. Traz saúde, disposição, longevidade e beleza quando é de qualidade. Porém, a falta ou excesso de nutrientes pode atropelar tudo isso, e as doenças se aproximarem tornando a vida abreviada e infeliz. Numerosos estudos sobre nutrição canina indicam os problemas causados pelo suprimento inadequado de proteínas, carboidratos, gorduras, minerais e vitaminas. A pele e a pelagem se ressentem e surgem malformações ósseas entre outros males. Mas os produtos são formulados para suprir corretamente e de maneira prática as necessidades alimentares. Há uma grande variedade deles no mercado, inclusive alguns importados para casos mais especiais.
É só uma questão de escolha!
FEITA EM CASA:
Nada mais saudável que uma comidinha feita em casa com ingredientes fresquinhos, certo? Errado. A refeição caseira, por mais variada que seja, dificilmente fornece ao cão todos os nutrientes que necessita. A combinação clássica de carne, arroz e legumes é totalmente desbalanceada.
Para começar, a carne, seja qual for, é pobre em cálcio e rica em fósforo. Sabe-se que esses dois minerais trabalham juntos para produzir ossos e dentes saudáveis. Para cumprirem corretamente sua função no organismo, devem Ter a proporção de 1,2 a 1,8 parte de cálcio para uma de fósforo. Na carne, a proporção é de uma parte de cálcio para 15 e às vezes até 20 de fósforo. Assim, se a carne for a única fonte de cálcio, os ossos do cão serão afetados. A falta desse mineral prejudica não só os cães em crescimento, levando-os ao raquitismo, como também dificulta a consolidação óssea em cães adultos que sofreram alguma fratura. Isso sem falar do seu papel indispensável ao bom funcionamento do sistema nervoso central. Porém, é preciso cuidado. Esse mineral consumido em excesso pode causar problemas sérios. O mais grave deles é a osteodistrofia hipertrófica, caracterizada por depósitos anormais de cálcio nos ossos, chegando a deformá-los. É um quadro muito doloroso e irreversível, que geralmente não deixa outra alternativa senão o sacrifício do cão.
Os vegetais, apesar de importantes ao homem, têm pouco valor nutricional para os cães, que sequer conseguem digeri-los completamente e aproveitá-los. Dão mais consistência às fezes, mas quando em excesso interferem na absorção dos nutrientes e causam diarréia. O arroz e demais cereais, embora excelentes fontes de carboidratos(Energia), são de difícil digestão para o cão devido ao amido se não forem muito bem cozidos. Por outro lado, o excesso de cozimento elimina boa parte das vitaminas e minerais.
A única maneira de tornar uma alimentação caseira mais completa é acrescentar um complexo vitamínico e mineral, indicado e controlado pelo veterinário. "Além do complexo, cada refeição deverá conter cerca de 30% a 40% de carne, 40% a 50% de cereais e 10% a 20% de vegetais, ambos bem cozidos, e 1colher (de Chá) de óleo vegetal, como o de milho, pois a gordura também é importante para o cão", recomenda Aulus Cavalieri Carciofi, médico veterinário pós-graduado em nutrição animal da faculdade de Veterinária da Universidade de São Paulo. Outra opção é comprar esse alimentto pronto. A recém-lançada Ice Dog, por exemplo, à venda em pet shops, é uma refeição de tipo caseira congelada e acrescida de vitaminas e minerais, que oferece os nutrientes mínimos recomendados pelo National Research Council (NRC) - Conselho de Pesquisa Nacional da Academia de Ciências dos Estados Unidos.
Renomados centros de pesquisa concluíram que as rações de boa qualidade são mais saudáveis, mais completas e incorporavelmente melhor balanceadas que as dietas caseiras. Há estudos de entidades de peso como o NRC e a Associação Americana de Autoridades no controle de Alimentos para Animais (AAFCO). As rações são também mais práticas e mesmo mais baratas, levados em conta todos os gastos. Essa Conscientização multiplicou o número de empresas dedicadas a produzir rações. Procuram atender às necessidades nutricionais nas mais diferentes circunstâncias de vida do cão, do crescimento à velhice. Há rações formuladas até mesmo para cães com problemas renais, cardíacos, gastrintestinais e alérgicos, fora as novidades ainda em fase de estudos e guardadas a sete chaves por cada empresa.
Balanceamento:
Na composição das rações entram produtos de origem animal e vegetal, em concentrações que variam conforme a finalidade da ração (para filhotes, manutenção de adultos, idosos, etc.) e também conforme o bolso do consumidor. As mais baratas têm apenas níveis mínimos de nutrientes, exigidos para manter um cão adulto. Por isso, não são ideais para cães em crescimento, gestação, lactação ou muito ativos. Já as conchecidas como super premium, que podem ser até três vezes mais caras, possuem níveis mais altos de nutrientes, além de muitas vezes serem feitas com matérias-primas de melhor qualidade. A seguir, quais são e para que servem os ingredientes de uma ração.
