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O Encontro de Z� Pelintra com Lampi�o (parte II)
Por Fernando Sepe


Continua��o.....

_...� isso! Estamos precisando de pessoas com for�a de vontade, coragem, garra
para trabalhar nas muitas linhas de Umbanda que ser�o formadas para prestar a
caridade. E como eu fui convidado a participar, resolvi convidar voc�s tamb�m!
Que acham?
_Olha, eu j� tenho uma experi�ncia disso l� no culto a Jurema Sagrada, o
Catimb�! T� dentro, pode contar comigo! Eu, Z� Pelintra, vou estar presente
nessa nova religi�o chamada Umbanda, afinal, se ela num tem preconceito em
acolher um �neg�� pobre, malandro e ignorante como eu, ent�o nela e por ela eu
vou trabalhar. E que os Orix�s nos protejam!
_Bem, eu num s� homem de negar batalha n�o! Tamb�m vou t� junto de voc�s, eu e
todo o meu bando. Na for�a de �Padinho� C�cero e de todos os Orix�s, que eu nem
conhe�o quem s�o, mas j� gosto deles assim mesmo...
E o que era pra transformar - se em uma batalha sangrenta acabou virando uma
reuni�o de amigos. Nascia ali uma linha de Umbanda, apadrinhada pelo baiano
�Severino da Bahia�, pelo malandro mestre da Jurema �Z� Pelintra� e pelo temido
cangaceiro �Lampi�o�.
Junto deles vinham diversas falange. Com o malandro Z� Pelintra vinham os outros
malandros lend�rios do Rio de Janeiro com seus nomes simb�licos: �Z� Navalha�,
�Sete Facadas�, �Z� da Madrugada�, �7 Navalhadas�, �Z� da Lapa�, �Nego da
Lapa�, entre muitos e muitos outros.
Junto com Lampi�o vinha a for�a do canga�o nordestino: Corisco, Maria Bonita,
Jacinto, Raimundo, Cabeleira, Z� do Sert�o, Sinh� Pereira, Xumbinho, Sabino,
etc.
Severino trazia toda uma linha de mestres baianos e baianas: Z� do Coco, Z� da
Lua, Sim�o do Bonfim, Jo�o do Coqueiro, Maria das Gra�as, Maria das Candeias,
Maria Conga, vixi num acaba mais...
Em homenagem ao irm�o Severino, o intermediador que evitou a guerra entre Z�
Pelintra e Lampi�o, a linha foi batizada como �Linha dos Baianos�, pois tanto
Severino como seus principais amigos e colaboradores eram �Baianos�.
E uma grande festa come�ou ao som do tambor, do pandeiro e da viola, pois nascia
ali a linha mais alegre, mais divertida e "humana" da Umbanda. Uma linha que
iria acolher a qualquer um que quisesse lutar contra os abusos, contra a
pobreza, a injusti�a, as diferen�as sociais, uma linha que teria na amizade e no
companheirismo sua marca registrada. Uma linha de guerreiros, que um dia
excederam - se na for�a, mas que hoje lutavam com as mesmas armas, agora guiados
pela bandeira branca de Oxal�.
E, de repente, no meio da festa, raios, trov�es e uma enorme tempestade
come�aram a cair. Era Ians� que aben�oava todo aquele povo sofrido e batalhador,
igualzinho ao povo brasileiro. A Deusa dos raios e dos ventos acolhia em seus
bra�os todas aqueles esp�ritos, guerreiros como ela, que lutavam por mais
igualdade e amor no nosso dia - dia.
E assim acaba a hist�ria que eu ouvi, diretamente de um preto � velho, um dia
desses em Aruanda. Dizem que Z� Pelintra continua tendo uma queda por �Maria
Bonita�, mas deixou isso de lado devido ao respeito que tem pelo irm�o Lampi�o.
Falam, ainda, que no momento ele "namora" uma Pombagira, que conheceu quando
come�ou a trabalhar dentro das linhas de Umbanda. Por isso � que ele "baixa", �s
vezes, disfar�ado de Exu...
"Oxente eu sou baiano, oxente baiano eu sou
Oxente eu sou baiano, baiano trabalhador
Venho junto de Corisco, Maria Bonita e Lampi�o
Trabalhar com Z� Pelintra
Pra ajudar os meus irm�os...!"
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