História do Fluminense
 
 
  Oito anos depois que Charles Miller introduziu o futebol no Brasil (1894), o Fluminense Football Club foi fundado, a 21 de julho de 1902, no prédio da Rua Marquês de Abrantes 51, residência de Horácio da Costa Santos. Surgia assim o clube que iria ter a sua história marcada pelo pioneirismo no futebol carioca. Entre suas façanhas estão a construção do primeiro estádio no Brasil, único clube sul-americano a conquistar a Taça Olímpica e o primeiro time a ter uma partida assistida por um Presidente da República. Sem contar que o Fluminense tem o maior número de títulos do Campeonato Carioca.
  Oscar Cox, que trouxe o futebol para o Rio, foi aclamado o primeiro presidente do Fluminense, proposta feita por João Carlos de Mello e Virgílio Leite. Todos os 20 sócios presentes à reunião foram considerados os fundadores do clube. Eis os nomes pela ordem de assinatura no livro de presença: Horácio da Costa Santos, Mário Rocha, Walter Schuback, Felix Frias, Heráclito de Vasconcellos, Oscar Cox, João Carlos de Mello, Domingos Moutinho, Louis da Nóbrega Júnior, Arthur Gibbons, Virgílio Leite, Manoel Rios, Américo da Silva Couto, Eurico de Moraes, Victor Etchegaray, A C Mascarenhas, Álvaro Drolhe da Costa, Júlio de Moraes e A H Roberts.
  Logo no seu primeiro jogo, dia 19 de outubro de 1902, o Fluminense goleou o Rio Futebol Clube por 8 a 0, no campo do Paysandú Cricket Club. Os gols foram marcados por Horácio da Costa Santos (3), Heráclito de Vasconcellos (2), Felix Frias, Eurico de Moraes e A Simonsen. O time formou com: Américo Couto, Mário Frias e Victor Etchegaray (capitão); Mário Rocha, Oscar Cox e Walter Schuback; A Simonsen, Eurico de Moraes, Horácio da Costa Santos, Heráclito de Vasconcellos e Felix Frias. Com a aprovação dos estatutos em Assembléia Geral Extraordinária, no dia 17 de outubro de 1902, o Fluminense criou o seu primeiro uniforme (camisa branca e cinza, metade de cada cor, trazendo escudo no lado esquerdo do peito, calção branco, meias pretas e boné cinza). A primeira camisa tricolor foi aprovada na Assembléia de 15 de junho de 1904: grená, branco e verde. Camisa de lã, com mangas compridas e trazendo escudo no peito, no lado esquerdo.
 
 
Primeiro Campeão Carioca
 
  Em julho de 1905, o Fluminense recebeu o Club Atlético Paulistano, contra o qual disputou dois jogos, nos dias 14 e 16, vencendo o primeiro por 2 a 0 e perdendo o segundo por 3 a 2. O público calculado foi de 2.500 pessoas, número considerado excelente para a época. Neste jogo, pela primeira vez no Brasil, um chefe de Estado, o presidente Rodrigues Alves, assistiu a um jogo de futebol. No ano seguinte, o Fluminense abriu o primeiro Campeonato Carioca, no dia 3 de maio, jogando contra o Paysandú Cricket Club, no campo da Rua Guanabara (atual Pinheiro Machado). O tricolor venceu por 7 a 1 e Horácio da Costa Santos fez o primeiro gol em jogos do Campeonato Carioca, competição que mais tarde viria a ser conquistada pelo time.
 
