MARIA DA FONSECA

  

SOM DE FUNDO:

COLETÂNEA DE MARCHAS CARNAVALESCAS

 

CARNAVAL NO RIO 2005

 

Sempre o calor tropical

Nesta festa esfuziante,

Apesar de já ser noite

E a chuva uma constante.

 

A desfilar na Avenida,

Graça, luxo, sedução.

Cada uma das Escolas

Busca maior sensação.

 

A luta não vai ser fácil.

Sambam as belas morenas

Em excitante frenesim,

Brilhando como sirenas.

 

A música jamais pára,

O seu ritmo é sempre igual.

O samba enredo impera

Na atracção do Carnaval.

 

Muito ouro, prata e plumas,

Aos milhares as fantasias!

Desejam ser os melhores

Na expansão das alegrias.

 

Vibra, frente a cada Escola,

A multidão delirante.

Desfilam todos cantando,

Mais magia irradiante!

 

As baianas como rodam,

Vestidas de “dama antiga”!

E a porta-bandeira dança,

Rodopia sem fadiga.

 

O mestre-sala a seu lado

Não termina o seu sambar.

E com finos ademanes

Reverencia o seu par.

 

Seguem alas varonis

Dos autores desta lindeza.

Marquês de Sapucaí

Encanta com a surpresa.

 

Feéricos vão os carros,

Enormes, estrelejados.

Aquecem os tamborins,

Com vigor, batuqueados.

 

 

Anda até fogo no ar,

Espanto, empolgamento.

Os foliões da Avenida,

Em contínuo movimento.

 

Ensaiaram todo o ano

Pra no desfile brilharem,

E a sua Escola de Samba,

Briosos, representarem.

 

Pretendem ser os primeiros,

Ganhar uma nota dez.

O Carnaval carioca

Domina de lés-a-lés.

 

Considera quem o vê,

Do mundo inteiro o maior.

A Beija-Flor ‘splendorosa,

De todas foi a melhor!

 

MARIA DA FONSECA

Lisboa/Portugal

 

SAUDADE DO BRASIL

Eu queria ser mulher,

Quando ainda era criança.

Só me sentia feliz

Com histórias de mudança.

 

 

 

Em Niterói fui nascida,

Mas do calor não gostava.

Não comia nem dormia,

Os meus Pais preocupava.

 

Depois vivi em S. Paulo,

Onde minha irmã nasceu,

Pouco tempo, é bem verdade,

E o regresso aconteceu.

 

Foi difícil a viagem,

Éramos duas neninhas.

Eu vinha apenas c'um ano,

Vinha a bebé de fraldinhas.

 

Os meus Tios nos receberam,

Cheios de amor e cuidado.

Chegámos a Portugal

Num belo dia dourado.

 

Andámos de casa em casa

P'ra bem nos acomodar.

As Meninas a crescer

E meus Pais a trabalhar.

 

Logo chegou a Janinha,

Que muito me fez chorar

Nascer no meu dia de anos,

Não podia tolerar!

 

 

Minha Mãe sempre brincou.

- Duas filhas mui queridas,

Na Primavera e no Outono,

Em igual dia, nascidas! –

 

Já éramos três garotas,

Na vida continuada.

Quando havia ocasião,

Minha terra era lembrada.

 

Pensava "quando eu for grande

Eu quero ir ao Brasil".

Mais tarde isso sucedeu

Num dia lindo de Abril.

 

Adorei ter ido lá!

Atrapalhou-me o calor,

Assim como à minha Mãe,

A quem estraga o humor.

 

Durante um bom ano e meio,

Estive alegre, feliz.

Mas houve que regressar,

Rapidamente, ao País.

 

Agora Mãe de Família

Com marido e três rebentos,

'Inda relembro essa frase

Em agradáveis momentos

 

E sonho "quando eu for grande

Eu quero ir ao Brasil".

Meu desejo de criança,

Encantador e pueril.

 

Só pode ser a saudade

Duma infância afastada

Do País em que nasci.

Ò minha terra adorada!

 

MARIA DA FONSECA

Lisboa/Portugal

 

 O MUNDIAL  DE  FUTEBOL

Nosso Brasil já ganhou,

Já ganhou o Mundial.

Foi campeão cinco vezes,

No futebol é o tal!

 

 

O Chico Anísio dizia,

Já há anos na tê-vê:

- Não ser então o maior,

Mas máximo já se vê!!!

 

 

 

E todos os brasileiros

Fizeram seu Carnaval.

Comemoraram o "penta"

Do Japão a Portugal.

 

 

 

Também nós os portugueses

Festejámos o seu feito.

A emoção foi tão grande,

Houve lágrimas a eito.

 

 

 

Assim, nosso povo irmão

Mostrou arte e competência

No desporto de que é rei,

E no mundo, referência.

 

Lisboa, 30/06/02

MARIA DA FONSECA

Lisboa/Portugal

 

 

 

       

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