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Sempre o calor tropical
Nesta festa esfuziante,
Apesar de já ser noite
E a chuva uma constante.
A desfilar na Avenida,
Graça, luxo, sedução.
Cada uma das Escolas
Busca maior sensação.
A luta não vai ser fácil.
Sambam as belas morenas
Em excitante frenesim,
Brilhando como sirenas.
A música jamais pára,
O seu ritmo é sempre igual.
O samba enredo impera
Na atracção do Carnaval.
Muito ouro, prata e plumas,
Aos milhares as fantasias!
Desejam ser os melhores
Na expansão das alegrias.
Vibra, frente a cada Escola,
A multidão delirante.
Desfilam todos cantando,
Mais magia irradiante!
As baianas como rodam,
Vestidas de “dama antiga”!
E a porta-bandeira dança,
Rodopia sem fadiga.
O mestre-sala a seu lado
Não termina o seu sambar.
E com finos ademanes
Reverencia o seu par.
Seguem alas varonis
Dos autores desta lindeza.
Marquês de Sapucaí
Encanta com a surpresa.
Feéricos vão os carros,
Enormes, estrelejados.
Aquecem os tamborins,
Com vigor, batuqueados.
Anda até fogo no ar,
Espanto, empolgamento.
Os foliões da Avenida,
Em contínuo movimento.
Ensaiaram todo o ano
Pra no desfile brilharem,
E a sua Escola de Samba,
Briosos, representarem.
Pretendem ser os primeiros,
Ganhar uma nota dez.
O Carnaval carioca
Domina de lés-a-lés.
Considera quem o vê,
Do mundo inteiro o maior.
A Beija-Flor ‘splendorosa,
De todas foi a melhor!
MARIA DA FONSECA
Lisboa/Portugal

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Eu
queria ser mulher,
Quando
ainda era criança.
Só
me sentia feliz
Com
histórias de mudança.
Em
Niterói fui nascida,
Mas
do calor não gostava.
Não
comia nem dormia,
Os
meus Pais preocupava.
Depois
vivi em S. Paulo,
Onde
minha irmã nasceu,
Pouco
tempo, é bem verdade,
E
o regresso aconteceu.
Foi
difícil a viagem,
Éramos
duas neninhas.
Eu
vinha apenas c'um ano,
Vinha
a bebé de fraldinhas.
Os
meus Tios nos receberam,
Cheios
de amor e cuidado.
Chegámos
a Portugal
Num
belo dia dourado.
Andámos
de casa em casa
P'ra
bem nos acomodar.
As
Meninas a crescer
E
meus Pais a trabalhar.
Logo
chegou a Janinha,
Que
muito me fez chorar
Nascer
no meu dia de anos,
Não
podia tolerar!
Minha
Mãe sempre brincou.
-
Duas filhas mui queridas,
Na
Primavera e no Outono,
Em
igual dia, nascidas! –
Já
éramos três garotas,
Na
vida continuada.
Quando
havia ocasião,
Minha
terra era lembrada.
Pensava
"quando eu for grande
Eu
quero ir ao Brasil".
Mais
tarde isso sucedeu
Num
dia lindo de Abril.
Adorei
ter ido lá!
Atrapalhou-me
o calor,
Assim
como à minha Mãe,
A
quem estraga o humor.
Durante
um bom ano e meio,
Estive
alegre, feliz.
Mas
houve que regressar,
Rapidamente,
ao País.
Agora
Mãe de Família
Com
marido e três rebentos,
'Inda
relembro essa frase
Em
agradáveis momentos
E
sonho "quando eu for grande
Eu
quero ir ao Brasil".
Meu
desejo de criança,
Encantador
e pueril.
Só
pode ser a saudade
Duma
infância afastada
Do
País em que nasci.
Ò
minha terra adorada!
MARIA
DA FONSECA
Lisboa/Portugal
  
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Nosso
Brasil já ganhou,
Já
ganhou o Mundial.
Foi
campeão cinco vezes,
No
futebol é o tal!
O
Chico Anísio dizia,
Já
há anos na tê-vê:
-
Não ser então o maior,
Mas
máximo já se vê!!!
E
todos os brasileiros
Fizeram
seu Carnaval.
Comemoraram
o "penta"
Do
Japão a Portugal.
Também
nós os portugueses
Festejámos
o seu feito.
A
emoção foi tão grande,
Houve
lágrimas a eito.
Assim,
nosso povo irmão
Mostrou
arte e competência
No
desporto de que é rei,
E
no mundo, referência.
Lisboa,
30/06/02
MARIA DA FONSECA
Lisboa/Portugal

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