Farinhas de carnes variadas, de visceras e de soja, ovo em pó e carne desidratada fornecem em maior parte proteína (combinação de aminoácidos), essencial para formação e manutenção das células dos órgãos, ossos, músculos, sangue, hormônios e enzimas. A falta de proteína provoca, entre outras coisas, perda de peso, franqueza e queda no sistema imunológico, baixando as defesas naturais contra várias doenças. A proteína de origem animal é a molhor para o cão e também a mais cara. Rações do tipo econômico se valem mais de fontes de proteína vegetal como o milho, barateando o produto. Porém, mais matérias-primas de origem animal não garantem, necessariamente, a qualidade. Farinhas de carne cozidas demais, por exemplo, tornam-se pobres em nutrientes. Proteínas baratas como unhas, pêlos, couro e penas – que não são digeridas pelo organismo do cão e se traduzem em fezes amareladas, pastosas e malcheirosas – podem ser um recurso inescrepuloso de fornecedores de matérias-primas. Daí a importância de adquirir somente rações de empresas conceituadas que analisam os produtos recebidos antes de usá-los. A proteína animal de boa qualidade torna as rações mais saborosas para o cão, dispensando a presença de produtos sintéticos para melhorar o sabor.
Cereais (grãos de modo geral) são fontes de carboidratos, importantes fornecedores de energia (calorias), necessários ao trabalho muscular e para funções como a respiração e a manutenção da temperatura corporal. Para o organismo do cão digerir melhor o amido de cereais, a estrutura do amido é expandida, facilitando o trabalho das enzimas digestivas. Os grãos passam por um processo chamado de extrusão, espécie de cozimento que alia pressão mecânica a vapores em alta temperatura. Para saber se a ração está sendo bem digerida, verifique as fezes do cão. O ideal é que tenham forma definida, não sejam ressecadas e possuam uma colaboração marrom-escura.
Gorduras de origem animal e vegetal oferecem mais que calorias; facilitam a absorção das vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura), como a A, D, E, K. A falta retarda o crescimento dos filhotes e provoca reflexos imediatos na pele, que sofre escamações, e na pelagem que tornasse excessivamente gordurosa ou, ao contrário, seca e quebradiça, entre outros problemas.
A gordura animal, da mesma forma que a proteína, dá sabor mais gostoso às rações e dispensa as palatabilizantes artificiais. O incoveniente é que precisa de antioxidante – único conservante necessário nas rações secas – para barrar a entrada de oxigênio nas moléculas da gordura, o que as oxida e libera compostos tóxicos ao organismo. Os mais usados são o BHA e o BHE, mas há rações estrangeiras que utilizam a vitamina E, como a Pro Plan (importada), da Purina, e a linha de importados da Royal Canin.
Os alimentos de modo geral e complexos vitamínicos fornecem as vitaminas da rações. Veja os papéis importantes das principais e os problemas por excesso ou carência, no quadro Vitaminas.
Farinha de ossos e complexo de minerais são fontes de minerais como cálcio, fósforo, potássio, magnésio, ferro, cloro, manganês, cobre, zinco, iodo, sódio e selênio. Cada mineral cumpre várias funções no organismo, entre elas auxiliar na digestão, favorecer o crescimento, promover a saúde da pele e da pelagem, aumentar a resistência a doenças, manter o bom funcionamento cardiovascular, favorecer a eliminação de elemntos inúteis ao organismo e auxiliar a cicatrização de ferimentos. Alguns minerais em excesso, como o cálcio, podem provocar transtornos ao organismo. Mas as rações os possuem em níveis seguros. O problema ocorre quando se fornece suplementos em dose muito acima das necessárias.
VITAMINAS.
| Vitamina A - melhora a acuidade
visual, dá resistência a infecções, favorece o crescimento e a integridade das
células da pele e partcicipa do crescimento dos ossos e dentes. Carencia: Úlceras da córnea, lesões de pele, infecções, perda de apetite, cegueira noturna. Excesso: Problemas ósseos, queda de pêlos, fadiga, diarréia. Vitamina B1 (tiamina) - Estimula o crescimento, ajuda a digerir carbidratos, favorece os músculos (inclusive o coração) e o sistema nervoso. Carência: Desordens neuroplógicas, perda de apetite, debilidade, insuficiência cardíaca. Excesso: É eliminado pela urina. Vitamina B2 (riboflavina) - Favorece o crescimento e a reprodução, contribui para a saúde da pele, pelagem e unhas. Carência: Inibe o crescimento celular, lesões na pele e mucosas. Excesso: Não há evidências de efeitos tóxicos |
Vitamina B6 -
(piridoxina) - Facilita a absorção de proteína e gordura e é essencial para vários
processos químicos orgânicos. |
DIVERSAS FASES:
Conheça agora as necessidades nutricionais de cada ciclo de
vida.