 
Tantas vezes campeão
 
  Na letra da marcha que escreveu para o Fluminense, Lamartine Babo, torcedor do América, o chamou de “o clube tantas vezes campeão!”. A vocação de vencedor manifestou-se no Fluminense desde o início e perdurou através dos tempos. Ainda que tenha tido em suas equipes alguns dos maiores craques do futebol brasileiro, ídolos inesquecíveis como Marcos Carneiro de Mendonça, Batatais, Romeu, Tim, Hércules, Ademir Menezes, Castilho, Didi, Gérson, Rivelino, Carlos Alberto Torres, Ricardo Gomes, Assis, Washington, Renato Gaúcho e outros, o Fluminense caracteriza-se sobretudo por sua força como clube, pela tradição da camisa.
  A história do Fluminense começa com vitórias. Conquistou o primeiro campeonato carioca em 1906 e ainda os títulos de 1907 (empatado com o Botafogo), 1908 e 1909, praticamente com os jogadores que o fundaram: Watterman, Salomond e Victor Etchegaray; Chico Portela, Buchman e Fulden; Oswaldo Gomes, Horácio da Costa Santos, Ed Cox, E Etchegaray e Felix Frias.
  Já com uma equipe bastante modificada, voltou a ser campeão em 1911: Baena, Píndaro e Neri; Lawrence, Amarante e Galo; Oswaldo Gomes, Baiano, James Calvert, Alberto Borgeth e Gustavo de Carvalho.
  Uma cisão no tricolor levou dez jogadores a abandonarem o clube, para criar a seção de futebol do Clube de Regatas do Flamengo, que até então dedicava-se exclusivamente ao remo. No dia 9 de julho de 1911, realizou-se o primeiro Fla x Flu. De um lado, com a nova camisa, o time dias antes campeão; do outro lado os reservas do Fluminense, transformados em titulares, ao lado de dois antigos companheiros: Oswaldo Gomes e James Calvert. Surpresa e delírio nas Laranjeiras: Fluminense 3 a 2. Resultado histórico, que solidificava o mito de clube vencedor.
  Depois, o Fluminense levou alguns poucos anos para se reestruturar. Já em 1917 apresentava um time fortíssimo no qual pontificavam o goleiro Marcos Carneiro de Mendonça, o médio Fortes e o artilheiro inglês Welfare. Remanescente do time antigo, apenas Oswaldo Gomes, jogando agora como centro-médio. Vencendo os campeonatos de 1917, 18 e 19, os tricolores conquistaram o que foi considerado o primeiro tri carioca. O time: Marcos, Vidal e Chico Neto; Laís, Oswaldo Gomes e Fortes; Mano, Zezé, Welfare, Machado e Bachi.
 
 
Clube da elite
 
  Sob a inspiração da tradicional família Guinle, com atuação efetiva do Dr. Arnaldo Guinle, o Fluminense constrói o estádio das Laranjeiras, com capacidade para 15 mil pessoas, que no início da década de 20 seria a maior do Brasil. Junto ao estádio, a sede social, de estilo clássico e sem dúvida luxuoso, com vitreaux franceses e lustres de cristal.
  Sem desprezar o futebol  o Fluminense institui outros esportes – tênis, natação, basquetebol, voleibol – e promove intensa atividade social, sendo um dos clubes mais bem freqüentados da cidade. Volta a ser campeão em 1924, quando o movimento pelo profissionalismo ameaça dividir o futebol carioca. Implantado o sistema profissional e reunificados os clubes do Rio, o Fluminense vai buscar alguns dos maiores craques paulistas e forma um time poderoso, que em seis anos ganha cinco campeonatos. Vence em 1936, 37 e 38, conquistando seu segundo tri, e em 40 e 41, completando o bi. O time, base da seleção brasileira, formava com Batatais, Guimarães e Machado; Marcial, Brandt e Orozimbo; Sobral, Romeu, Russo, Lara e Hércules. Jogaram ainda o goleiro Nascimento; os zagueiros Moisés, Norival e Reganeschi; os médios Bioró, Santamaria, Spinelli e Malazzo; e os atacantes Pedro Amorim, Sandro, Novelli, Rongo, Carreiro, Milani e o grande Elba de Pádua Lima, o Tim.
  Considerado historicamente como o campeonato carioca mais disputado, o de 1946 terminou com quatro equipes empatadas em primeiro lugar: Fluminense, Flamengo, Botafogo e América. Para definir o campeão, disputou-se o desempate em turno e returno, se convencionou chamar de supercampeonato. E o Fluminense, sem derrota, conquistou o título, tido pela maioria como o maior de sua história. Na final, contra o Botafogo, no estádio de São Januário, o notável Ademir Marques de Menezes, o Queixada, que o Fluminense contratara junto ao Vasco, decidiu o jogo. Fluminense 1 a 0 e glória para o técnico Gentil Cardoso, autor da frase “dêem-me Ademir e eu lhes darei o campeonato”. Era um time ofensivo, muito forte no ataque, mas sem a mesma qualidade na defesa. Mas vale a pena lembrar: Robertinho, Gualter e Haroldo; Pascoal, Telesca e Bigode; Pedro Amorim, Ademir, Careca (Simões), Orlando e Rodrigues.
  Em 1951, os tricolores foram buscar um botafoguense histórico para reformular sua equipe. Zezé Moreira, que havia sido Campeão com o Botafogo em 1948, trouxe novas idéias, armando o time para marcar por zona, forte na defesa e mortal nos contra-ataques. Os adversários, talvez por despeito, chamavam o Fluminense de “timinho”. Como pode ser timinho uma equipe com jogadores da estirpe de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Telê, Didi, Carlyle e Orlando, o Pingo de Ouro? É bem verdade que nas outras posições revezaram muitos jogadores, como Pé de Valsa, Vitor, Jaminho, Nino, Lafaiete, Quincas, Joel, Robson e outros. Na decisão, uma melhor-de-três contra o Bangu, Telê ocupou a sua posição original de centroavante e marcou os dois gols da vitória por 2 a 0.
  Em 1952, o Fluminense conquistou a Taça Rio, torneio internacional, reunindo ainda o campeão paulista (no caso, o Corinthians) e mais seis campeões da Europa e da América do Sul. Quase o mesmo time, mas já com Bigode de lateral esquerdo, Jair Santana como volante e Marinho no lugar de Carlyle.
 
