Convergência de opiniões
marca 3º FSM “Um
outro mundo é possível”. Pela paz,
união entre os povos e respeito ao meio-ambiente
e à democracia. Contra a guerra, o neoliberalismo
e o imperialismo norte-americano. Eis os principais
lemas vistos em faixas, ouvidos em manifestações
e debates, repetidos e aplaudidos por todos os cantos.
Traços comuns, porém, não significam
mesmice nem tampouco falta de diversidade. Muito pelo
contrário.
Um evento como o Fórum Social Mundial (FSM),
realizado pela terceira vez em Porto Alegre (RS), de
23 a 28 de janeiro últimos, capaz de atrair milhares
de pessoas de todos os continentes do planeta, acaba
agregando múltiplas possibilidades de discussões
dos mais variados temas, conferindo abertura para atividades
paralelas. Assim, houve espaço para o Fórum
Mundial da Educação (FME), Fórum
das Autoridades Locais, Fórum Parlamentar Mundial
e até mesmo para o FórunZinho Social Mundial,
só para ficarmos no campo dos fóruns.
Somente na “Cidade das Cidades”, que abrigou
as cerca de 30 mil pessoas instaladas no 3º Acampamento
Intercontinental da Juventude, oficinas, apresentações,
assembléias e exibições compunham
um mosaico cultural em que de tudo se falava e se ouvia.
Vale ressaltar a experiência autogestionária
dessa mega-estrutura instalada no Parque Harmonia, ás
margens do Lago Guaíba, e seus conceitos especiais
de moeda social, economia solidária e software
livre, entre outros.
Dos eventos paralelos ao FSM, podemos destacar a segunda
edição do FME, até porque este
não ocorreu simultaneamente ao primeiro, mas
o precedeu, de 19 a 22 de janeiro no ginásio
Gigantinho e demais pontos da cidade que abrigaram os
eventos, como a PUC, os Armazéns do Cais e o
Centro Cultural Usina do Gasômetro – Porto
Alegre soube acolher os visitantes, que até ônibus
especial obtiveram para transitar por suas ruas. A discussão
política permeou o tema “Educação
e Transformação” desde a abertura,
com a participação do ministro da Educação
e Cultura Cristóvam Buarque, passando por educadores
de vários países, muitos dos quais enfatizaram
o legado de Paulo Freire e confirmaram as esperanças
do setor no governo Lula.
Nada foi mais emblemático do que a marcha de
abertura que reuniu mais de 100 mil pessoas no coração
da cidade para evidenciar as dimensões do FSM.
O debate político ganhou solidez com a presença
de personalidades que pensam e fazem a política
tanto nas últimas décadas como na atualidade.
O lingüista norte-americano Noam Chomski e o marxista
húngaro István Mészaros foram dos
mais prestigiados. Ao nosso presidente da República,
apesar do rápido pronunciamento, não faltaram
aplausos. Já o chefe de Estado venezuelano, Hugo
Chávez, não poupou saliva para se fortalecer
e dar seu recado bem ao gosto da esquerda, representada
por inúmeras variantes e facções.
Não poderiam fugir da pauta temáticas
como desenvolvimento sustentável, soberania alimentar
e, é claro, a paz mundial – não
foi à toa que as falas do escritor Leonardo Boff
foram concorridíssimas (quem não pôde
vê-lo logo se agarrou aos fones de um rádio
portátil) e constantemente abordavam-se as tensas
situações vividas hoje em dia por iraquianos
e palestinos. A oposição à iminente
guerra, que segundo alguns conferencistas não
passa deste mês para se deflagrar, reflete os
anseios globais maciçamente presentes inclusive
nos EUA. Resta saber se o mundializado FSM de 2004,
na Índia, nos trará em sua agenda mais
conquistas ou mais lamentações do que
se viu este ano na capital gaúcha.
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