Crescimento - esta fase pode durar de 8 meses (raças
pequenas) a 24 meses (raças grandes). É quando as necessidades nutricionais são
maiores. O filhote precisa de mais proteína para construir seus músculos e orgãos; mais
gordura para compensar os gastos de energia e mais minerais, como cálcio e fósforo, para
desenvolver ossos e dentes. A ração de crescimento deve conter mais proteína animal que
cereais devido à maior dificuldade dos filhotes digerirem o amido dos cereais.
As necessidades de cálcio são as mesmas para todas as raçãs,
proporcionalmente ao tamanho delas. A quantidade de proteína e gordura é controversa.
Roberto Portela, veterinário e responsável técnico da Royal-Canin do Brasil, diz que o
desenvolvimento dos músculos e da massa corporal é mais rápido que o dos ossos.
"Por isso, o ideal é dar mais proteína para o bom desenvolvimento muscular e menos
gordura, evitando ganho de peso que os ossos ainda não estão preparados para
suportar". A ração produzida pela Royal Canin para raças grandes em crescimento é
a AGR 36. Ainda, segundo Roberto Portela, com os filhotes de raças pequenas ocorre o
oposto com a proporção proteína-gordura. "gastam mais energia, precisam de miais
calorrias". A ração indicada pela Royal Canin, nesse caso, é a A 32. A Cargill
também possui umporduto para raças pequenas e grandes em crescimento, a linha Dogui
Filhote.
Por outro lado, estudos da Waltham (representada no Brasil pela Éffem)
concluem que raças grandes e pequenas em crescimento têm as mesmas necessidades
nutricionais e ambas precisam de boa quantidade de gordura. As pequenas, mais ativas,
gastam mais calorias. E as grandes, de crescimento vigoroso, precisam compensar os gastos
energéticos. A ração da Waltham para este período é a Growth Diet For Dogs,
importada. As opções nacionais, produzidas pela Éffem, são a Pedigree Champ Junior e a
Frolic Junior.
De acordo com Sérgio Fonseca, veterinário da Purina, há indícios de
que cães de pequeno porte têm maiores necessidades durante o crescimento. "Os
estudos, porém, não são conclusivos", afirma. A ração da Purina mais indicada
nesta fase é a Pro Plan Growth Formula, importada, e a Papita Deli Dog Filhotes, de
fabricação nacional. Outras opções de rações para crescimento são a Tiernitos
Filhotes, do Laboratório Enila, e a Foxy Junior, da Provimi.
Gestação e Lactação - as rações de crescimento são
indicadas para os períodos de gestação e lactação. Adultos com atividade normal devem
consumir os níveis mínimos de nutrientes recomendados pela tabela do NRC. Uma novidade
do mercado para esse segmento é a ração Pedigree Champ Premium com Vegetais, da Effem,
contendo cenoura e espinafre.
Adultos ativos - cães de trabalho aumentam o gasto de
energia (gordura e proteína) e precisam de minrais e vitaminas em proporção
ligeiramente diferente. Para eles, há a Pro Plan Performance Formula, da Purina; a HE 30,
da Royal Canin; A High Performance Diet For Dogs, da Waltham, a Super Dogui, da Cargill e
a Top Nutrition Adultos(importada) do Enila.
Cães idosos - a partir dos 8 anos é ideal oferecer
proteína animal de qualidade, em dose baixa, para prevenir insuficiência renal e reduzir
a gordura para aumentar a longevidade. As rações especiais para cães idosos são a
Senior Diet For Dogs, da Waltham e a Pro Plan Lite Formula, da Purina.
TERAPIAS
Há rações formuladas para alguma enfermidades
caninas, usadas apenas mediante prescrição veterinária.
Obesidade - pode resultar do excesso de calorias na
alimentação ou de doenças, como as de fundo hormonal. Convém consultar o veterinário
para um diagnóstico seguro. É necessário controlar a obesidade reduzindo a oferta de
gordura e calorias devido aos riscos à saúde. Esse é o objetivo das rações CNM
OM-Formula, da Purina, e Low Calorie Diet, da Waltham.
Problemas renais - costumam atingir os cães idosos,
mas há casos em cães mais jovens. Embora a alimentação não cure os males renais, pode
ser formulada par minorá-los. Diminuir a proteína favorece o trabalho dos rins. menos
fósforo evita agressão às células renais. mais vitaminas do complexo B repõem as
perdas da maior eliminação de urina. Essa é a fórmula das rações CNM NF-Formula, da
Purina, e Canine Low Protein Diet, da Walthan.
