Saga de Herói (Edil Reis de Andrade)
(Poema retirado do site: www.militar.com.br )
Este poema é bastante interessante...merecia um espaço neste site!
Em distante aldeia provinciana,
Onde o toque de paz de uma campana
Abençoa o camponês que lá trabalha,
Veio ao mundo um garoto bem fadado,
Que o destino já havia reservado
Pra ser herói no campo de batalha
Cresce alegre e feliz, de altivo busto.
É saudável, inteligente, tão robusto.
Alegria de seus pais, tão pobrezinhos.
E por ser o filho único, é mimado:
Vive a sorrir. . .(a todo instante abençoado)
É despido dos desejos mais mesquinhos.
Na labuta diária, sobranceiro,
Entre os colegas de turno é o primeiro,
Dedicando-se com afinco à profissão.
Pelos patrões sempre foi elogiado
E por seus pares sempre procurado
Jamais recusou qualquer missão.
Mas este homem que a todos orgulhava
E que o destino também já espreitava,
Para a GUERRA foi um dia convocado.
Como sempre fora um filho obediente,
Companheiro e operário producente
Preparou-se para ser um bom SOLDADO.
Chegando a hora de engajar-se no combate
A tristeza, sobre a aldeia, se abate,
Ao ver partir um filho dedicado.
Não lamenta nosso herói, a sua sorte . . .
Mesmo sabendo que pode ter a morte
Lesto a lutar por seu povo ultrajado.
Minha mãe me despeço neste instante
Com o coração partido e soluçante
Um beijo em sua fronte quero dar. . .
Peço que ores por mim, todo momento,
Para abrandar minha dor, meu sofrimento.
Pois a saudade nunca irá me abandonar.
Se nas lidas dos combates, absortos,
No campo de batalha eu ficar morto,
Foi cumprindo meu dever, numa missão.
Não lamentes, nem chores minha morte,
Pois a mãe de um HERÓI deve ser forte,
E fazer, do desespero, uma omissão.
E na luta feroz, eis que a metralha.
A gargalhar no campo de batalha
Ceifou aquela vida ainda em botão.
O pesar foi geral. . . em toda a aldeia
Pois o corpo do HERÓI que a lisonjeia
A dormir, ficou, na paz da solidão.
E como honra ao mérito e à bravura
Uma inscrição sobre a cruz de sepultura
Marcam o local onde aquele HERÓI tombou.
A pedido do povo consternado,
Um solene Te Deum foi celebrado
Pelo pároco que um dia o batizou.
Mas a dor maior, de todas elas.
Maior que a dos mancebos e donzelas,
Seus colegas de infância e travessuras,
Foi o pranto da pobre mãe sentida,
Que gerara em seu ventre aquela vida,
Que se perdeu, nos campos, nas verduras.
Não foi menor a do pobre camponês
Que pagava pontualmente. . . Todo mês,
Seu alimento, seu calçado, seu estudo. . .
Tempos depois, junto à tumba silenciosa,
Uma voz se fez ouvir, tão lamentosa,
Abafada por um pranto quase mudo.
SENHOR DEUS! NOSSO PAI TÃO PODEROSO
Nosso guia e nosso mestre tão bondoso,
Ouve a prece desta mãe que lhe implora,
Dê aos homens um desejo mais fecundo
De implantar para sempre a paz no mundo
E não gargalhem as metralhas tão sonoras.
Que outras mães, como eu não tenham medo.
De perder os seus filhos muito cedo
Ceifados nestas lutas fratricidas.
Possam os homens compreender o grande erro
Que cometem resolvendo a sangue e ferro.
As contendas, com as discussões, surgidas.
Precisamos de HERÓIS, é bem verdade,
Pois orgulham ao país e à cidade
Com seus feitos que a história perpetua.
Somos todos irmãos. . . é rude a guerra
Ensopando de sangue toda a terra
A nenhum lar feliz ele excetua.
As espadas embainhadas permaneçam
Que os homens, das batalhas se esqueçam,
Não se ouça mais troar nenhum canhão.
Os homens, em combate não se movam,
As polêmicas, em teses, se resolvam.
As nações vivam em paz, em comunhão.
Não deixai, SENHOR, que outras guerras.
Destruam outros lares e outras terras
Enlutando as famílias tão felizes.
Pois a dor, a tristeza e a saudade.
São, de todas, a pior realidade.
Que turva, dos jardins, todos matizes.
Agora que meu filho já está morto
Sepultado sem carinho e sem conforto
Minha alegria para sempre se acabou
Só me resta um consolo nesta vida:
É saber que meu ser já foi guarida
DE UM HERÓI QUE A PÁTRIA PRECISOU. . .