História, Parte 2
 

     Os motivos que levaram a Volkswagen a interromper definitivamente a fabricação do VW 1600 4 portas são até hoje bastante controversos. Nos dois anos em que ficou no mercado(1969 e 1970, tendo sido lançado em dezembro de 1968), chegaram a ser produzidas 24475 unidades do modelo, que manteve um bom número de vendas até o término definitivo de sua fabricação, ainda em 1970.

     Costuma-se considerar, que um dos fatores determinantes da retirada de linha do VW 1600, teria sido a grande aceitação deste modelo entre os taxistas, o que teria feito com que o seu "status" junto ao consumidor em geral, diminuísse, e em consequência disso, as suas vendas, apesar de boas, não estariam satisfazendo plenamente às espectativas da Volkswagen. O fato é que a preferência do consumidor na época era bem diferente da de hoje em dia, sendo que os automóveis de duas portas eram os de maior aceitação, e não os de quatro portas. É daí que se explica a predominância do modelo junto aos taxistas. Talvez o VW 1600 4 portas fosse “o carro certo no momento errado”...

     A Volks, ainda com esperanças de melhorar a vendagem do VW 1600 4 portas, chegou a produzir uma versão de luxo, com diversos melhoramentos em relação à versão inicial, mas que não serviu para melhorar substancialmente as vendas do modelo.(Clique aqui e veja a Propaganda VIII, no Mural de Propagandas)

     Outro aspecto interessante na curta carreira do “4 portas”, foi o apelido que ele ganhou, em função do formato bastante parecido de suas partes dianteira e traseira, lembrando para alguns uma caixa... : “Zé do Caixão”... O apelido, “Zé do Caixão”, talvez tenha sido também inspirado no cultuado cineasta brasileiro de terror, José Mojica Marins, que alguns meses antes do lançamento do VW 1600, tinha lançado o filme "O estranho mundo de Zé do Caixão", em 1968.(Clique aqui e veja também a seção de Links...) Coincidência ou não, o apelido pegou. Pegou de tal maneira que o carro passou a ser mais conhecido por seu apelido do que por seu verdadeiro nome: VW 1600, que talvez soasse para muitos com pouca personalidade. Tal denominação, “Zé do Caixão”, ainda que dada com simpatia por muitos, acabou tendo um sentido predominantemente pejorativo, e contribuiu para abalar ainda mais o prestígio do modelo junto ao mercado consumidor.

     Muitos também chamavam o VW 1600 4 portas de "Fusca 4 portas", pois "Volkswagen" também era o nome "oficial" do Fusca, que só veio a ser oficialmente chamado de Fusca a partir de 1984, após já ser durante muitos anos conhecido muito mais pelo seu apelido do que pelo seu nome oficial. Nos EUA, ocorre algo semelhante, pois o mesmo Volkswagen, chamado aqui no Brasil de Fusca, é carinhosamente chamado de "beetle"(besouro).


     Mas, sem dúvida, o fato mais crítico ocorrido na meteórica passagem do VW 1600 pelo mercado automobilístico brasileiro, se deu no dia 19 de Dezembro de 1970. Um incêndio de grandes proporções atingiu a fábrica da Volks, destruindo cerca de 30% de seu maquinário, e este só foi completamente debelado aproximadamente 12 horas após seu início. Lamentavelmente, logo após este incidente, a Volkswagen do Brasil interrompeu definitivamente a produção do VW 1600 Sedan 4 portas, mas continuou a produzir normalmente os demais modelos oferecidos na época, tais como o Fusca e Kombi.

     A Vokswagen até que se recuperou bem do incêndio, conseguindo em Agosto de 1971, o reestabelecimento total da marca de aproximadamente 1200 automóveis fabricados ao dia. Uma recuperação considerada em tempo recorde. Infelizmente porém, para o VW 1600 4 portas, já era tarde demais... , o fim definitivo havia chegado... , restando hoje para nós uma das mais interessantes histórias sobre um dos muitos automóveis já fabricados no Brasil.
 


 Cândido Neto - 5/01/2000


    Veja também o Site Volkspage, no VW Brasil Web Ring.

    Este texto pode ser livremente utilizado. Pede-se no entanto que seja  dado o crédito ao autor e/ou um link para a VW 1600 - 4 Portas HP.  Obrigado.



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