Doenças gastrintestinais - problemas no fígado,
pâncreas ou intestino requerem rações com pouca gordura e fibra e com carboidratos
facilmente digeríveis. As disponíveis no mercado são a Canine Low Fat Diet, da Waltham,
e A CNM EN-Formula, da Purina.
Doenças cardíacas - prot\eína em níveis moderados
e menor quantidade de sódio9 favorecem o trabalho dos rins e a produção de urina. Mais
potássio e vitaminas do complexo B compensam as perdas de líquido. A CNM CV-Fôrmula, da
Purina, atende estes requisitos.
Alergia na pele e pelagem - a maior causa é a
proteína de alimentos vegetais e animais. Corantes e palatabilizantes também podem
provocá-la. A Selected Protein Diet, da Waltham, é feita com proteínas de ovelha, veado
e arroz e sem aditivos que possam dar alergia. Já a Pro Plan Turkey & Barley, da
Purina, tem proteínas de carne de peru e de cevada cultivada sem defensivos agrícolas
e é conservada com vitamina E, sem aditivo artificail. É rica em ácido
linoléico, excelente para a beleza da pelagem.
DICAS GERAIS
Esclarecemos agora algumas dúvidas comuns.
* Não se preocupe se o cão comer menos nos dias quentes - a
necessidade de energia para manter a temperatura corporal diminui e, com isso, o apetite
também diminui.
* Ração em lata é submetida a temperatura elevada para eliminar
micro-organismos e conservada à vácuo. Após abrir, é preciso manter o conteúdo na
geladeira, em recipiente de vidro ou plástico bem fechado e usá-lo no máximo em dois
dias. Não compre lata amassada: o verniz que protege o metal se rompe e aparece ferrugem
que pode contaminar o alimento.
* Se a ração seca molhar pode fermentar e causar intoxicação
alimentar. No caso de cães que babam, deve-se retirá-la até 30 minutos após ser
servida e jogar fora as sobras. Em outros casos, pode ficar à disposição do cão o dia
todo, mas longe do bebedouro para não ser molhada eventualmente pelo cão ao beber.
* Pode-se oferecer ração seca misturada com úmida - ambas são
balanceadas. Mas retire a mistura no máximo em 30 minutos para evitar a possível
fermentação da ração seca. Jogue fora o que sobrar.
* Prefira dar ração seca ou úmida: a semi-úmida necessita de
antifúngico para conservação e há suspeitas que possa causar problemas ao fígado.
* Não sirva ração vencida: as vitaminas perdem efeito e há risco de
bactérias e fungos se proliferarem, causando problemas.
* Filhote que come ração para adultos tende à deficiência
nutricional.
* Ração para filhotes pode ser dada a aadultos de pequeno porte,
muito ativos, como o Poodle Toy e o York-shire. Mas engorda cães sedentários e de grande
porte.
* Ração não faz crescer mais do que é determinado pela genética,
mesmo se a raça for de tamanho Toy ou Miniatura.
* Acostume o filhote à ração desde o desmame,
com papinha de ração em pó (ração A-2, da Royal Canin) ou com ração convencional
moída no liqüidificador e um pouco de água.
* Ao mudar a alimentação caseira para ração, faça-o
gradativamente, assim as enzimas digestivas terão tempo para adaptarem-se, evitando
diarréia.
* Cão que come ração adequada não precisa de complemento alimentar
e nem de suplemento de vitaminas e minerais.
* Não dê suplementos sem orientação veterinária. O excesso de
nutrientes pode causar mais problemas que a falta.
* Não misture ração com alimentos caseiros: desbalanceia a dieta.
* O cão adulto pode ser alimentado apenas uma vez ao dia sem
problemas. O hábito de duas refeições-uma convenção humana - também é válido. Para
raças de grande porte, sujeitas à torção estomacal - problema grave causado por
excesso de pelso no estômago -, é importante dividir a alimentação em duas refeições
iguais. Nos demais casos, os horários podem variar. Para o cão não ficar sonolento à
noite, odemos dar 70% da alimentação de manhã e 30% no jantar ou concentrar só no
almoço. Já o cão de companhia, mais ativo durante o dia pode comer menos de manhã e
mais no jantar ou só no jantar.
* Jamais deixe faltar água para seu cão. Se ele se alimenta com
ração seca, essa recomendação é ainda mais importante, pois os alimentos secos
necessitam de água para serem digeridos. Caso contrário, a água será retirada do
próprio organismo provocando uma leve desidratação que, se constante, pode se
transformar em insuficiência renal.