 
O terceiro tri
 
  Em 1959, Zezé Moreira voltou às Laranjeiras e de novo armou uma equipe vencedora. Do time de 51, estavam ainda Castilho, Pinheiro e Telê, agora jogando como meia. Era um time equilibrado na defesa e no ataque, com destaques para os laterais Jair Marinho e Altair (que com Castilho, iriam fazer parte da seleção brasileira bicampeã do mundo em 62, no Chile), os velozes ponteiros Maurinho e Escurinho, e o artilheiro Valdo. Já com o título na mão, no último jogo o Fluminense enfrentava o Botafogo e, faltando três minutos para terminar, perdia por 3 a 1. A torcida alvinegra festejava a vitória sobre o campeão quando, em dois cruzamentos de Telê, Valdo marcou dois gols e empatou (3 a 3), a um minuto do fim. O empate valeu mais que a vitória e quase tanto quanto o título. O time: Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edimilson e Paulinho; Maurinho, Valdo, Telê e Escurinho.
  Em 1963, o Fluminense deixou escapar o título, ao empatar com o Flamengo por 0 a 0, num jogo célebre por dois fatos: é até hoje recorde de público no Maracanã - e no futebol mundial - em jogos entre clubes (mais de 178 mil pagantes) e o gol que Escurinho perdeu, com Marcial caído, jogando para fora a vitória e o campeonato. Mas em 1964, sob o comando do competente e brilhante Elbe de Pádua Lima, o Tim, os tricolores eram de novo campeões, derrotando o Bangu na final. O time: Castilho, Carlos Alberto Torres, Valdez e Altair; Denilson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gilson Nunes.
  Em 1969, outro ex-jogador querido pelos tricolores assume a direção do time. Era Telê Santana, estreando como técnico. E leva o time ao título, numa final memorável contra o Flamengo (3 a 2), com o Maracanã lotado. Félix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Denilson e Lulinha; Wilton, Flávio, Samarone e Lula. Sob o comando de Zagalo, praticamente com a mesma formação, o Fluminense vence em 1971, após uma final emocionante, gol marcado por Lula no último minuto, quando a torcida adversária já festejava o título que o empate lhe dava. Lançando novos jogadores, a prata da casa, o Fluminense ganha ainda em 1973, derrotando o Flamengo por 4 a 2 no último jogo, onde brilhou o centro-avante Dionísio, ex-rubro-negro.
  O Fluminense entra, então, na fase de pensar grande, com o advento de Francisco Horta, jovem juiz de Direito, eleito para a presidência do clube. Ele começa por apresentar a contratação de Rivelino, o mais importante jogador brasileiro na época, e traz depois craques renomados, como Paulo César Caju, Mário Sérgio e Carlos Alberto Torres, Gil, Rodrigues Neto, Doval, Wendell, Renato, Miguel, Dirceu e outros, que se somam aos jovens feitos no clube, como Carlos Alberto Pintinho, Cléber, Rubens Galaxie, Cafuringa e Edinho, entre muitos. Ganha os títulos de 1975 e 1976, mas não consegue ser campeão brasileiro. Perde o tri que era considerado certo e parte dos conselheiros do clube não perdoam, embora continue com seu nome gravado no coração da torcida.
  Terminada a era Horta, o Flu volta a vencer em 1980, dentro de outro esquema político: jogadores feitos em casa. Quase todos recém promovidos, os tricolores derrotam o Vasco na final por 1 a 0, gol de Edinho. O time: Paulo Goulart, Edvaldo, Tadeu, Edinho e Rubens Galaxie; Delei e Mário; Robertinho, Gilberto, Cláudio Adão e Zezé. De fora, Gilberto e Cláudio Adão apenas.
   Os anos de 1983, 84 e 85 são de alegria. Contratando jogadores quase desconhecidos, porém com grande potencial técnico, e juntando a eles alguns feitos em casa, o Fluminense foi buscar a dupla de ataque Washington e Assis no Paraná, formando um time forte e vencedor. A eles, somou Romerito e ganhou seu terceiro tri, além do título brasileiro de 1984, derrotando o Vasco. Em 1983, 84, o Fluminense venceu nas finais o Flamengo, ambas as vezes por 1 a 0, ambas as vezes com gol de Assis, que passou a ser chamado de “Carrasco das Laranjeiras”. Em 1985, disputou a final contra o Bangu e virou o jogo, que perdia por 1 a 0, para 2 a 1, gols de Romerito e Paulinho, de falta. O time teve como goleiro titular Paulo Vitor, Aldo (Beto), Duílio e Vica; Ricardo Gomes e Branco (Renato); Jandir, Delei e Assis; Romerito, Washington e Tato (Paulinho).
 
