--Mensagem aos Formandos--

Naquele ano de 2003, cortamos nossos cordões umbilicais que nos uniam ao mesmo lugar, ao mesmo uniforme, a mesma vida. Cortamos nossos laços com as cadeiras escolares, com a rotina das aulas, com o toque dos sinais. Estávamos nos acostumando ainda, com a idéia de viver sem o que fomos acostumados desde pequenos a enfrentar: a luta diária de uma vida escolar, onde conhecemos novas pessoas, lidamos com várias emoções, aprendemos a nos sociabilizar e deixarmos de ser individualistas, convivendo em grupos, as chamadas "turmas".

É engraçado pensar, como quando nós éramos pequenos, o universo escolar não muito nos significava. O que queríamos mesmo, era ficar em casa e brincar, somente brincar. Ao longo dos anos, em época de Ensino Fundamental, num tempo que se passa por volta de nossos 12 aos 15, 16 anos, também não fazia muita diferença. Neste tempo, a escola não passava de um lugar onde tínhamos de estudar para passar de ano. O que queríamos era que chagasse logo o Ensino Médio, para nos sentirmos "mais adultos".

Chegamos então, ao 1o. ano. Cheios de espectativas e esperando um ano muito diferente, percebemos que nada mudara tanto. Ainda tínhamos que estudar e agora mais ainda, pois tínhamos mais matérias e consequentemente, muito mais provas. No entanto, a partir daquele ano, o tempo parece ter voado, que nem ao menos sentimos. Realmente, a partir dos 15 anos, é costume dizer que a idade passa rápido. Será? Só sei que quando nos demos conta, estávamos lá, chorosos, na despedida de nosso último ano. Como o primeiro, o segundo e o terceiro passaram tão depressa? Tão desapercebidos? A resposta está na seguinte questão: éramos felizes. O tempo passou efêmero, apressado, porque foi bom. Tudo que vivemos ali dentro, na Fundação Osório, durou o tempo necessário para que saíssemos de lá sem nenhuma mágoa, sem nenhum ressentimento, nenhuma lembrança triste. Tivemos claro, momentos aborrecedores, mas que agora, quem diria! estamos rindo deles, como belas recordações! E pensávamos que tínhamos problemas... Quem dera se nossos atuais e futuros desencontros fossem apenas resolver questões de formaturas, brigas entre alunos, pequenos desentendimentos, minúsculas oposições de idéias. Mas a vida é assim mesmo. Tudo o que é bom, dura pouco. O tempo que convivemos foi o essencial, não poderia ter sido prorrogado. Talvez, se tivéssemos ficado mais tempo, mais anos, quem sabe não guardaríamos tão doces lembranças como são as nossas, as que temos guardadas conosco, em nossos corações.

Hoje, não sei por onde anda nossos ex-companheiros de sala, de escola, de pavilhão. Cada um deve estar seguindo sua vida, seu sonho, sua meta, ou percorrendo para atingir o seu objetivo. O importante, é levarmos adiante o que nossa escola sempre nos ensinou: a nunca desitir. Sempre correr, buscar, ousar enfrentar todos os obstáculos para fazer de seu sonho, uma realidade. Às vezes, a vida se mostra dura e tempestuosa nos embates do dia a dia. Mas é bom lembrarmos, que, depois da tempestade, sempre vem a bonança, por isso, se a estrada estava barrenta em algum momento, espere o sol clarear, que, logo, o caminho estará aberto para que possamos alçar os mais altos vôos, em busca de nosso ideal.

Nossos laços, naquele ano, se desfizeram. Outros, claro, se farão em nossas vidas. Conheceremos outras pessoas, conviveremos com outras turmas, sejam elas em faculdades, na carreira militar, ou em qualquer outro trabalho que executarmos. Provavelmente, não mais nos sentiremos tão agarrados ao seio da nossa Fundação, mais com certeza, a memória de dias tão felizes, permanecerá eternamente conosco, em tudo que fizermos em nossas vidas, a cada caminho que decidirmos seguir, para onde formos e com certeza, será força e estímulo maior para aonde quisermos chegar!

 

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