 
"...sou do clube tantas vezes campeão!"
 
  Recordista de títulos no Rio de Janeiro, o Fluminense conquistou o seu 28º campeonato em 1995, em uma das mais empolgantes decisões de todos os tempos, ao vencer o Flamengo na final por 3 a 2, quando o empate bastava para os rubro-negros.
 Há nove anos sem chegar ao título – desde que se sagrara tricampeão em 83-84-85 – o Fluminense disputava a quarta decisão consecutiva, encerrando uma campanha onde não obtivera qualquer vantagem. Os tricolores entraram no turno final com zero ponto, enquanto o Flamengo já somava três, e o Vasco e o Botafogo contavam um.
  Ao empatar com o América e, na segunda rodada, perder para o Botafogo, tudo parecia conspirar contra o Fluminense. Mas foi justamente aí, quando ninguém mais acreditava em suas possibilidades, que os jogadores tricolores se uniram e foram buscar forças para a arrancada impressionante em busca do título, numa sequência de 12 jogos sem derrotas.
 No balanço final do campeonato, foi o Fluminense o time que somou o maior número de pontos, vencendo 18 vezes, empatando sete e perdendo apenas três num total de 28 jogos. Os tricolores marcaram 49 gols e sofreram 19, apresentando um time de notável aguerrimento, equilíbrio e segurança.
 Comandados por Joel Santana, que com humildade, seriedade e competência soube unir o grupo e incutir raro senso de responsabilidade, os tricolores transformaram o início incerto numa conquista apoteótica. Wellerson firmou-se no gol, dando confiança a seus companheiros de defesa, onde sobressaía a segurança de Ronald, Lima, Márcio Costa, Paulo Paiva e Lira. No meio do campo destacava-se a atividade e dedicação de Ailton, Cadu, Djair, Rogerinho e Wallace; na frente, valentes e oportunistas, estavam Leonardo (o artilheiro da equipe com 9 gols), Ézio, Luís Henrique (que seriamente lesionado teve de se submeter à cirurgia) e o capitão Renato. À frente de todos, verdadeiro líder e grande incentivador, Renato Gaúcho dava provas de grande dedicação e responsabilidade profissional.
  A final não poderia ter sido mais emocionante. Um grande Fla x Flu, com o Maracanã lotado e as torcidas em festa. Só a vitória daria o título ao Fluminense e os tricolores reviveram sua imortal legenda de “vencer ou vencer”. O Fluminense iniciou esmagador e chegou aos 2 a 0, com gols de Renato e Leonardo, como poderia ter feito mais dois ou três. No segundo tempo, em jogada ocasional, o Flamengo diminuiu e logo depois chegou ao empate (2 a 2).
  Mas os tricolores não esmoeceram. Continuaram lutando, acreditando, tentando. Com um jogador a menos, quando faltavam quatro minutos, Ailton invadiu a área pela direita, aplicou uma série de dribles nos defensores adversários e mandou a bomba; a bola ia passar, quando surgiu Renato e a desviou com a barriga para as redes: Flu 3 a 2, Flu campeão, torcida em delírio, uma festa de heróis. Como diria Nélson Rodrigues, ali estavam todos os tricolores, vivos ou mortos, abandonando as sandálias da humildade para chorarem de felicidade total.
  Pela ansiedade, pela vibração, pela emoção – os tricolores sentiram que valera à pena esperar nove anos para reconquistar o título do Rio de Janeiro. No jogo final o Fluminense formou com: Wellerson, Ronald, Lima e Sorley; Márcio Costa, Ailton, Djair e Rogerinho; Renato e Leonardo. Entraram ainda Ézio e Cadu.
  O Rio, na noite de 25 de junho de 1995, enfeitou-se de grená, branco e verde, lotando bares e restaurantes sob o canto da velha marcha de Lamartine Babo que retrata a história tricolor: “Sou tricolor de coração, sou do clube tantas vezes campeão...”
 
  O Fluminense, recordista de títulos no Rio de Janeiro, venceu também em 1970 a Taça de Prata, equivalente ao Campeonato Brasileiro. Sua história, de títulos e conquistas, teve seu ponto culminante quando o Comitê Olímpico Internacional o distinguiu com a Taça Olímpica, troféu raramente destinado a clubes, mas profundamente honroso pelo significado de premiar uma organização exemplar, dentro e fora dos gramados, das quadras e das piscinas. Apesar de seus muitos títulos, em seus escritos, o clube adotou a fórmula: Fluminense Football Club, Detentor da Taça Olímpica de 1949.
 
 
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